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A administração pública, diferente de empresas privadas, para executar obras, se depara com as limitações impostas pela Constituição Federal e pela Lei 8.666/1993, que dispõe que as obras e serviços de engenharia só poderão ser licitados quanto houver previsão de recursos orçamentários que assegurem o pagamento das obrigações a serem executadas no exercício financeiro em curso, de acordo com o respectivo cronograma (LEI 8.666/1993, BRASIL).

Contudo, a estimativa de custos da obra terá a função inicial de verificar a previsão e suficiência de recursos para a conclusão do projeto, sendo que, posteriormente, durante a licitação do empreendimento, o orçamento terá a função de servir como parâmetro para a análise da exequibilidade e da economicidade das propostas das licitantes (TCU, 2014).

Desta forma, a construção de um empreendimento público depende, dentre outros fatores, da disponibilidade financeira a ele vinculada, produto das previsões oriundas do orçamento da obra.

Como visto anteriormente, para elaboração do orçamento da obra é necessário, entre outros, acesso a composições de custos e índices de produtividade. Visando unificar e

34 facilitar o desenvolvimento do orçamento, o Decreto Presidencial nº. 7.983/2013 estabelece regras e critérios para elaboração do orçamento de referência de obras e serviços de engenharia contratados e executados com recursos dos orçamentos da União. Dispõe o normativo que o custo de referência de obras e serviços de engenharia, exceto os serviços de obras de infraestrutura de transporte, será obtido a partir de composições de custos unitários menores ou iguais à mediana de seus correspondentes nos custos unitários de referência do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil – SINAPI (TCU, 2014).

O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil - SINAPI foi implantado pelo extinto Banco Nacional da Habitação - BNH, em 1969, com o objetivo de armazenar e atualizar informações sobre custos da construção civil e os índices de evolução de tais custos, com uma abrangência nacional. A partir de 2013 é iniciado na CAIXA o processo de aferição das composições do Banco Referencial do SINAPI. Este processo visa aprimorar o sistema, uma vez que se tornou o balizador oficial de custos para obras executadas com recursos Federais.

Neste processo estão sendo aferidas 5.000 composições de serviço por meio de pesquisa em campo para a coleta, processamento e análise de informações quanto à eficiência na produção de obras. Ao final do processo, o Banco SINAPI contará com mais de 7.000 composições publicadas de forma analítica e em conjunto com um caderno técnico, os critérios para quantificação do serviço, os critérios de aferição, as etapas construtivas, e as normas e demais referências bibliográficas (SINAPI, 2014).

Os cadernos técnicos fornecem as informações sobre a composição, dando subsídios para o profissional selecionar a referência mais adequada a cada caso.

2.3.1 Metodologias e conceitos do SINAPI

Como visto anteriormente, para realização de orçamento faz-se necessário acesso a informações sobre os insumos – materiais, equipamentos e mão de obra- e suas composições – unitária e auxiliar.

Ao utilizar o banco de dados do SINAPI os profissionais têm acesso à descrição e quantificação de cada insumo (composição unitária) e à composição auxiliar com a

35 descrição dos índices empregados para executar uma unidade de serviço, conforme mostrado na tabela 2.1.

Figura 2. 3– Composição Analítica de Serviços Alvenaria de Vedação

Fonte: SINAPI (2014)

As composições do SINAPI, antes de integrarem o Banco Referencial de Composições, passam por processo de dimensionamento da produtividade da mão de obra e equipamentos, além de consumos e perdas de materiais envolvidos na execução dos diversos serviços da construção civil. Tal procedimento é denominado aferição. Cada composição aferida apresenta coeficientes determinados estatisticamente a partir da amostra composta por, no mínimo, dez diferentes obras representativas do território nacional, constituídas de medições diárias pelo prazo mínimo de cinco dias cada.

As medições são realizadas em canteiros de obras distribuídos geograficamente pelo País, sendo contempladas na amostra obras públicas e privadas, de pequeno e grande vulto, executadas por empresas de diferentes portes e por equipes trabalhando sobre diferentes regimes de contratação (SINAPI, 2014).

O objetivo norteador do processo de aferição é representar da forma mais adequada a realidade das obras brasileiras. Para tanto são fundamentadas, preferencialmente, em dados de campo, coletados e analisados com emprego da metodologia baseada no

36 “modelo de entradas-saídas”, mais especificamente pelo “método dos fatores”, conforme estudado no item produtividade.

A aferição é realizada por grupos de serviços similares, partindo-se da identificação dos fatores que geram impactos na produtividade da mão de obra e equipamentos e no consumo de materiais de cada grupo de serviços.

A partir da análise do conjunto de dados obtidos nas obras os fatores são confirmados e considerados para concepção do grupo de composições representativas do serviço em estudo, influenciando os coeficientes de composições.

A segregação em diferentes composições permite o entendimento correto de cada etapa do processo, possibilitando ao usuário apropriar em cada etapa os recursos necessários para sua realização.

Por meio do processo de aferição o banco de dados está sendo atualizado e ampliado, visando à incorporação de novos insumos e técnicas construtivas. A nova metodologia apropria nos coeficientes das composições o tempo improdutivo oriundo das paralisações para instrução da equipe, preparação e troca de frente de trabalho, deslocamento no canteiro, entre outros.

Dentre todas as modificações realizadas com o novo processo de aferição, a mais impactante é a formação das Árvores de Fatores. Em cada grupo de serviço que são observados e mensurados, identificam-se os fatores que impactam na produtividade e consumo e os distribuem na forma de redes, denominadas árvores de fatores. Tal forma de representação facilita ao usuário escolher a composição mais apropriada ao seu projeto, de acordo com o mostrado na Figura 2.3.

37 Figura 2. 4 - – Árvore de Fatores – Alvenaria de Vedação

Fonte: SINAPI (2014)

As diferentes composições auxiliam o entendimento de cada etapa do processo, dando subsídios ao orçamentista para combinar as composições da forma mais adequada para cada caso.

Vale ressaltar que os recursos que não são atribuídos diretamente ao serviço (elevador de carga, grua, engenheiro de obra, entre outros) não foram contemplados nas composições unitárias, devendo seus custos ser computados de maneira distinta.

Para os equipamentos presentes no SINAPI foram criadas composições para os custos horários produtivos (CHP) e improdutivos (CHI), devendo ser considerados nas composições que utilizem equipamentos.

Após breve explanação sobre as novas composições do SINAPI e seu método de aferição, conclui-se que o novo processo possibilita uma série de análises baseada nas árvores de fatores e suas composições, possibilitando aos profissionais envolvidos em todo processo direcionarem os projetos e orçamentos de forma mais produtiva.

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