3 DO COMPORTAMENTO DOS POLICY-MAKERS EM POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
3.5 Análise do “Escolas Sustentáveis” 1 Sobre a criação
3.5.2 Sobre educação ambiental e a importância das ideias
O Secretário de Educação da gestão 2013-2016, AL, acredita que a educação ambiental enquanto processo escolar deve transcender qualquer disciplina e ser abordada de forma integrada, contrariando, dessa forma, métodos racionalistas da educação sobre a divisão do conhecimento. Sua percepção destaca a essencialidade do tema ao explicitar a inclusão de princípios da educação ambiental no Projeto Político-Pedagógico de Rio Grande e ainda projeta a necessidade, nesse sentido, da gestão compartilhada, participativa e que se expande para além das escolas, agregando pais, comunidade e cidadãos como agentes da sustentabilidade. Nesse diapasão, AL reitera sua crença na educação ambiental como processo transformador e crítico – trazendo a perspectiva freiriana à sua fala – ao explicar a adoção do “Escolas Sustentáveis”, porém se mostra bastante realista no desenvolvimento do programa como instrumento para a edificação de espaços autossustentáveis e autogestionáveis. Ademais, é bastante notável em sua fala a adoção de um modelo bottom-up (de baixo para cima) de políticas de educação ambiental, pois expressamente ele acredita que os projetos devem partir das necessidades dos níveis mais baixos que conhecem seus problemas, e não dos patamares superiores, que partiriam de uma concepção mais generalista:
André Lemes: E na perspectiva de educação ambiental que eu aprendi e que acredito que é a educação ambiental enquanto uma ação interdisciplinar, com um viés inter e transdisciplinar, ou seja, que atravessa as disciplinas e que não seja meramente uma disciplina, a gente... eu aprendi a trabalhar com a educação ambiental dentro da minha disciplina, que era História. E também em projetos interdisciplinares.
Nesse ponto, AL aduz que havia, de fato, a tentativa de transformar algumas características da educação ambiental em Rio Grande:
André Lemes: Então, a gente tentou mudar um pouco essa característica da educação ambiental em Rio Grande ou, na verdade, resgatar um pouco daquela gênesis ainda do projeto “Quero-Quero”. E nós, como a nossa ideia era montar uma política mais permanente, assim, menos vinculada a um projeto partidário, enfim, nós abraçamos a perspectiva que o Ministério da Educação, a Coordenadoria-Geral de Educação Ambiental do Ministério da Educação, estava propondo para a política escolar, a política educacional escolar, que era o programa ‘Escolas Sustentáveis’.
AL também reitera que o projeto pedagógico da Secretaria de Educação se ampara nos princípios ambientais assumidos por ele:
André Lemes: E o nosso projeto pedagógico foi amparado em grande parte nos princípios da educação ambiental, da educação popular, da educação emancipatória, transformadora, que são princípios da educação ambiental. E nós criamos um projeto chamado “Escola com Vida, gestão que compartilha, educação que qualifica, cidade que educa”. Ou seja, uma perspectiva de que a gestão compartilhada, a gestão participativa, democrática, ela alia e traz benefícios na qualidade da educação, na qualidade do ensino, e traz uma perspectiva de que a educação se espalha para além dos muros da sala de aula e da escola. E, então, se espalha por toda a cidade.
Assim, AL percebe a troca de programas como um grande avanço na educação ambiental em Rio Grande:
André Lemes: Eu entendo como um salto qualitativo porque, primeiro, a gente exercita a autonomia pedagógica da escola, ou seja, ela diz o que quer fazer, certo? Ela pensa, ela planeja e ela planeja como gastar o dinheiro, que é um exercício bem importante no meu entendimento na perspectiva de gestão, gestão... de autonomia de gestão da escola. E, segundo, que ela se compromete na execução da ação. É um compromisso firmado na execução da ação.
E ainda reforça que a adoção de um novo programa de educação ambiental permeou dar um novo sentido e importância à perspectiva tanto do tema como de sua gestão:
André Lemes: “Então, autores como Maria Isabel Carvalho, entre outros alicerçados em diferentes perspectivas, mas em especial na perspectiva freiriana de escola, eles constituíram um arcabouço conceitual-teórico e que foi se constituindo, se desdobrando, até chegar nas escolas sustentáveis, nessa perspectiva da escola como um agente da sustentabilidade e não uma escola comum. O espaço autossustentável, totalmente autogestionável seria o sonho, né?! Mas a gente sabia que não conseguiríamos chegar a isso.
Na relação com a construção do Polo Naval, RR acredita que o número de escolas selecionadas para o “Escolas Sustentáveis” pelo Ministério da Educação foi influenciado pelo contexto:
Roselle Rodrigues: Eu sei te dizer que o número de escolas foi significativamente maior em função do polo naval. Então, assim... se abriu mais escolas para Rio Grande em função de toda a repercussão do que o polo naval teve no governo federal. Então, por isso, teve um número significativo para as nossas escolas do município... porque nunca eles oferecem esse montante, assim...essas quarenta e três escolas terem
sido oferecidas juntas a um único programa de uma única cidade...É difícil. Isso foi influência, sim, do polo naval.
Complementando, AL crê que as temáticas abordadas pelas escolas não possuem, em quase toda a sua totalidade, conexão com o Polo Naval:
André Lemes: Mas eu te diria que 95, 99% das escolas que estão nas outras áreas periféricas ou no interior do nosso município não tiveram como tema a discussão do Polo Naval. 3.5.3 Sobre funcionamento
Dentro dessa visão, AL lembra que o município investe verbas na educação ambiental e que o financiamento do PDDE pelo “Escolas Sustentáveis” é gerido diretamente pelas escolas:
André Lemes: Primeiro que a gente mantém uma equipe trabalhando, uma equipe que eu chamo a equipe de educação ambiental, fazendo assessoramento dessas escolas e o acompanhamento também, porque cabe à Secretaria fazer o acompanhamento da execução dos projetos, então, tem uma equipe dedicada a isso e isso tem um recurso que a Secretaria coloca ali. E também para outras coisas não previstas, para além do projeto, e que as escolas demandavam, a gente fez um investimento bem grande em compras de materiais, equipamentos... Vou te dar um exemplo: hortas escolares. Ante isso, AL pontua crer em uma visão bottom-up de projetos de educação ambiental como grande agente no assunto:
André Lemes: Isso é o que a gente acredita na perspectiva de educação ambiental, que venha da base e não... que venha de baixo para cima e não que venha de cima para baixo.
Não obstante, AL observa que a Secretaria de Educação de Rio Grande continuou a dar suporte a todas as escolas no âmbito da formação continuada em educação ambiental:
And
duas escolas na rede agora, e as outras escolas que não aderiram, que não quiseram?” Bom, nessas escolas nós mantivemos as ações de formação continuada de professores, nós resgatamos o “EMEA”, que é o
Educadores Ambientais”, que estava parado. Resgatamos e fomos mantendo ele com periodicidade, ano a ano. E também a formação continuada com regularidade de professores. Isso deu... para essas escola
outras que tinham aderido como estímulo. Dois diretores que não aderiram, passados, assim, seis meses do funcionamento, me procuraram no meu gabinete para perguntar “Como é que eu faço para entrar agora no programa?” porqu
certo nas outras escolas.
Figura 5: Funcionamento do “Escolas Sustentáveis”
André Lemes: Aí tu vais me perguntar “Mas temos setenta e duas escolas na rede agora, e as outras escolas que não aderiram, que não quiseram?” Bom, nessas escolas nós mantivemos as ações de formação continuada de professores, nós resgatamos o “EMEA”, que é o “Encontro Municipal de Educadores Ambientais”, que estava parado. Resgatamos e fomos mantendo ele com periodicidade, ano a ano. E também a formação continuada com regularidade de professores. Isso deu... para essas escolas serviu...até mesmo para olhar as outras que tinham aderido como estímulo. Dois diretores que não aderiram, passados, assim, seis meses do funcionamento, me procuraram no meu gabinete para perguntar “Como é que eu faço para entrar agora no programa?” porqu
certo nas outras escolas.
Figura 5: Funcionamento do “Escolas Sustentáveis”
Aí tu vais me perguntar “Mas temos setenta e duas escolas na rede agora, e as outras escolas que não aderiram, que não quiseram?” Bom, nessas escolas nós mantivemos as ações de formação continuada de professores, “Encontro Municipal de Educadores Ambientais”, que estava parado. Resgatamos e fomos mantendo ele com periodicidade, ano a ano. E também a formação continuada com regularidade de professores. Isso serviu...até mesmo para olhar as outras que tinham aderido como estímulo. Dois diretores que não aderiram, passados, assim, seis meses do funcionamento, me procuraram no meu gabinete para perguntar “Como é que eu faço para entrar agora no programa?” porque deu muito