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5 ESTUDOS DE CASO DAS PRÁTICAS INDUSTRIAIS

5.3 RESPOSTAS DETALHADAS OBTIDAS PAUTADAS NO FORMULÁRIO DE

5.3.4 SIMPLIFICAÇÃO DO CICLO DE DESENVOLVIMENTO

A quinta questão do formulário serviu para verificar de que forma o ciclo de desenvolvimento é revisto e simplificado e se há preocupação com seu alinhamento ao caminho crítico. Procurou-se, também, entender quais tecnologias podem ser aplicadas para este fim.

Deve-se entender o ciclo de desenvolvimento, como algo maior do que o processo de desenvolvimento do produto, pois além de englobá-lo, preocupa-se com as questões de produção e de assistência ao mercado.

Objetivando entender melhor estas questões, o formulário procurou explorar os seguintes tópicos:

- Complexidade do ciclo de desenvolvimento, - Alinhamento das atividades com o caminho crítico,

- Grupos multifuncionais envolvidos no processo de melhoria do ciclo de desenvolvimento,

Nesta etapa, buscou-se-se verificar o alinhamento do ciclo de desenvolvimento das empresas estudadas com os seguintes princípios enxutos: fluxo, fluxo de valor e perfeição.

O Quadro 5.4 apresenta um resumo das informações obtidas durante esta fase da investigação.

Quadro 5.4 – Sumário das questões relativas à simplificação do ciclo de desenvolvimento de produtos, nas empresas A, B e C.

Empresa Procura-se detectar complexidades desnecessárias no ciclo de desenvolvimento do produto? Há um alinhamento das atividades com o caminho crítico?

Quais as tecnologias utilizadas para a melhoria do ciclo de

desenvolvimento?

Quem participa das discussões sobre o ciclo de desenvolvimento? A Sim O objetivo da empresa é reduzir o quanto possível o ciclo do desenvolvimento, por meio do alinhamento de suas atividades com

o caminho crítico.

São inúmeras as ferramentas para este

propósito. Ex.: CAD, CAM, CAE e CIM.

Integrantes da célula gestora de produto (Núcleo Técnico). B Eventualmente, e por força do sistema da qualidade. Não se verificou esta intenção. Foram observadas ferramentas que possibilitam esta melhoria, porém, não foram observadas ações

neste sentido. As questões sobre o ciclo de desenvolvimento estão centralizadas em um engenheiro. C Não há uma atividade específica. Não há uma atividade específica. Foram observadas ferramentas que possibilitam esta melhoria, porém, não foram observadas ações

neste sentido. As melhorias normalmente acontecem de forma unilateral. 5.3.4.1 Empresa A

A Empresa A tem declaradamente uma preocupação com o ciclo de desenvolvimento. Conforme já mostrado na Figura 5.2, seu complexo ciclo de

desenvolvimento de produtos foi resumido em cinco etapas formais: estudos preliminares, definição conjunta, detalhamento e certificação, seriação e phase out. Esta simplificação na representação do ciclo possibilitou a criação de um processo designado Desenvolvimento Integrado de Produto – DIP.

Nos últimos anos, a empresa tem empreendido grande ênfase na redução do tempo de ciclo baseada nas fases de seriação, por meio da aplicação dos princípios enxutos na manufatura. Este esforço tem possibilitado a redução do tempo do ciclo de produção em aproximadamente 8% por semestre. Quanto ao ciclo completo de desenvolvimento, a redução chegou a ser de aproximadamente 50% ao longo de dez anos.

Todas estas reduções no tempo de ciclo são resultado de um grande foco no mercado e, conseqüentemente, nos clientes. Segundo a empresa, as fronteiras nacionais têm sido deixadas de lado e o mundo tem se tornado “menor, mais integrado e mais eficiente”. O que se espera da empresa para que ela possa prosperar é: virtualidade, conectividade, capacidade de adaptação, rapidez de resposta, consciência de mercado e inovação.

A redução, portanto, do ciclo de desenvolvimento da Empresa A foi obtida por meio de engenharia simultânea, novas tecnologias e novos modelos de organização e gestão. Como exemplo de novas tecnologias, pode-se citar a manufatura virtual (utilização conjunta das ferramentas de CAD, CAM e CAE) que proporcionou, não só melhorias no processo produtivo, como também auxiliou na concepção do produto.

O ciclo de desenvolvimento assim como outras questões relacionadas são discutidos no que foi designado Núcleo Técnico (Figura 5.6)

Figura 5.6 – Representação do Núcleo Técnico de Produto com seu engenheiro chefe e respectivos gerentes de desenvolvimento de produto

Fonte: Adaptação de Nascimento et. al. s/d

O Núcleo Técnico, também chamado de célula gestora, é coordenado por um Engenheiro Chefe. Participam desta célula oito Gerentes de Desenvolvimento de Produto – GDP. Há um GDP para Aeronáutica, outro para Estruturas, outro para Sistemas Eletro/Eletrônico, etc.

5.3.4.2 Empresa B

Na empresa B, a preocupação com o ciclo de desenvolvimento tornou-se mais evidente com a implantação do sistema de gestão da qualidade – SGQ. O engenheiro responsável pela implementação do SGQ evidenciou que, por livre iniciativa, havia mapeado todos os passos do processo de desenvolvimento de produtos da empresa e pouca importância havia sido dado a este trabalho. Com o processo de certificação no SGQ, um novo fluxograma foi elaborado, arquivando-se o trabalho anterior.

Cabe ressaltar que mesmo com o novo mapeamento das atividades que compõem o processo de desenvolvimento, pouco se discutiu sobre a real importância de cada uma destas atividades, sendo este novo fluxograma simplesmente uma representação do estado atual.

Engenheiro Chefe GDP GDP GDP GDP GDP GDP GDP GDP

A empresa B dispõe da ferramenta CAD (Computer Aided Design) que possui recursos limitados de simulação quando não é integrada a outras ferramentas de CAM (Computer Aided Machining) ou CAE (Computer Aided Engineering). Além disto, não se verificou qualquer iniciativa de uso desta ferramenta para melhoria do ciclo de desenvolvimento.

A participação no processo de melhoria do ciclo de desenvolvimento ocorre de forma difusa: por intermédio de qualquer pessoa ligada ao processo, e até mesmo de pessoas externas ao processo. Normalmente, esta melhoria acontece baseada em uma ficha de ação preventiva que, segundo o manual da qualidade da empresa, serve para eliminar a causa de uma não-conformidade potencial. A rigor isto não pode ser considerado um processo de melhoria, mas é o instrumento que a empresa utiliza para esta finalidade.

Neste tópico, as empresas distanciaram-se ainda mais no que se refere ao alinhamento com os princípios e práticas enxutas. A Empresa A investiga e procura utilizar as técnicas e ferramentas mais avançadas para a melhoria e redução do ciclo de desenvolvimento de seus produtos, enquanto a Empresa B procura realizar as suas atividades de forma burocrática e com poucos resultados. Apesar de definir prazo como valor para os clientes, na Empresa B não existe um monitoramento do tempo de desenvolvimento dos produtos, incorrendo, conseqüentemente, na impossibilidade de quantificar possíveis reduções no ciclo de desenvolvimento.

5.3.4.3 Empresa C

Neste quesito, a avaliação realizada pelo próprio entrevistado foi a mais baixa de todas; segundo sua resposta, o ciclo tem sido acelerado de forma sistêmica nos últimos anos, mas falta um processo de eliminação sistêmica de desperdícios relacionados ao desenvolvimento.

Na exibição de um produto experimental em uma feira de automóveis, verificou-se uma possível demanda por este produto, que era, na verdade, uma versão “fora de estrada” para um automóvel já existente. A demanda pelo produto forçou uma grande redução no tempo de desenvolvimento e um lançamento recorde no

mercado para a empresa. Quando questionado se o sucesso obtido neste desenvolvimento poderia ser reproduzido em uma nova tentativa acelerada de desenvolvimento, o gerente informou que seria muito difícil garantir a reprodução da atividade em outro processo.