• Nenhum resultado encontrado

3. PAREDES VERDES

3.4. Planeamento e Design

3.4.5. Sistema de Irrigação

As espécies vegetais requerem rega regular e fertilização durante a estação de crescimento.

Na natureza, as plantas extraem a água e os nutrientes necessários do solo, mas quando colocados em superfícies verticais, estas devem ser irrigadas manualmente ou automaticamente (Hopkins et al, 2011).

Torna-se impossível precisar a quantidade de água necessária para uma parede verde. As suas necessidades de rega variam consoante determinados fatores como a exposição solar, o clima da região, as plantas e o tipo de solo utilizados, para além do sistema de parede verde aplicado. Para tais fatores existem diferentes sistemas capazes de responder da melhor forma possível às exigências do bom desempenho das plantas (Pérez-Urrestarazu et al., 2013).

Sistema de irrigação para Fachadas Verdes

O sistema de rega aplicado nas fachadas verdes, é bastante diferente do das paredes vivas, uma vez que nas fachadas verdes, a presença de água deve ser feita ao nível do solo ou num local pontual onde se encontram as raízes. Ao longo da fachada, o sistema é bastante simples, pois passa por estender um tubo ao longo dos pés das plantas trepadeiras e criar um orifício em cada pé, para que regue cada planta individualmente (Vialard, 2010). É usado um sistema de gotejamento de baixo volume e baixa pressão ou um sistema de gotejamento no subsolo para as plantas trepadeiras crescidas no solo. O sistema é semelhante aos sistemas de irrigação de canteiros comuns (Hopkins et al, 2011).

O sistema de gotejamento, pode ser acoplado a outro tipo de tecnologia, como temporizadores de rega e sensores de humidade, tornando-o mais eficiente, salientando a multiplicação deste sistema por cada local de enraizamento ao longo da fachada (Wood et al, 2014).

Sistema de irrigação para Paredes Vivas

O sistema de irrigação mais usado para paredes vivas é a irrigação localizada usando emissores de baixo fluxo (gotejadores) colocados em tubos a diferentes alturas da parede viva. Devido à ação da gravidade, a água distribui-se por toda a superfície da parede viva (Kaltsidi et al, 2020).

38 As paredes vivas apresentam um sistema de irrigação mais completo e dispendioso, comparativamente ao sistema usado nas fachadas verdes. Este sistema é composto por alguma maquinaria, com a função de bombear a água para cotas mais elevadas. No caso do sistema hidropónico, existe o circuito de rega é embutido entre as duas camadas de substrato de feltro, a rega dá-se pelo encharcamento dessas camadas, onde se localizam as raízes das plantas. Como neste caso não existe solo, deve a rega conter todos os nutrientes necessários, ao bom crescimento das plantas, esses nutrientes são colocados no circuito da água e elevados até aos pontos de rega (Figura 3.23). No sistema modular, a rega é feita através de tubagem colocada na horizontal entre os vários módulos, com a ligação ao substrato por módulo, criando assim, uma rega mais controlada por cada

“linha” de módulos (Wood et al, 2014; Hopkins et al, 2011; Sekaran, 2015) (Figura 3.21 e 3.22).

Figura 3.22 – Detalhe do sistema de irrigação da parede viva modular

Figura 3.21 – Sistema de irrigação por gotejamento em parede viva modular por vasos

Fonte: Scherer et al. (2018)

39 Os sistemas de rega exigem um controlador de irrigação que fornece uma entrega de água precisa quando necessário, e uma válvula de retenção dupla (também conhecida como prevenção de backflow) para evitar a contaminação de água potável. Uma bandeja de gotejamento deve ser incorporada na parte inferior do módulo da parede viva para recolher o excesso de água e de nutrientes do sistema. Esse excesso de água e nutrientes pode ser reciclado de volta para o sistema de alimentação. Se este sistema reciclado for usado, deve-se notar que haverá um aumento do nível de nutrientes e um ajuste deve ser feito dentro do sistema, para que as plantas não fiquem excessivamente fertilizadas, o que pode ser prejudicial (Wood et al, 2014; Hopkins et al, 2011) (Figura 3.24).

Podem ser colocados sensores de água, dentro de uma parede verde, para monitorizar o nível de humidade e ativar e desativar automaticamente o sistema de irrigação, conforme necessário (os sensores devem ser colocados na zona da raiz da planta para fornecer uma leitura mais precisa) (Hopkins et al, 2011).

Figura 3.23 – Esquema de sistema de irrigação hidropónico Fonte: Pinterest, obtido a 11 junho 2021

40 As paredes vivas suportadas pela fachada podem ser irrigadas com água potável, água da chuva ou água de um sistema integrado de reciclagem de águas cinzentas. Se a recolha de águas pluviais no local for implementada, a água pode ser armazenada numa cisterna subterrânea ou num tanque de armazenamento acima do nível ativado por bombas (Wood et al, 2014). Quanto à água da chuva, é possível a sua utilização, apesar de as plantas preferirem um suplemento filtrado, mas a chuva nem sempre é confiável e os períodos de chuva forte muitas vezes não coincidem com os picos de necessidade de água da parede viva (Sekaran, 2015).

Os sistemas de irrigação na parede viva são complexos e exigem planeamento detalhado para cada aplicação individual. A seleção de um sistema de irrigação depende do tipo de parede verde, altura do sistema, taxa de rega e frequência, fonte de irrigação, armazenamento de água e reciclagem potencial, e exigência de espaço para equipamentos. A taxa de irrigação precisa de ser certa para manter as plantas saudáveis, a sobrega ou sub-rega deve ser evitada (Wood et al, 2014).

A provável necessidade de água da vegetação da parede pode ser estimada através do desenvolvimento de um orçamento de água com base em várias características da parede verde, incluindo: cálculo das necessidades totais de água com base nas espécies de plantas; dados de evaporação; precipitação efetiva; e a capacidade do substrato em armazenar água (Sekaran, 2015).

O sistema de irrigação deve ser submetido a inspeção frequente para garantir o funcionamento adequado do sistema e incluir as seguintes tarefas:

- ativação do sistema de irrigação nos meses de primavera e desativação no outono (em zonas de clima frio);

- limpar os detritos nos bicos de irrigação;

- inspecionar os controladores de irrigação, sensores, válvulas e injetores de fertilizantes;

Figura 3.24 – Esquema do sistema de irrigação de uma parede viva modular Fonte: Pinterest, obtido a 9 junho 2021

41 - assegurar a integração adequada da irrigação e fertilização para o crescimento ideal da planta;

- substituir as baterias eletrónicas do dispositivo, se necessário (Wood et al, 2014).

O regime de irrigação tem grande influência no excesso de desperdício de água. Em termos gerais, sendo o volume diário de água aplicado, o mesmo, se a frequência (número de irrigações por dia) for elevada, o volume de drenagem também é ligeiramente superior, mas o pico de fluxo de drenagem é consideravelmente reduzido. Portanto, a fim de otimizar a eficiência da aplicação da água, recomenda-se uma alta frequência, desde que a duração dos tempos de irrigação seja reduzida.

Consequentemente, o pico de fluxo de drenagem seria reduzido nos primeiros estágios de irrigação, mas o volume total de água drenado não seria muito alto. Isso é consistente com os resultados obtidos por Pérez-Urrestarauzau et al., que ofereceu recomendações semelhantes (Kaltsidi et al., 2020).

Segundo o estudo de Gunawardena et al, os sistemas de irrigação baseados no solo, ou seja, sistema utilizados nas fachadas verdes, têm maior capacidade de retenção de água que se traduz em frequências reduzidas, tendo uma frequência de 1 a 2 vezes por dia. Quanto aos sistemas utilizados nas paredes vivas, os autores recomendam frequências entre 3 e 5 vezes ao dia (Gunawardena et al., 2020).

Documentos relacionados