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CAPITULO III: REVISÃO DA LITERATURA/ ESTADO DA ARTE

3.4 SISTEMAS DE GESTÃO NORMALIZADOS

3.4.2 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL: ISO 14001 E EMAS

A BSI (British Standards Institution) foi a primeira organização de normalização a publicar uma norma para Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) — a BS 7750—, publicada em 1992. Por sua vez, a ISO publicou, em 1996, a norma ISO 14001:1996, sendo este o primeiro referencial internacional para SGA. A publicação mais recente da norma ISO 14001 ocorreu no ano de 2015, a ISO 14001:2015 — Environmental Management Systems – Requirements with guidance for use, (ISO 2015c) publicada na sua 3ª edição, em 2015-09-15. Na versão Portuguesa temos

publicada a correspondente NP EN ISO 14001:2015 — Sistemas de Gestão Ambiental.

Requisitos e linhas de Orientação para a sua utilização, (IPQ, 2015d), publicada na sua 4ª edição, com data de 2016-01-15. Com a publicação da NP EN ISO 14001:2015, foi substituída a NP EN ISO 14001:2012, 3ª edição.

Um SGA, definido e implementado de acordo com os requisitos da NP EN ISO 14001:2015, proporciona às organizações um enquadramento para uma abordagem sistemática à Gestão Ambiental, e assim organizarem e melhorarem os aspetos ambientais dos seus processos de produção e/ou prestação de serviços. Deste modo a norma suporta as organizações no cumprimento das suas obrigações de proteção do ambiente e de resposta às alterações das condições ambientais, em equilíbrio com as necessidades socioeconómicas (IPQ, 2015d), ou seja de Desenvolvimento Sustentável.

Na definição e implementação dum SGA, numa organização, pode pois utilizar-se como base a ISO 14001, na versão portuguesa a NP EN ISO 14001:2015, e/ou EMAS. A ISO 14001 especifica requisitos para um SGA que permita à organização desenvolver e implementar a política e os objetivos, assim como os requisitos legais, outros requisitos que a organização subscreva e as informações sobre aspetos ambientais significativos (ISO, 2015c). A ISO 14001 segue uma estrutura que as organizações podem seguir para configurar um SGA eficaz (Haltofová & Adámek, 2014). Um bom programa de Gestão Ambiental recupera os custos investidos num curto espaço de tempo (Martins et al., 2015). Esta tem aplicabilidade a todos os aspetos ambientais no domínio da organização, assim como nas áreas da sua influência (Martins et al., 2015).

A exemplo da ISO 9001:2015 / NP EN ISO 9001:2015, a ISO 14001:2015 / NP EN ISO 14001:2015 segue a estrutura e texto de alto nível do Anexo SL(ISO/IEC, 2015), sendo suportada no ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act) da melhoria contínua. A Figura 4esquematizada a estrutura da NP EN ISO 14001:2015 no ciclo PDCA, onde os números (4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10) entre parêntesis referenciam os correspondentes secções da norma.

Figura 4: Representação da estrutura da NP EN ISO 14001:2015 no ciclo PDCA.

Fonte: Adaptado de(IPQ, 2015d; 2016)

O EMAS —Eco-ManagementandAuditScheme—, foi instituído pelo Regulamento (CEE) nº

1836/93 de 29 de Junho e posteriormente revisto dando origem ao Regulamento (CE) nº 76/2001 de 19 de Março, sendo aplicável a todas as organizações que pretendam melhorar o seu desempenho ambiental (www.iambiente.pt). O EMAS tem como suporte a ISO 14001 mais cinco pilares, nomeadamente, o envolvimento dos trabalhadores, a informação pública dos resultados ambientais através da declaração ambiental, a conformidade legal e melhoria do

desempenho dos verificadores ambientais (Santos et al., 2013). O EMAS visa promover a

melhoria contínua do desempenho do SGA, bem como a disponibilidade de informações importantes, ao público e outras Partes Interessadas (www.apambiente.pt).

3.4.3 SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO: NP 4397; OHSAS 18001 E ISO/DIS 45001

A BSI foi a primeira organização a publicar, em 1996, uma norma no domínio da Gestão da Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho, designada por BS 8800. Com base nesta, em 1999 a BSI publicou a (Occupational Health and Safety Assessment Series) OHSAS 18001.

Actualmente a OHSAS 18001:2007 – Occupational Health and Safety Management

Systems – Requirements (BSI, 2007), com adaptação para a língua Portuguesa através da NP 4397:2008 – Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho - Requisitos (IPQ, 2008), fornece às organizações os elementos de suporte a um Sistema de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho (SGSST) que possa ser estruturado e implementado, Integrado ou não com

outros requisitos de gestão, constituindo-se um auxiliar no alcance de objetivos de SST e económicos, potenciando as componentes do Desenvolvimento Sustentável (Rebelo, 2011). De resto, como referido na própria NP 4397:2008, as organizações estão cada vez mais preocupadas em alcançar e evidenciar um sólido desempenho em matéria de Segurança e Saúde do Trabalho em resultado também de exigências legais e crescentes preocupações de âmbito SHST expressas pelas Partes Interessadas (IPQ, 2008), desde logo os colaboradores e seus Representantes para as questões da Segurança e Saúde do Trabalho.

A implementação de um SGSST requer que as organizações definam a sua política e os seus objetivos relativos ao seu desempenho nos domínios da SST, os quais tenham em consideração os requisitos legais e outras aplicáveis, permitindo-lhes cumprir com os mesmos e melhorar continuamente (BSI, 2007). O comprometimento da Gestão de Topo para com as questões de SST tem uma importância fundamental para o sucesso da gestão destas (Rajaprasad & Chalapathi, 2015).

Um SGSST oferece muitos benefícios para as organizações tais como: suporta o cumprimento da legislação e regulamentação; potencia a redução dos acidentes e incidentes no Trabalho com a mitigação de perigos e riscos decorrentes e consequente criação de condições de trabalho mais seguras; uma boa imagem perante as Partes Interessadas; aumento da satisfação e motivação dos trabalhadores; redução das despesas com o Serviço Nacional de Saúde e Segurança Social, prémios de seguros, indemnizações e custos de recuperação dos sinistrados; entre outros (www.dqa.pt). As despesas relacionadas com o cumprimento da legislação, a consciencialização dos trabalhadores, e as exigências dos Clientes e da sociedade em geral levam a que os custos relacionados com SST sejam encarados como um investimento.

Refere Rebelo (2011), que a adoção da OHSAS 18001:2007ou NP 4397:2008, por parte das organizações, não dispensa o cumprimento das obrigações legais. Pelo contrário, as

organizações que adotem estas normas de SGs têm que, de acordo com as mesmas —

parágrafo 4.3.2 – Requisitos legais e outros requisitos —, evidenciar o total cumprimento

daqueles requisitos legais que lhe são aplicáveis em matérias da SST. De resto, é possível, e o SGSST deverá, refere ainda (Rebelo (2011), tornar evidente isso mesmo, estabelecendo uma correspondência entre os requisitos legais do âmbito da SST e requisitos da norma adotada para o SGSST.

Tal como outras normas de SGs, a OHSAS 18001:2007 e a NP 4397:2008 baseiam-se no

ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act), como esquematizado na Figura 5, onde os parágrafos da(s)

norma(s), na circunstância da NP 4397:2007: 4.2 - Política da SST; 4.3 - Planeamento; 4.4 - Implementação e Operação; 4.5 - Verificação; e 4.6 - Revisão pela Gestão; dão corpo ao modelo de SGSST cujo nível de detalhe, complexidade, extensão da documentação e os recursos a ele afetos dependem de um conjunto de aspetos, como sejam: o âmbito do SGSST; a dimensão da organização; o tipo das suas atividades e serviços; e a própria cultura organizacional, como de resto referem as próprias normas (BSI, 2007; IPQ, 2008).

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Figura 5: Modelo de SG SST.

Fonte: (IPQ, 2008).

O SGSST é baseado na política da SST determinada pela organização. Este sistema deve definir a estrutura operacional, estabelecer as atividades de planeamento, definir responsabilidades, definir os recursos necessários, estabelecer práticas e procedimentos e assegurar a identificação dos perigos e a avaliação e controlo dos riscos (Santos et al., 2013).

Atualmente, não existe uma norma internacional da ISO para SGSST, encontrando-se em curso o processo de elaboração tendo sido publicado, em 2016, o documento ISO (a committee

draft) — ISO/DIS 45001 – Occupational Health and Safety Management Systems

Requirements with guidance for use —, o qual não é uma norma internacional ISO, destinando-se a destinando-ser objeto de revisão e comentários (ISO, 2016). A exemplo da ISO 9001:2015 / NP EN ISO 9001:2015; da ISO 14001:2015 / NP EN ISO 14001:2015, o documento ISO/DIS 45001 segue a estrutura e texto de alto nível do Anexo SL(ISO/IEC, 2015), sendo igualmente, o modelo de SG,

suportado no ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act) da melhoria contínua. A Tabela 7, apresenta a

correspondência entre algumas das clausulas da OHSAS 18001 e do documento ISO/DIS 45001.

Tabela 7: Correspondência entre algumas das cláusulas da OHSAS 18001 e da ISO/DIS 45001.

OHSAS 18001:2007 ISO/DIS 45001 (2016)

1 - Âmbito 1 - Âmbito

2 - Publicações de referência 2 - Referenciasnormativas

3 - Termos e definições 3 - Termos e definições

4 - Requisitos do Sistema de Gestão da

SST 4 - Contexto da Organização

--- 5 - Liderança e participação do trabalhador

--- 6 - Planeamento

(continuação) OHSAS 18001:2007 ISO/DIS 45001 (2016) --- 7 - Suporte --- 8 - Operação --- 9 - Avaliação do desempenho --- 10 - Melhoria

Fonte: (BSI, 2007; ISO, 2016).

3.4.4 SISTEMA DE GESTÃO DA INVESTIGAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E

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