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SOBRE O TIPO DE PESQUISA

No documento 2019EltonFischer (páginas 49-51)

“A má teoria é aquela que tenta tomar o lugar dos fatos, dizendo-se mais importante que eles” (Kurt Lewin)

Este estudo trata-se de uma pesquisa-ação, de natureza qualitativa. A pesquisa-ação teve origem com os trabalhos de Kurt Lewin28, ao qual se atribui também a autoria do termo. Além

da contribuição social, o trabalho de Lewin sobre pesquisa-ação foi considerado inovador por seu caráter participativo e democrático. Entendemos ser particularmente difícil de definir, em todo o seu espectro, o que é pesquisa-ação, segundo Tripp (2005, p.445), por “duas razões interligadas: primeiro, é um processo tão natural que se apresenta, sob muitos aspectos, diferentes; e segundo, ela se desenvolveu de maneira diferente para diferentes aplicações.”

A priori uma pesquisa pode ser qualificada de pesquisa-ação quando houver realmente uma ação por parte dos sujeitos implicados no processo investigativo. Para alcançar o objetivo proposto na pesquisa-ação no sentido de estabelecer uma relação entre o pesquisador e os sujeitos implicados na situação investigada e destes com a realidade, Thiollent (1984) diz ser necessário: uma explícita interação entre o(os) pesquisador(es) e envolvidos na pesquisa e que esta não se limita a uma forma de ação ativista (com viés radical ou reducionista), mas se propõe a expandir o campo de conhecimento dos pesquisadores e a ação e o nível de consciência dos sujeitos que participarem do processo, bem como contribuir para a discussão ou fazer avançar o debate acerca das questões abordadas.

É importante que se reconheça a pesquisa- ação como um dos inúmeros tipos de investigação-ação, que é um termo genérico para qualquer processo que siga um ciclo no qual se aprimora a prática pela oscilação sistemática entre agir no campo da prática e investigar a respeito dela. Planeja-se, implementa-se, descreve-se e avalia-se uma mudança para a melhora de sua prática, aprendendo mais, no correr do processo, tanto a respeito da prática quanto da própria investigação. (TRIPP, 2005, p. 446).

28 Kurt Lewin (1890-1947) nasceu em Mogilmo, Alemanha, doutorou-se em Psicologia pela Universidade de Berlim, onde também estudou Matemática e Física. Foi professor de Psicologia Infantil na Child Welfare Research Station, em Iowa, até 1944. Trabalhou no MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts, fundando o centro de pesquisa National Laboratories for Group Dynamics.

A pesquisa-ação, sob outro enfoque, envolve um processo empírico Baldissera (2001) que compreende a identificação do problema dentro de um contexto social e/ou institucional, o levantamento de dados relativos ao problema e, a análise e significação dos dados oriundos dos sujeitos da pesquisa. A pesquisa-ação intervém na prática no sentido de provocar a mudança de conceitos e ou pontos de vista.

Em consonância a Engel (2000) a pesquisa-ação possui algumas características essenciais como o processo de intervenção com vistas à mudança situacional ou comportamental, o feedback e o caráter cíclico. De acordo com Engel (2000, p. 184), “a pesquisa-ação [...] procura diagnosticar um problema específico numa situação também específica, com o fim de atingir uma relevância prática dos resultados”.

A metodologia qualitativa preocupa-se em “analisar e interpretar aspectos mais profundos, descrevendo a complexidade do comportamento humano. Fornece análise mais detalhada sobre as investigações, hábitos, atitudes, tendências de comportamento, etc.” (MARCONI e LAKATOS, 2006, p.269). A pesquisa-ação coloca-se então, como uma importante ferramenta metodológica capaz de aliar teoria e prática por meio de uma ação que visa à transformação de uma determinada realidade; no nosso caso, a existência ou não de preconceitos frente às práticas religiosas do outro, evidenciadas nos discursos dos alunos- sujeitos desta pesquisa.

Segundo Bodgdan e Biklen (1982), o estudo qualitativo é “naturalístico”, uma vez que a situação problema foi objeto de pesquisa no ambiente em que ela ocorre. Esse é um aspecto importante na caracterização da pesquisa como “qualitativa”. O olhar da pesquisa sobre os acontecimentos “naturais” permite a revelação das opiniões e pontos de vista dos sujeitos envolvidos, com enfoque em suas perspectivas. Desse modo, “[...] ao considerar os diferentes pontos de vista dos participantes, os estudos qualitativos permitem iluminar o dinamismo interno das situações, geralmente inacessível ao observador externo” (LÜDKE E ANDRÉ, 1986, p. 12).

De acordo com Bogdan & Biklen (1982, p. 48), a pesquisa qualitativa envolve a obtenção de dados “predominantemente descritivos”, por compreender muitas descrições de pessoas, de situações, transcrições de entrevistas, de depoimentos e outros tipos de documentos. Em função desse fato, “[...] os dados recolhidos são em forma de palavras ou imagens e não de números”. A nossa pesquisa teve como base para coleta de dados o formato de um questionário constituído de dez questões. Essas questões foram divididas em objetivas e subjetivas, sendo a última de múltipla escolha. O processo de análise consiste num vínculo entre os elementos

presentes no questionário inicial e final e os pressupostos teóricos que orientam a nossa investigação, com a expectativa que possa gerar a construção de novos significados\práticas e possibilitar futuras pesquisas nessa área. A opção por este procedimento metodológico não significa a invalidação dos demais.

Outro componente que ratifica o caráter qualitativo da pesquisa é que a sua “[...] preocupação com o processo é muito maior do que com o produto” (LÜDKE E ANDRÉ, 1986, p.12). O nosso foco de interesse se dá no sentido de constatar se existe ou não preconceitos, no meio acadêmico por parte dos alunos da disciplina de Cultura Religiosa da Ulbra29 Campus Carazinho, no que se refere às práticas religiosas de denominações que não as suas.

No documento 2019EltonFischer (páginas 49-51)

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