4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.3. SOBRE OS RESULTADOS
Assim como feito com a categorização em grupos de conceituações, também foi possível separar os textos revisados em grupos por argumentos conclusivos. Mais uma vez, levando em consideração que cada texto tem uma proposta, e mobiliza recursos teóricos de determinada maneira, a categorização é feita a partir da análise dessa combinação. Com isto, os principais conjuntos de resultados (ou proposições conclusivas) podem ser agrupados em cinco categorias: (1) institucionalização partidária propriamente dita; estudos que vinculam a institucionalização à (2) consolidação democrática ou qualidade da democracia; (3) institucionalização partidária e tipos de liderança e partidos;
(4) institucionalização partidária e competição eleitoral; e (5) considerações sobre teoria ou problemas teóricos. Na Tabela 9 são listados os textos de acordo com as categorias explicitadas, e na sequência segue a descrição do que diz cada uma.
Tabela 9: Categorias de resultados
Categoria de conceituação Estudos N
1.Institucionalização propriamente dita
Lewis (1994); Krupavicius (1998); Whitehead (2000);
Hermanns (2009); Lam (2010); Kalua (2011); Rakner (2011);
Nuvunga e Sitoe (2013); Arter e Kestilä-Kekkonen (2014);
Goirand (2014); Mierzejewski-Voznyak (2014); Stokke et al.
(2015); Vercesi (2015); Bolleyer e Ruth (2018).
14
2.Consolidação
democrática e qualidade da democracia
Dix (1992); Stockton (2001); Williams (2001), Basedau e Stroh (2008); Ufen (2008); Weissenbach (2010); Ikeanyibe (2014); Yardımcı-Geyikçi (2015); Casal Bértoa (2017); Pérez Talia, M. E. (2017); Kumbaracıbaşı (2018).
11
3.Institucionalização partidária e tipos de liderança
Harmel e Svåsand (1993); Pedahzur e Brichta (2002);
Medina (2009); De Lange e Art (2011); Yaffé (2013);
Muriaas et al. (2016).
6
4.Institucionalização partidária e competição eleitoral
Martínez González (2005), Thames (2007); McMenamin e Gwiazda (2011); Perepechko et al. (2011); Bolleyer e Bytzek (2013); Alenda (2014); Sinpeng (2014); Hloušek e Kopeček (2017).
8
5.Teoria e problemas teóricos do conceito
Baer (1993); Levitsky (1998); Randall e Svasand (2002);
Daza (2005); Mallakurbanov et al. (2015); Bizzarro et al.
(2017).
6
TOTAL 45
Fonte: o autor (2019), com base nos dados da revisão sistemática
a) Institucionalização partidária propriamente dita: tratam-se dos resultados obtidos em estudos que se propõe a analisar o grau de institucionalização de partidos ou países, abordando a institucionalização partidária como objeto, estudada em si mesma.
Pode se referir também aos textos que argumentam sobre como os partidos institucionalizados se organizam (GOIRAND, 2014). Mais especificamente, os autores concluem com afirmações que indicam que os partidos estudados tem um grau de institucionalização fraco ou forte (LEWIS, 1994; WHITEHEAD, 2000; HERMANNS, 2009; LAM, 2010), baixa ou alta institucionalização (STOKKE et al., 2015;
MIERZEJEWSKI-VOZNYAK, 2014), resultados com índices numéricos (KALUA, 2011), indicação de força ou resultados positivos em dimensões específicas (STOKKE et al., 2015; VERCESI, 2015; BOLLEYER; RUTH, 2018), sinais de institucionalização (KRUPAVICIUS, 1998, ARTER; KESTILÄ-KEKKONEN, 2014), além da diferença entre os níveis de institucionalização dos partidos analisados (NUVUNGA; SITOE, 2013).
b) Consolidação democrática e qualidade da democracia: muitos autores argumentam que a institucionalização partidária está incluída num estudo mais amplo, vinculando seus achados a constatações sobre um cenário de sucesso da democracia multipartidária. Por um lado, temos afirmações que a institucionalização dos partidos políticos e dos sistemas partidários é a chave para o desenvolvimento democrático (BASEDAU; STROH, 2008), e autores que indicam que seus resultados suportam afirmações sobre consolidação, sobrevivência e colapso democrático (DIX, 1992; UFEN, 2008; WEISSENBACH, 2010; CASAL BÉRTOA, 2017). Sustentam que itens como democracia interna, estabilidade partidária e cultura democrática (IKEANYIBE, 2014) geram estabilidade política, e que isso é benéfico para a democracia (WILLIAMS, 2001).
De outro lado, temos outros autores afirmando que a institucionalização partidária não pode ser relacionada diretamente à qualidade da democracia (PÉREZ TALIA, 2017), ou que a institucionalização não pode ser considerada como suficiente para a consolidação, ressaltando inclusive que há fatores que podem ser prejudiciais a democracia (YARDIMCI-GEYIKÇI, 2015). Como meio termo, temos que a institucionalização de sistemas partidários e partidos não é linear ao aumento da consolidação ou qualidade da democracia, há mais fatores que precisam ser considerados do que simplesmente o incremento das institucionalizações (STOCKTON, 2001; KUMBARACIBAŞI, 2018).
c) Institucionalização partidária e tipos de liderança: iniciando pelo estudo de Harmel e Svåsand (1993), que aborda as necessidades do partido em relação aos seus líderes em cada fase do desenvolvimento, e como problemas surgem quando o líder não tem as habilidades necessárias vinculadas a cada etapa de institucionalização. Outros autores apontam que um partido que aprende a lidar com decisões internas de uma liderança forte pode obter sucesso político (YAFFÉ, 2013), mesmo em partidos do tipo carismáticos-puros (PEDAHZUR; BRICHTA, 2000), e como, além da liderança, é preciso dar ênfase ao recrutamento, treinamento e socialização (DE LANGE; ART, 2011). Porém, é preciso considerar também que um baixo grau de organização somado a uma alta autonomia da liderança podem prejudicar a institucionalização (MEDINA, 2009).
d)Institucionalização partidária e competição eleitoral: vários estudos enfatizam em seus achados sobre o impacto que a institucionalização partidária tem sobre a competição eleitoral. São estudos que enaltecem fatores e dimensões que permitem que os partidos se mantenham na disputa, utilizando termos como sobrevivência do partido, estabilidade eleitoral e partidária, êxito partidário e participação contínua em eleições
(MARTÍNEZ GONZÁLEZ, 2005; PEREPECHKO et al., 2011; BOLLEYER; BYTZEK, 2013; ALENDA, 2014), e tendo na fase (ou dimensão) de organização como crucial para o sucesso/sobrevivência (HLOUŠEK; KOPEČEK (2017). McMenamin e Gwiazda (2011) afirmam que a principal variável para sucesso é não perder apoio popular em eleições, assim partidos vote-seeking estariam mais aptos a se institucionalizar. Além destes, há autores que concluem apontando fatores diretamente ligados à competição, que impactam negativamente ou positivamente a institucionalização partidária, como legislação sobre banimento de partidos (SINPENG, 2014) e regras de disciplina partidária (THAMES, 2005).
e)Teoria e problemas teóricos do conceito: por fim, temos os textos que discutem o conceito de forma aprofundada e apresentam propostas com modelos teóricos, composição de índices e ferramenta de mensuração. O exercício teórico serve tanto para apontar inconsistências (LEVITSKY, 1998), como para atualizar a discussão e propor variáveis mais condizentes com as mudanças no cenário de países e partidos (RANDALL;
SVÅSAND, 2002; DAZA, 2005). O desenvolvimento do conceito se torna mais complexo, necessitando de elaborações para abordagem empírica e apresentação de índices, além de comparação com outros indicadores (BIZZARRO et al., 2017). Nesta categoria estão também os estudos teóricos que indicam onde o conceito de institucionalização partidária se encaixa ou pode colaborar no desenvolvimento científico (BAER, 1993; MALLAKURBANOV et al., 2015).
4.4. DIMENSÕES, CRITÉRIOS E VARIÁVEIS DO CONCEITO DE