O Projeto de Inovação Pedagógica (PIP), como subprojeto do Projeto Integrado de Desenvolvimento Sustentável do Rio Grande do Norte – Projeto RN Sustentável, se destina ao apoio técnico, pedagógico e financeiro às escolas da rede estadual de ensino do Rio Grande do Norte (RN) que aderirem ao Programa.
11 Programa – Utilizaremos o termo Programa quando nos referirmos ao desenho do PIP pensado
A origem da proposta foi concebida na gestão 2011-2014, da Professora Drª Betania Leite Ramalho, quando esteve Secretária de Estado da Educação e da Cultura da SEEC/RN e do assessor pedagógico Prof. Dr. Isauro Beltran Nuñez.
Foi pensado para que as escolas da rede estadual tivessem a oportunidade de desenvolver projetos, que além de inovadores, fossem propostos para atender suas necessidades e realidades, escutando os professores, gestores e coordenadores pedagógicos da escola. O acompanhamento ao projeto da escola será dado por uma equipe de professores orientadores que, uma vez capacitados, oferecerão apoio à elaboração da proposta e, ainda, na implementação do projeto na escola.
O PIP, como programa, integra as ações de educação do Projeto RN Sustentável, Acordo de Empréstimo firmado entre o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento - Banco Mundial (BIRD) e o Governo do Estado do Rio Grande do Norte – RN, no ano de 2013 com abrangência até 2019, concebido na gestão da governadora Rosalba Ciarlini, para “contribuir com os esforços do Governo do Estado para reverter o cenário de baixo dinamismo socioeconômico regional do estado e apoiar ações de modernização da gestão do setor público para prestação de serviços de forma mais eficaz e eficiente, visando à melhoria da qualidade de vida da população potiguar.” (Manual Operativo Projeto RN Sustentável, MOP, 2014).
Caracterizado como um projeto de desenvolvimento rural e sustentável, o RN Sustentável tem como premissa desenvolver ações estratégicas numa perspectiva integradora e intersetorial, que corroborem para o fortalecimento de bem-sucedidas ações já existentes e outras de natureza inovadoras, no intuito de melhorar os serviços públicos locais e regionais do RN. Sua natureza multisetorial agrega diversas Secretarias de Estado entre elas a Secretaria de Educação e da Cultura (SEEC/RN) que, na gestão (2011-2014), priorizou incluir neste projeto ações mapeadas pela equipe central da SEEC/RN, com foco voltado para as demandas necessárias à qualidade pedagógica, com ênfase na melhoria dos resultados do processo de ensino e aprendizagem. Esse projeto fez parte do programa de gestão da SEEC em 2014, compondo umas das suas metas, que era: impactar na melhoria da qualidade da educação que é entregue à população usuária desse sistema de ensino.
Esta ação se refere à definição de metodologias pedagógicas e intervenções educacionais que deverão ser realizadas, tomando-se por base parâmetros básicos como o tipo de problema identificado pela escola e a capacidade de implementação e, de igual modo, a capacidade do sistema de oferecer assistência técnica e apoio aos professores.
Sendo o PIP um programa pedagógico e próprio do Estado, tem como objetivo fortalecer o processo educacional e pedagógico das suas unidades escolares no RN. O intuito é de ajudar a minimizar os problemas de aprendizagem, a partir da orientação ao redesenho das práticas e do uso de metodologias inovadoras, compreendidas na perspectiva do aprender a aprender e nas aprendizagens significativas (AUSUBEL, 1968).
Entende-se por aprendizagens significativas as aprendizagens que se caracterizam pela interação entre conhecimentos prévios e os novos conhecimentos, ocasionando sua ressignificação para o sujeito aprendente. No entanto, essa interação entre os conhecimentos não poderá ser realizada de forma abstrata ou arbitrária, mas apoiada em procedimentos que promova uma interação onde os conhecimentos novos adquirem significados para o sujeito e os conhecimentos já adquiridos, novos significados.
O foco do programa PIP, na sua 1ª edição é o atendimento específico às escolas e estudantes das turmas de 6º ano do Ensino Fundamental (EF) e na 1ª série do Ensino Médio (EM), por serem etapas de ensino que apresentam maiores índices de evasão e de repetência.
Os dados históricos do Censo Escolar demonstram a necessidade de intervenções que colaborem para reverter as altas taxas de reprovação e abandono, que, nessas duas séries do ensino, se evidenciam de forma acentuada em relação a outras séries. A tabela abaixo demonstra a série histórica das taxas de rendimento do 6º ano do (EF) e na 1ª série do EM, entre 2011 e 2015, anos em que foi idealizado, planejado e implementado o programa no Estado.
TABELA 2
Taxa de rendimento – Escolas Estaduais do RN (2011 – 2015)
ANO 6º ANO – EF 1ª SÉRIE – EM
Reprovação Abandono Reprovação Abandono
2011 29,1 10,4 10,9 24,6 2012 27,7 8,7 9,9 21,2 2013 28,8 7,4 15,7 18,10 2014 29,0 6,3 22,8 12,6 2015 33,7 7,0 22,1 16,5 Tabela 2 Fonte: GAEE/ATP/SEEC, 2016.
Esses dados demonstram que no 6º ano as taxas de abandono nas escolas estaduais entre os anos de 2011 e 2014 diminuíram, o que mostra que os alunos permaneceram matriculados na escola naquele período. Em 2015, a taxa de abandono do 6º ano do EF, retorna com aumento de 0,7% em relação ao ano anterior, necessitando um olhar mais focado para as causas que interferiram para este aumento. Em relação à taxa de reprovação, percebe-se um aumento de 4,7% ao ano anterior e, 4,6% em relação à linha de base em 2011.
Na 1ª série do Ensino Médio, os índices são mais preocupantes. Os dados revelam que, muito embora o abandono esteja diminuindo, a taxa de reprovação na 1ª série aumentou em mais de 100%, constituindo-se um índice elevado se comparado ao índice nacional de 12,1%, em 2014. Em relação ao abandono, no período de 2011-2015, houve um decréscimo significativo de 8,1%. Destaca-se neste período a taxa em 2014, que marcou 12,6%, a menor taxa no período.
Esses e outros dados da situação da rede estadual do RN remetem ao reconhecimento da ineficiência de estratégias curriculares e intervenções pedagógicas, fragilidade no gerenciamento dos investimentos de infraestrutura física e humana para o atendimento da demanda pelos serviços públicos em Educação e coloca o desafio às equipes gestoras da SEEC em pensar e definir estratégias que auxiliem na reversão dos dados projetados.
O programa PIP foi apresentado em 2014 como alternativa às 130 escolas que atendessem a esse público básico, oferecendo em seu formato um desenho de
programa que incida em três dimensões: Formativa (Formação em Seminários e Oficinas), Financeira – repasse financeiro por meio das Caixas Escolares das unidades executores (UEx) e Monitoramento (acompanhamento e monitoramento pedagógico durante a elaboração e implementação do Projeto na escola). As escolas que aderiram ao programa teriam que participar da formação, submeter uma proposta inovadora estruturada dentro de critérios de elegibilidade previstos em edital. Após a aprovação, as escolas receberiam financiamento e acompanhamento técnico-pedagógico.
Apesar de ser um programa direcionado e induzido pela SEEC/RN, o PIP apresenta-se com um diferencial na rede estadual de ensino, portanto considerado como um programa inovador porque, diferentemente de outros programas do governo federal, idealizado para todos os estados e municípios brasileiros, considera o projeto na escola uma possibilidade de intervenção pensada por ela mesma, a partir da identificação de uma problemática ou de um problema pedagógico diagnosticado pela equipe escolar.
O programa PIP tem como meta a universalização em toda a rede estadual até 2018, quando se ampliará a possibilidade de adesão a todas as escolas da rede. Almeja-se, nesse período, que as escolas tenham recebido capacitação, implementado seus projetos e ainda toda a equipe técnico-pedagógica da escola, introduzindo na dinâmica escolar uma cultura inovadora, isto é, incorporar novos modos de pensar e ressignificar suas práticas a partir do entendimento e internalização do conceito de inovação.
Pretende-se com os serviços prestados às escolas que estas melhorem o desempenho e rendimento dos estudantes, aumentem a sua motivação e a dos professores em sala de aula para, consequentemente, diminuir os índices de reprovação e abandono.
A opção foi iniciar como projeto piloto e atender a 130 escolas na 1ª edição, o que representa um percentual de aproximadamente 20% do total de escolas da rede em 2014. Essa decisão levou em consideração a capacidade técnica das equipes pedagógicas da SEEC em atender de uma única vez as quase 668 escolas da rede. De igual modo, pela necessidade de tempo para consolidar conhecimentos novos demandados pelo trabalho com inovação pedagógica, até então havia sido pouco discutido na SEEC. Por isso, optou-se em iniciar o trabalho com um grupo
menor de escolas para que a equipe do PIP tivesse condições de redimensionar caminhos, processos, reorganizar estruturas, produzir materiais e capacidades técnicas capazes de dar sustentabilidade ao programa.
Assim, para a 1ª edição, estabeleceram-se os seguintes critérios para participação das escolas: não haver mudança na gestão escolar em 2015 (gestão 2014-2015); ter turmas de 6° ano do Ensino Fundamental (EF) e/ou da 1ª série do Ensino Médio (EM); não participar do Programa Ensino Médio Inovador -PROEMI; ter Porte Escolar I, II, III ou IV, ou seja, ter no mínimo 100 alunos matriculados na escola.
Dados esses critérios, realizou-se uma seleção prévia de 223 escolas, das quais 130 foram sorteadas, utilizando-se um software do Banco Mundial. Destas, 126 apresentaram suas propostas, porém somente 112 tiveram seus projetos aprovados das quais 111 efetivamente implantaram o programa, em 2015, nas suas escolas.
O esquema abaixo sintetiza o processo de definição das escolas participantes do PIP na 1ª Edição – 2014-2015, objeto de estudo desta dissertação.
Figura 3 – Processo de definição das escolas participantes do PIP
O PIP dentre as atividades acordadas com o Banco Mundial é uma das atividades que será objeto de Avaliação de Impacto. Este estudo visa aferir se o PIP atingiu os resultados pretendidos e testar estratégias alternativas para se atingir resultados, a fim de subsidiar a SEEC/RN na tomada de decisões com base em evidências. Assim, na fase da seleção das escolas contempladas, houve necessidade de se constituir um agrupo de tratamento – aquele que receberia apoios pedagógico, técnico e financeiro e o grupo de controle - grupo de escolas com as mesmas características das selecionadas, mas que não receberiam apoio para implantar o PIP naquele ano de referência na escola.