Embora se tenha coletado muitas informações sobre as modificações paisagísticas da área estudada, buscou-se aprofundar essa discussão no quesito degradação da natureza. De diferentes formas obtivemos um quadro dos impactos ambientais considerados mais graves pelos moradores/agricultores rurais.
Quando perguntados se a natureza foi muito degradada 17 pessoas disseram que Sim com alguns dos seguintes argumentos: “foi devastado, mas a própria natureza se recuperou, corte uma canela da 10m de lenha e ela brota de novo do toco” (Eugênio, 69 anos no lugar). Por um período “foi muito perseguido antigamente e o fato de ser chão dobrado pararam de retirar” (Cassemiro, 60 anos no lugar).
Degradaram “principalmente no plantio” (Ingard, 50 anos no lugar), e hoje tem “mais a substituição, aumentou a área verde com pinus e mato”(José, 44 anos no lugar).
Também tem um pouco de saudosismo nestas respostas: “alguns anos atrás a lenha era (retirada) direto, cansei de carregar porco, galinha e vender na cidade, tempo bão acabou”(Inácio, 37 anos no lugar); “antigamente era arvoredo, mata virgem” (Maria, 43 anos no lugar), “no começo quando eu era criança tinha matos virgem, hoje não tem mais nada só mato novo” (André, 75 anos no lugar) e um pouco de “realismo”, pois “cada um tira pra sobreviver” (Julio M, 40 anos no lugar).
Nesta questão 12 pessoas disseram que a natureza não foi muito degradada visto que “aumentou a área verde (pois) era tudo plantação” (Elson, 38 anos no lugar), e “o que foi tirado repõem com erva, pinus” (Lucinda, 4 anos no lugar). Assim,
“tá mais preservado”(Júlio L. 58 anos no lugar) e “do jeito que tava tá, terminou a lavoura agora é pinus”(Juventino, 22 anos no lugar).
As outras 13 pessoas não responderam, porém, fizeram algumas considerações afirmando que “toda região foi liquidada, mais já tem parte de mato”
(Nádia, 2 anos no lugar), ou que “não sei, mas achei bem conservado” (2 anos no
lugar) ou ainda se referiram às plantas exóticas dizendo que “falam que puxa água, por isso retirei os eucalíptus” (Sandro, 6 anos no lugar)
Em razão da grande quantidade de árvores exóticas nas propriedades rurais da área estudada, quisemos saber as razões de sua origem: você já plantou ou vai plantar espécies exóticas?
A maioria (32) respondeu que Sim afirmando que “só um pouquinho, planto mais pra deixar plantado” (Marcelo, 33 anos no lugar). Outros 6 disseram Não “mas to pensando em planta e (ainda) fazer um tanque de peixe” (Airto, 25 anos no lugar) e 4 não responderam.
O reflorestamento muitas vezes esta associado a uma espécie de poupança (isso já era feito com reservas de pinheiros, porém, o plantio desordenado não caracteriza reflorestamento e, por esse motivo, não pode ser retirado para comercialização). Não é raro ouvir, nesta região, comentários que afirmem isso categoricamente. A questão é que muitas pessoas pensaram neste tipo de investimento fazendo com que hoje tenhamos uma desvalorização do pinus e do eucaliptos. Por isso o Sr. Eugênio aconselha plantar/reflorestar pinheiro. Mesmo que ele demore mais para crescer - quando comparado a outras madeiras exóticas - o seu valor é maior.
Esta questão foi seguida de outra: alguém já lhe informou se as espécies exóticas degradam a natureza? Caso a resposta seja Sim, quem?
Em nossa primeira análise pensou-se que existia um desconhecimento sobre os impactos que as espécies exóticas propiciam. Equivocamos-nos, mais uma vez.
A grande maioria respondeu (37 pessoas) Sim, ou seja, já foram informados da degradação ou verificaram pelas próprias experiências.
O Sr. Claudio “(ouviu falar) em conversa de firma” (8 anos no lugar), mas segundo o Sr. Airto “os próprios moradores falam” (25 anos no lugar). Isso vai sendo confirmado por outros como o Sr. Alóis ao afirmar que “os amigos falam” (1 ano no lugar). O Sr. Marcelo disse que “o funcionário do IAP falou” (33 anos no lugar) e a D.
Inês “ouvi(u) falar na escola e em casa” (22 anos no lugar).
Dentro deste número de pessoas que disseram saber das consequências temos aqueles que ouviram falar, os que constataram pela prática e os incrédulos.
Assim, para o Sr. Reginaldo “todo mundo fala que seca a água” (15 anos no lugar), mas conforme a D. Maria “os antigo já falavam: você planta quando a lavoura não dá mais, o pinus é porcaria e acaba a terra e a água duma veiz” (Maria, 43 anos no lugar).
O Sr. Loreno é enfático ao dizer que “já fiz o teste (no município que morava) e estraga, enfraquece a terra, e se deixar pela natureza demora uns 30 anos pra terra volta (ficar fértil)” (2 anos no lugar). O Sr Julio confirma que “pela prática é verdade” (58 anos no lugar). O Sr. Eugênio disse que o “eucalíptus e pinus seca a água” (69 anos no lugar), ou noutras palavras “consome água” (Wilson, 12 anos no lugar). O Sr. José consegue fazer uma análise mais ecossistêmica e afirma que
“percebi na prática, o pinus secou o banhado e diminuiu as abelhas” (José, 43 anos no lugar). Para o Sr André a “madeira que cresce em poucos anos chupa muita água e até caminhão passa onde era banhado” (75 anos no lugar). Essas práticas se resumem na seguinte fala: “a gente viu por conta própria” (Miguel, 48 anos no lugar),
Conforme o Sr. Inácio “o pessoal comenta, mas o pinus não estraga (a terra) ele protege, o eucalíptus sim” (37 anos no lugar). Para a D. Evone “falam, mais é muita bobagem {...} só seca (água) na seca” (47 anos no lugar). Segundo o Sr.
Benjamim “isso é conversa pra não plantar o pinus, onde fiz lavoura (depois de tirar o pinus) formou a melhor plantação com milho viçoso” (52 anos no lugar). Assim,
“acho que não estraga” (Elson, 38 anos no lugar), pois “é relativo, depende da adubação” (Luiz, 8 anos no lugar).
Ainda neste grupo de pessoas que afirmaram conhecer os danos ambientais relacionados a reflorestamentos com espécies exóticas encontramos alguns mais prudentes. É o caso do Sr. Juventino ao dizer que “tinha que fazer o teste, dizem que toma força (da terra)” (22 anos no lugar) e do Sr. Cassemiro “precisava estuda, mas acho que é (verdade que degrada)” (60 anos no lugar).
Tivemos 2 que não responderam a questão e 3 que afirmaram Não ter conhecimentos de impactos relacionados às espécies exóticas.
Com relação às práticas, perguntamos o que mais degrada a natureza, ou seja, é a extração da vegetação ou a agricultura.
Tivemos outra “surpresa”. Pensou-se inicialmente que as respostas apontariam para uma relação de agricultura versus extrativismo, onde este último estaria em vantagem por estarmos em uma região essencialmente extrativa.
Do grupo pesquisado 02 pessoas não souberam responder e 06 disseram que a agricultura é a principal responsável pela degradação. A agricultura é prejudicial “se plantar num lugar só” (André, 75 anos no lugar), e porque usa “muito agrotóxico” (José, 44 anos no lugar).
Outros 06 disseram que as duas práticas são prejudiciais afirmando que “tá pareio” (Lucinda, 4 anos no lugar) os níveis de degradação e que “um puxa o outro, acho que a consciência ambiental ta importante” (Ingard, 50 anos no lugar).
Entretanto, 28 afirmaram que a extração é a principal causa da degradação.
Para o Sr. Wilson “na agricultura você trata a terra e preserva a água próxima” (12 anos no lugar), e ainda “na agricultura você corrige o solo” (Elson, 38 anos no lugar).
Portanto, “o maior problema é plantar madeira no lugar impróprio pra lavoura”
(Juventino, 22 anos no lugar). Concluindo: “o que vou te dizer, meio de sobrevivência (agricultura) não estraga” (Nelson, 37 anos no lugar).
Ainda nesse contexto, perguntou-se sobre os motivos que os levam a retirar madeira. 02 pessoas falaram que é para usar o solo para a agricultura; 02 não responderam; 10 enfatizaram o consumo próprio (lenha, madeira, cercas, paios, entre outros) e; 27 retiram a cobertura vegetal com o objetivo de comercializá-la.
Motivos da retida da cobertura vegetal
Uso para agricultura 02
Consumo 10
Comercialização 27
Não responderam 02
Quadro 11 – Motivos da retirada da cobertura vegetal
Mesmo que a grande maioria do público pesquisado tenha revelado o conhecimento da degradação ocasionada tanto pelas espécies exóticas quanto pela
retirada da cobertura vegetal, constatou-se o desejo deles em aumentar as áreas de reflorestamentos.
Assim, 23 pessoas disseram que precisam mais espaço para aumentar a área de reflorestamento; 15 afirmaram que precisam de mais tecnologia para aumentar a produção de silvicultura; 03 precisam tanto de espaço quanto de tecnologia e; 01 não respondeu a questão.
Para aumentar os reflorestamentos é necessário
Tecnologia 15
Espaço 23
Espaço e tecnologia 03
Não responde 01
Quadro 12 – Para aumentar o reflorestamento
Esta questão é muito importante para que possamos pensar em estratégias de “controle” sobre avanços em áreas florestadas. Como a maioria disse que precisa de mais áreas de plantio parece certo que, ao obtê-las, isso acabará ocorrendo.
Assim, um trabalho sobre a importância das tecnologias para maximização da produção em uma área menor faz-se necessário.