Capítulo 3. As desigualdades em São Paulo e a luta por moradia
3.3. Sobre os três movimentos de moradia escolhidos
Para realização da pesquisa, foram escolhidos três movimentos de moradia, conforme os critérios explanados no Capítulo 2. Cabe aqui, caracterizar, ainda que brevemente, cada um deles: UMM, FLM e MTST. Vale recordar que a UMM e a FLM são organizações agregadoras, criadas com o objetivo de articular diferentes movimentos, enquanto o MTST representa um único movimento. A seguir, irei discutir características gerais dos movimentos de moradia para, na sequência, detalhar como cada movimento faz uso destas para compor seu modus operandi.
ou com licenciamento concluído. A urbanização de favelas para atendimento de 70 mil famílias, terceira meta, alcançou 70% do estipulado. Fonte: Disponível em:
<http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/gestao/arquivos/Balanco%20final%20de%20gestao %20-%20Haddad.pdf>. Acesso em: 31 jan. 2018.
A base social é a razão de ser do movimento e dá sustentação para as mobilizações. De modo geral, é possível dizer que existem duas formas principais pelas quais os movimentos se organizam e se comunicam com sua base: via grupos de base e/ou ocupações de terrenos e imóveis vazios.
Os grupos de base local são formados nos bairros, nas comunidades de baixa renda, sendo que seus integrantes são membros dessas comunidades que necessitam de moradia, muitos vivenciando condições precárias de habitabilidade ou em situação de rua, que identificam no movimento um caminho para a conquista da casa própria. As reuniões normalmente ocorrem no próprio bairro (muitas em espaços emprestados pela Igreja Católica) com uma frequência quinzenal ou mensal e são coordenadas por lideranças do movimento. “A força de uma liderança dentro do movimento é, muitas vezes, expressada pelo tamanho do grupo de base que coordena” (KOHARA, 2013, p. 164). São nessas reuniões que os movimentos realizam o grosso do trabalho formativo com a base. Essa forma de organização tem forte influência da metodologia das CEBs, de organizar a população pobre perto da moradia e a partir de suas necessidades locais.
As ocupações de terrenos e imóveis vazios, por sua vez, normalmente são realizadas, a partir dos integrantes dos grupos de base. Quando não, ou são organizadas por lideranças como forma de atrair novos integrantes, ou ocorrem de maneira espontânea pela população (que, na falta de moradia, ocupa para ter um espaço para dormir e subsistir). Posteriormente, essas ocupações podem ser assumidas por um movimento, que passam a contar com sua experiência organizativa113. Assim, como os grupos de base, as ocupações são coordenadas por lideranças do movimento, sejam aquelas já consolidadas, sejam novas lideranças que surgem no processo. Enquanto, no grupo de base, os participantes se encontram majoritariamente durante as reuniões e depois voltam para seus locais de moradia, na ocupação, a convivência sob um mesmo “teto” possibilita relações diárias e cotidianas, o que a torna muito mais próxima, desenvolvendo vínculos afetivos de forma rápida e natural, e permitindo ao movimento realizar um trabalho formativo mais intenso. “[...] a experiência da ocupação expressa a capacidade de mobilização e de luta. O grande número de ocupações demonstra a força de enfrentamento de um movimento” (KOHARA, 2013, p. 204).
As ocupações representam duas estratégias distintas: uma, com a intenção de fixação dos ocupantes nos edifícios ou terrenos até que estes se tornem um projeto habitacional e, assim, moradia definitiva para as famílias ocupantes e, outra, apenas como pressão social
113 Nem todas as ocupações espontâneas se associam a um movimento de moradia; muitas continuam organizadas
para abrir canais de negociação com os governos, denominada “ocupação política”. Nesse último caso, o período de tempo que se permanece no local é curto e os ocupantes não assentam moradia ali.
Normalmente, os grupos de base e/ou as ocupações se articulam regionalmente ou em nível municipal via lideranças, que se reúnem periodicamente e fazem parte da Coordenação Geral do movimento. Por sua vez, os coordenadores gerais representam o movimento nas instâncias estadual e nacional, quando há, como é o caso do MTST. No caso das organizações agregadoras, como a UMM e a FLM, os coordenadores gerais de cada movimento filiado escolhem representantes para participar das instâncias municipais e, no caso da UMM, estaduais e nacionais.
Alguns movimentos utilizam um sistema de pontuação114 que classifica cada família, conforme a intensidade da participação nas diversas atividades (reuniões, manifestações, ocupações, etc.). Quanto maior a participação, maior o número de pontos e maiores as chances de se tornar demanda em algum empreendimento habitacional. É um mecanismo de controle e quantificação da participação dos associados para lograr um critério objetivo, no momento de distribuição das conquistas do movimento. Além disso, alguns movimentos cobram contribuição financeira dos associados, geralmente para a manutenção de questões administrativas e/ou questões coletivas em uma ocupação.
Vejamos agora o modus operandi particular das organizações agregadoras e dos movimentos pesquisados, que os leva a fazer uso de um determinado arranjo de estratégias de luta: ocupações, manifestações, participação em IPs, maior ou menor diálogo com o poder público, lobby no judiciário e/ou legislativo, dentre outras. As informações a seguir foram obtidas a partir das entrevistas e do site das entidades.
3.3.1. União dos Movimentos de Moradia – São Paulo (UMM-SP)
Como vimos, a UMM-SP foi fundada, em 1987, com o objetivo de articular e mobilizar movimentos de moradia da cidade de São Paulo, que atuam na área de favelas, cortiços, sem-teto, mutirões, ocupações e loteamentos. Além do plano municipal, possui instâncias de organização no plano estadual e nacional. Em 1993, foi criada a UNMP, atualmente com atuação em 19 estados brasileiros. Como princípios defende a autogestão, o direito à moradia e à cidade e a reforma urbana. Como estratégia de luta, realiza a conciliação
do diálogo e negociação propositiva com os três níveis de governo (inclusive ocupando assentos em espaços participativos como o CMH-SP, o Conselho Municipal de Política Urbana-CMPU e o Conselho Nacional das Cidades), com estratégias de pressão e luta direta como as ocupações e manifestações de rua115.
Os movimentos associados, no geral, utilizam o sistema de pontuação para controlar e classificar a intensidade da participação dos associados. Realizam prioritariamente ocupações políticas para pressão e negociação com os governos. A UMM-SP possui diversos movimentos associados que atuam na periferia e na região central, sendo que dois deles fizeram parte da presente pesquisa.
Unificação das Lutas de Cortiços (ULC)
Como vimos, a ULC116 foi formada, em 1991, a partir da articulação que se deu, no final da década de 1980, e agregou os vários movimentos e grupos que atuavam com a problemática dos cortiços da região central da cidade, tornando-se a primeira representação formal dos moradores de cortiços. Apesar de ter sido constituída para ser uma “rede”, que agregaria diferentes movimentos e grupos, já desde a sua formação se estruturava como um movimento específico (KOHARA, 2013). Atualmente, a maioria dos movimentos que estão atuando no centro tem um histórico inicial relacionado à ULC.
Hoje, a ULC é o maior movimento de moradia do centro, atuando com aproximadamente 40 grupos de base organizados, formados principalmente de famílias que pagam aluguel em cortiços ou em outras moradias populares. Seus filiados são provenientes dos bairros da Mooca, Belém, Brás, Ponte Pequena, Bom Retiro, Bela Vista e Ipiranga. Há uma pequena parte vinda de bairros mais distantes do Centro, como Carrão e Itaquera (UMM, 2018). A renda da maioria dos filiados está entre dois e cinco salários-mínimos.
A Coordenação Geral da ULC é formada por duas lideranças de cada grupo de base e se reúne semanalmente. Os grupos de base realizam plenárias mensais sendo que, semestralmente, há Plenária Geral com todos eles.
Faz uso do sistema de pontuação de seus associados. Quando realiza ocupações, normalmente são de caráter exclusivamente político. No entanto, eventualmente, realizam ocupações nas quais as famílias permanecem por um curto período de tempo. Nesses casos,
115 No plano estadual, a Coordenação Executiva é eleita, bianualmente, no Encontro Estadual, no qual também são
definidas formas de organização e linhas de atuação da UMM; estas e outras informações sobre a UMM estão no site disponível em: <http://sp.unmp.org.br/>. Acesso em: 12 abr. 2018.
116 A partir de 2015, seu nome passou a ser a Unificação das Lutas de Cortiços e Moradia (ULCM), mas, neste
assume-se uma postura contrária à cobrança de contribuição sistemática dos associados, sendo levantados recursos entre as famílias apenas para questões coletivas: principalmente a melhoria das condições de habitabilidade do edifício117.
Associação dos Movimentos de Moradia da Região Sudeste
Essa associação nasceu da atuação da Pastoral de Favelas da Região Episcopal Ipiranga na década de 1980. É uma entidade que articula dez movimentos de moradia na região Sudeste, compreendendo os bairros Jardim Clímax, Parque Bristol, Água Funda, Vila Mariana, Vila Liviero, Ipiranga, Jabaquara, Vila Arapuá, Jardim Maristela e Vila Moraes. (UMM, 2018). As instâncias de deliberação e operação são: 1) Coordenação, composta por 12 pessoas e 12 suplentes representando os bairros participantes. As reuniões da Coordenação ocorrem quinzenalmente na Igreja Nossa Senhora da Moradia da Comunidade do Mutirão do Jardim Celeste; 2) Grupos de base. As reuniões ocorrem mensalmente, nos diversos bairros acima citados, normalmente nos salões das paróquias dessas comunidades; 3) Assembleia Geral, que acontece mensalmente.
A associação faz uso de um sistema de pontuação e se alinha à postura de apoiar as ocupações políticas.
3.3.2. Frente de Luta por Moradia (FLM)
A FLM é um coletivo de luta por moradia, formado por movimentos autônomos. Surge, em 2003, a partir de um “racha” interno da UMM. Em fevereiro de 2004, os movimentos oficializam a articulação e organizam o primeiro encontro da FLM, em Ribeirão Pires. Possui representatividade, sobretudo, a nível municipal. Para participar de processos estaduais e nacionais, atua por meio de articulações com outras organizações populares.
A Frente possui forte foco na estratégia de ocupação dos edifícios vazios no centro da cidade e combina a ação direta com estratégias de luta por vias institucionais para obter avanços em termos de leis, jurisprudência e políticas públicas. Nesse sentido, reconhece e ocupa espaços de participação popular, como o CMH, o CMPU e o Conselho Municipal da Juventude. Articula-se com a UMM e outros atores da sociedade civil em ações específicas referentes às pautas da reforma urbana, direito à cidade e moradia digna. Defende o princípio da autogestão como forma de construção de poder popular. Seu principal lema é: “Quem não luta, tá morto!”.
Possui grupos de base em diferentes regiões da cidade, sendo mobilizados para a realização das ocupações na região central. As ocupações dos movimentos associados à FLM têm por fim estabelecer os ocupantes no imóvel ou terreno, no médio prazo, até virar empreendimento habitacional para atender as famílias ocupantes. A FLM é responsável, atualmente, pelas duas maiores ocupações de edifícios no centro da cidade: Prestes Maia (aproximadamente 470 famílias/2000 pessoas) e Mauá (aproximadamente 230 famílias). Os movimentos associados, no geral, utilizam o sistema de pontuação para controlar e classificar a intensidade da participação dos associados.
A Coordenação Geral da FLM é composta por lideranças dos movimentos associados (que coordenam grupos de base e/ou ocupações) e se reúne semanalmente. Dentre os diversos movimentos associados, três deles fizeram parte da presente pesquisa118.
Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC)
O MSTC foi formado, em 2000, a partir de um grupo de lideranças que deixaram o Fórum dos Cortiços e Sem-Teto de São Paulo. O movimento fazia parte da UMM e participou da fundação da FLM. Os filiados são provenientes de todas as regiões da cidade e residem em cortiços, favelas, áreas de risco, ocupações, havendo pessoas do extremo das zonas Sul, Leste e Norte. O MSTC possui aproximadamente 20 grupos de base organizados, sendo que cada um deles realiza reuniões regularmente. Em cada ocupação que mantém, há um grupo de base, além daqueles grupos nas comunidades.
A Coordenação Geral é formada por representantes que se destacam nos grupos de base, e se reúne semanalmente. Uma vez ao ano, realiza-se o balanço geral do movimento. Aplica-se o sistema de pontuação dos associados. Nas ocupações, normalmente, cobra-se contribuição financeira dos moradores para a manutenção de questões coletivas. Coordena atualmente grandes ocupações no centro da cidade, como a Prestes Maia, Mauá e Hotel Cambridge.
Movimento Sem-Teto pela Reforma Urbana (MSTRU)
O movimento surgiu, em 2002, da união de grupos que militavam na zona Leste da capital e participou da fundação da FLM. Atualmente, possui cerca de trinta grupos de base, a
118 Mais informações sobre a FLM e a situação das ocupações na Prestes Maia e Mauá estão disponíveis em:
<http://www.portalflm.com.br/luta-historico/>;<http://mmlj.org.br/historia-da-ocupacao-prestes- maia/>;<http://mmlj.org.br/historia-da-ocupacao-maua/. Acesso em: 12 abr. 2018.
maioria na zona Leste, com reuniões quinzenais ou mensais. Cada grupo possui um coordenador que, em conjunto, formam a Coordenação Geral, que se reúne quinzenalmente.
Desde 2010, o movimento coordena a ocupação de um edifício, no centro da cidade, situado na Avenida São João, onde residem 91 famílias119. Na ocupação, há contribuição mensal para manutenção do prédio e para pagar os gastos com a defesa jurídica. Há um centro cultural e horta comunitária, organizados pelos ocupantes. Adota-se o sistema de pontuação da participação dos associados.
Movimento de Moradia na Luta por Justiça (MMLJ)
O MMLJ foi criado, em 2014, por lideranças das ocupações Prestes Maia e Mauá que se desligaram do MSTC, mas se mantiveram filiados à FLM. Organiza-se por meio de grupos de base que somam cerca de 2.500 famílias, e no centro, atua nas duas ocupações mencionadas120. Realiza assembleias regulares com a base e utiliza o sistema de pontuação, além da cobrança de contribuição no caso das ocupações.
3.3.3. Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
O MTST surge, em 1997, no Estado de São Paulo, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para atuar nas grandes cidades com o objetivo de lutar pela reforma urbana, por um modelo de cidade mais justa e pelo direito à moradia. Rapidamente, o MTST se tornou autônomo, com princípios, programa e forma de funcionamento próprios. Atualmente, está presente em, pelo menos, oito estados e no Distrito Federal, mobilizando os trabalhadores urbanos, a partir do local em que vivem, privilegiando os bairros periféricos e se autodefinindo como um movimento territorial dos trabalhadores. Embora a luta por moradia seja um dos eixos principais, o movimento não se declara como de moradia exclusivamente, e sim como um movimento de sem-teto que luta por diferentes direitos sociais (MTST, 2018).
Na cidade de São Paulo, o MTST atua principalmente na zona Sul da capital, na região metropolitana Sudoeste (Cotia, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, etc.) e na região do ABC Paulista. Sobre as estratégias de luta, privilegia fortemente a luta direta,
119 O edifício de seis andares abrigava o antigo Hotel Colúmbia Palace, abandonado por cerca de vinte anos. Para
maiores informações ver o documentário da Ocupação São João. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=BmwEMhYFieQ>. Acesso em: 6 fev. 2018.
em especial, por meio da ocupação de vazios urbanos. Por atuar nas regiões periféricas, as ocupações são feitas, principalmente, em terrenos abandonados e não em prédios, como ocorre na região central da cidade. Assim, por serem regiões periféricas e espaços extensos, as ocupações do MTST se caracterizam por um grande número de acampados, chegando a atingir milhares. Uma característica dessas ocupações é que elas não são pensadas para ser moradia definitiva, isto é, não se busca construir barracos e depois reivindicar do poder público condições de urbanidade (asfalto, eletricidade, saneamento básico, etc.). A luta do movimento é para que as famílias sejam atendidas em empreendimentos habitacionais para população de baixa renda, seja no terreno ocupado, seja em outro espaço cedido pelo poder público.
No caso do MTST, não há diferenciação entre grupo de base e ocupação, pois todo o trabalho de base do movimento se dá nas ocupações121, que assumem papel central. Cada ocupação tem uma Coordenação de Acampamento formada por lideranças. Além disso, o movimento possui coordenações regionais, estaduais e nacional. O MTST não cobra contribuição de seus associados. É elaborada uma lista de participação, nas diversas atividades que o movimento realiza, que serve para o controle da presença e estabelece critério para encaminhamento aos empreendimentos habitacionais. No entanto, o movimento não denomina tal procedimento de “sistema de pontuação”.
Além das ocupações, o movimento atua via outras estratégias de luta, como a realização de manifestações e passeatas, greves de fome, bloqueios de rodovias e avenidas importantes, e também com o diálogo institucional, sentando à mesa com diferentes agentes públicos e privados para pressionar e negociar suas demandas. No entanto, não participa de espaços institucionais participativos e, por isso, se autodefine como um movimento centrado na “ação direta”. “Isto é importante porque nos diferencia da maioria dos movimentos urbanos, que optaram por focar suas ações na participação institucional: negociações de projetos com o Estado, participação em Conselhos e parcerias com os governos” (MTST, 2018). Assim, embora o MTST também “saiba negociar”, essa parte do processo está sempre em função das mobilizações e ações diretas de pressão.
O MTST tem como princípio ser apartidário122, algo comum a muitos movimentos sociais e populares, mas que, no entanto, como vimos, muitos são próximos, sobretudo, ao PT
121 Em alguns casos, nos quais a ocupação sofre reintegração de posse, por exemplo, os ocupantes seguem
mobilizados via movimento e, nesse caso, é possível falar de grupo de base separado da ocupação.
122 Uma ilustração do princípio apartidário é seguinte item presente no Regimento Interno do movimento
(Aprovados em Encontro Nacional de Junho/2015): “No MTST nenhum militante pode sair candidato a cargos no Executivo ou Legislativo. Caso algum militante decida candidatar-se deverá se afastar do Movimento, independentemente do partido escolhido”. Fonte: Disponível em: <http://www.mtst.org/quem-somos/>. Acesso em: 13 mar. 2016.
por haverem sido forjados pelo mesmo substrato político-ideológico e pelo fato de muitos de seus militantes possuírem múltipla filiação. No caso do MTST, esse substrato é diferente, não havendo proximidade estreita com o PT, apesar de o movimento ser, obviamente, de esquerda e estar mais alinhado a partidos pertencentes a esse espectro político123.
O MTST tem se destacado na cidade de São Paulo pela sua capacidade de mobilização da base, realizando ações com a participação de milhares de pessoas, sendo que algumas ocupações ultrapassam o número de cinco mil pessoas, tornando-o um dos principais atores políticos na cidade e no cenário nacional na questão da política habitacional e na pauta da reforma urbana.
Por fim, é preciso mencionar algumas articulações que os movimentos estudados participam. Com o objetivo de somar força para incidir na realidade local, municipal, estadual ou nacional, atuam com outros movimentos populares, não exclusivamente vinculados à luta por moradia. A participação nas articulações mais amplas favorece aos movimentos na obtenção de informações das políticas públicas, troca de experiências, capacidade de pressão e mobilização, rapidez nos momentos de solidariedade e representação em espaços de decisão. Nesse sentido, em São Paulo, a UMM e a FLM são filiadas à Central de Movimentos Populares (CMP), uma articulação a nível nacional de movimentos populares que representam várias demandas e segmentos sociais124. Além disso, a UMM (via UNMP) faz parte do Fórum Nacional de Reforma Urbana e da articulação nacional Frente Brasil Popular125. O MTST, por sua vez, no caso dos movimentos urbanos, aposta na alternativa da Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos126. Além disso, participou da construção de outra frente nacional, a Frente Povo Sem Medo127.
123 Guilherme Boulos, que atua na cidade de São Paulo, é o líder mais destacado do MTST, membro da
Coordenação Nacional. Possui projeção no debate político nacional, sendo atualmente pré-candidato presidencial para as eleições de outubro de 2018, pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Tal candidatura rompe com o