70 transmitindo a impressão de que, com o que ali se diz. todas as dificuldades podem ser resolvidas.
Apolõnio Discolo viveu na primeira metade do século 11 d. C. Cerca de duzentos anos o separam de Dionfsio o Trácio, portanto. A época é outra, as preocupações são outras, a obra é, portanto, outra. O que é especialmente importante é que, na sua época, a filosofia grega, que preparara o ediffcio teórico para os estudos da linguagem -e, a partir daf, da lfngua grega-, já ia bem distante, e a distância no tempo é excelente purificador de ótica.
Algo, porém, une as duas obras: a base da doutrina é assentada exclusivamente na observação da lfngua grega. Apolõnio Discolo buscou principias e regras observando a linguagem em sua tradição, partindo de uma pluralidade de exemplos 1 e considerando, espeCialmente, a analogia das formas entre si 2.
Julgava ele, porém, que deveria ser objeto de análise
" a
lfngua comum, qualquer que seja, ou a mais fina composição em prosa·,-já que a sintaxe poética se permite elipses e pleonasmos (Da sintaxe 11 49):Apesar de seu cuidado especial da sintaxe, Apolõnio Discolo tratou, em sua obra, praticamente todos os fatos de lfngua, desde questões diacrõnicas (Dos acidentes) até questões estilfsticas (Das figuras; Das figuras homéricas), contemplando, ainda, a ortografia (Da ortografia), a prosódia (Da prosódia), os dialetos (Dos dialetos dórico, j6nico, ·eólico, ático). Tratou tanto as partes da oração (Da divisão das partes do discurso; Dos nomes;_ Dos verbos; Dos particfpios; Do artigo; Do pronome; Da preposição; Dos advérbios; Das conjiJ.nções) quanto os elementos (Dos elementos).
Os livros supérstites de Apolõnio Discolo, são, porém, apenas quatro: Do pronome. Das conjunções, Dos advérbios e Da sintaxe das partes do discurso 3.
A· doutrina ·de Apolõnio, porém, pode ser ~econstitufda na leitura da obra de Prisciano, que confessa ·seguir' a sua ·autoridade" (lnslltutiones grammaticae lVII 1 e 2; in Keil, 1857 -1870). Essa reconstituição é facilitada, também, pelo fato de Apolõnio Dfscolo tratar dos mesmos temas em diversas obras, insistindo nos princfpios que a dota e nas lições que propõe.
Dissemos da importância da consideração da sintaxe, que estivera ausente da gramática alexandrina incipiente. ·Pelas próprias necessidades que condicionaram sua tarefa, ela se preocupou basicamente com a classificação e a sistematização das formas. não com a análise das funções.
E onde está a sintaxe para Apolõnio Discolo? Ele abre o seu livro Da sintaxe afirmando que a exposição compreenderá a construção (syntaxis) das palavras, feita em vistas à congruência (katallel6tes) da oração perfeita (I, 1 ). A sintaxe, na verdade, abarca todos os nfveis, constituindo o conjunto de regras que regem a sfntese dos elementos, sob o principio básico de que a lfngua é uma série
1 . Isso ele diz no lll sintaxe I e no llJ pronome, p. 91.
2 . Veja-se lll sintaxe I 60, onde ele contrasta a aprendizagem isolada das formas das palavras com a aprendizagem "do acervo da tradição literária helênica e da 1n1logl• que lhe é Inerente:
3 . As obras supérstltes de ApoiOnio Dlscolo estao editadas por B. G. Teubner, em Grammatici graeci, 1867-1910, com aparato critico e comentários de G. Uhlig ou G. Schneider. As obras llls conjunções e llJs advérbios, bem como os escólios sobre Oionlsio o Trácio. estao editados por 1. Bekker, em Anecdota graeca. 1965.
de elementos relacionados. Entretanto, é a oração completa (o autotelês lógos), que é o domlnio da sintaxe, porque nela existe a congruência ou coerência, obtida apenas quando nome e verbo se juntam.
Uma questão importante na investigação de Apolônio Dlscolo é a consideração de dois nlveis, o do conteúdo e o da forma. A "oração completa" é definida pela "congruência dos significados· (ll1
sintaxe
I 2; IV 16), mas ao mesmo tempo se considera que a congruência ou a não-congruência gramatical reside na construção das palavras, ·que vão tendo sua forma adequadamente transformada, enquanto mantêm os conteúdos básicos· (ll1sintaxe
III 10). Isso implica a consideração de que a congruência da oração se obtém de uma adequação formal (ll1sintaxe
III 27) dos elementos da oração, segundo os acidentes : gêneros, números, casos e pessoas (ll1sintaxe
III 13); A oração se define, pois, por determinações da congruência do conjunto, ou do significado, mas também por determinações da forma e da função das palavras.·No estudo da oração, grande parte é dedicada à diátese (Da
sintaxe
III). A ação e a paixão são propriedades do verbo, enquanto ser agente, ou ser paciente, é coisa própria dos "corpos·, aos quais se impõem nomes (Dasintaxe
I 16).Essa propriedade dos verbos é derivada da dos nomes, razão pela qual o estudo do nome deve preceder o do verbo.Arelações dos nomes com os verbos se resolvem, pois, na relação de voz, inerente ao próprio modo verbal, inclusive ao infinitivo (Da
sintQxe
I 147). Aatividade é algo que passa a algum objeto, como em "te golpeio", de que se deriva a passiva "és golpeado" (ll1
sintaxe
I 148 e 159). verbos que não possuam um objeto paciente, uma entidade que receba a ação, dos quais são exemplos "viver","envelhecer" e "existir" não formam passiva; admitir uma flexão passiva desses verbos seria o mesmo que admitir o masculino de "histérica• ou de "abortada" (Da
sintaxe
I 149). Verbos que intrinsecamente indicam passividade, como ophtalmiõ,"padecer da vista·, também não formam voz passiva (ll1
sintaxe
I 50). Há, ainda, verbos como delpnõ, "almoçar", que têm slgnificáção ativa, mas não comportam formação passiva porque os objetos da ação verbal que eles indicam são inanimados e, portanto, não-pacientes; entretanto,. delpnfzo, "convidar a comer","fazer que alguém participe do almoço·, que admite um caso obliquo em acusativo de um ser animado, apresenta formação passiva (ll1
sintaxe
I 152-153). Alguns verbos transitivos, por outro lado, podem ser usados em sentido absoluto, no qual são intransitivos, como em "ele lê", "ele não sabe ler", "não golpeies"; nesse caso, não podem cónverter-se em passivos, diferentemente do caso em que se usam mais concretamente, com acusativo, como em "ele lê Alceu· (ll1sintaxe
1156).Na transformação de voz ativa em voz passiva a relação de agente a paciente se mantém, alterando-se apenas o caso, seja corporal ou seja pslquica a ação ( ll1
sintaxe
I 159). O que Apolõnio afirma, pois, é que as relações semânticas básicas nãose alteram mesmo que se disponham diferentemente os termos da oração.Retomemos a afirmação feita· acima de que a sintaxe, em Apolõnio Dlscolo, não é considerada exclusivamente no domfnio maior e acabado da oração.
Com efeito; o próprio estudo dos elementos (as vogais e as consoantes) vem
72 abrigado no livro Da
sintaxe
4. E no Dasintaxe
a teoria dos elementos é considerada paralelamente à teoria das partes do discurso.Nesse estudo das partes do discurso, encontrado no /lJ
sintaxe
5 ,novamente a base de exame é a regularidade do arranjo das unidades menores, para formação das maiores. ApoiOnio coloca as partes do discurso em uma ordem que
"imita a proposição completa' (/lJ
sintaxe
114).Uma outra classificação das palavras que se pode depreender dos textos de Apolõnio Dfscolo é a que se refere à sua função no enunciado. Todas as partes da oração entram em relação sintática seja com o verbo seja com o nome, e dai recebem sua denominação (/lJ
sintaxe
I 36). Quer dizer, o funcionamento de todas as demais classes depende da sua relação com essas palavras essenciais. dai que se proponham, para as palavras que entram em relação com o nome ou com o verbo, três categorias de construção sintática, a partir do fato de que "é preciso considerar em cada uma delas a que se usa com e a que se usa em substituição do nome e do verbo, ou, ainda, em ambas (as funções)' (Llisintaxe
I 36).1. Relação com:
a. do artigo com o nome, com o verbo (o infinitivo), ou "com qualquer outra palavra, contanto que dela não· se indique mais que a forma pura e simples"; ex,:
o mtn
(Dasintaxe 1 ;
37);.b. do nome com o verbo;
c. do verbo com o advérbio.
2. Relação "pro": do pronome com o nome:
3. Relação "com· e "pro":
a. do pronome com o nome;
b. do particfpio com o verbo.
Especialmente falando do pronome de 'terceira pessoa (aut6s, "ele próprio"), Apolõnio Dfscolo ressalva que o que ocorre, no seu uso, não é uma simples substituição do nome, já ·que o pronome indica também anáfora - que é uma segunda menção '- rázão pela qual ele se emprega não em substituição ao nome puro e simples, mas no lugar do nome com-artigo(/lJ
sintaxe
I, 25 e 11, 9). E os dêiticos (os pessoais de primeira e de segunda pessoa e os demonstrativos) não se empregam em substituição ao nome; _eles se usam onde o nome não pode, ou não deve, ser usado. isso significa dizer que. o dêitico pessoal tema
sua própria função; quer dizer que, em determinadas situações, não cabe o uso. do nome, porque este carece de poder dêitico, que é justamente o que caracteriza os pronomes. Quanto aos demonstrativos, eles podem não fazzer uma d6eixis, no sentido de marcar algo que está à vista, mas fazer uma dêixis mental, o que constitui, na verdade, uma anáfora (Dasintaxe
11, 11-12).O nome não se constrói com as outras palavras, mas são elas que se constroem com ele, já que é ele que representa a ousra. Por isso, não se estuda a sintaxe do nome por si, mas a sintaxe do artigo em relação ao nome, assim como
4 . Lembre-se que ApoiOnio tinha um livro especifico sobre os elementos, mas esse livro se perdeu.
5. Lembre-se que o livro Sobre a .divisJo das partes do discurso também se perdeu.
em relação ao pronome e ao verbo, isto é, ao infinitivo (relação "com"). É por isso que o artigo, que precede o nome. vem em primeiro lugar no estudo da sintaxe das partes do discurso. A sintaxe do artigo vem discutida no Livro I do Cll
sintaxe,
logo após a determinação do número e da ordem das partes do discurso, na qual se atribui precedência ao nome e ao verbo.Quanto à teoria das classes de palavras, façamos algumas observações sobre o nome, o pronome, o artigo e a conjunção.
Quanto ao estudo do nome e do pronome, é interessante observar a concepção de ApoiOnio orscolo, segundo a /qual neste último se expressa a existência (ousia). eoquanto no primeiro se expressa não somente a essência, mas ainda a qualidade (polótes), sendo isso exatamente o que distingue as duas classes (Cll
sintaxe
I 120; 11 47; 11 24; I 138), que estão, pois, em relação complementar.Para ApoiOnio, na verdade, o nome designa a coisa por meio de suas qualidades, o que quer dizer que o nome descreve, de certo modo, a coisa. O pronome, por sua vez. indica de dois modos a coisa: na sua presença (defxls) ou na sua ausência (anaphoré).
O estudo do artigo pode ser considerado como altamente privilegiado por ApoiOnio, que lhe dedica todo o Livro I do Cll
sintaxe.
Ele considera o artigo como o elemento que se coloca diante de palavras cujo sentido é bem determinado no espfrito de quem fala, sendo pois a anaphor6 ("relação') a caracterfstica determinante dessa classe de palavras. Essa relação é fundamental na teoria de ApoiOnio Dlscolo (Cllsintaxe
11 10; I 43; I 58; IV 59; Dopronome
p. 6, 10, 16), que rejeita a idéia estóica, adotada por Dionfsio o Trácio, de que o artigo é um meio de distinguir os gêneros. Nenhuma parte do discurso tem· como função resolver a ambigüidade de outra. diz ApoiOnio (Cllsintaxe
I 38); de um lado a distinção dos gêneros pode ficar evidente sem necessidade do uso do artigo, e, por outro lado, mesmo com seu uso, ela pode não ficar evidente, já que é no conjunto da construção que o gênero duvidoso de um nome se esclarece. O ponto central da teoria é que a função do artigo não é marcar a distinção de gênero, mesmo porque algumas formas do artigo -por exemplo, as do genitivo plural -são iguais para os diversos gêneros. E, finalmente, se a função do artigo fosse essa, os nomes com gênero evidente não levariam artigo, e este só se colocaria antes dos nomes de gênero duvidoso; como, por exemplo, theós, 'deus· ou 'deusa·. Os dois tipos de artigo, o protático e o hipotatico, são colocados, por ApoiOnio, na mesma classe exatamente pelo caráter de 'anáfora· de ambos. Mas eles se distinguem não é apenas na forma e na colocação, mas tambéfjl na sintaxe, pois o artigo protático e o nome que ele acompanha formam frase com o mesmo verbo, enquanto o hipotático requer outro verbo (LSsintaxe
I, 142).A sintaxe das conjunções é tratada no Livro IV do ClJ.
sintaxe,
mas amaior parte desse livro se perdeu. As conjunções, ApoiOnio atribui um significado autOnomo, isolado; ele considera que ·elas obtêm seu significado a partir das relações que estabelecem, de modo que uma conjunção, diferentemente do que afirmava Dionfsio o Tráclo, não somente significa (semarnel). mas ainda cossignifica (synsemarnel), isto é, significa em decorrência da relação estabelecida.
E, afinal, onde se estabelece a classe de uma palavra? ApoiOnio Ofscolo sustenta que as palavras. 'transferidas de sua função sintática·. podem ·cumprir as funções especificas de outras, adotando a denominação delas· (Cll
sintaxe
11 33).Isso nada mais significa do que atribuir ao uso contextuai a determinação da classe
74 a que [ertence uma palavra. ~ esse principio que explica por que os particlpios designam uma açao. e, entretanto, podem construir-se como substantivos (lll sintaxe I 122-123; 11 33), e por que, de modo inverso, os nomes (certas formas neutras de plural) podem construir-se como advérbios (os advérbios de origem nominal, como Ulllsta, ·muito bem", ou kfklol, "ao redor") (lll sintaxe 11 33).
Muita coisa terfamos por dizer, já que a obra de ApoiOnio Olscolo é muito extensa, os assuntos tratados cobrem quase todo o campo da análise lingüfstica e o peso de suas conceituações é bastante forte na história das idéias gramaticais. O que de mais significativo, porém, parece que nos cabe lembrar, porém, é que, se ApoiOnio Ofscolo se preocupa com um estudo de grande detalhamento, submete-o, entretanto, a um método regrado; e que, se não se desvincula do tratamento lógico que marcou decididamente os estudos gramaticais da tradição helenlstica, não abandona a consideração do uso. Finalmente, que ApoiOnio orscolo compõe uma obra que. embora efetue uma análise de fatos particulares, nunca perde de vista o
sistema. ·
AsSTRACT: Apol/onius Qjscolus plays an important role in the history of the grammatical ide as, especial/y in the syntax field. Wjth a clear interitlon of undertaking a work where a complete systematization of. the grainn'latical facts of the Greeck language takes place, Apollonius inaugurates the analyses .of the functions, concentrating on the property of the ~meaning congrulnces·; found ín a complete sentence. Defending the principie of parallelísm, Apollonius Qiscolus' starting point is the sentence as the domain of syntax, but he considers, after ali, that ít includes ali the leveis, because it constitutes the set of rules which governs the synthesis of the elements in ali strata.
Thus, even investlgating particular facts of a language, Apolloilíus Qtscolus' work neve r loses síght of the system and searches, ín the final analysis, for the apprehensíon of the general principies.
KEY-WORDS: syntax, Apollonius l>;scolus, the history of grammar
BIBLIOGRAFIA
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UHLIG, G. Dyonisii Thracis Ars Grammatica. Leipzig: Teubner, 1883.
DOS EPIGRAMAS FUNERARIOS Al PERRO DE ZENÓN (P. Cairo Zen. 59532) Edici6n y Estudio
Rodolfo P. Buz6n CONICERT- UBA- UCA Pablo A. Cavalfero UBA- CONICET
Es nuestra intención, en esta ponencia, presentar un estudio filológico y ecdótico de un par de epi_gramas anónili1os. articulados como unidad y dedicados a un lebrel de nombre Taurón, que salvó la vida a suamo Zenón. Antes de !legar a la edición, traducción y comentaria dei texto. consideramos necesario referimos brevemente ai género epigramático y a su evolución hasta el perlodo helenlstico. y en especial a los epigramas paralelos y a los dedicados a animales.
Según Marion Lausberg 1 • el epigrama como forma poética puede remontarse por lo menos hasta-el s. VIl y quizás hasta fines dei s. VIII a.C., por una referencia de la l/fada (VIl 89-90). Los documentos arqueológicos dei s. VIl muestran el uso de versos en monumentos y particularmente dei hexámetro. metro que Lausberg no considera influjo necesario de Homero. En ese siglo ya hay epigramas fúnebres y votivos; son generalmente muy breves, el más extenso tiene seis versos. Pero gradualmente el poema tiende a adquirir mayor extensión. Ya en el perlodo helenlstico ·los epigramas preferidos son los de cuatro versos, aunque los hay también de seis
a
ocho versos, y algunos tengan hasta treinta o más versos; es raro aquel que esté formado por un solo dlstico. ·Esta mayor extensióh parece caracterrstica de Egipto y de Creta. Adernás, si bien ên la época arcaica la extensión mayor significaba únicamente un honor especial, con el correr dei tiempo los poetas ampliaron las. com posiciones porque les ofreclan la ocasión para desarrollar su capacidad poética.Lausberg senala ya en el epigrama fúnebre arcaico dos partes básicas: la
"presentación", informativa y objetiva, que ofrece forml.llariamente el nombre dei muerto y algo sobre su persona, y fuego los "pormenores·. más especifica, que incluye el elogio dei muerto, ellamento por su pérdida, cuál era su areté y cómo la alcanzó. El epigrama sepucral tendrla como finalidades el ampliar o adornar la simple prosa, transmitirun especial mérito dei difunto y expresar el encomio.
Por otra parte, para Lausberg -quien centra su estudio en las composiciones formadas por un solo dfstico-la relación con la elegia, género ya formado en 560 a.C., se limita a giros lingüfsticos y ai tema de la areté 2 • pero niega que la elegia se haya generado con intención funeraria. Coincide en esto Gentil i cuando sostiene que el hexámetro de las inscripciones fúnebres más antiguas contradice una conexión directa con el apilva<; elegfaco y votivo 3. Sin embargo,
1 . Cf. Lausberg, passim.
2 . Se funda en P. Frledlãnder - H.B. Hoffeleit, Epigrammata. Greek lnscriptions in Verse. From the Beginnings to the Persian Wars. Berkeley· Los Angeles. 1948.
3. Cf. Gentili, passim.
76 Gentili observa que a fines dei s.V, aunque Éníypa~~a fuese toda inscripción sobre un objeto. si estaba en dfsticos también podia llamarse êÃEydov. A fines dei s. IV apareceria el uso literario dei epigrama, término que entonces designó también a la poesia breve no epigráfica, convivia!, de tono variado, que refiere ocasiones de la vida social y privada, y que por lo general se escribe en dlsticos, pues Cameleonte llama epigrama ai poema convival en hexámetros, en tanto Plutarco reserva para el epigrama sepulcral el nombre de lntK'JÍ&tov como versión inscripta dei canto ceremonial de lamento. Gentili senala también que el epitafio utilizó desde fines dei s. VI metro, léxico y estilo li ricos de modo no excepcional, que usó léxico de epílvoc;
solamente cuando el texto estaba puesto en boca dei muerto y que tardiamente se estructuró como· una elegia breve entre lo trenódico y lo narrativo adoptando términos de lamento. El gran cambio en la evolución dei epitafio habrfa ocurrido durante el s. IV a.C., cuando el influjo de la tragedia yde la filosofia provocan en él una ampliación de temas, motivos y recursos. lingülsticos, que significan un desarrollo literario dei arcaico epigrama desnudo, simple y condensado, y generan también una impostación dramática ai sugerir la presentación dei monumento como una persona y dei muerto como sujeto parlante.
En cuanto a métrica, Gentili opina qt.ie la adopción dei dlstico en lugar dei hexámetro permitió ai epitafio liberarse de la sujeC:Íón lingülstica a la epopeya, acceâer ai lenguaje de la elegia, a la variedad temática, .ai tono coloquial; el yambo habrla sido adoptado solamente cuando eLnombre dei difunto o el dei dedicante no se adaptaban ai dáctilo._ Lo cierto ~s ·que los epigramas, ·incluso Jos fúnebres, conservan aún en el perlodo helenfstico el influjo dei dialeCto épico y dei dórico; de ahl que Hopkinson 4 senale que la lengua dei epigrama es una amalgama artificial que no responde at habla real de ninguna región, que yuxtapone a epicismos y
dorismos formas áticas equivalentes (Krilm), lengua qUe se torna insegura por las substituciones de los escribas. · ·
EI carácter general dei perlodo helenlstico, perfodo ai que corresponde el par de epigramas que nos ocupa, genera también cambios en los rasgos dei epitafio:
ai interés por la virtud en general se aiiade el interés por lo individual y lo cotidiano, hasta entonces considerado indigno de una inscripción; se-da· mayor espacio ai fluir dei lamento de los deudos; se busca despertar la ·simpatia dei lector, en especial cuando el difunto era joven -tema que aparece -ahOra con gran frecuericia. La extensión se hace mayor y también .· evoluciona el estilo: epltetos, paráfrasis, imágenes, expresiones patéticas, profusión de palabras son sus rasgos más salientes. "EI epigrama fúnebre de carácter !iteraria; sobre todo, tiene precisamente que ofrecer más que informaciones sencillas en formas tradicionales y es más fácil conseguir algo 'interesante' por media de un desarrollo poético, mediante una mayor minuciosidad de contenido y un perfeccionamiento estillstico· 5.
Por otra parte, en Grecia existia la costumbre de erigir tumbas a los animales domésticos, especialmente a los perros, muy queridos por sus duenos 6 ,
4. Cf. Hopkinson, p. 274.
5. Cf. lausberg, p. 148.
6. Cf. Gorteman, pp. 118-119.
y colocar en ellas lápidas con epitafios 7 Según Herrlinger 8 los testimonios demuestran que es el helenismo el creador dei epigrama para animales, y menciona como causas aquellas que ya seiialamos: la concepción de la poesfa como reflejo de la realidad cotidiana, la inclinación hacia lo pequeno, la valoración de lo individual y de los afectos personales, el halago de la propia vanidad y la gran gran difusión de la poesfa como bien general, que provocó un incremento de la poesfa fúnebre y la introducción dei tema de los animales como variedad IOdica.
Lo cierto es que, según seiiala Herrlinger, en el siglo IV. el animal comienza a hacerse más presente en el pensamiento griego; a la vez se acrecienta el ejercicio de la cacerfa, de modo tal que adquieren significación especial ellebrel y el caballo de caza. El no poseer perro es considerado indicio de pobreza, y se valora a tal punto la fidelidad, el apego, la sabidurfa y la integridad de los animales por oposición a la degeneración dei ser humano, que empieza a hablarse dei "derecho de los animales· y a afirmarse que la xpóvota de los dióses alcanza también a los ã.)nya Çq>a. No debe extraiiarnos, pues, que la integración dei animal a la vida dei nombre haya dado lugar a que aparecieran representaciones de ellos como sug_iere el epigrama votivo de Macedonio
(A.
P. VI 175), ni que se los incorporara a las lápidas de tumbas de seres humanos, ya tallados, ya en los versos de los epitafios.Esto constituye el antecedente directo de las tumbas para animales y de los epigramas a ellos dedicados. En ellos debemos distinguir aquellos que hacen una simnple mención de algún animal, de aquellos que se centran temáticamente en algurto de modo particular. La Anthologia Palatina 9 y la Antho/ogia Latina 10 nos ofrecen gran variedad de ejemplos. De toda esta gama de epigramas votivos, demostrativos, satrricos y fúnebres nos interesarán especialmente el de Antfpater (A. P. IX 417 = Gulrnalda de Flllpo, Antrpater LXX), centrado enla muerte de un perro sediento. el X de Anite (HE, p. 37), que se ocupa de una perra mordida por uria vfbora, y el de Timnes (A. P. VIl 211
=
HE, p. 197 no V), que elogia ai perro Taúpo;.-
-7. Oice Teofrasto, caract. XII 9: Kat ~rovaptou & MEÂ.l'taÍOU 'tEÀ.EU't'ÍlC:J(XvtOÇ am0.
~vfUta 1t0li1aat Kal <J'tllÂ.ÍÔtov à~ Émypávat KÃ.á&lc; MEÂ.ttaioc; ...
8. Cf. Herrlinger, passim
9 . la alusi6n a la lmagen de un perro que parece real (Macedonlo, VI 175) o la de un cachorro en el monumento de su ama (Antlpa111r, VIII 425), la sknple menci6n de perros (lon, VIl 44; An6n., VIl 338;
Ade o, IX 303; Sá tiro, X 11; Leónidas, IX 337; Tlberlo, IX 370; lucilo, XI, 194),1a asslmllaci6n dei perro ai clnico (VII115 y 116) y a Orl6n o Sírio (X 12), q como metamorfosis de un estratego (XI 360), escenas diversas como el perro ofrendado pero weno a casa (Macedonlo, Vl176), el perro que se lanza ai mar para cazar delflnes (flllpo, IX 83),1a perra que da a luz mlentras caza un ciervo (Antlpater, IX 268), otra perra operada para partir (flllpo,IX 311), un perro de cazaque muere a causa de la sed, perros que ahuyentan a un lobo (Erlclo, IX 558), perras que ladran mlentra un lobo atrapa a una cabra (Te6crito, IX 432), una alusl6n a Argos, el perro de Odiseo (XI n), como asl tamblén referencias a otros anlmales, liebres atrapadas por perros (Gel'lllánlco, IX 17 y 18), liebre que escapa de un perro y cae en (los tenláculos) de un pulpo (Isidoro Egaato, IX 94) o an un perro marino (An6n., IX 37), un jabaK (XV 51).
10. Aporta tamblén curiosas variantes: epigramas qe se ocupan de elefantes (186, 187) o mencionan aiguno (348, v. 11 ), un epigrama sobra peces (286), otro acerca de un jabaK domesticado (287) y otro mas !ln torno de Pegaso (383), alguno sobre leopardos que cazan perros (355) y otros que slmplemente menclonan anlmales, un cerdo (380), un jabal (379), un lobo y una oca (381) o jaballes, cabras, ciervos y caballo a la vez (302), a los que podrlamos anadir los perros de caza esquivados por ladronas en Crinágoras XXX (Guirnalda de Filipo; p. 216)
78 La iniciadora de esta poesia dedicada a animales parece haber sido Ánite (acmé 300 a.C.), creadora de la bucólica arcádica, que desde la actitud sentimental de la llrica dórica dei Peloponeso, vinculó estrechamente el animal con el paisaje, seguida por sus contemporâneos y coterráneos Nicias y Mnesalques. Es esta una poesia aristocrática en cuanto se destina a una clase social próspera, por el objeto dei poema, y elegante por el estilo que requiere. De toda la epigramática referente a animales, parecen haber tenido finalidad funeraria especifica y concreta poemas centrados únicamente en perros y en caballos.
En los papiros hallamos muchas veces expresiones de preocupación por los animales domésticos, preocupación guiada en algunos casos, como el de cerdos o bueyes, por interés pero no por eso menos cierta; en vez, era afecto, lo que los habitantes dei pafs dei Nilo sentfan por caballos
y
perros 11 .El epitafio para el lebrel Taurón, es decir, para la tumba de un animal, tiene, también la car~cterfstica de presentar dos poemas paralelos, uno escrito en dlsticos y otro en yambos, ambos unidos por <'iA.M:>. La costumbre de presentar dos · poemas paralelos parece remontarse ai Poliandrión de Potidea, monumento ático en homenaje a lo~ caldos en 432 ;t.C. 12. Durante el siglo IV se habrfa iniciado su aplicación a particulares 13. Segün Marion Lausberg, los epigramas paralelos contienen un texto relativamente extenso; cada sector se dedica a destacar algún aspecto. de modo que uno y otro se co'rl1pletan. mutuamente. Hoy se rechaza casi unánimemente que tales varsiones sean obra de poetas diferentes que compiten entre sí. En esos casos algunas veces los dos textos juntamente con <'iA.M:> eran grabados en la piedra, como en Kaibel, Epigr. gr .. 550 (s.ll-111) 14 . La opinión general es que el autor ha de haber sido un poeta alejandrino. Un argumento en favor de esta tesis es que un poeta local no habrfa necesitado aclarar en la direcéiórí:
·'t<'!> nap' 'AnoH.wvíou 15. Si no de los mejores, ai menos pudo tratarse de un profesional que sin duda conocla la técnica epigramática, pues no parece tratarse de un mero ejercicio !iteraria.
La hoja de papiro que contenfa las dos composiciones fue hallada entre los documentos dei archivo de Zenóil, que fueroh descubiertos en Filadelfia, El Fayum, por campesinos egípcios poco antes de la primera guerra mundial y vendidos en lotes pequenos a distintos interesados, para obtener asf una mayor ganancia. El número de papiros supera ampliamente los dos mil y están fechados entre los anos 261 y 239 a.C.; alguno podrfa ser incluso dei 230/29 a.C. Ese serra el terminus ante quem.
Zenón, hijo de Agreofón, era originaria de Cauno, en Caria, es decir, uno de los tantos griegos de Asia Menor que afluyeron a Egipto después de la conquista de Alejandro Magno. Durante los primeiros tres o cuatro anos de su carrera actuó
11 . Cf. Gorteman, pp. 101·120.
12 . G. V 20, Pfohl94, Hansen 11.
13. G. V 1888ss.
14 Para la presencia unida de dfsticos y yambos en lápidas cf. Kaibel 325, 462, 502, 546. Hiller von Gaertringen senala como un precedente de esta costumbre temprana, la unión de una inscripción votiva con la inscripción yambica de un artista, como en Rõhl, lmag. XXXVI 3 (s. VI), y la inscripción dei Coloso de Rodas dei 292 (A. P. Vl171 y Preger. lnscr gr metr 280).
15 Cf P Cairo Zen. IV 59532, lntrod