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SISTEMA CARDIOVASCULAR DO IDOSO COM SÍNDROME DE DOWN 37

Cardiovascular System of the Elderly With Down’s Syndrome Sistema Cardiovascular de los Mayors con Síndrome de Down

Amanda Cabral dos Santos38 Edna Aparecida da Silva Couto39 Luana Roberta Aguiar Dadamos40

Resumo

O tema deste capítulo é o Sistema Cardiovascular do Idoso com síndrome de Down. Investigou-se o seguinte problema: “Com o reconhecimento das características fisiológicas do adulto com síndrome de Down, suas necessidades e carências, e sabendo-se que este grupo ampliou sua longevidade, e que, com o envelhecimento, adquiriu novas patologias, como a cardiopatia, devido a suas peculiaridades genéticas, fazem-se necessários novos estudos sobre o presente grupo”. “Seria este quadro próprio da síndrome de Down ou apenas um caso correlacionado ao envelhecimento recorrente?” Cogitou-se a hipótese “de que o quadro patológico poderia apresentar características próprias da síndrome que não seriam identificadas em idosos sem Down”. O objetivo geral desse capítulo é “relacionar cardiopatias próprias das pessoas com síndrome de Down”. Os objetivos específicos são: “reconhecer o sistema cardiovascular no idoso, em geral”; “mapear características próprias da síndrome de Down”; “identificar o sistema cardiovascular de um idoso com síndrome de Down”. Este trabalho é importante para um profissional da saúde devido à realidade no aumento da

37Este capítulo contou com a revisão linguística da Profa. Esp. Érida Cassiano Nascimento e com a diagramação do Prof. Esp. Danilo da Costa.

38 Mestre em Psicologia; Bacharel em Fisioterapia e Educação Física. Afiliação institucional: Faculdade de Ciências e Educação Sena Aires. CV Lattes:

http://lattes.cnpq.br/3800336696574536 ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4487-3386 Email: [email protected]

39 Graduanda em Fisioterapia pela Faculdade Sena Aires. CV Lattes:

http://lattes.cnpq.br/6317376808881707 ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3933-1213. E-mail: [email protected].

40 Graduanda em Fisioterapia pela Faculdade Sena Aires. CV Lattes:

http://lattes.cnpq.br/3643103430943470. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3521-1911. E-mail: [email protected].

população idosa, principalmente com síndrome de Down; para a ciência, é relevante para que possa desenvolver novos tratamentos, que possibilite uma existência mais saudável e plena; agregando à sociedade qualidade de vida ao grupo da terceira idade. Trata-se de uma pesquisa qualitativa teórica com duração de três meses.

Palavras-chave: Sistema Cardiovascular. Idoso. Síndrome de Down. Fisioterapia.

Abstract

The theme of this chapter is the Cardiovascular System of the Elderly with Down Syndrome. The following problem was investigated: “With the recognition of the physiological characteristics of the adult with Down syndrome, their needs and deficiencies, and knowing that this group has extended their longevity, and that, with aging, they have acquired new pathologies, such as cardiopathy, due to its genetic peculiarities, further studies on the present group are necessary ”.

"Could this be a Down syndrome syndrome or just a case related to recurrent aging?" The hypothesis was considered “that the pathological condition could present characteristics of the syndrome that would not be identified in elderly people without Down. The general objective of this chapter is “to list heart diseases typical of people with Down syndrome. The specific objectives are: “to recognize the cardiovascular system in the elderly, in general”; “Mapping characteristics of Down syndrome”; "To identify the cardiovascular system of an elderly person with Down Syndrome". This work is important for a health professional due to the reality in the increase of the elderly population, mainly with Down Syndrome; for science, it is relevant so that it can develop new treatments, which allows a healthier and fuller existence; adding quality of life to society for the elderly group. This is a qualitative theoretical research lasting three months.

Keywords: Cardiovascular system. Elderly. Down´s syndrome.

Physiotherapy.

Resumen

El tema de este capítulo es el Sistema cardiovascular de los ancianos con síndrome de Down. Se investigó el siguiente problema: “Con el reconocimiento de las características fisiológicas del adulto con síndrome de Down, sus necesidades y deficiencias, y sabiendo que

este grupo ha extendido su longevidad y que, con el envejecimiento, han adquirido nuevas patologías, como cardiopatía, debido a sus peculiaridades genéticas, se necesitan más estudios sobre el grupo actual ”. "¿Podría ser un síndrome del síndrome de Down o simplemente un caso relacionado con el envejecimiento recurrente?"

Se consideró la hipótesis "de que la condición patológica podría presentar características del síndrome que no serían identificadas en personas mayores sin Down. El objetivo general de este capítulo es

“enumerar las enfermedades cardíacas típicas de las personas con síndrome de Down. Los objetivos específicos son: "reconocer el sistema cardiovascular en los ancianos, en general"; "Cartografía de las características del síndrome de Down"; "Para identificar el sistema cardiovascular de una persona mayor con síndrome de Down". Este trabajo es importante para un profesional de la salud debido a la realidad en el aumento de la población de personas mayores, principalmente con síndrome de Down; para la ciencia, es relevante para que pueda desarrollar nuevos tratamientos, lo que permite una existencia más saludable y plena; agregando calidad de vida a la sociedad para el grupo de ancianos. Esta es una investigación teórica cualitativa que dura tres meses.O resumo acima traduzido para o espanhol em itálico e justificado.

Palabras clave: Sistema cardiovascular. Anciano. Sindrome de Down. Fisioterapia.

Introdução

O mundo está passando por uma transformação com profundas implicações para a organização social e para as políticas de saúde. As pessoas estão envelhecendo e dois fatores podem estar associados a este fenômeno: a queda da natalidade e o aumento da expectativa de vida. Com o envelhecimento, os padrões de morbidade e mortalidade modificam-se e o foco das políticas públicas de saúde, que antes era nas doenças infecto-parasitárias, próprias da infância, agora se direciona para as doenças crônico-degenerativas, próprias das pessoas idosas. (FERREIRA, 2006).

Entre 2020 e 2025, estima-se que o Brasil seja o sexto país no mundo em número de idosos, com 30 milhões de indivíduos acima dos 60 anos, aproximadamente 12,4% da população, além de uma projeção de aumento de 700% dos indivíduos acima de 50 anos (VERAS, 2009), sendo projetado mundialmente um aumento de 238,4% no número de idosos entre 2000 e 2050 (MURPHY; novo

panorama, sendo o envelhecimento um processo acumulativo, sequencial, irreversível, individual, não patológico, marcado pela deterioração de um organismo maduro (COVIELLO, 2008), próprios a todos os membros de uma espécie (GORZ, 2007).

O envelhecimento faz parte do ciclo de vida biológico humano (AMORIM, 2006), que requer uma atenção diferenciada e deve ser estudado como uma fase específica, compreendendo e valorizando as suas limitações (MATSUDO, 2002). Envelhecer é um processo e os idosos constituem-se os protagonistas deste processo que é demarcado por alterações biofisiológicas, psicológicas e sociais (MARIA, 2003), apresentando nessa fase maior vulnerabilidade de incidência de patologias que podem acarretar a morte (COVIELLO, 2008).

Um organismo envelhecido, em condições normais, poderá sobreviver adequadamente, mas, se submetido a situações de stress emocional, físico, pode apresentar dificuldades em seu funcionamento, podendo culminar em processos patológicos (FERRIGNO, 2002).

Essa fase é marcada por diferenciações dos sistemas anatômicos funcionais. Fazendo-se a soma das alterações orgânicas, funcionais e psicológicas do envelhecimento normal tem-se como resultado a senescência (CARDOSO, 2009).

Assim, conhecer as modificações fisiológicas e anatômicas que ocorrem nessa fase torna-se algo importante (MARIA, 2003) para que se possa distinguir o envelhecer com saúde, senescência, do envelhecer com doenças, senilidade (FREITAS, 2006). O reconhecimento entre os conceitos de senescência (alterações funcionais e estruturais relacionadas ao envelhecimento normal) e senilidade (alterações causadas por doenças) representa um desafio na análise do envelhecimento devido à correlação existente entre os dois fenômenos e a sua representação no qualitativo dos pacientes nestes processos.

O envelhecimento produz progressivas mudanças cardíacas estruturais (FROLKIS, 2005), causando redução significativa de sua capacidade funcional (TEIXEIRA, 2008), sendo a hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral as doenças cardiovasculares mais prevalentes. No entanto, a idade é o principal fator de risco cardiovascular global (TIBO, 2006).

O envelhecimento populacional coloca no foco das políticas públicas de saúde a questão da doença crônica e seu impacto psicológico, social e ambiental, principalmente por conta do prolongamento de

tempo de anos de vida com doença e a necessidade de atenção específica (VERAS, 2009). As doenças cardiovasculares geralmente são doenças crônicas que começam na juventude e se manifestam apenas no fim da vida adulta e do envelhecimento (JURKIEWICZ;

ROMANO, 2009).

No caso de pacientes com síndrome de Down, o envelhecimento e suas consequências são “novidade” para os profissionais de saúde.

De acordo com a geriatra Ana Thereza Schneider (2019), integrante da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG):

Na década de 1920, a expectativa de vida era em torno de 9 anos. Com o advento das cirurgias cardíacas, vacinação, diagnóstico e inclusão, houve um aumento da expectativa de vida para em torno dos 65 anos.

Um estudo mostrou um paciente com 77 anos. (SCHNEIDER, 2019, p.1)

As pessoas com síndrome de Down apresentam envelhecimento precoce, com início a partir dos 25 anos, por causa das alterações metabólicas provocadas pela trissomia dos cromossomos 21. O que requer um estudo contínuo para a aplicação de novos procedimentos e para que se obtenha qualidade de vida para estes pacientes em especial.

Esse capítulo investiga o seguinte problema: “Com o reconhecimento das características fisiológicas do adulto com síndrome de Down, suas necessidades e carências, e sabendo-se que este grupo ampliou sua longevidade, e que, com o envelhecimento, adquiriu novas patologias, como a cardiopatia, devido a suas peculiaridades genéticas, fazem-se necessários novos estudos sobre o presente grupo”. Seria este quadro próprio da síndrome de Down ou apenas um caso correlacionado ao envelhecimento recorrente?

Cogitou-se a hipótese de que o quadro patológico pode apresentar características próprias da síndrome que não seriam identificadas em idosos sem Down.

Assim, o objetivo geral desse capítulo é relacionar cardiopatias próprias das pessoas com síndrome de Down e os objetivos específicos são: reconhecer o sistema cardiovascular no idoso, em geral; mapear características próprias da síndrome de Down; e identificar o sistema cardiovascular de um idoso com síndrome de Down.

Este trabalho é importante para um profissional da saúde devido à realidade no aumento da população idosa, principalmente com síndrome de Down; para a ciência, é relevante para que possa desenvolver novos tratamentos, que possibilite uma existência mais saudável e plena; agregando à sociedade qualidade de vida ao grupo da terceira idade.

Trata-se de uma pesquisa qualitativa teórica com duração de três meses. Os textos utilizados na revisão de literatura realizada foram publicados no período de 1990 a 2017, nas línguas portuguesa e inglesa. Foram priorizados artigos de revisão sistemática e metanálise e livros considerados históricos e relevantes para a compreensão da síndrome de Down e do funcionamento do sistema cardiovascular.

Sistema cardiovascular do idoso com síndrome de Down Sistema cardiovascular no idoso

O sistema cardiovascular compreende um órgão propulsor chamado coração, e uma série de condutos de diversos tipos e calibres (vasos arteriais, capilares, venosos e linfáticos), nos quais circulam o sangue impulsionado pelas contrações rítmicas do coração, fazendo com que todas as partes do corpo se comuniquem (WOJCIK; KRISTIN, 2001).

É de suma importância entender as peculiaridades anatômicas e fisiológicas do envelhecimento. Conhecer a diferença entre senescência e senilidade dá subsídios para saber quando e como intervir no processo de envelhecimento (FROLKIS, 2005).

Dentre todos os declínios fisiológicos com características próprias. O enfoque será dado às alterações cardíacas, visto que, o conhecimento do processo de envelhecimento do coração do idoso é importante para melhor compreensão dos processos patológicos que se instalam mais comumente no indivíduo senil (COSTA et al., 1990).

Uma causa importante de morte nos idosos refere-se às doenças cardíacas. Nestes, as válvulas cardíacas tornam-se mais espessas e rígidas, o músculo cardíaco e as artérias perdem a elasticidade.

Cálcio e gordura se acumulam dentro das paredes dos vasos, tornando-os mais tortuosos. Embora a função do coração seja mantida sob circunstâncias normais, o sistema cardiovascular apresenta uma reserva diminuída, respondendo com menor eficiência ao estresse. O débito cardíaco em repouso diminui cerca de 1% a cada ano após os 20 anos de idade. A hipertensão tem se mostrado como um fator de risco grave (SMELTZER; BARE, 2002).

A disfunção cardiovascular pode manifestar-se por meio de arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca congestiva, doença coronariana, arteriosclerose, hipertensão, claudicação intermitente, infarto agudo do miocárdio, doença vascular periférica, hipotensão ortostática ou acidentes vasculares cerebrais (SMELTZER e BARE, 2002).

A síndrome de Down

A síndrome de Down está localizada dentro do grupo das deficiências mentais e foi descoberta pela primeira vez em 1838 por Jean Esquirol. Em 1846, Edouard Seguin descreveu pessoas que possivelmente teriam síndrome de Down, denominando-as de “idiotas furfuráceas”. Mas somente em 1866, John Langdon Down publicou oficialmente um trabalho, em que divulgou algumas das características da síndrome, que, por isso, acabou levando seu nome.

Foram citados: os cabelos como sendo de cor castanha, lisos e escassos, rosto achatado e largo, olhos posicionados em linhas oblíquas e o nariz pequeno. Ele ainda acrescentou que essas crianças tinham grande poder de imitação. (PUESCHEL, 1995).

Em 1958, o pediatra francês, Jérôme Lejeune (1926-1994), ao tratar de uma criança com a síndrome, descobriu a cópia extra do cromossomo 21, estabelecendo, pela primeira vez na história da medicina genética, a ligação entre anomalia cromossômica e o índice de capacidade mental.

Stray-Gundersen (2007) mostra que a divisão celular falha pode ocorrer em um dos três lugares: no espermatozoide, no óvulo ou durante a primeira divisão da célula após a fertilização. A última possibilidade é, provavelmente, muito rara. Estima-se que em 20% a 30% dos casos, o cromossomo 21 extra resultou de divisão celular falha no espermatozoide (ou seja, o cromossomo extra é derivado do pai) e que em 70% a 80% dos casos o cromossomo extra vem da mãe.

Para Pueschel (1995), a trissomia por Mosaicismo é o tipo menos comum, ocorrendo apenas em 1% dos casos. São encontrados 47 cromossomos em algumas células e em outras 46, formando, assim, um quadro em mosaico. Independentemente do tipo da trissomia, é sempre o cromossomo 21 o responsável pelos traços físicos e função intelectual limitada, observados na grande maioria das crianças com síndrome de Down. Outras causas relacionadas à essa síndrome, além da trissomia 21, são: exposição ao raio x, administração de certas drogas, problemas hormonais ou

imunológicos, espermatocidas e infecções virais específicas.

(CIDADE, 1998).

Rodini e Souza (1998) destacam como principais características da pessoa com síndrome de Down: perfil facial achatado; orelhas pequenas; olhos com fendas palpebrais oblíquas;

língua grande, protusa e sulcada; encurtamento dos quintos dígitos;

aumento da distância entre o primeiro e o segundo artelho; prega única nas palmas; desenvolvimento cerebral deficiente; decréscimo no peso total do cérebro; catarata congênita; membros pequenos, tônus muscular pobre; doença do refluxo gastresofágico; otites recorrentes; apneia de sono obstrutiva; disfunções da glândula tireoide.

Hoje, estima-se que a incidência de nascimentos de crianças com síndrome de Down é de 1 em 600 a 1 em 700 casos. Para as mulheres com mais de 40 anos de idade a chance de ter filhos com Down é maior, a probabilidade é de: 0,9% para mulheres com 40 anos; 1,5% com 42 anos; e 4,4% com 45 anos. (SOS DOWN, 2006).

Sistema cardiovascular do idoso com síndrome de Down

A expectativa de vida dos indivíduos com síndrome de Down era reduzida. Entretanto, nos dias atuais, estudos mostram que a faixa etária de sobrevivência saltou da adolescência para 70 anos ou mais (VALENZA; JÚNIOR, 2009).

Com o desenvolvimento desta longevidade faz-se necessário o conhecimento do novo perfil desse grupo, com suas características, carências e necessidades.

O sedentarismo, os problemas ortopédicos e a hipotonia muscular, dentre outras características físicas peculiares aos portadores dessa síndrome, fazem com que seja de suma importância o acompanhamento a todo o momento de profissionais capacitados, sendo que a grande maioria não tem esse acompanhamento.

(SOARES; SOUZA, 2008, p.1).

Nos últimos anos, os avanços da medicina no acompanhamento e no tratamento das pessoas com síndrome de Down possibilitaram um aumento significativo na expectativa de vida e melhora na saúde global desses pacientes, devido, principalmente, à prevenção das complicações relacionadas à SD. (SOMMER;

SILVA, 2008).

Um tratamento adequado tem relevância no desenvolvimento de cada indivíduo, que se estende desde o nascimento até o envelhecer. É necessário que se faça uma avaliação detalhada para

buscar o desenvolvimento físico, psicológico e social, buscando intervenções que atuem nas características específicas de cada um, na tentativa de melhorar a qualidade e a expectativa de vida.

(DAVIDSON, 2008; DESAI, 1997).

São vários os acometimentos patológicos, sendo a cardiopatia um dos transtornos mais comuns. A frequência de cardiopatias congênitas em pessoas com síndrome de Down é bastante variável na literatura, com porcentagens de 20 até mais de 60%. A cardiopatia mais frequente, no estudo de Nisli (2009), foi a comunicação interarterial (17%).

É sabido que o defeito do septo atrioventricular é a cardiopatia mais frequentemente associada à síndrome de Down. Este fato é corroborado pela literatura norte-americana e europeia. Nos estudos apresentados por Freeman (2008), 39% dos pacientes avaliados apresentavam defeito do septo atrioventricular, o mesmo observado em 34,2% dos casos relatados por Nisli (2008). No Brasil, existem poucos artigos referentes ao tema.

É conhecido que o defeito do septo atrioventricular é uma das cardiopatias de maior gravidade, apresentando hipertensão pulmonar como complicação mais frequente. (FIGUEROA et al., 2003).

O defeito do septo atrioventricular é uma malformação congênita do coração que se apresenta em três categorias: forma parcial, intermediária ou total. Na forma parcial há presença de comunicação interarterial (CIA), defeito na valva mitral (fenda anterior) e, eventualmente, alteração na valva tricúspide. A forma intermediária é composta por uma CIA com malformação das válvulas bicúspide e tricúspide, sem comunicação interventricular (CIV). A forma total apresenta CIA, CIV e uma valva única que é remanescente das válvulas atrioventriculares bicúspide e tricúspide. (FIGUEROA et al., 2003).

Ainda em decorrência desta patologia, os indivíduos com síndrome de Down sofrem uma complicação pulmonar criando uma hiper-resistência, gerando uma doença vascular oclusiva nos meses seguintes, ao contrário das crianças que não possuem a síndrome.

(FERRIN et al., 1997).

Colvin e Yeager (2017) realizaram um estudo na Universidade do Colorado, em Denver – EUA, sobre os desafios com relação às doenças cardiovasculares e autoimune nas pessoas com síndrome de Down. A pesquisa bibliográfica realizada em 2016 revelou estudos que comprovaram a resistência das pessoas com síndrome de Down ao desenvolvimento de aterosclerose coronariana,

de acidentes vasculares cerebrais e infarto agudo do miocárdio, baixas taxas de hipertensão e incidência elevada de cardiopatias relacionadas à valvulopatias, como, por exemplo, o prolapso da válvula mitral. Embora esses mecanismos ainda sejam pouco compreendidos e o número de pesquisas com relação a esses temas seja pequeno, os autores sugeriram que as alterações cardiovasculares encontradas nos adultos com síndrome de Down podem estar relacionadas ao maior controle alimentar e a um funcionamento diferenciado do sistema nervoso autônomo e do sistema imunológico que podem afetar as funções cardiovasculares.

De acordo com a pesquisa de Colvin e Yeager (2017), 75%

dos adultos com síndrome de Down morrem por causa de infecções do sistema respiratório, cardiopatias congênitas e doenças vasculares. Esse estudo também mostra que apenas 7% da taxa de óbito dessa população estão relacionadas com infarto agudo do miocárdio e relata que, apesar das altas taxas de dislipidemia e obesidade identificadas nas pessoas com síndrome de Down, a incidência de aterosclerose é baixa. Além disso, relatam que as disfunções cardíacas dos adultos com síndrome de Down estão relacionadas com disfunções da tireoide que são observadas desde o nascimento.

Assim, as pessoas com síndrome de Down que alcançam a terceira idade podem apresentar cardiopatias relacionadas ao processo de envelhecimento do sistema cardiovascular, mas também relacionadas às cardiopatias congênitas.

Embora estudos não tenham sido encontrados com dados precisos, a hipótese é de que as alterações do funcionamento do sistema cardiovascular em idosos com síndrome de Down estão intimamente relacionadas: ao estilo de vida dessas pessoas, que envolve os hábitos alimentares e as atividades físicas; ao quadro característico da própria síndrome, que está associado ao envelhecimento precoce e a alterações hormonais; e à condição

Embora estudos não tenham sido encontrados com dados precisos, a hipótese é de que as alterações do funcionamento do sistema cardiovascular em idosos com síndrome de Down estão intimamente relacionadas: ao estilo de vida dessas pessoas, que envolve os hábitos alimentares e as atividades físicas; ao quadro característico da própria síndrome, que está associado ao envelhecimento precoce e a alterações hormonais; e à condição