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5. Caso de estudo

6.1. Sobre a pesquisa efectuada

A pesquisa efectuada, permitiu constatar que a competitividade resulta da combinação de um conjunto de factores, relacionados com o modelo estrutural da indústria e, com os recursos e modelos de gestão, que as empresas dessa mesma indústria têm ao seu dispor e utilizam. A competitividade está fundamentada em vantagens competitivas associadas a “skills” do tipo organizativo, a factores estruturais relacionados com o sector em causa e com a localização onde o mesmo se situa. Os “skills” dizem respeito à capacidade de utilização da informação e do conhecimento e, à capacidade de utilizar e desenvolver recursos adequados, com o objectivo de produzir bens com elevado desempenho e a um custo apropriado. A utilização dos recursos adequados está relacionada com o objectivo de obter a eficiência operacional, que se consegue através do uso de ferramentas de gestão que aumentem a qualidade e o desempenho, levando a que exista um aumento da produtividade, com uma utilização mais eficiente dos recursos, o que liberta recursos para serem atribuídos à pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e a uma distribuição mais equitativa dos rendimentos.

A pesquisa efectuada também permitiu constatar que, o sector da construção tem baixos níveis de eficiência e que esta varia conforme o estágio de evolução da indústria desse mesmo país. O nível de eficiência do sector é influenciado pelos métodos de produção e gestão utilizados e, pela definição de planos de investimento a médio e longo prazo, por parte dos maiores clientes das empresas, que consigam esbater os ciclos económicos. Os principais factores de competitividade na construção civil estão relacionados, com a experiência, e o conhecimento associado, a qualidade e a inovação, tendo por finalidade realizar um produto, de acordo com os requisitos pretendidos, ao mais baixo preço. Estes factores são influenciados pelo mercado onde as empresas estão inseridas, que influencia a evolução das mesmas e, estas, por sua vez, influenciam o mercado.

Em França, a evolução do sector foi muito influenciado pelas condições criadas pelas políticas regulamentares governamentais, assim como, pelo papel do governo como cliente

das empresas de construção. O mercado, e o sector da construção civil em França, têm características únicas, que o tornam um dos mais desenvolvidos, em termos mundiais e, também um dos mais competitivos, não obstante existirem alguns regulamentos, que não sendo contrários às regras comunitárias, favorecem as empresas francesas no mercado local.

As características únicas do mercado de construção civil em França, geralmente, baseado na execução de lotes separados, contratados directamente pelo dono da obra, levaram a que o sector da construção civil em França, nomeadamente, no referente à construção de edifícios, seja caracterizado pela existência de pequenas e médias empresas, independentes ou inseridas em grandes grupos, especializadas em determinado tipo de trabalho de construção. Isto permite-lhes ter uma elevada produtividade, ter um maior conhecimento das técnicas e métodos construtivos, uma diminuição, e maior controlo, dos custos de produção, com um aumento da qualidade e a consequente baixa do custo final do produto. O sistema obrigatório de seguros para todos os intervenientes no processo construtivo, associado à responsabilização, aos sistemas de certificação da construção e das empresas, assim como o conhecimento associado às bases de dados existentes de sinistros, permitem que exista um modelo de melhoria do sector, o que tem como consequência a diminuição dos custos da não qualidade, a consequente melhoria do produto e produtividade das empresas e melhores garantias para os clientes/utilizadores.

O mercado de construção em Portugal, em comparação com o de França, encontra-se num estágio de desenvolvimento, que no sector dos edifícios, é inferior, estando assim, o mercado português, desfasado em alguns anos do mercado francês. O sector debate-se com alguns problemas, que já existiram no mercado francês e outros que são característicos dos modelos de construção existentes em Portugal e que levam a que a produtividade e qualidade do produto, seja na maioria dos casos muito inferior à francesa. As garantias que os clientes têm são menores e, o acesso à informação e conhecimento não é tão fácil como em França.

Fazendo um paralelismo, com a evolução nas últimas décadas, do mercado de construção em França e o mercado português, o sector da construção de edifícios em Portugal, irá sofrer um período de adaptação. Assim, este período actual de crise, terá tendência a prolongar-se durante mais algum tempo, fruto da diminuição da procura, devido ao elevado stock de habitação existente e à diminuição das necessidades de infra-estruturas. A

dimensão do mercado de novos edifícios deverá continuar a diminuir, por sua vez a dimensão dos projectos também será menor. A competição existente no sector, levará a que as empresas tenham de apostar em novos modelos de gestão e produção, com uma maior racionalização dos recursos. A eliminação de actividades que não acrescentam valor, como já se deu e continua a dar-se em França, um maior planeamento das actividades, a melhoria da qualificação da mão-de-obra, serão alguns dos factores que irão contribuir para esta racionalização. Para isso as empresas precisam do impulso que o Estado como cliente e regulador deve de proporcionar. O relacionamento das empresas de construção civil com os clientes, e com as outras empresas do sector, terá tendência a modificar-se, passando a desempenhar um papel mais social, através da participação e, da procura, nas soluções para a resolução de necessidades locais e, dos clientes, participando na formulação das definições do projecto, prestando assistência técnica e financeira, fornecendo soluções construtivas, assumindo riscos financeiros e efectuando a gestão e a manutenção.

A existência em França de grupos de empresas, em que estes grupos têm associadas empresas especializadas em determinada etapa do processo construtivo, e/ou destas empresas isoladas, foram influenciadas pelas teorias da gestão cientifica do trabalho, assim como, pelo modelo de mercado promovido pelas entidades estatais. O modelo de mercado francês, e a sua influência no modelo de produção e de gestão das empresas, proporcionam um aumento da inovação, da melhoria da produção e do aumento da produtividade, o que torna o mercado de construção em França como um exemplo a seguir.

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