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Conforme o Manual do SIM (2001, p.04) o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) foi criado pelo Ministério da Saúde em 1975 para “a obtenção regular de dados sobre mortalidade no País. A partir da criação do SIM foi possível a captação de dados sobre mortalidade, de forma abrangente e confiável, para subsidiar as diversas esferas de gestão na saúde pública”. A Declaração de Óbito (DO) é o documento padrão utilizado pelo SIM, devendo ser preenchida para todos os óbitos, independente do seu local de ocorrência. O médico é o responsável geral por todas as informações que constam na DO.

A DO é constituída pelos seguintes blocos de informação:

Bloco I – Cartório – trata das informações correspondentes ao cartório do registro civil, onde foi

efetuado o registro do falecimento. Este bloco é de inteira responsabilidade do Oficial do Registro Civil.

Bloco II – Identificação – informa, de forma geral, sobre a identidade do falecido e dos pais, no

caso de óbito fetal ou de menores de um ano.

Bloco III – Residência – trata de informações sobre o local onde residia o falecido.

Bloco IV – Ocorrência – traz informações sobre o local de ocorrência do óbito, se em hospital, outros estabelecimentos de saúde, domicílio, via pública, outros (quando não ocorreu nem

estabelecimento de saúde, nem domicílio ou via pública), ignorado (quando não é possível identificar o local onde ocorreu o óbito).

Bloco V – Óbito fetal ou menor de um ano – colhe informações sobre a mãe no que tange à idade,

grau de escolaridade, ocupação, gestação, tipo de parto e peso do filho ao nascer. Este bloco deverá ser obrigatoriamente preenchido no caso de óbitos fetais e menores de um ano.

Bloco VI – Condições e causas do óbito – de responsabilidade exclusiva do médico, este bloco

deverá ser preenchido para qualquer tipo de óbito, seja ele fetal ou não-fetal. Neste bloco há campos destinados ao registro de informação sobre óbitos ocorridos em mulheres, diagnóstico confirmado por, causas da morte (o Manual do SIM ressalta que o preenchimento deste campo é fundamental para traçar o perfil epidemiológico da população nas instâncias federais, estaduais e municipais). Apresenta-se aqui uma ressalva, no que diz respeito ao campo 43 que apresenta a seguinte indagação: ‘a morte ocorreu durante a gravidez, parto ou aborto?’ como resposta são dadas as opções sim, não e ignorado. O Manual do SIM diz que a resposta ‘sim’ se aplica tanto à gravidez quanto ao parto ou o aborto. Considera-se que esta é uma falha não DO pois, impossibilita a clareza da informação. Não é possível precisar com exatidão a circunstância do óbito.

Bloco VII – Médico – colhe informações básicas sobre o médico que assina a DO, quais sejam, nome do médico, CRM (inscrição do médico no Conselho Regional de Medicina), se o médico que assina atendeu ao falecido, outros (quando o médico que assina a DO não atendeu ao falecido

durante a doença ou por ocasião da morte), meio de contato, data do atestado, assinatura (do médico atestante).

Bloco VIII - Causas Externas – prováveis circunstâncias de morte não natural e são informações de

caráter estritamente epidemiológico.

Bloco IX - Local de Assinatura do Médico – consta de campo para a assinatura do médico

responsável pela DO e, ainda, local para assinatura de até duas testemunhas.

O Manual do SIM (2001, p.07) apresenta o CENEPI como responsável pela DO, sendo que o fluxo de distribuição da mesma é o seguinte:

FIGURA 10: Fluxo de distribuição da DO

Fonte: Manual de Procedimentos do SIM, 2001.

Conforme a figura acima, tem-se CENEPI que efetua a confecção da DO e as distribui para Secretarias Estaduais de Saúde. Estas, por sua vez, encaminham para as Secretarias Municipais de Saúde (SMS) ou para as Diretorias Regionais de Saúde (DIRES) que repassam aos estabelecimentos de saúde (incluindo Instituto Médico Legal e Serviço de Verificação de Óbitos), aos cartórios e aos médicos que respondem pelo preenchimento da DO.

Já o fluxo de informação da DO pode se dá em duas situações distintas. A primeira é quando o preenchimento é realizado no próprio Hospital ou outro estabelecimento de saúde equivalente, conforme representado na figura abaixo:

FIGURA 11: Fluxo da informação óbitos naturais ocorridos em estabelecimentos de saúde.

Fonte: Manual de Procedimentos do SIM, 2001

Observa-se que o Hospital preenche a DO (em três vias), encaminha a 1ª via à Secretaria de Saúde, disponibiliza a 2ª via à família do falecido (a) e retêm a 3ª via. A família fica imbuída da responsabilidade de levar a 2ª via ao Cartório de Registro Civil para a devida lavratura do Atestado de Óbito. Em seguida, o cartório deverá proceder ao arquivamento da via mencionada.

A segunda situação se dá para os óbitos por causas naturais ocorridos em localidades onde não há a presença de médicos, tem-se:

FIGURA 12: Óbitos por causas naturais em localidades sem médico.

Fonte: Manual de Procedimentos do SIM, 2001

Nesta situação a DO é preenchida pelo Cartório de Registro Civil que encaminha a 1ª e 3ª via à Secretaria de Saúde, lavra o Atestado de Óbito e procede ao arquivamento da 2ª via da declaração. Interessa registrar que, pela figura apresentada e as instruções fornecidas no Manual do SIM, somente os cartórios são obrigados a manter as DO permanentemente em seus arquivos. No referido Manual não são postuladas orientações temporais para a guarda das DO pelas SES. Esta é uma questão a ser repensada.

Quando da implantação do SIM e a padronização do modelo de DO, a expectativa era de que os dados produzidos pudessem ser utilizados para analisar a situação de mortalidade no país, planejar e avaliar ações que contribuam para redução e/ou prevenção das causas morte

mais freqüentes e também das mais inusitadas. A DO pode também ser considerada como um rico instrumento para o desenvolvimento de pesquisas epidemiológicas no Brasil.

4 O PROBLEMA DA PADRONIZAÇÃO