Conhecimento 2 litros de água é o ideal volume a ser ingerido por dia
2.7 ENGENHARIA DO CONHECIMENTO
2.7.1 Sistemas de Conhecimentos
Um sistema de conhecimento é um sistema sociotécnico, composto por pessoas, processos, ferramentas tecnológicas (papel e caneta ou hardware e software) e estratégias organizacionais. Friedich et al (2014) alerta no entento que neste processo de elicitar e formalizar o conhecimento requer uma intensa cooperação entre o expert do domínio de conhecimento e o engenheiro do conhecimento.
A perspectiva holística/sistêmica deve ser mantida: quando sistemas são desenhados a partir de uma perspectiva individual eles
falham (BUNGE, 2004). A interconexão proporcionada pela tecnologia permite especialização do trabalho intelectual, o que serve claramente para um trabalho dos Magistrados, vez que trabalham com diferentes matérias legais de acordo com o tipo de demanda judicial. Este é o princípio por trás da alta eficiência de grupos multidisciplinares, aqui aplicados ao setor público.
Ceptureanu e Ceptureanu (2015) alertam que uma coleção de informações não é conhecimento, semelhantemente uma coleção de julgamentos significa a verdade. A qualidade da informação, os vínculos e articulações (sintaxe) entre elas, a capacidade de reproduzir o significado da informação ou a competência registrada no sistema de conhecimento, bem como aderência a condições lógicas, são fundamentais para que a relação [dados informação conhecimento] seja uma condição verdadeira.
Os sistemas de informação baseados em computação eletrônica consistem em boa parte do ferramental de infraestrutura de gestão do conhecimento (GOLD, 2001). Computadores eletrônicos e redes eletrônicas onipresentes (ubiquitous electronics networks) conforme descrito por Castells (1999) com a formação da Internet e da Economia informacional consiste no contexto mais evidente no qual as organizações estão inseridas atualmente.
Este contexto tecnológico formou também mercados eletrônicos e assim uma economia digital (TAPSCOTT, 1996). Reforça esta perspectiva a visão de relações comerciais baseadas na economia dos bits (EVANS e WURSTER, 2000) e também por Anderson (2006). Este padrão de operação e exigência de velocidade por parte da sociedade é
incorporado pelas atividades do setor público, que deve prover sustentabilidade ao funcionamento da sociedade.
Um sistema de informação é um sistema sócio-técnico14 de comunicação que provê serviços de informação e comunicação para atingir os objetivos organizacionais, possuindo seis componentes principais (CHERDANTSEVA e HILTON, 2013; WILLIAMS, HARDY, e HOLGATE, 2013; LI e HORKOFF, 2014); 1. Dados e informações; 2. Pessoas; 3. Processos de negócio; 4. Equipamentos (hardware); 5. Programas em códigos computacionais, software; 6. Redes de comunicação eletrônica.
O conhecimento significa entendimento e aplicação da informação em um contexto que agregue valor. Sistemas de informação constituem um grupo de ativos que abrange pessoas, equipamentos e artefatos para manejar informação (CHERDANTSEVA e HILTON, 2013, p.2).
Gomes e Busanelo (2015) abordam a gestão de processos a partir da visão sistêmica no sentido interdepartamental predominante nas organizações atuais e o ensino desta disciplina nos cursos de Administração, destacam a crescente a necessidade de mapeamento e flexibilidade.
No campo de engenharia de produção, Dos Santos et al (2015, p. 109)
14 Conceito elaborado para a tese e publicado em: ARAUJO, Thiago Souza;
ROVER, Aires J.: Governança de segurança da informação p. 715 – 743 in
Engenharia e Gestão do Judiciário Brasileiro: estudos sobre e-Justiça. Editora Deviant, 2016.
(...) o mapeamento de processos vem ao encontro da identificação dos principais passos e decisões em um fluxo de trabalho de rotina de forma visual. Também controla o fluxo de informações, materiais e documentos envolvidos no processo e esclarece tarefas, decisões e ações que são necessárias em determinados pontos no tempo. (DOS SANTOS et al, 2015, p. 109)
Por isso as boas práticas de análise de sistemas passam por compreender o contexto organizacional e o modelo de negócio da organização. Tais abordagens podem ser observadas em Schreiber et al (2000) com o modelo CommonKADS bem como Lee e Gandhi (2005) com a proposta de engenharia de requisitos baseada em ontologias.
Sistemas de informação tem origem na ciência da Administração, na sua especialidadede “organização, sistemas & Métodos” OS&M (OLIVEIRA, 1986; CRUZ, 1997; SIMCSIK, 2001; PREVE, 2006; CARREIRA, 2009; ARAUJO, 2010), que analisa a estrutura organizacional passando pelos processos de negócio, os processos organizacionais de forma global, e ferramentas panálise tais como fluxogramas, mapofluxogramas, diagramas diversos em termos de teoria organizacional.
O quadro 08 apresenta um conjunto de conceitos básicos para a compreensão do framework a ser apresentado na etapa final deste trabalho.
Palavra ou
Dado
Pode ser entendido como um sinal ou conjunto de sinais somado a uma sintaxe para expressar magnitude ou relação, passível de ser registrado em um banco de dados. As quantidades, caracteres ou símbolos em que as operações são executadas por um computador. Sinais não interpretados. Possui um padrão ou unidade de medida.
Oxford Dictionary (2013) Schreiber et al (2000) Aamodt e Nygård (1995) Davenport e Prusak (1998).
Informação É o dado equipado com significado.
Schreiber et al (2000)
Conhecimento
Conhecimento é o corpo de dados e informação que as pessoas trazem para a o úso prático em ação para resolver tarefas ou criar nova
informação. É o saber fazer, é dependente de contexto O conhecimento é entendido como fator de produção. Schreiber et al ( 2000, p. 4) Schreiber et al (2000) Aamodt e Nygård (1995) Davenport e Prusak (1998). Criação do conhecimento A criação do conhecimento ocorre por meio da combinação e organização de conhecimento anterior ou combinação de informações relevantes,ou ainda a aplicação de conhecimento existente em novos contextos CALHOUN; STARBUCK (2005). Compartilhamento do conhecimento Compartilhar conhecimento, proporcionar que uma pessoa acompanhe e compreenda o contexto no qual o conhecimento é compartilhado; havendo obrigatóriamente aprendizado. McDERMOTT (1999).
da informação e
do conhecimento futuro a representação da informação e do conhecimento capturar informação e conhecimento existentes e colocá-los em repositórios de forma estruturada. (2006). Conhecimento tácito
É o conhecimento que alguma pessoa mal pode articular para explicar, mas de alguma forma sabe fazer na prática, é um conhecimento procedimental (procedural knowledge). O conhecimento tácito pode ser observado na ação humana e pode ser obtido na análise de processo, ele permanence nos artefatos e nos processos e sistemas. Shadbolt e Milton (1999); Brown & Duguid (1998); Conhecimento explícito É o conhecimento formalizado e codificado que pode ser encontrado em base de dados, memorandos, notas, ou outros tipos de documentos, sistemas e artefatos.
Brown & Duguid (1998); Cook & Brown (1999); Botha et al. (2008) Embedded Knowledge O conhecimento incorporado (embedded) é o conhecimento mais tácito que permanence nos artefatos, como um Sistema. A cultura
organizacional, a forma como as coisas são feitas em uma organização, por exemplo.
Horvath (2000); Gamble & Blackwell (2001). Engenharia do conhecimento (Knowledge engineering) Engenharia do conhecimento fornece métodos para obter uma compreensão completa das estruturas e processos utilizados por trabalhadores do conhecimento; engenharia de sistemas do conhecimento requer a análise do processo de
Scheriber et al (2000) ; Studer, Benjamins & Fensel (1998)
construção e manutenção em si e no desenvolvimento de métodos adequados, linguagens e ferramentas especializadas para o desenvolvimento de Sistemas de Conhecimento. Engenheiro do
conhecimento Pode ser entendido como o analista de conhecimento. Friedrich et al (2014)
Modelo de conhecimento
O modelo de conhecimento (Knowledge model) explica detalhadamente os tipos e estruturas de conhecimento usados ao se desempenhar uma tarefa. Schreiber et al (2000, p. 19) Modelo de comunicação O Modelo de comunicação apresenta as transações entre os agentes envolvidos.
Schreiber et al (2000, p. 19)
LinkedData
Linked data é uma tecnologia que associa palavras e
expressões de forma a torná-los disponíveis de forma utilizavel por humanos ou agentes eletrônicos (sistemas). É a base semântica da rede.
W3C (2013)
Web semantica
Semantic Web é o uso da world wide web (www) para uma rede de dados, a semântica significa as conexões.
W3C (2013)
CommonKADS Design Model
Os modelos CommonKads podem ser entendidos de forma conjunta como um modelo que estrutura os requisites de especificação para um Sistema de conhecimento. O design do modelo proporciona a especificação técnica em termos de arquitetura, plataforma de implementação, construtos representacionais e Schreiber et al (2000, p. 19)
mecanismos computacionais necessários para implementar as funções inerentes aos modelos de conhecimento e comunicação.
Domínio
É alguma área de interesse. Exemplo: medicina, engenharia automotiva.
Schreiber et al (2000, p. 22)
Tarefa É uma peça de trabalho que precisa ser feita por um agente. Schreiber et al (2000, p. 22)
Agente
É qualquer humano ou software capaz de executar uma tarefa em um determinado domínio.
Schreiber et al (2000, p. 22)
Papéis/funções processuais
Um humano pode exercer diferente papeis em um processo (Process Roles).
Schreiber et al (2000, p. 20)
Ferramentas (Tools)
Software ou parte de software (algoritmo) que desempenha uma função em particular, tipicamente criando ou modificando outro programa. Pode significar um conjunto de software ou técnicas
específicas.
Oxford Dictionary (2013)
Applicação
Uma aplicação é o contexto proporcionado pela
combinação de um domínio e uma tarefa realizada por um ou mais agentes.
Schreiber et al (2000, p. 23)
Framework É uma estrutura base para um Sistema, conceito ou texto.
Oxford Dictionary (2013)
Método Um procedimento particular para atingir ou abordar algo,
Oxford Dictionary (2013)
especialmente algo
sistematicamente estabelecido.
Quadro 08: explicitação de conceitos
Fonte: Elaborado pelo autor com base nas referências apresentadas na coluna “autores/referências”.
Estes conceitos condensados no quadro acima são referências para o desenvolvimento realizado no capítulo 6 desta tese.
Conforme Schereiber et al, (2002) a taxonomia do conhecimento para fins de engenharia do conhecimento:(1) Tácito; (2) Incorporado; (3) Codificado: conhecimento que permanece na empresa quando todos funcionarios vão pra casa, (dados bancarios regras etc) (4) Cerebral, conhecimento de padrões que dependem da habilidade cognitiva; (5) Embarcado: faz parte da cultura do grupo (esta no coletivo, intrínsico ao coletivo).
Os primeiros Sistemas basesados em conhecimento - ou Knowledge Based Systems (KBS) - eram baseados em processos de transferência de conhecimento. Autores Studer, Benjamins e Fensel (1998) apontaram como principais dificuldades as seguintes desta abordagem a dificuldade de escalabilidade (funcionava apenas para sistemas pequenos); a não separação do conhecimento do domínio de conhecimento e com o método de solução do problema, tornava a reutilização inviável; falhava em capturar conhecimentos tácitos e faltava o entendimento de contexto organizacional.
A engenharia do conhecimento passa a ser considerada como um processo de modelagem do conhecimento de forma que Studer, Benjamins e Fensel (1998) apontam nesta perspectiva algumas limitações quanto ao processo de modelagem do conhecimento. Por
exemplo, por se tartar de uma aproximação da realidade o processo de busca (dispêndio de recursos, e.g. trabalho da equipe) pelo comportamento esperado tende ao infinito. Neste sentido, o processo de modelagem precisa ser cíclico, leva a necessidade de refinamento, atualização, complementação e manutenção (no sentido amplo) constantemente.
Assim, o processo de modelagem depende de uma interpretação do engenheiro do conhecimento. Como consequência, Studer, Benjamins e Fensel (1998, p. 163) afirmam que o processo é passível de erros, ou tipicamente errôneo (“...this process is typically Faulty”). O método de solução de problemas – Problem Solve Method (PSM) – exerceu influência na evolução dos sistemas especialistas. Studer, Benjamins e Fensel (1998, p. 164) caracterizam o PSM como a primeira geração de sistemas especialistas desenvolvidos para resolver diferentes tarefas, ainda que utilizando formalismos de representação diversos.
O PSM, na prática (simplificadamente), consiste em um passo a passo para a resolução de tarefas. Ou seja, uma sequência de tarefas, de forma que para cada tarefa eram especificadas ações em uma ordem lógica. A sequência relatada é a seguinte: (1) Observação; (2) Abstração (Inferências); (4) Classificação heurísticas; (5) Refinamento; (6) Soluções.
Considerando embrionariamente os papeis do conhecimento e tipo de conhecimento.
Figura 18: The Problem-Solving Method Heuristic Classification Fonte: Studer, Benjamins e Fensel (1998, p. 163)
A Influência do PSM na Engenharia do Conhecimento conforme apresentado por Studer, Benjamins e Fensel (1998) está relacionada ao progresso no processo de desenvolvimento de extrair o conhecimento do especialista e automatizá-lo em um sistema especialista.
Figura 19: The Problem-Solving Method Heuristic Classification Fonte: Studer, Benjamins e Fensel (1998, p. 167)
Este fato seria um primeiro passo para a possibilidade de reutilização e separação do domínio
Há também a abordagem de tarefas genéricas. Conforme Studer, Benjamins e Fensel (1998, p. 167) as tarefas genéricas (Generic Tasks – GT) estão associadas a descrição genérica de entradas e saídas, contém um esquema fixo de tipos de conhecimento especificando a estrutura do domínio de conhecimento necessário para resolver a tarefa. As GT pussuem a vantagem de serem elaboradas para serem reutilizáveis por KBSs. As tarefas genéricas nesta abordagem são construídas como 'building-blocks' (blocos constitutivos ou construtivos) podendo serem reorganizadas para um outro KBS que exija a mesma tarefa.
Em outras palavras é um procedimento padrão para resolver tarefas. No entanto as desvantagens recaem sobre a questão do “domínio de conhecimento”, o contexto. Há particularidades que geram dificuldades na operacionalização, há também a questão de complexidade da proposta de tarefa geral, o que envolve o nível de granularidade na construção dos blocos, não especificado no modelo PSM.
A abordagem da GT é baseada na forte interação de problemas hipotéticos que ditam a estrutura e representação do conhecimento do domínio que é completamente determinado pelo seu uso. Disso resultam duas principais desvantagens: (1) A noção de tarefa é confundida com a noção de PSM usada para resolver a tarefa uma vez que cada tarefa possui uma estratégia pré-determinada de resolução; (2) a complexidade das GTs propostas eram muito diferentes uma vez que ficou em aberto a questão do nível apropriado de granularidade para os 'building blocks'.
A abordagem KADs trabalha três tipos de conhecimentos requeridos, quais sejam:
1. Tipo de visão estática, que é a camada de domínio (Domain