O Brasil é uma república federativa composta por três níveis administrativos: união, estados e municípios. Seu sistema legislativo é bicameral em nível federal (Câmara e Senado) e unicameral no nível estadual (assembléia legislativas) e municipal (câmara de vereadores). As eleições presidenciais, de governador e de alguns municípios maiores prevêem a existência de segundo turno, caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta dos votos válidos.
As eleições para o Senado Federal ocorrem sob a fórmula eleitoral de maioria simples, elegendo três senadores (alternando entre 2/3 e 1/3 a cada eleição) para cada unidade da federação. Já na Câmara dos Deputados elege-se 513 deputados que competem em 27 distritos eleitorais plurinominais, que correspondem, por sua vez, às unidades da federação.
No Brasil, a magnitude do distrito eleitoral é determinado por sua população, não se podendo nunca eleger menos do que oito e mais do que setenta deputados por distrito, o que gera uma sub-representação para estados mais populosos como São Paulo e uma sobre-representação para estados menos populosos como o Amapá.
Na Câmara dos Deputados, as eleições se dão através de um sistema de representação proporcional de lista aberta, onde os eleitores podem votar no candidato ou no partido. Os partidos devem alcançar uma cota mínima (quoeficiente eleitoral) para terem direito a uma cadeira parlamentar, mas a ordem da lista, por ser aberta, não é definida pelos partidos, mas sim pelos eleitores. A adoção de lista aberta proporcional para a Câmara dos Deputados pode ser um dos motivos para a consolidação do clientelismo e personalismo da política brasileira, além do fato de se privilegiar interesses locais em detrimento de uma agenda nacional. Porém, para Cheibub (2005, Idea) a correlação desta característica de nosso sistema eleitoral e os vícios do comportamento político, ainda não está firmemente demonstrada no caso brasileiro.
Nosso sistema partidário é composto atualmente de 27 partidos31 reconhecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo multipartidário, consequência direta de nosso sistema eleitoral proporcional.
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01) PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro); 02) PTB(Partido Trabalhista Brasileiro) ; 03) PDT (Partido Democrático Trabalhista) ; 04) PT (Partido dos Trabalhadores) ; 05) DEM (Democratas); 06) PC do B
Mas, porque sistemas eleitorais e partidários são importantes em nosso debate? Porque eles, como instituições políticas, modelam as regras do jogo político e definem a forma como a democracia é praticada. Além disso, diferentes sistemas eleitorais e partidários podem gerar resultados políticos completamente diferentes para o mesmo conjunto de eleitores. Esses diferentes resultados obtidos, no que tange à representatividade como valor analisado, serão indicadores da qualidade da representação e, consequentemente, qualidade democrática. Ao percebermos que as atuais instituições eleitorais e partidárias, na forma como estão estruturadas, geram déficits de representatividade, abrimos as portas para a reflexão de novas institucionalidades (que incluam a sociedade civil) com meio de superação desse déficit responsivo.
O importante a ressaltar desse quadro é que múltiplos desenhos institucionais de sistemas eleitorais influenciam de forma diferente o grau de proporcionalidade obtido na eleição do corpo de representantes políticos. Neste sentido, a desproporcionalidade eleitoral constitui-se como um critério de julgamento da qualidade de uma democracia. E todos os critérios estão baseados em pressupostos normativos.
Além disso, o monopólio da representação exercido pelos partidos políticos no Brasil evidencia as dificuldades institucionais para se pensar uma representação fora dos parâmetros dos partidos, como é o caso da representação existente no âmbito da sociedade civil. É importante ressaltar que a própria reconfiguração da representação surgida com novos atores é conseqüência direta da crise existente de representatividade das democracias, especialmente a crise do sistema partidário.
Podemos, assim, explicitar as diferenças normativas implícitas dos sistemas institucionais majoritaristas ou consensuais. Tais diferenças guiarão a formulação de critérios diferentes para o julgamento do que seria uma democracia de maior qualidade. No âmbito de representação
Brasileira); 09) PTC (Partido Trabalhista Cristão); 10) PSC (Partido Social Cristão); 11) PMN (Partido da Mobilização Nacional); 12) PRP (Partido Republicano Progressista); 13) PPS (Partido Popular Socialista); 14) PV
(Partido Verde); 15) PT do B (Partido Trabalhista do Brasil); 16)PP (Partido Progressista); 17) PSTU (Partido
Socialista dos Trabalhadores Unificado); 18) PCB (Partido Comunista Brasileiro); 19) PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro); 20) PHS (Partido Humanista da Solidariedade); 21) PSDC (Partido Social Democrata Cristão); 22) PCO (Partido da Causa Operária); 23) PTN (Partido Trabalhista Nacional); 24) PSL (Partido Social Liberal); 25) PRB (Partido Republicano Brasileiro); 26) PSOL (Partido Socialismo e Liberdade); 27) PR (Partido da República).
política, sistemas majoritários valorizam a maior capacidade de ―decisividade‖ governamental e o controle do representante pelo representado (accountability). Já os consensualistas elegem como preferência normativa a dimensão da congruência representacional. Com isso, vemos que os primeiros estão ligados a uma perspectiva de representação como autorização (accountability) e os segundos a uma dimensão de representação descritiva, segundo a tipologia de Pitkin. Assim, explicita-se o vínculo entre modelos de desenho institucional de uma democracia (no âmbito da representação política) e os pressupostos normativos teóricos aos quais eles estão vinculados.
Partimos do geral (instituições de uma democracia) para se chegar ao específico (sistemas eleitorais e partidários), buscando-se mostrar a relação existente entre as instituições mais gerais (que classificam os diferentes ―modelos‖ de democracia) e as específicas.
Dessa maneira, vinculamos também a o debate teórico e institucional presente nesta dissertação, pois um de nossos objetivos é explicitar o vínculo entre a literatura acerca dos tipos de desenho institucional e os seus pressupostos teóricos e normativos. Achamos que os diferentes tipos de desenho institucional ancoram-se em pressupostos teóricos, muitas vezes, não explicitados. Cremos que as diferenças institucionais presentes na literatura sobre política comparada podem ser mais bem compreendidas, não apenas comparando-se instituições, mas também explicitando os pressupostos teóricos que embasam as diferentes visões de desenho institucional de uma democracia. Assim, Partindo da tipologia de Pitkin entre representação como autorização e representação descritiva, percebemos o vínculo nítido da primeira com desenhos institucionais majoritaristas e da segunda com desenhos proporcionalistas. Além disso, percebemos como a visão de representação ―as acting for‖ (advocacy) foi negligenciada na
formulação institucional de representação política. Por isso, acreditamos que essa dimensão teórica é solo fecundo sobre o qual devam ser pensadas novas instituições de representação política que se estruturam a partir das críticas aos limites da representação eleitoral, buscando reconfigurá-la.