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COMPREENDENDO A ACESSIBILIDADE

1. Situando o universo do estudo

As demandas por formação continuada de professores para atender às questões relacionadas aos processos de escolarização das pessoas com de iciências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação passam a ter destaque no cenário nacional, realizando debates sobre as políticas educacionais nacionais no que tange à ampliação das condições de acesso e de permanência com sucesso desse grupo de pessoas nos espaços escolares.

Nóvoa (1991) defende que a discussão sobre a formação continuada de professores precisa ser inserida no campo dos estudos e debates sobre as políticas educativas e a pro issão docente. Em se tratando do Brasil, essa é uma demanda atual, um direito conquistado e expresso no paradigma o icial, constituído e regulamentado pela legislação educacional nacional, determinando que toda escola brasileira seja naturalmente inclusiva.

No entanto, ao considerar a história educacional do país, pode-se observar que a escolarização não foi sempre destinada a todos, mas a uma parcela privilegiada da população. Aos poucos foi criado e ampliado, no país, um conjunto de situações e experiências que evidenciam a

naturalização da exclusão, particularmente, entre os pro issionais que trabalham na escola.

Hoje esse discurso parece superado, mas persiste a necessidade de ir além das experiências excludentes nos ambientes escolares. Assim considerando, a preparação e formação de professores torna-se essencial tanto em relação às questões que dizem respeito ao discurso, quanto à vida cotidiana no interior das escolas. O processo de formação docente seja inicial e/ou continuada precisa ter condições teóricas e práticas condizentes com as demandas de escolarização de todos, contemplando as especi icidades das diferentes formas de de iciências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação.

Historicamente, o Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Especial, tem procurado trabalhar no sentido de oferecer subsídios teóricos e inanceiros aos sistemas de ensino, para que cada entidade assuma a própria responsabilidade legal e desenvolva ações de formação continuada aos seus pro issionais. Na década de 1990, o paradigma da Educação Inclusiva no Brasil assumiu caráter normativo, em todo o território nacional, devido às proposições da Lei n.º 9.394/96.

Nesse contexto, intensi icou-se, também, a necessidade de se desenvolver ações a pequeno, médio e longo prazo, para garantir a quali icação dos pro issionais da educação, não só docentes, mas também gestores, pessoal da área administrativa, etc., para assegurar o direito de acesso e permanência de todos os alunos nos contextos escolares comuns, inclusive de alunos com diferentes formas de de iciências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação.

Atendendo às tendências de gestão da época, foram descentralizadas as obrigações e ações de formação continuada dos pro issionais para atuar na escola inclusiva nos sistemas de ensino. Com o passar dos anos, após avaliações desencadeadas pela própria SEESP/MEC, foi averiguado que esses projetos não estavam, em muitos casos, atendendo às necessidades apontadas pelos pro issionais. É importante destacar que essa formação estava sendo assumida por instituições privadas, com ins lucrativos, e que as universidades públicas eram deixadas à margem do processo.

Diante dessa realidade, a SEESP/MEC, motivada pelos dados representativos do INEP/2006 que demonstravam a ampliação do número de ingresso de alunos com diferentes formas de deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação na rede pública de ensino, resolveu, por meio do Edital n.º 02/2008, criar a Rede de Formação Continuada de Professores em Educação Especial.

Nesse edital, foram aprovadas 19 propostas. Todos os projetos, com exceção do Curso de Especialização, foram realizados na modalidade a distância, utilizando ambientes via web. Cada curso possuía vinte turmas com vinte a vinte cinco cursistas, totalizando cerca de 500 participantes. Nessa primeira edição, participaram cerca de nove mil e quinhentos professores. Foram ofertadas, na maior parte dos cursos, duas turmas. Os Cursos de Extensão possuíam uma carga horária de 120 horas, os de Aperfeiçoamento 180 horas e os de Especialização 365 horas.

Em 02 de março de 2009, O MEC/SEESP lançou o Edital n.º 1, no qual realiza uma segunda chamada pública para o cadastramento e seleção de cursos de Instituições Públicas de Educação Superior para a Rede de Formação Continuada de Professores na Educação Especial no âmbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB.

Foram aprovados três projetos de Cursos de Especialização lato

sensu em Atendimento Educacional Especializado – AEE, oferecidos por

três instituições públicas. Foram aceitas outras três propostas de Cursos de Extensão/Aperfeiçoamento, também em AEE, com carga horária de 180 horas. Atendendo ao mesmo edital, foram aceitas outras cinco propostas também de Extensão/Aperfeiçoamento, destinadas aos Professores do Ensino Regular. Existem, atualmente, três Cursos de Especialização ofertados na Rede de Formação Continuada de Professores em Educação Especial a distância, envolvendo cerca de três mil cursistas, e oito cursos de Extensão/Aperfeiçoamento, atendendo aproximadamente oito mil professores por semestre.

Diante do panorama exposto, é importante esclarecer algumas questões: Que diretrizes e princípios, acerca da Formação Continuada de Professores em Educação Especial, as propostas dos cursos selecionados apresentam? Qual o alcance do curso para os profissionais da educação? Como aconteceu o movimento de adesão dos professores aos cursos? Qual é o número de concluintes? Qual o nível de evasão e quais os principais motivos causadores do abandono dos cursos? A forma de adesão aos cursos da Rede de Formação de Professores em Educação Especial oferece algum impacto quanto ao número de concluintes?

Para a apresentação da proposta de trabalho e esclarecimento, foi elaborado e encaminhado aos coordenadores dos cursos aprovados e para a Secretaria da Educação Especial e coordenação da Diretoria de Políticas Pedagógicas de Educação Especial um documento em que são explicitados seus objetivos e um termo de aceite, para colaborar com a pesquisa, havendo a adesão de todos.

No entanto, foram recebidos até o momento, os documentos de cinco universidades, sendo que apenas uma encaminhou o projeto do curso. A SEESP, por sua vez, encaminhou o Projeto Político Pedagógico elaborado com a inalidade de subsidiar a seleção dos projetos recebidos em resposta ao Edital n.º 1 MEC/SEESP, de 02 de março de 2009.

Para este artigo foi realizado um recorte, focando apenas as ferramentas e recursos utilizados nos cursos, visando identi icar e analisar as condições de acessibilidade dos mesmos.