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4 DA OPÇÃO EPISTEMOLÓGICA E DOS CAMINHOS METODOLÓGICOS POR ONDE ALTERO E SOU ALTERADO NESTA PESQUISA

4.3. PRATICANDO POLÍTICA METODOLÓGICA

4.3.6 Sinopses dos curtas e as perguntas da entrevista

Apresento a seguir a síntese de cada produção cinematográfica utilizada como dispositivo de provocação. As temáticas que aportam nos curtas indicam o rumo das perguntas das entrevistas desta pesquisa, ocorridas no período de setembro a novembro de 2013 e de maio a setembro de 2014:

Canoa de Um Pau Roxo. A história trata da habilidade de um canoeiro do rio Murim,

no Maranhão, transformando o tronco de uma árvore em uma canoa rústica, meio de transporte típico daquela comunidade. Ao mesmo tempo em que as imagens mostram o homem produzindo o artefato com técnicas refinadas aprendidas na historicidade de sua comunidade, sua narrativa discorre sobre sua formação e a formação das crianças dali como artesão e futuros artesãos, implicados nessa bacia semântica. (2008).

tempo para ressignificar seu passado. Nos momentos que antecedem o disparo do botão, rememora e reflete sobre sua vida e sobre o tempo. Ao acioná-lo, descobre um movimento inusitado que o manterá aprisionado neste instante para sempre (2002).

1. O que você pensa sobre formação durante a vida?

2. Onde você aprende durante a vida?

Trocam-se bolinhos por histórias de vida. Diante do fim da relação às vésperas do

casamento, a noiva luta para vencer a enorme frustração que ameaça desestabilizá-la. Cancelando compromissos assumidos, Clara precisa desfazer-se também de encomendas feitas para a festa. Assim, os cakes, são distribuídos à vizinhança, mas de uma maneira inusitada e criativa. Em sua floricultura, ela anuncia a troca desses bolinhos por histórias de vida das pessoas que se disponham a entrar na permuta. Durante esse processo insurgente, alterações significativas ocorrem nas interações, fazendo emergir questões existenciais que a fazem tomar decisões inesperadas (2010).

3. O que são dilemas e emergências cotidianas para você e como você interage com elas?

4. Como você cria maneiras, estratégias, para interagir com essas emergências no cotidiano?

Patativa. Essa animação apresenta as itinerâncias desse sertanejo e sua afirmação

indexicalizada como tal, suas leituras e referências que o tornaram o grande poeta nordestino brasileiro (2001)

O Voo do Caçador. O filme traz a história da transformação do caçador Josafá

Sampaio em ambientalista e guia turístico de Boa Nova, no interior da Bahia. O protagonista narra essa alteração mostrando como foi provocado pelas circunstâncias e pelas crianças dessa comunidade a ressignificar sua existência, tornando-a implicada nas demandas ambientais, compreendendo-se como o próprio meio (2010).

5. O que você traz de sua história de vida que utiliza como teoria/ferramenta/método em seu cotidiano? Indique situações/marcos que lhe fizeram você reconhece-los.

6. Como lida com essas questões e essas formas de interação cotidianas no âmbito dos grupos com os quais interage?

A Origem dos Bebes Segundo Kiki Cavalcante. Através da impertinência do olhar

infantil de uma garota de 6 anos a reprodução humana explode como insurgência em uma sala de aula tensionando o instituído com os saberes instituíntes infantis numa trama que envolve família, escola, currículos e formação (1995).

7. Sobre temas que não estão previstos nos programas ou planejamentos:

 Em quais situações eles emergem?

 Em quais momentos você provoca os alunos e eles o/a provocam para tais emergências?

 Há recorrência desses temas?

 Indique possibilidades de temas que podem emergir em suas aulas.

8. Relate ações que promove para discutir essas questões com os grupos onde interage?

Tirem As Crianças da Sala. A animação apresenta dados sobre consumo infantil

estimulado e provocado por pedagogias midiáticas, seus recursos e interpelações para a lógica consumista como forma de existir (2010).

Desirella. Desejando tornar-se jovem e sensual permanentemente, renegando o

envelhecimento por suas opacidades e impurezas, Desirella se entorpece com uma droga que a torna quase perfeita esteticamente. Entretanto, nunca poderá tirar o sapato bem alto que está usando, caso contrário, o efeito rejuvenescedor cessará, tirando-lhe a própria vida. A narrativa nos provoca para o apego, para o saneamento estético e o hedonismo como maneiras de estar sendo no mundo (2004).

9. O que considera fontes e dispositivos formadores dos indivíduos nos contextos da chamada “sociedade de consumo” nas comunidades onde interage?

10. Há discurso corrente em cursos, formação de professores, periódicos especializados entre outros, enfatizando a mídia como educadora/formadora das pessoas.

 O que você considera mídia?

 Como ela educa/forma pessoas e quais seus mecanismos e estratégias?

 Como define os objetivos e intencionalidades dessa educação/formação midiática?

Supermercado. Tratando de forma extravagante daquilo que a publicidade classifica

como “identificação do consumidor com o produto e a marca”, a narrativa expõe o consumismo sem reflexão e problematização [há com?] de um indivíduo que percorre as seções de um supermercado tomado literalmente pelo conteúdo dos produtos (2012).

A alma do negócio. Por meio do recorte do despertar e do desjejum do cotidiano de

um casal da classe média urbana e, como tal, consumidor contumaz dos bens ofertados como garantia de felicidade, prazer e bem-estar, o curta problematiza a produção de

(1996).

11. Identifique práticas consumistas dos grupos com os quais interage.

12. Quais os significados que atribui à expressão “...de cidadãos à consumidores” nos contextos dos grupos com os quais interage?

Pela pedagogia do olhar, os atores curriculantes desenvolviam suas narrativas para tratar das questões propostas. Esse movimento de nossos etnométodos promovia profusão de sentidos atribuídos às interações em razão de compreendermos a entrevista numa perspectiva de arena de embates, contestações e negociações semânticas. Ela apresenta critérios de representatividade da fala e da interação social que ocorre entre pesquisador e sujeito da pesquisa (Minayo,1996, p. 109, apud Szymanski, 2004, p. 11).

Os questionamentos abertos “orientados e provocados” contribuíram adequadamente para fazer aparecer singularidades, multirreferencialidade e heterogeneidades apontando para os parâmetros que a pesquisa intencionava. Suas narrativas refletidas numa práxis hermenêutica os tornava conceituintes do processo.