Para responder às preocupações dos consumidores e permitir a rápida intervenção das Autoridades competentes foram implementadas estruturas e sistemas de vigilância coordenados, que permitem monitorizar e informar sobre riscos e surtos de doenças transmissíveis. Nesta prioridade têm sido efetuados investimentos nacionais e internacionais em sistemas eletrónicos, procurando melhorar a qualidade da vigilância das doenças transmissíveis, elaborar relatórios simplificados, e, principalmente aumentar a abrangência e pontualidade na resposta. Isso inclui a implementação e avaliação contínua dos programas de vigilância, a participação nas redes europeias de notificação de doenças infecto- contagiosas, o desenvolvimento de diretrizes na legislação nacional para apoiar a capacidade de resposta às doenças transmissíveis, o reporte dos focos de infeção nacionais em bases de dados centrais e a análise regular dos dados epidemiológicos relacionados com doenças transmissíveis, entre outras atividades específicas de cada país.
Como exemplo de sistemas de notificação e monitorização da saúde animal ou segurança sanitária dos seus produtos, apresentam-se de seguida dois sistemas utilizados na UE e pela OIE.
A UE, que possui um dos mais elevados padrões de segurança dos alimentos no mundo, detém um instrumento fundamental para garantir o acompanhamento transfronteiriço de informações, que lhe permite reagir rapidamente quando os riscos para a saúde pública são detetados na cadeia alimentar. Este instrumento, conhecido como RASFF34, é o Sistema de Alerta Rápido para os Géneros Alimentícios e Alimentos para
Animais.
Este sistema, criado em 1979, permite que a informação possa ser compartilhada de forma eficiente entre os seus membros (as 28 autoridades nacionais de segurança alimentar da UE, a Comissão Europeia, a EFSA, a ESA35, a Noruega, o Liechtenstein, a Islândia e a
Suíça) garantindo que notificações urgentes são enviadas, recebidas e tratadas coletiva e eficientemente. Graças ao RASFF, foi possível evitar muitos riscos relacionados com a segurança dos alimentos antes de causarem danos aos consumidores, visto que se trata de
34 Rapid Alert System for Food and Feed 35
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um instrumento fundamental para rastrear a origem dos produtos e retirá-los do mercado sempre que se detete uma fraude e/ou perigo (Comissão Europeia, 2014).
A OIE disponibiliza a todos os 178 países membros um sistema mundial de informação sanitária, conhecido como WAHIS36, que funciona numa plataforma web, e que permite atualizar, em tempo real, dados relativos a determinada doença dos animais, sendo posteriormente essa informação disponibilizada a toda a comunidade internacional (OIE). O acesso a este sítio seguro está disponível apenas para utilizadores autorizados, que utilizam o WAHIS para notificar a OIE com informações relevantes sobre sanidade animal, sendo constituído por dois componentes: um sistema de alerta para informar a comunidade internacional, por meio de "mensagens de alerta", sobre eventos epidemiológicos relevantes que ocorreram em países membros; e um sistema de monitorização das doenças listadas pela OIE (presença ou ausência) ao longo do tempo.
Depois de terem sido recebidas, verificadas e validadas pela OIE, as notificações imediatas são publicadas nos três idiomas oficiais de trabalho (inglês, francês e espanhol) sob o título “alertas” e enviadas às entidades que constem na lista de distribuição “OIE-Info”. Esta é uma lista eletrónica criada para facilitar e amplificar a divulgação de informações sanitárias, aberta não só aos delegados dos países membros, como aos Laboratórios de Referência e Centros Colaboradores da OIE, Organizações Internacionais e Regionais, mas também, por subscrição, a quaisquer instituições ou pessoas interessadas em receber diretamente tais informações.
Depois de terem informado a OIE sobre um evento epidemiológico significativo por meio de um relatório de notificação imediata, os países enviam relatórios de acompanhamento semanais para que o evento possa ser monitorizado. Em todos os casos, o país apresenta um relatório final para notificar que o evento está resolvido ou que a doença se tornou endémica. A monitorização é realizada através de relatórios semestrais, posteriormente compilados num relatório anual da OIE das doenças listadas. Além disso, em cooperação com a OMS e a FAO, os países membros são convidados a completá-lo, uma vez por ano. Toda esta informação é recolhida numa publicação OIE designada por World Animal Health. Como complemento do sistema WAHIS, os dados e informações fornecidos pelos países membros estão acessíveis através do interface WAHID37 e estão disponíveis para o público através do sítio web da OIE.
36 World Animal Health Information System 37
65 8. FUNÇÕES E RESPONSABILIDADES NA COMUNICAÇÃO DE RISCO Tal como já foi abordado, os governos dos países são obrigados, pelos acordos e normas internacionais, a manter os cidadãos informados sobre qualquer surto. Estes acordos e normas são emanados por organizações internacionais, e definem princípios importantes, como a necessidade de evidências científicas38 e a implementação de análises
de risco, como base para a imposição de medidas sanitárias ou fitossanitárias (Silva, 2013). O papel das organizações internacionais revela-se assim essencial, e constitui a pedra basilar para a implementação do processo de análise de risco como promotor da transparência entre os países desenvolvidos e todos os outros, favorecendo a segurança sanitária da cadeia alimentar e em consequência promovendo a saúde pública.
As medidas sanitárias ou fitossanitárias implementadas variam bastante entre os países atendendo a fatores que as autoridades reguladoras nacionais levam em consideração durante sua definição, tais como: os interesses das indústrias nacionais, a tolerância dos consumidores aos riscos, as condições climatéricas e geográficas, o nível de desenvolvimento tecnológico e os recursos económicos disponíveis. No entanto, através da harmonização das medidas sanitárias ou fitossanitárias entre os vários países, com a consequente redução das barreiras ao comércio causadas pelos diferentes modelos adotados, procura-se alcançar o objetivo de incrementar o livre comércio, respeitando o direito dos Países Membros escolherem os seus próprios níveis de proteção (Prevóst, 2003).
É importante lembrar que o cumprimento das normas internacionais permite que os países exportem animais, produtos animais e géneros alimentícios de origem animal para os mercados regionais e internacionais mais lucrativos, dos quais podem ser excluídos devido à deteção de determinadas doenças animais no seu território ou devido ao fraco desempenho dos serviços veterinários na aplicação daquelas normas. O reconhecimento de determinado país ou região como oficialmente livre de determinadas doenças constitui um mecanismo específico que facilita o acesso ao mercado internacional de animais e seus produtos (ovos, carne e leite), uma vez que existem garantias acrescidas sobre a segurança sanitária dos mesmos (Vallat, 2013).
Para aplicação das normas internacionais é essencial a disponibilização de recursos e formação adequada aos técnicos, de modo a possibilitar o seu cumprimento. Para
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À exceção do disposto no Artigo 5.7 do Acordo SPS, que se aplica aos casos em que há prova científica insuficiente, refletindo o Princípio da Precaução. É geralmente aceite que existem situações em que os governos precisam tomar medidas para prevenir riscos à saúde mesmo quando inexiste prova científica suficiente em relação ao risco. Nesse sentido, os governos podem agir com precaução de maneira a proteger contra os riscos sem esperar os resultados conclusivos das análises científicas. Este procedimento consiste em agir em conformidade com o Princípio da Precaução ou abordagem cautelar (Prevóst, 2003).
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assegurar o cumprimento destas medidas sanitárias ou fitossanitárias, os países adotam procedimentos de controlo, inspeção e aprovação (Prevóst, 2003).