4.4 A DEPRESSÃO: CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO
4.4.1 Sintomas
A depressão pode se manifestar de diferentes formas, sendo inúmeros os sintomas que se envolvem e se associam para determinar o seu diagnóstico, o qual se baseia, principalmente, na intensidade e duração dos sintomas. Em geral, os pacientes apresentam sentimentos de inutilidade, desamparo ou falta de esperança, humor depressivo ou
194 HIRIGOYEN, Marie-France. Mal-Estar no trabalho: redefinindo o assédio moral. 2006, p. 160. 195
Depressão como doença do trabalho e suas repercussões jurídicas. 2007, p. 29.
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Cf. HIRIGOYEN, Marie-France. op. cit., p. 160. 197
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irritabilidade, ansiedade, dormem mais ou menos que o normal, comem mais ou menos que o normal, têm dificuldade de concentração ou para tomar decisões, perdem o interesse em participar de atividades, há redução da libido, recusam-se em estar com outras pessoas, possuem sentimentos exagerados de culpa, tristeza ou mágoa, sentem-se muito cansados, e têm pensamentos de morte e suicídio.
Importante lembrar que a depressão pode se revelar, também, por sintomas físicos, tais como: dores de estômago, dores de cabeça, dores pelo corpo e nas costas, pressão no peito, entre outros.
Diagnosticar a depressão é tão complicado quanto à própria patologia, pois o diagnóstico não pode ser feito objetivamente, ou seja, levando apenas em consideração os aludidos sintomas. É necessário haver uma avaliação tanto dos comportamentos quanto dos sentimentos e dos sintomas que a pessoa apresenta. Segundo Fernanda Moreira de Abreu, o único modo de se descobrir se um indivíduo está deprimido é através da análise dos seus próprios sentimentos e comportamentos .198
Importante destacar um estudo americano sobre sintomas da depressão o qual apresentou as queixas clínicas mais comuns, em número de oito: cansaço, lombargia, cefaléia, tonturas, dor toráxica, dor abdominal, dispnéia e ansiedade .199 Sobre citado estudo, comenta Martins:
Estes oito sintomas capitalizam 80 milhões de consultas por ano nos EUA, extrapolando este tipo de estudo para o Brasil, isto seria em torno de 55 milhões de consultas por ano. O curioso é que quando se investigaram estes pacientes, apenas 25% deles têm organicidade, isto é, deste montante extraordinário de pacientes só em ¼ deles os médicos notaram que há algum substrato patológico, que há uma certa alteração estrutural que pode ser confirmada e que se relaciona a alguns destes sintomas. Quanto aos 75% restantes, este estudo mostra que eles têm na verdade fobias, transtorno do pânico e depressão. A depressão é a comorbidade principal nesses pacientes, explicando uma grande parte destes sintomas. Depreende-se, então, que para a maioria do atendimento ambulatorial, se o médico não entender de depressão, não vai conseguir ter um bom desempenho resolutivo.
A somatização é um processo em que se tem uma queixa, mas não a correspondência de uma alteração estrutural. Não é que não tenha nenhuma correlação, mas a mais comum é neuroquímica, feita de modo inconsciente.
Na medida em que se nota escolaridade no paciente, experiência social etc., percebe-se que a pessoa torna-percebe-se rica em poder expressar percebe-seus sintomas. No entanto, as classes mais pobres que tiveram menos oportunidades sociais, e aí entram questões educacionais e financeiras, vão se expressar mais pelo corpo. E de uma maneira geral isso é desastroso porque os médicos não estão preparados para entender a
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Depressão como doença do trabalho e suas repercussões jurídicas. 2007, p. 32.
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ABREU, Fernanda Moreira. Depressão como doença do trabalho e suas repercussões jurídicas. 2007, p. 32-33.
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linguagem do corpo. Assim, quando a somatização tem como subjacente uma depressão, isto é algo dramático.200
Assim, ocorre que, a maioria das pessoas que procuram o médico se queixando de sintomas como cansaço, lombargia, cefaléia, tonturas, dor toráxica, dor abdominal, dispnéia e ansiedade, não possui, na verdade, uma alteração na sua estrutura, ou seja, uma doença física que justifique tais sintomas. A maioria desses sinais está relacionada com problemas de ordem psíquica, dentre eles destacando-se a depressão.
Há, portanto, uma dificuldade em diagnosticar a depressão, pois a maioria dos médicos não está preparada para lidar com ela, entendendo a linguagem do corpo, o que é um problema sério, pois a depressão é uma doença potencialmente fatal, sendo responsável por 50% dos suicídios em todo o mundo .201 Uma em cada dez vítimas tenta o suicídio .202
A depressão, segundo Mckenzie, pode levar ao suicídio quando a pessoa já está em um estágio profundo. O indivíduo chega à conclusão de que não vale a pena continuar vivendo, que todo mundo ficaria melhor sem ele e que ele deveria tirar a própria vida. A pessoa vai para a cama à noite esperando não ter que despertar pela manhã, ficando, assim, livre da tortura que é viver .203
Importante salientar que a ameaça à vida pela depressão não é somente de ordem psíquica, mas também física, uma vez que ela gera outras doenças como, por exemplo, problemas cardíacos. Segundo Gomyde:
45% dos pacientes que tiveram infarto são deprimidos, em estatística recente que surgiu após a FMC ter cruzado dados de 40 estudos sobre dois problemas. Por isso, hoje, o certo é considerar a depressão tão perigosa quanto a pressão alta e o colesterol elevado no que diz respeito à saúde do coração.204
Maurício Wajngarten, cardiologista-chefe do departamento de cardiogeriatria do Instituto do Coração de São Paulo, assevera que:
O deprimido faz tudo errado: não come direito, costuma ser sedentário, fumante e dado a exagerar no álcool. O desequilíbrio da química cerebral, verificado entre os depressivos, desregula a química de todo o corpo. Para começar a depressão aumenta a produção do hormônio do stress, o cortisol. Em altas quantidades, esse hormônio eleva a pressão arterial e os níveis de LDL, o colesterol ruim. Ele diminui ainda, a quantidade de HDL, o colesterol bom. Como se não bastasse o cortisol. O
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MARTINS, J.M.C. apud ABREU, Fernanda Moreira. op. cit., p. 33. 201
LAFER, B. et. al. Depressão. In: Revista Saúde. 1997, p. 28. 202
GOMYDE, H. et. al, Cair na depressão. In: Revista Saúde. 2002, p. 36. 203
MCKENZIE, Kwame., Depressão. In: Revista Isto É. 1999, p.53. 204
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organismo de um deprimido fabrica mais adrenalina, substância que, em excesso, pode acarretar arritmias cardíacas graves.205
Conclui-se, portanto, que nem sempre sintomas como cansaço, lombargia, cefaléia, tonturas etc., indicam uma doença física, mas, por vezes, tais sinais estão relacionados a problemas de ordem psíquica. Contudo, a depressão pode gerar outras doenças, uma vez que há um desequilíbrio da química cerebral, desregulando a química de todo o corpo.