5.5 PERSPECTIVAS EM DIÁLOGO
5.5.1 Sobre os Projetos
Passamos primeiramente à Unidade primária de análise, o Projeto. Dentro desta unidade, destacamos 17 Unidades Secundárias de Significação (e suas respectivas descrições):
Orientação - aspectos avaliativos em relação ao envolvimento dos orientadores dos projetos e suas contribuições para o desenvolviento do projeto:
Ah, deu muitas contribuições. Ele é foda, um monstro. [...] Ah, ele foi um cara que me abriu esse campo, tipo, universidade é o lugar deste conhecimento sim, só que a briga tem que ser mais forte ainda... neste sentido... Tipo, é burocrático, vamos fazer... mas... o negocio vai acontecer, mas vai ter que ter isso aí, sabe... É importante isso aí...
Não, não teve, o pessoal fugia que nem uns bagre ensaboado
[...] o que coube a ele mesmo, na parte burocrática, era que a gente tivesse um coordenador, então isso foi o que nos ajudou a formalizar o projeto [...] assumiu mais burocraticamente. Mas assim [...] a gente sempre conversava
Era mais...assim, era assinar o projeto que precisava, e supervisionar...
A minha dificuldade na minha vida é essa, lidar com burocracia, porque você ta afim de fazer um negócio – poxa, seja mais breve o possível, sabe...
[inaudível] quem sabe dessas coisas... foi o que aconteceu, me orientou legal, tive um super orientador massa, se eu tivesse conhecido ele antes a coisa tinha acontecido muito antes
Assessoria Metodológica - se teve, quais os tipos de assessoria metodológica que os projetos tiveram, dos orientadores ou da própria Divisão de Extensão, para a formulação e execução dos projetos.
Olha, toda esta parte burocrática foi feita através... [do orientador]. [ele] que fez essa ponte aí... com a universidade, então ele que mexeu tudo nisso, eu não lembro se eu li, acho que eu cheguei a ler sim, acho que cheguei a ler, mas assim, eu nunca fui muito bom pra isso sabe, acho que eu cheguei a ler mas se você me falar...não sei nada... assim, eu li, entendi na hora, rebati[inaudível], e já foi já, eu não queria mexer muito com isso, nunca quis
[...] tem lugares que a coisa acontece mais fácil, porque eu acho que essa ponte dessa linguagem que você tem que saber falar, ela é feita já por outras pessoas, que se fortaleceram assim, pessoas que nem o [orientador], por exemplo, se tivessem uns 6, 10 professores igual ao [orientador] lá, acho que a coisa iria acontecer muito melhor, entendeu? Porque a grande coisa... não é que eu não quero aprender o jeito de dialogar com isso, lógico que a gente quer aprender, mas é preciso aprender também de pessoas que te inspirem a aprender a fazer isto, tipo ‘ó, cara, vamos fazer, tem que fazer, ta bonito mas ó, pensa desse jeito também’ – é um dialogo, aí vc fala – não.,, legal mesmo, agora não como se tivesse uma distância, não sei, senti esta distancia entre meu jeito de ser e o jeito que tinha que ser.
eu fui falar com ele “olha, eu quero espaço... não sei se eu quero formalizar, tudo” ele falou “não, vem cá”, aí ele me jogou essa ponte assim...
Formalizar uma coisa que é legal, que é massa, mas que não se valoriza, mas vamos formalizar para tentar comunicar através desta linguagem também, que eu sempre fui meio revoltadão com o negócio de burocracia, eu não gosto muito, e acaba que a gente... deixa de ser um espaço digno às vezes porque não dialoga com essas burocracias...
Olha, eu senti dificuldade burocrática, muita... vai um leva pro outro...
Agora, as coisas burocráticas, achei muito difícil... porque parece que tem ainda... a coisa de conhecimento, assim, de geração de conhecimento, ele é muito elitizado
você tem que saber dialogar de uma maneira que é daquele jeito. E assim, não existe um diálogo mesmo, é um dialogo do jeito que eles querem, tipo fazendo um jeito que eles querem, não é um diálogo. É um dialogo de quem fala como que tem que ser. Ai você faz o jeito que você acha mas continua tentando sempre traduzir pro jeito que eles querem. Então é isso.
Público-alvo: como se deu a questão da escolha pelo público-alvo no início dos projetos, rotatividade dos participantes; trocas com a comunidade externa, e se, ao fim dos projetos, quem foi atingido foi o público-alvo pensado no início:
quando a gente sentou para conversar [o orientador] disse “que venha a comunidade”, legal... só que tem uma coisa que distancia muito... até no caso em relação a tempo, mobilidade, pessoas que vem de longe e tal...
então acabou sendo o pessoal ali que era mais próximo, e... o pessoal que tava mais comigo [...] e eles ficaram, eles gostaram, se identificaram [...].
mas não tinha algo assim muito específico – alvo né – era um alvo que...
quem quisesse chegar chegasse... mas acabou sendo esse publico...
A base dos participantes do projeto era a mesma, sempre tinha ali um acréscimo de uns três ou quatro músicos, ou apreciadores que chegavam no dia e participavam de acordo com o compositor que estava sendo apresentado, tivemos alguns convidados, músicos solistas, né, que foram lá pra fazer as introduções que a gente conseguiu fazer em algumas etapas, em alguns encontros
O público-alvo era o discente da FAP e a comunidade em geral né, enfim, as pessoas que conviviam naquele espaço e também pessoas que viessem de fora do contexto acadêmico estavam previstas como público-alvo desse projeto, pelo menos ao meu ver.
A rotatividade eu acho que não foi muito grande, mas bastante gente viu... e isso foi legal, porque tinham dias que a maioria eram estudantes de dança, depois outros dias estudantes de teatro, estudantes de música, assim a coisa ia variando.
Por exemplo, os nossos amigos, tinha gente que nem conhecia a FAP e passou a conhecer. Eles eram convidados a ir lá cantar seus sambas, foi muito legal essa troca de pessoas dos bairros, das rodas do samba, com os estudantes de música.
não eram sempre as mesmas pessoas, a gente passou um belo tempo fazendo apresentações e eu não me lembro de uma pessoa que tenha ido duas vezes e eu acho que foi mais de uma no que a gente ficou fazendo essa parada e não teve uma coisa repetida. Todo mundo que queria participou, e muita gente queria.
Horas Complementares: se os estudantes conseguiram certificados para protocolar horas complementares (Atividades Complementares previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação em Música), e como se deu esta certificação:
A gente buscou formalizar por conta disso, pra ter mais subsidio, né, e pra...
também, pra gente conseguir que aquelas horas de divulgação,[...] de troca [...], contassem como horas complementares
Olha, eu acho assim, a minha proposta nem era essa, que eu não gosto de trabalhar com lance de bonificação, - vc vai vir daí vai ter a hora – as pessoas que ficaram do começo ao final nem sabiam que ia virar projeto nem sabiam das horas. Aí com certeza depois disso veio mais pessoas que queriam as horas.
em relação às horas complementares, ele [o projeto] acumulou muitas horas complementares.[...] então ele foi muito proveitoso pra quem é estudante, que precisa de muitas horas complementares. E as horas complementares com certeza me incentivaram a realizar esse projeto. E os participantes também, se viram motivados pelas horas complementares, né, então aí passa um pouco por aquela coisa da obrigatoriedade das aulas, que seria uma coisa, digamos assim, que atrai os alunos, que faz os alunos participarem, não que atraia... nesse caso ali, também foi uma coisa que ajudou muito, porque a pessoa ia lá, [...] depois assinava e ganhava horas complementares, então isso era fantástico, né. Então, eu acredito que a maioria foi motivada por isso. Eu não sei se tinha alguém que ia só pelas horas complementares, acho que não. O pessoal ia mais porque gostava e, claro, com o complemento de que ganhava essas horas.
Finalização dos projetos: quais foram os motivos que levaram à finalização dos projetos, e se houve algum processo avaliativo ao final.
a formatura, [...] deu um parada no projeto. E também assim, chega um momento em que não é mais interessante continuar e sim investir força em outras atividades
o ano em que [nome] saiu da faculdade, então deu uma esfriada legal, sabe.
Me formei. É foda você ficar aí fazendo toda função, pra sempre, assim, né.
Então, já que é pra... não pagar nada, não valorizar, aí eu... Posso estar em qualquer lugar, eu faço isso em qualquer lugar...
o que marcou o fim desse projeto? Pra mim foi a saída do [nome], que ele se formou e tal, teve que sair, daí eu fiquei... é... eu num tava conseguindo organizar a coisa, sabe, e também não tive a... sei lá... hombridade talvez, de passar pra alguém... Não sei... eu queria, essas coisas eu prefiro não passar muitas vezes pra não pesar em ninguém, não sobrecarregar ninguém.
A gente tem sempre aquela lembrança e aquele era o momento de ter feito o projeto, então foi o que aconteceu e ele se encerrou por ali mesmo.
Leitura crítica dos projetos: auto-avaliação por parte dos envolvidos com os projetos avaliando principalmente a questão dos objetivos.
Bom, os elementos que mais contribuíram foram os conhecimentos, que nós adquirimos, as vivências, as amizades... é, a vitrine que é a FAP, a percepção de várias formas de fazer música, a convivência com vários músicos
acho que também o excesso de vezes que a gente fazia, a gente fazia uma vez por semana, toda semana tinha gente, eu acho que isso foi uma dificuldade logística, a gente podia ter deixado mais espaçadas essas apresentações, que daria mais tempo pra gente se organizar e fazer a coisa de uma forma mais bem divulgada, porque afinal de contas era tudo nas
Expectativas e perspectivas de continuidade: Como os entrevistados vislubram possibilidades de projetos similares e/ou de continuidade destes projetos.
ele pode ser muito explorado pela Universidade, por um curso de Música tivesse desde o primeiro ano, por exemplo, uma hora ele iria estar pegando frutos do projeto, sabe? Em relação (palavra inaudível) a pessoa começou desde o quarto ano ali, aí, quando a gente ta no segundo ano, entrou as pessoas novas lá, [...] a gente sai, aí esses [...] continuam levando, tal, deste jeito, por aí... mas eu acho que é natural. É um lugar público, e que...
se rolasse bolsas né, isso melhoraria demais, o cara fica instigado pra fazer a coisa... tipo no começo assim, das pessoas chegarem e se abrir a faculdade pra isso, ó – tem esse espaço, vamos fazer isso, tal...
se ele fosse inserido em alguma disciplina, feito em sala de aula, ele iria ter o lado da obrigação, né, dos alunos com as disciplinas [...] mas ele ia perder um pouco da naturalidade.
esta parte acabou não acontecendo, era criar uma documentação decorrentedo projeto. É... escrever as coisas [...] transformar em... talvez colocar em um site do projeto, formalizar pouco o registro das coisas que foram acontecendo... que fazer tudo...muito de forma oral. E a ideia era criar também uma certa documentação. Mas isso aí a gente não chegou a fazer.
Esse projeto, se ele tivesse alguma disciplina que o apoiasse e se tivesse, assim... se a instituição acolhesse...
Se tivesse um monte de bolsa, neste sentido de levar isso pra universidade, [...] Imagina lá, ia ser do caramba assim, fervilhando as pessoas com vontade porque... de certo também rola até uma competição, mas uma competição do lado positivo daí, sabe, as pessoas – ah, nossa, tão fazendo música própria, vou fazer a minha também – nesse sentido, sabe.. sei lá, com um som legal, com uma assistência, ia ser do caralho...
Acho que esse projeto devia continuar, assim como o do Choro, devia continuar. Se houvesse gente interessada em fazer, seria muito legal, né.
Poderia pegar o material que já foi feito e continuar com outros compositores, fazer... revisitar os compositores, basta ter gente interessada.
Eu não vejo como possibilidade de eu organizar mais um projeto desse novamente estando forra da Universidade, eu acho que a vida segue, né.
Eu gostaria de continuar frequentando a FAP de vez em quando, mas como expectador ou participante, caso alguém organizar. Se alguém resolver organizar eu vou com maior gosto participar. [...] a gente só não tem mais tempo pra organizar e também já passou a época.
se ele tivesse, eu acho que ele teria...assim, primeiro, horas de extensão, pra quem toca, depois visibilidade acadêmica e um pouco mais de organização por parte da academia pra divulgar os trabalhos e também pra oferecer o equipamento...Isso tudo poderia ser utilizado como recurso didático de uma disciplina, voltada pra essa coisa de se apresentar, de se preparar para a apresentação, tudo isso...
Vai pra dentro da Cultura Popular, traz as pessoas também para qualificar sempre né... os mestres, no caso
Algumas vezes foi cogitado a gente levar o Intervalo Autoral para uma casa de apresentação, mas isso nunca se efetivou e eu acho que nunca se efetivou porque o projeto ele já tava, ele funciona dentro da instituição, ele funciona com pessoas que estão dentro da instituição e expandir isso pra fazendo e abre... abre esse campo de pesquisa também, sabe?
Relação com outros projetos: reflexões sobre possíveis inspirações em outros projetos anteriores no âmbito da FAP
a nossa vivência com extensão era com a Oficina de Choro [...] então sobre isso a gente já estava meio ciente do que poderia ser feito ou não
a relação desse projeto com experiências anteriores, pra mim, foi com a experiência da Oficina de Choro, que eu participei como aluno, participei como professor de um ano... [...] Então, me influenciou assim, diretamente.
Foi aí que eu vim a saber que poderia ser feito um projeto de extensão por alunos, né. Então por isso que foi importante
[...] de dentro da faculdade, o que me influenciou foi realmente o do Choro.
O movimento se inspirou nas rodas de Choro que aconteciam na FAP
eu não sabia o que eu poderia ou não poderia fazer no espaço, entendeu.
Então com certeza os outros projetos que rolou [...], eles me falaram assim - ó, aqui também é um espaço que eu posso fazer desse espaço o meu espaço. Acho que essa sensação de pertencimento é uma coisa que parece que a instituição tem uma falha assim, sabe, parece que é muito distante
olha quem está fazendo é o aluno, então – eu também posso fazer, e isso aí, pó, devia ser muito mais divulgado sabe, ter incentivo a isto. De que maneira? A pessoa ta lá, tem um cartaz escrito ‘explique sue projeto, traga suas (palavra inaudível)’, sei lá sabe, uma coisa assim...