CAPÍTULO 4 ESTUDOS PARA IMPLANTAÇÃO DE MECANISMOS DE RECARGA ARTIFICIAL
5.2. SISTEMAS DE RECARGA PILOTO NO AQUÍFERO INTERGRANULAR
A Estação de Infiltração Experimental AMAT 1 encontra-se instalada próximo ao Clube Bica-Pau, na cidade de Caldas Novas, e está em operação desde 21 de março de 2008, quando foram realizados os primeiros ensaios de infiltração contínuos. O sistema é composto por dois poços rasos, com profundidades de 8 metros (Poço 1) e 12 metros (Poço 2), e com 1,2 metros de diâmetro. Entre as duas caixas de recarga foi instalado um poço de monitoramento, com 39 metros de profundidade, o qual foi revestido com tubo de PVC de 100 mm.
As caixas de recarga, perfuradas em Latossolos Vermelhos, foram preenchidos com material granular, principalmente seixos de quartzo (Figura 5.1). Para o acabamento do sistema, a porção superior da caixa foi revestida com manilhas de concreto pré-fabricadas as quais foram tamponadas com laje de concreto. O poço 1 foi revestido com manilha até a profundidade de 4 metros, enquanto o poço 2 possui revestimento até 6 metros de profundidade.
O direcionamento das águas de descarte das piscinas aquecidas para as caixas de recarga é realizado através de tubulações de PVC, que captam as águas na saída das piscinas e direcionam para um pequeno reservatório de filtragem primária, que também funciona como caixa separadora de gordura. As águas filtradas migram pela parte inferior da caixa, e são direcionadas para os poços de recarga.
Figura 5.1 - Sistema Piloto de Recarga Artificial. Poços rasos preenchidos com material granular. Estação
Experimental 1 - AMAT.
Entre os dias 21 e 22 de março foram realizados ensaios preliminares com injeção de água das piscinas termais do Clube Bica-Pau e monitoramento, dos níveis de água e temperatura, nos poços de recarga e no poço de monitoramento. O nível estático dos poços estava a 4,75 m, no início do ensaio. Os resultados mostraram que no poço 1 os níveis de água subiram de 4,75 m para
Após 4 horas de ensaio o nível de água do poço raso estabilizou em 1,63 m, permanecendo neste nível durante 60 minutos, enquanto o nível d’água do poço 2 apresentou elevação de 14 cm e o poço de monitoramento oscilou 3 cm. A temperatura das águas aumentou 1,5ºC durante o ensaio e retornou à condição inicial em 5 horas.
A injeção de água não foi constante durante a realização do ensaio devido à dinâmica do descarte das águas termais do Clube Bica-Pau. As águas são lançadas de acordo com o fluxo de banhistas e com variações na temperatura da água, com isso, a vazão de entrada oscilou muito durante o dia, o que justifica as oscilações nos níveis de água ao longo do ensaio, como ilustrado na Figura 5.2.
Figura 5.2 - Ensaio de Infiltração nos poços de recarga do Clube Bica-Pau, variações nos níveis de água
dos poços 1 e 2, e piezômetro.
Com o término do ensaio os níveis do poço 1 e do poço de monitoramento (piezômetro) continuaram sendo monitorados durante 8 horas e apresentaram recuperação em 210 minutos. As temperaturas nos 2 poços de recarga, que apresentaram aumento durante a realização do ensaio, oscilaram entre 31,8 e 30,6 ºC, durante o monitoramento sem injeção de água (Figura 5.3).
No dia 22 de março, após 8 horas de injeção e 8 horas de recuperação, os níveis de água dos poços e do piezômetro estavam, em média, 10 cm acima do nível aferido no dia anterior, com temperaturas estáveis. O nível estático do poço de recarga 1 às 09:00 horas do dia 22 de março era de 4,63 m.
A Estação de Infiltração Experimental AMAT 1 encontra-se atualmente em operação, com baixa vazão e problemas constantes de entupimento nas tubulações de entrada e saída de água, principalmente com fibras de tecido e cabelos, oriundas das piscinas termais. No sistema de tubulação que direciona águas termais de descarte para o pré-filtro de recarga existem finas telas de retenção, que devem ser continuamente limpas, para desobstrução do fluxo de água.
Figura 5.3 - Recuperação dos níveis d’água no poço de recarga 1 e piezômetro, após ensaio de injeção.
Entre os meses de julho e setembro de 2008, período de seca, a estação encontrava-se em manutenção e os níveis de água, sem injeção, foram monitorados. Durante o período houve rebaixamento de 5,2 metros para 6,0 metros, como ilustrado na Figura 5.4. Este nível se repetiu nos anos seguintes e deve ser considerado como média para monitoramentos futuros com ampliação da recarga artificial na região.
Figura 5.4 - Variação dos níveis d’água no piezômetro da Estação Experimental 1, em período sem injeção
manilha e preenchidos com material granular semelhantes aos utilizados nos poços de recarga do Clube Bica-Pau.
O sistema experimental foi construído sobre solo saprolítico, com grande quantidade de fragmentos rochosos e desde sua implantação opera com problemas devido à baixa condutividade hidráulica do solo e entupimento dos sistemas de canalização. As injeções experimentais resultaram em rápida saturação dos níveis de água dos poços de recarga e atualmente a estação encontra-se inoperante.
Figura 5.5 - Estação de Infiltração Experimental AMAT 2. Poço de Recarga construído em Cambissolos.
A construção de novos sistemas de recarga, no sistema aquífero intergranular, deve contribuir significativamente para o incremento da recarga dos aquíferos termais sotopostos. A implantação das caixas de recarga deve ocorrer necessariamente em Latossolos, que na região apresentam alta condutividade hidráulica. Os sistemas precisam de manutenção regular para evitar os problemas ocorridos nas estações experimentais 1 e 2, com entupimento das tubulações de entrada e diminuição da eficácia dos mecanismos de recarga artificial.
Trincheiras preenchidas podem ser implantadas como alternativa para a recarga dos sistemas freáticos. Neste caso, os sistemas teriam as seguintes variações de dimensões: de 50 a 100 cm de profundidade; de 50 a 80 cm de largura e de 300 a 600 cm de comprimento.
A localização dos sistemas deve preferencialmente coincidir com a bacia hidrogeológica principal das águas termais, sobre zonas fraturadas/falhadas (como apresentado pelos resultados dos estudos geofísicos) e em área verdes públicas ou particulares.
Os sistemas podem ser recobertos com mantas geotêxteis (tipo Bidin) possibilitando a implantação de jardins e gramados.