1. CARACTERÍSTICAS GERAIS DA REGIÃO HIDROGRÁFICA
1.8. ABASTECIMENTO E TRATAMENTO
1.8.1. Sistemas de abastecimento e tratamento
1.8.1.1.Modelos de gestão
De acordo com o Decreto-Lei n.º 194/2009, de 20 de Agosto, são definidos os diferentes modelos de gestão pelos quais os sistemas municipais podem ser regidos:
• Gestão directa: através de serviços municipais, intermunicipais, municipalizados ou intermunicipalizados; • gestão delegada em empresa constituída em parceria com o Estado: através de parcerias entre o Estado e os
municípios, as associações de municípios ou as áreas metropolitanas (definidas no Decreto-Lei n.º 90/2009, de 9 de Abril);
• gestão delegada: através de empresas do sector empresarial local, com a qual o Município, a Associação de Municípios ou a Área Metropolitana celebram um contrato de gestão delegada;
• gestão concessionada: através de entidades públicas ou privadas de natureza empresarial, com as quais o Município, a Associação de Municípios ou a Área Metropolitana celebram um contrato de concessão.
No Quadro 2.58, apresenta-se o panorama dos serviços de abastecimento público de água e de drenagem e de tratamento de águas residuais da área da RH5, no que se refere ao número de Entidades Gestoras (EG) e concelhos abrangidos.
Quadro 2.58 – Panorama dos serviços de abastecimento, drenagem e tratamento de água, por modelo de gestão.
Modelo de gestão
Serviços de abastecimento Serviços de drenagem e tratamento Alta Baixa Alta Baixa N.º EG N.º concelhos abrangidos N.º EG N.º concelhos abrangidos N.º EG N.º concelhos abrangidos N.º EG N.º concelhos abrangidos Gestão directa Serviços Municipais 22 28 59 59 16 16 65 65 Serviços Municipalizados 6 8 14 16 1 1 12 14 Gestão delegada Parcerias Públicas 1 3 - - - - Empresa Municipal e Intermunicipal 3 10 3 8 2 7 3 8
Modelo de gestão
Serviços de abastecimento Serviços de drenagem e tratamento Alta Baixa Alta Baixa N.º EG N.º concelhos abrangidos N.º EG N.º concelhos abrangidos N.º EG N.º concelhos abrangidos N.º EG N.º concelhos abrangidos Junta de Freguesia / Associações / Serviços Intermunicipais 4 2 5 3 - - - -
Concessão Concessão Municipal 8 17 9 9 4 4 7 7
Concessão Multimunicipal 7 69 1 1 10 70 0 0
TOTAL 51 941 91 941 33 941 87 941
Fonte: ERSAR 2009 (Dados relativos a 2009). 1
Pelo facto de existirem concelhos servidos em simultâneo por várias entidades gestoras, o número total é de 94 concelhos.
Tendo em conta a informação obtida no período de Consulta Pública ao PGRH Tejo, nomeadamente a partir da ERSAR, verifica-se a existência de dados mais recentes relativamente aos apresentados no Quadro anterior, referentes ao ano de 2010. Pese embora este facto, os dados apresentados reportam-se ao ano de 2009 dado serem os disponíveis à data da elaboração do PGRH Tejo.
Decorrente da informação fornecida pela EPAL no período de Consulta Pública ao PGRH Tejo verifica-se também que, no actual quadro legal, as actividades desenvolvidas pela EPAL formam um sistema específico de prestação de serviços públicos de abastecimento de água, cujo âmbito tanto congrega a prestação de serviços de captação, tratamento e abastecimento de água a determinados municípios (Alta), como inclui a prossecução do serviço público de distribuição domiciliária directa de água (Baixa), segundo o modelo de gestão delegada de titularidade estatal. Deste modo, o modelo de gestão da EPAL passa por uma gestão delegada de titularidade estatal, exercida por sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos.
a) Abastecimento público de água
As actividades relativas ao abastecimento público em baixa são da responsabilidade de 91 entidades gestoras, sendo que 80% dos concelhos são servidos por gestão directa. Apenas 11% dos concelhos da área da região hidrográfica são servidos por gestão concessionada.
Por outro lado, as actividades relativas ao abastecimento público em alta são da responsabilidade de 51 entidades gestoras, sendo que 91% dos concelhos são servidos através de gestão concessionada. A EPAL, S.A., Águas do Norte Alentejano, S.A. e Águas do Centro, S.A., correspondem aos sistemas com maior abrangência em número de concelhos servidos. O serviço em alta prestado por gestão directa abrange total ou parcialmente 38% dos concelhos da área da região hidrográfica. Uma das características dos serviços de abastecimento público de água é a existência de um número considerável de sistemas de pequenas dimensões. Cerca de 95% dos sistemas de abastecimento público de água existentes na área da RH5 abastecem até 10 000 habitantes.
Os sistemas de abastecimento das Entidades Gestoras que servem mais de 100 000 habitantes estão associados aos grandes centros urbanos de
Lisboa, Sintra, Cascais, Almada, Amadora, Oeiras, Setúbal, Seixal e Vila Franca de Xira. No entanto, apesar de
Mapa 21 – Distribuição dos modelos de gestão adoptados nos serviços de abastecimento público de água em alta.
Mapa 22 – Distribuição dos modelos de gestão adoptados nos serviços de abastecimento público de água em baixa.
Mapa 23 – Distribuição geográfica dos modelos de gestão adoptados nos serviços de saneamento de águas residuais urbanas em alta.
Mapa 24 – Distribuição geográfica dos modelos de gestão adoptados nos serviços de saneamento de águas residuais urbanas em baixa.
representarem apenas cerca de 2% do total de sistemas de abastecimento público de água, estes sistemas são responsáveis pelo abastecimento de mais de metade (57%) da população servida.
b) Drenagem e tratamento de águas residuais urbanas
As actividades relativas aos serviços de saneamento de águas residuais em sistemas em baixa são da responsabilidade de 87 entidades gestoras, sendo que 84% dos concelhos são servidos por gestão directa. Apenas 7% dos concelhos da área da região hidrográfica são servidos por gestão concessionada.
Por outro lado, as actividades relativas aos serviços de saneamento de águas residuais em sistemas em alta são da responsabilidade de 33 entidades gestoras, sendo que 79% dos concelhos são servidos através de gestão concessionada. A Águas do Norte Alentejano, S.A. e a Águas do Centro, S.A. correspondem aos sistemas com maior abrangência em número de concelhos servidos.
À semelhança do que ocorre nos sistemas de abastecimento público em baixa, também no caso dos serviços de drenagem e tratamento de águas residuais urbanas existe um número bastante elevado de sistemas de pequenas dimensões. Cerca de 94% dos sistemas de drenagem e tratamento de águas residuais servem até 10 000 habitantes.
Conforme expectável, os sistemas de drenagem e tratamento de águas residuais das Entidades Gestoras que servem mais de 100 000 habitantes estão associados aos grandes centros urbanos de Lisboa, Sintra, Cascais, Oeiras, Amadora, Almada, Vila Franca de Xira, Seixal e Setúbal. No entanto, apesar de representam apenas cerca de 8% do total de sistemas de drenagem e tratamento de águas residuais, são responsáveis pela drenagem e tratamento de mais de metade (62%) da população servida.
1.8.1.2.Níveis de atendimento dos serviços hídricos
Os objectivos definidos pelo Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais II (PEAASAR II) no que concerne aos níveis de atendimento dos serviços
hídricos, para 2013, são:
• Sistemas de abastecimento público de água: 95% da população servida;
• sistemas de drenagem e tratamento de águas residuais: 90% da população servida.
A RH5 atinge o objectivo para os níveis estabelecidos em termos de abastecimento de água às populações, com um valor global de 95%. As sub-bacias Rio Erges, Ribeira do Aravil, Rio Ocreza, Ribeira de Nisa, Vala
de Alpiarça e Ribeira de Ulme, Ribeira de Muge, Ribeira de Magos e Tejo Superior apresentam 100% de nível de atendimento de abastecimento público de água. As sub-bacias que apresentam o menor nível de atendimento de abastecimento público de água, na região hidrográfica, são as sub-bacias Rio Alenquer, Rio Grande da Pipa e Rio Trancão com 85%, 87% e 88%, respectivamente (Quadro 2.59).
Mapa 25 – Nível de atendimento de abastecimento público de água, por sub-bacia hidrográfica.
Mapa 26 – Nível de atendimento de drenagem de águas residuais urbanas, por sub-bacia hidrográfica.
Mapa 27 – Nível de atendimento de tratamento de águas residuais urbanas, por sub-bacia hidrográfica.
Quadro 2.59 – Níveis de atendimento de abastecimento público de água, por sub-bacia.
Sub-bacia hidrográfica Nível de atendimento (%)
Rio Erges 100 Ribeira do Aravil 100 Rio Pônsul 99 Rio Ocreza 100 Rio Zêzere 98 Rio Almonda 95 Rio Alviela 97 Rio Maior 97 Rio Alenquer 85
Rio Grande da Pipa 87
Rio Trancão 88
Grande Lisboa 95
Rio Sever 97
Ribeira de Nisa 100
Vala de Alpiarça e Ribeira de Ulme 100
Ribeira de Muge 100 Ribeira de Magos 100 Rio Sorraia 95 Tejo Superior 100 Tejo Inferior 94 Estuário 96
Ribeiras Costeiras do Sul 98
Água Costeira do Tejo 99
Fonte: ERSAR 2009 (Dados relativos a 2009).
Por outro lado, no que se refere aos serviços de saneamento de águas residuais, os níveis de atendimento de drenagem e de tratamento encontram-se abaixo dos objectivos definidos, com valores da ordem dos 87% e 79%, respectivamente. A sub-bacia Rio Erges apresenta, simultaneamente, 100% de nível de atendimento de drenagem e tratamento de águas residuais urbanas. As sub-bacias Ribeira do Aravil, Grande Lisboa e Ribeiras Costeiras do Sul apresentam níveis de atendimento de drenagem de águas residuais de 100%. No entanto apresentam níveis de atendimento de tratamento de águas residuais urbanas de 98%, 93% e 68%, respectivamente. A sub-bacia Ribeira de Magos é a que apresenta o menor nível de atendimento de drenagem de águas residuais urbanas com 55% e a sub-bacia Rio Grande da Pipa a que apresenta o menor índice de tratamento de águas residuais urbanas com 49% (Quadro 2.60 e Quadro 2.61).
Abastecimento público de água:
Nível de atendimento: 95%
Concelhos que cumprem objectivos do PEAASAR II: 80%
Drenagem de águas residuais
Nível de atendimento: 87%
Concelhos que cumprem objectivos do PEAASAR II: 41%
Tratamento de águas residuais
Nível de atendimento: 79%
Concelhos que cumprem objectivos do PEAASAR II: 33%
Quadro 2.60 – Níveis de atendimento de drenagem de águas residuais urbanas, por sub-bacia.
Sub-bacia hidrográfica Nível de atendimento (%)
Rio Erges 100 Ribeira do Aravil 100 Rio Pônsul 93 Rio Ocreza1 88 Rio Zêzere1 66 Rio Almonda1 67 Rio Alviela1 69 Rio Maior1 73 Rio Alenquer1 68
Rio Grande da Pipa1 72
Rio Trancão1 94
Grande Lisboa1 100
Rio Sever 83
Ribeira de Nisa 85
Vala de Alpiarça e Ribeira de Ulme1
82 Ribeira de Muge1 59 Ribeira de Magos 55 Rio Sorraia1 85 Tejo Superior1 90 Tejo Inferior1 78 Estuário1 86
Ribeiras Costeiras do Sul1
100
Água Costeira do Tejo 95
Fonte: INSAAR 2009 (Dados relativos a 2008). 1
Sub-bacias que abrangem concelhos para os quais não existem dados de população servida disponíveis
Quadro 2.61 – Níveis de atendimento de tratamento de águas residuais urbanas, por sub-bacia.
Sub-bacia hidrográfica Nível de atendimento (%)
Rio Erges 100 Ribeira do Aravil 98 Rio Pônsul 92 Rio Ocreza 83 Rio Zêzere 65 Rio Almonda 66 Rio Alviela 69 Rio Maior 66 Rio Alenquer 80
Rio Grande da Pipa 49
Rio Trancão 86
Grande Lisboa 93
Rio Sever 73
www.apambiente.pt PGRH do Tejo | 101
Sub-bacia hidrográfica Nível de atendimento (%)
Vala de Alpiarça e Ribeira de Ulme 79
Ribeira de Muge 67 Ribeira de Magos 62 Rio Sorraia 79 Tejo Superior 88 Tejo Inferior 76 Estuário 69
Ribeiras Costeiras do Sul 68
Água Costeira do Tejo 98
Fonte: INSAAR 2009 (Dados relativos a 2008).
Esta realidade é particularmente visível no contraste entre os concelhos maioritariamente urbanos e os rurais, sendo que o atendimento nos aglomerados urbanos é superior às restantes áreas.
Neste âmbito, e tendo em conta a informação obtida no período de Consulta Pública ao PGRH Tejo, importa referir que devido à informação de base utilizada para esta análise, não foram consideradas na sub-bacia Rio Sorraia, a ETAR da Erra, a ETAR de Coruche e a ETAR do Couço, bem como o fim de exploração da ETAR da Azervadinha.