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APÊNDICE IV – LISTA DE VERIFICAÇÃO DO COMPLEXVIEW

Pressuposto 21: Os participantes são capazes de aprender com base no uso de JEEs Seu potencial é ampliado se

3 COMPLEXIDADE E LIDERANÇA

3.1.2 Sistemas Complexos Adaptativos (SCA)

Os sistemas complexos em evolução podem ser entendidos como caóticos ou à beira do caos por ser impossível prever seus estados futuros. São os chamados Sistemas Complexos Adaptativos (SCA) (NIKOLIC et al., 2009).

Os SCA estão no limite de sua adaptação sempre que as pressões o empurram para um nível em que o sistema oscila à beira de muita pressão – um pouco mais e podem transformar-se em caos (ver o framework Cynefin na Figura 9). Mesmo na beira do caos, eles funcionam de forma produtiva e adaptativa (AXELROD e COHEN, 1999; CILLIERS, 1998).

A área de pesquisa em Sistemas Complexos Adaptativos (SCA) foi originalmente iniciada com base em investigações sobre adaptação e emergência em sistemas biológicos (SAMUELSON e MACAL, 2006). Pesquisadores do Instituto Santa Fé, no Novo México (EUA), buscavam entender como os sistemas complexos, não lineares e interativos podiam ter ou aumentar sua capacidade de adaptação em um ambiente em

mudança (GOLDSTEIN, 2008). Estes estudos definiram a dinâmica, os princípios, mecanismos e características dos SCA que estão detalhados nas próximas seções.

3.1.2.1 Dinâmica dos SCA

Os SCA adquirem informações sobre seu ambiente e sobre suas próprias interações com esse ambiente, identificando as ordenações nessas informações, condensando-as em uma espécie de esquema ou modelo interno e agindo no mundo real com base nele (GELL-MANN, 1996).

A Figura 10 exemplifica a dinâmica típica dos SCA.

Figura 10 – Dinâmica dos SCA

Fonte: baseado em Complex Systems (2010)

Pela Figura 10 observa-se que os SCA são constituídos de redes de agentes interdependentes. Estes agentes têm a habilidade de auto- organização e reorganização dinâmica de forma a sobreviver e se adaptar ao ambiente (NORTH e MACAL, 2007).

Uma vez que os agentes são diversificados em suas capacidades e tipos, a propriedade de agregação dos SCA tende a produzir redes heterogêneas (HOLLAND, 1995). As conexões e interações entre os agentes são dinâmicas, variáveis e não lineares. Eles agem e reagem em

cooperação ou competição com outros agentes (coevolução) (PALMBERG, 2009; PRIM, 2009).

Influenciados ou pressionados pelos processos dinâmicos da complexidade (mecanismos) e por condições habilitadoras internas ou externas (contexto), as forças atuantes em um SCA podem produzir resultados inesperados ou novos níveis de atividades, denominados de emergência (LICHTENSTEIN e PLOWMAN, 2009).

Richardson (2008) destaca que a emergência é frequentemente entendida como o processo no qual o todo emerge com base nas propriedades das partes. A variedade de tipos e as interações entre as forças que atuam em um SCA são elementos centrais para que ocorra a emergência (AXELROD e COHEN, 1999).

A emergência produz o chamado comportamento complexo adaptativo para lidar com (ou manipular) o ambiente (CILLIERS, 1998). Ele ocorre quando a emergência conduz o SCA a um estado de instabilidade (PALMBERG, 2009). O comportamento complexo adaptativo (Figura 10) é a característica essencial dos SCA (NORTH e MACAL, 2007), pois tem a capacidade de influenciar a reorganização dos SCA de modo a promover a adaptação.

A adaptação em SCA é entendida como sua capacidade de “perceberem as mudanças do ambiente, organizarem-se internamente e se ajustarem às perturbações do ambiente externo” (LEITE, 2004, p. 401). Internamente, as adaptações podem gerar um feedback positivo (amplificação) ou negativo (amortecimento).

A amplificação pode conduzir o SCA a um processo de auto- organização da rede de agentes. A auto-organização se desenvolve sem um designer externo e sem a presença de alguma forma centralizada de controle. Ela ocorre na forma de interações distribuídas entre os agentes (CILLIERS, 1998) e com base em regras. Os agentes estão continuamente se esforçando para se adaptar aos outros agentes e modificar estas regras (FIALHO e COELHO, 2002), mas eles têm autonomia de ação e adaptação em função de sua memória e habilidade de aprender com base em suas experiências (PALMBERG, 2009).

Os SCA são evolucionários pois não retornam a estados de equilíbrio anteriores. Com base em suas percepções sobre o ambiente e nas emergências de seus processos internos, os SCA são capazes de resolver problemas criativamente e de aprender e se adaptar rapidamente a estas novas e inesperadas condições (PALMBERG, 2009; UHL-BIEN e MARION, 2009) gerando um novo estado de equilíbrio.

3.1.2.2 Mecanismo e Contexto nos SCA

Não há na literatura uma taxonomia que classifique claramente as diferentes definições e termos da Complexidade. Alguns autores tratam um determinado conceito como sendo um princípio, outros tratam o mesmo conceito como uma propriedade, outros como mecanismo, e outros como contexto.

Esta diversidade de visões sobre conceitos semelhantes pode ser vista em estudos como os de Axelrod e Cohen (1999), Cilliers (1998), Holland (1995), Stacey (1996), entre outros.

Para simplificar o entendimento de algumas definições importantes dos SCA, neste estudou optou-se por seguir a abordagem de Uhl-Bien, Marion e McKelvey (2007) que embasa a TLC, a ser discutida na seção 3.2. Duas discussões centrais na TLC, advindas dos SCA são os conceitos de mecanismo e contexto.

Os mecanismos ou dinâmicas da complexidade podem ser descritos como sendo os comportamentos dinâmicos que ocorrem nos SCA (UHL-BIEN, MARION e MCKELVEY, 2007). Eles tratam dos processos emergentes com base nos quais os SCA se formam e operam, e também dos processos de auto-organização que regem os comportamentos dos agentes nos SCA (UHL-BIEN, MARION e MCKELVEY, 2007).

O Quadro 9 apresenta exemplos de mecanismos em SCA. Dinâmica Descrição

Não linearidade ou

Recorrência

É a relação onde a alteração em um agente causal não necessariamente provoca uma mudança proporcional em outro agente. Vem das interconexões próprias dos sistemas complexos que se alimentam em loops de feedback ou recorrência. Implica em considerar a história e o tempo.

Aglutinação É a ligação dinâmica através da qual as redes dos SCA se formam, evoluem ou desaparecem. Agentes aglutinados agem com algum grau de sincronismo - cada ação de um agente influencia o comportamento do outro.

Atratores São fenômenos que surgem quando novos estímulos entram em sintonia com os agentes. Um atrator é uma dinâmica, uma trajetória de comportamentos, um poço de gravidade que atrai agentes em torno dele e influencia os seus comportamentos. Quadro 9 – Mecanismos (Dinâmicas da Complexidade) nos SCA

Fonte: baseado em Uhl-Bien, Marion e McKelvey (2007) e Uhl-Bien e Marion (2009)

Os SCA só podem ser entendidos em seu contexto ou ambiente (PALMBERG, 2009). O contexto se refere às características estruturais, organizacionais e comportamentais que influenciam as dinâmicas da complexidade nos SCA (UHL-BIEN, MARION e MCKELVEY, 2007). Um SCA tem características únicas que o diferencia de todos os demais SCA, pois são baseados em suas histórias de interações, memória, auto-organização e emergência (CILLIERS, 1998; FIALHO e COELHO, 2002), produzindo diferentes resultados adaptativos (UHL- BIEN, MARION e MCKELVEY, 2007). O contexto define as condições que geram ou habilitam os mecanismos.

O Quadro 10 exemplifica algumas características que definem contextos em SCA.

Condição Descrição Interação

dinâmica São interações com propriedades emergentes que não são fixas. Se forem fixas não são capazes de mudar e emergir. São produtoras de não linearidade, aglutinação e dinâmicas de atratores, e são a base para os sistemas complexos mudarem e evoluírem ao longo do tempo.

Interdependência É o grau de interação entre os indivíduos para realizar uma tarefa, meta ou objetivo compartilhando suas necessidades. Sem interdependências, os agentes não são propensos a se envolver na interação dinâmica e comportamentos aglutinadores necessários em SCA.

Heterogeneidade São as diferenças entre os agentes. Fomenta a não linearidade e a aglutinação. Estimula a tensão adaptativa e obriga os agentes a trabalharem com as diferenças, de modo a produzirem novas visões de mundo e respostas inovadoras (não lineares).

Tensão

Adaptativa É a pressão para ajustar um sistema, de modo a existirem iniciativas de mudança. Ela pode derivar de diversas fontes, como conflitos, ambiente, tempo ou desafios adaptativos. Quadro 10 – Contexto (condições habilitadoras) nos SCA

Fonte: baseado em Uhl-Bien, Marion e McKelvey (2007) e Uhl-Bien e Marion (2009)

Os SCA não são previsíveis em função, por exemplo, de suas interdependências (contexto) e não linearidade (mecanismo) (HALL e CLARK, 2010; PALMBERG, 2009). Os controles dos SCA tendem a ser dispersos e descentralizados e qualquer comportamento de um agente no sistema, resulta em uma reação dos demais. O comportamento

global dos SCA é o resultado de um grande número de decisões tomadas a cada momento por muitos agentes individuais (WALDORP, 1992).

Apesar de ser difícil controlar ou prever os comportamentos dos SCA, eles podem ser “domados” ou “gerenciados” (AXELROD e COHEN, 1999; PALMBERG, 2009). Palmberg (2009) destaca que um SCA pode ser “gerenciado” com base no compartilhamento de uma visão de futuro e na criação ou aproveitamento dos atratores. Utilizar feedback e criar tensão adaptativa no sistema também geram condições de emergência nos SCA (RICHARDSON, 2008).

Estas discussões estabelecem os seguintes pressupostos para este estudo:

Pressuposto 23: Os Sistemas Complexos Adaptativos (SCA)