• Nenhum resultado encontrado

4 NOVA CULTURAL E HARLEQUIN: EDITORAS E EDIÇÃO DE ROMANCES

4.1. NOVA CULTURAL, A LÍDER NO PAÍS

4.1.1. Sobre a questão da autoria

Na percepção das leitoras, o autor é um dos fatores mais importantes na escolha dos romances sentimentais. O quesito, numa escala de 1 a 5, sendo 1 o menos importante e 5 o mais importante, recebeu na maioria respostas de 3 a 5.

Atualmente a Harlequin tem escritoras que já são conhecidas e que chamo de seguras, você sabe o que esperar da Penny Jordan, Lynne Graham, Diana Palmer, Nora Roberts etc. Isto garante que eu compre mais livros da Harlequin. 143

Eu não vou muito pela editora, vou pela autora.144

Gosto muito de Clássicos Históricos em geral e dos livros da Nora Roberts, Deborah Simmons, Linda Howard, Nina Beaumont, e outros.145

Não deixa de ser curioso, uma vez que o texto passa pela mão de diversas pessoas – tradutores, copydesks, editores –, é adaptado conforme os objetivos comerciais da editora, num sistema de produção que será apresentado ainda neste capítulo. Dessa forma, como eu já mencionei, pode-se falar no caso dos exemplares publicados no Brasil, na autoria da trama, não da obra, e ainda assim se não for levado em conta que as narrativas repetem modelos ou plots já estabelecidos.

Mesmo com as leitoras cientes de que esses livros são escritos segundo esquemas

143 M. Entrevista 21.

144 S.A.O. Entrevista 1

145 M. Entrevista 24

bastante repetitivos, ainda assim a autoria emerge como um valor central, como que a emular a noção de valor estético da obra de arte, tal como construída e rearticulada em nossa sociedade desde os princípios da modernidade no Ocidente, e em especial nos últimos 250 anos. Nesse sentido, enquanto no campo da arte a noção de autoria é questionada ou até considerada extinta, por exemplo, em termos barthesianos, no caso das leitoras dos romances sentimentais a “autora” segue firme e forte como fonte de valor, ou em outras palavras, de autoridade estética. Por essa ótica, parece perfeitamente adequado que uma das entrevistadas tenha mencionado que além das séries sentimentais, também apreciava obras de autores como José de Alencar e que depois deles passou aos romances sentimentais.

Eu nasci romântica, eu já tinha lido e gostado muito de O Guarani e de Iracema, que são dois romances bem melosos até certo ponto, e quando eu peguei aquele livrinho com aquela historinha de duas pessoas que se apaixonavam e terminavam juntas, num final feliz, eu me deleitei. Era uma Sabrina, não lembro nem a história nem o título, só me lembro que era Sabrina o primeiro que eu li. 146

A noção de autoria das leitoras é baseada em especial em critérios de enredo, conforme observado através das discussões travadas pelas leitoras no fórum da comunidade Adoro Romances, em blogs e também nas respostas de algumas leitoras. Elas entendem que a autora “escreve bem” na medida em que produz enredos interessantes, que prendam a atenção, com direito a reviravoltas e conflitos bem inseridos no contexto. Também avaliam diálogos – uma vez que a dinâmica dos textos faz com que eles sejam primordiais – e a coerência histórica, quando nos romances de época. Elas comentam sobre as autoras:

Da Anne Mather, da Robin Donald, da Daniele Steel, que eu sei que gosto bastante, se eu vejo um livro delas, eu vou e pego, porque sei que são boas escritoras, que as histórias geralmente são legais.147

146 C.P.A. Entrevista 3

147 T.A.S, Entrevista 14

[Linsay Sands] é uma das minhas autoras prediletas! Ela escreve super bem... seus textos são leves, engraçados... mas profundamente românticos! Ah, e p/ quem gosta de sobrenatural... ela tem algumas séries no exterior desse tipo!148

Amo esta Autora! Os livrinhos são todos muito bem escritos, com um maravilhoso senso de humor!!!149

No Blog Mulheres Românticas, que é assinado por três leitoras de Aracaju, há uma descrição um pouco mais detalhada do que elas consideram uma boa autora:

Anne Marie Winston é uma autora que sempre recomendo.

Gosto dos livros dela. São sensuais, sexies...com personagens fortes e sempre há uma carga dramática neles, outro ponto em comum nos livros dela é que sempre alguém morre e essa morte acaba sendo o catalisador do envolvimento (ou reconciliação) do casal principal.150

Na hora de falar sobre o assunto, algumas entrevistadas usam termos bem mais vagos e passionais:

[Gosto de] Todos da Nora Roberts, Diana Palmer e Linda Howard por que elas são maravilhosas. 151

Essa paixão pelas autoras vai ao encontro do que diz Gramsci, citado por Ecléa Bosi (1973).

Os leitores de folhetins (aqui diríamos fotonovelas) [ou romances sentimentais] se apaixonam pelos autores com uma sinceridade muito

148 ORKUT, Comunidade Adoro Romances. Disponível em

<http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=390082>. Acesso em 15/07/2008, no fórum de debates no tópico “Linsay Sands – autora, livros e comentários”, postado por L. .

149 ORKUT, Comunidade Adoro Romances. Disponível em

<http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=390082>.Acesso em 15/07/2007, no fórum de debates no tópico “ Tori Phillips”, postado por A.

150 BLOG MULHERES ROMÂNTICAS. Disponível em http://www.mulheresromanticas.blogspot.com.

Acesso em 15/07/2008. A apresentação do site traz o seguinte resumo: “Um blog para contar as aventuras e desventuras de três viciadas em romances”. Elas postam sobre livros que indicam, fazem comentários de leitura, também comentam sobre capas e mostram fotos de visitas a sebos, fazem listas dos melhores livros e convidam para encontros de leitoras.

151 S. Entrevista 36

maior e com um interesse muito mais vivo do que nos chamados círculos cultos as pessoas se interessam pelas obras eruditas.152

Talvez isso aconteça por um maior distanciamento que os leitores da chamada literatura culta tenham em relação às obras, mas é bom lembrar também um episódio recente em que o autor de um best seller autobiográfico se revelou um pseudônimo, com sexo e história de vida diferentes dos descritos quando do lançamento do livro, e que esse fato causou repercussão na mídia e mudou a expectativa relação a como sua obra era encarada, de literatura considerada

“alternativa” e “contestadora” para apenas mais uma obra no mercado. Isso porque toda a mídia em torno da obra foi calcada na “figura marginal” do suposto autor153.

Mas se nos romances sentimentais o texto é retalhado e remoldado na tradução, parece lógico supor que passe também por muitas mãos em sua língua original. Com pseudônimos diferentes, as mesmas autoras escrevem para mais de uma editora e mais de uma coleção (históricos ou contemporâneos). Daí uma questão surge: não seriam as autoras, em alguns casos, também personagens ficcionais? A quem, então, as leitoras “amam”?

Na dissertação Das bancas ao coração, um dos tópicos analisados em relação aos romances sentimentais foi a apresentação da autora nas contracapas ou nas últimas páginas dos livros. Essas “mini-biografias” são feitas em cinco ou seis linhas, e são notadamente ficcionais, evocando, de um lado, uma atmosfera cotidiana de harmonia familiar. De outro, a possibilidade de que essas mulheres escritoras têm sucesso fazendo o que gostam, sem sair de suas casas ou cidades (normalmente elas moram em lugares desconhecidos, nunca em grandes centros como Nova York). A menção a prêmios recebidos reforça a legitimidade da leitura e da escritura. Os prêmios, indicados por associações pouco conhecidas no Brasil

152 BOSI, Ecléa. Cultura de massa e cultura popular. Leituras de operárias. Petrópolis: Vozes, 1973. p. 74.

153 O episódio que envolveu o autor J.T. Leroy foi notícia em jornais e revistas de ampla circulação, em 2006. Ele se dizia um jovem garoto de programa de 25 anos, mas na verdade era uma mulher, Laura Albert, de 40 anos. A notícia completa sobre o caso, publicada pela Agência Estado, pode ser acessada no link <http://www.achanoticias.com.br/noticia.kmf?noticia=4241657>.

(talvez no mundo), podem dar à leitora a sensação de estar lendo obras com apuro técnico, escritas por autoras consagradas e respeitadas internacionalmente.

A autora de À moda antiga, Susan Fox, é apresentada à leitora da seguinte maneira:

Susan Fox ganhou dois prêmios Romance Writers of America Golden Heart no início de sua carreira. Sempre foi fã de westerns e cowboys, sempre pensa em heróis românticos usando Stetsons e botas e, em suas palavras

‘espero nunca escrever uma história sem um homem do Oeste’. Os leitores ficarão felizes em saber que ela planeja escrever muitos livros no futuro.

Susan vive com o filho mais novo, Patrick, em Des Moines, Iowa. 154

Em obras mais recentes, a Nova Cultural tem utilizado o selo Best Seller do The News York Times para indicar, segundo ela, as autoras consagradas da lista do

“famoso jornal” dos Estados Unidos como campeãs de vendas, conforme explica na primeira página dos livros. A Harlequin também publica as apresentações das autoras na quarta capa e um selo de best seller.

Nas biografias, às vezes não há menção ao estado civil da autora, o que para a leitora pode ser importante. Uma autora divorciada ou viúva pode gerar tanto identificação com as leitoras quanto a sensação de que, mesmo sabendo muito sobre histórias de amor, a escritora não soube trazê-las para dentro de sua vida. No caso dos outros textos, elas são apresentadas como casadas e vivendo em harmonia com seus maridos e filhos.

Na apresentação da autora do livro Um homem mais velho, a imagem de felicidade conjugal é ainda mais reforçada:

Phyllis Halldorson encontrou seu verdadeiro Príncipe Encantado aos dezesseis anos. Casou-se com ele no ano seguinte e, assim, constituíram uma família. Sendo uma leitora compulsiva ao longo de muitos anos, Phyllis sonhava com o dia em que poderia escrever suas próprias histórias.

Essa oportunidade chegou quando os dois filhos de Phyllis chegaram à adolescência. Ao escrever seu primeiro romance, ela compreendeu que tinha encontrado sua grande vocação, tão longamente negada. Afinal,

154 Fox, Susan. À moda antiga. São Paulo: Nova Cultural, 2001. (Sabrina Noivas, 109).

como poderia não escrever romances, depois de ter conhecido seu verdadeiro herói, tão bem descrito nas obras da Silhouette. 155

Percebe-se que a escritora passou a escrever já na meia-idade, o que pode trazer para as leitoras dessa faixa etária a sensação de que o sucesso não está restrito à juventude, bem como a realização dos sonhos. Em contraponto, há narrativas sobre autoras que revelaram sua vocação na infância:

Lori Handeland tinha dez anos quando decidiu que seria escritora. A necessidade de trabalhar obrigou-a a adiar alguns anos a realização de seu sonho de infância, mas desde que conseguiu publicar seu primeiro romance, ela escreve histórias que variam entre gêneros contemporâneo, histórico e mistério. Lori já recebeu inúmeros prêmios por seus livros. 156 LuAnn McLane sempre gostou de ler e escrever, e era a primeira aluna da classe em Redação. Ela trabalhou como jornalista antes de começar a acima de tudo, finais felizes. Teresa também escreve romances históricos.

158

Ao invés de dados sobre sua profissão, a autora é apresentada quase como uma “miss” de concurso de beleza. O que se pode concluir é que as próprias autoras são apresentadas como personagens de um mundo ficcional de romancistas

155 HALLDORSON, Phyllis. Um homem mais velho. São Paulo: Nova Cultural, 2001. (Julia, 1161).

156 HANDELAND, Lori. Quando a lua surgir. São Paulo: Nova Cultural, 2008. (Bianca, 858).

157 MCLANE, LuAnn. Loucuras da paixão. São Paulo: Nova Cultural, 2008. (Sabrina, 1525)

158 SOUTHWICK, Teresa. Segredos de amor. São Paulo: Nova Cultural, 2001 *(Sabrina Noivas, 126).

felizes, amadas e amantes, bem-sucedidas e reconhecidas profissionalmente. Ou seja, características também encontradas (e/ou desejadas) nas personagens dos romances sentimentais e buscadas pelas leitoras.

Para a leitora L.A., as autoras escrevem sobre algo que dominam. Ela vê as autoras como pessoas reais, tão românticas quanto seus livros, e não como profissionais que escrevem textos segundo um formato pré-estabelecido pela editora. Na ingênua opinião da leitora, elas trariam algo de si para a obra:

Mas [os romances] ainda me fazem ver que existem pessoas que sentem, porque o escritor sente o que escreve na minha opinião. Ele não escreve pelo simples ganhar o dinheiro ou vender livros, não. Existe algum sentimento nessa pessoa, nem que seja um desejo não realizado. E ele põe ali no papel. O escritor, ou geralmente, são escritoras. Colocam aquelas situações românticas com aqueles homens maravilhosos, aqueles amores assim instantâneos, arrebatadores. 159

Em muitos aspectos, a impressão que se tem pelas biografias é que as autoras são pessoas comuns, daquelas que podemos ter pela vizinhança. Elas têm suas famílias (unidas e perfeitas), gostam de animais, vivem em pequenas cidades.

Ou seja, elas têm uma referência na vida real que gera empatia com as leitoras.

Conhecer as autoras através das apresentações representa para as leitoras uma aproximação e uma forma mais íntima de contato com o texto. A leitora E.A.S.160 disse que a apresentação da autora “é interessante, porque geralmente elas começam a escrever por hobby, às vezes como um escape, e são pessoas simples, moram com a família, às vezes até em lugares isolados. É uma coisa meio sonhadora...”. Em outro comentário, ela disse acreditar que a apresentação é verdadeira em suas informações, apesar de ser um pouco romanceada. Ela conta um outro fato que, no entender da leitora, reforça a veracidade das informações: “na semana passada, eu li uma e a menina [a autora] dava até o endereço para corresponder com ela”. Encontrei uma apresentação que se encaixa nesse padrão,

159 L.A., Entrevista 7 .

160 E.A.S., Entrevista 15

e que reúne quase todos os lugares-comuns das biografias das autoras dos romances sentimentais. É a de Myrna Mackenzie – nas referências bibliográficas identificada como Myrna Topol - do romance Pretendente perfeito, da série Bianca:

Myrna Mackenzie, vencedora do Holt Medallion, um prêmio para destacados talentos literários, sempre foi fascinada pela crença de que existe um herói e uma heroína respectivamente dentro de todo homem e toda mulher. Adora escrever sobre pessoas comuns que realizam sonhos extraordinários. Ex-professora, Myrna vive nas redondezas de Chicago com o marido – seu namorado do tempo de escola – e dois filhos. Myrna gosta de tudo que se relaciona ao amor, riso, música, férias nas montanhas, observar as estrelas, tudo o que não esteja ligado ao dia-a-dia frio e impessoal. As leitoras podem escrever para Myrna para PO. Box 225, LaGrange, IL. 60525-0225. 161

Não há dúvida de que o endereço ao fim da apresentação é um forte componente para dar credibilidade à biografia. Porém, basta observar os outros elementos, a vida idílica relatada, para perceber o aspecto visivelmente ficcional do texto e da personagem que ele apresenta. A leitora B.M.M. diz que a apresentação da autora “não passa bem a realidade, não, mas não deixa de acrescentar alguma coisa. Você acha bonito o fato de uma pessoa morar num lugar como aquele, ter uma família tão perfeita como aquela, com até cachorro”162. Essa mesma leitora, demonstrando uma percepção real dos meandros da editora para conquistar seu público, afirma que tanto a biografia da autora quanto às cartas à leitora publicadas nas obras procuram “demonstrar um pouco mais de qualidade da leitura (...) O livro procura passar, como aquelas orelhinhas que têm nos livros que você compra em livraria, livro mais assim, a nota do editor. Então ele tenta passar isso para você, pra você se sentir um pouco melhor”.163

Então, se por um lado, as leitoras reconhecem as autoras como quem está por trás de uma obra de melhor ou pior qualidade, e essas autoras são apresentadas como mais um personagem em seus livros, uma figura romanceada,

161 MACKENZIE, Myrna. Pretendente perfeito. São Paulo: Nova Cultural, 2001. p.112. (Bianca, 766)

162 B.M.M. Entrevista 19.

163 B.M.M. Entrevista 19

por outro as editoras manipulam os textos até que se encaixem num padrão previamente determinado. Por conseqüência, pode-se pensar que realmente, não existe uma autoria única, o livro é composto em várias mãos e as leitoras, na verdade, são iludidas em maior ou menor proporção ao se apoiarem no critério de autoria para escolher um texto.

Para reforçar essa situação, hoje as leitoras têm o acesso aos sites das autoras. Alguns deles estão na lista de links indicados pela comunidade Adoro Romances. Ali, as leitoras acompanham as obras de suas autoras preferidas, seus lançamentos mais recentes e, quando é o caso, qual a seqüência dos títulos de séries de obras, as chamadas sagas.

O site da autora Nora Roberts (www.noraroberts.com), uma das mais citadas pelas leitoras e um dos carros-chefes de lançamentos da Harlequin, chama a atenção pela extensa bibliografia, com mais de 200 obras listadas. Em média, são lançados de cinco a sete livros inéditos por ano (na década de 80, os lançamentos chegavam a dez por ano). Em algumas obras, com temas policiais e ficção científica, Roberts utiliza o pseudônimo de J.D. Roob. Obviamente, esse ritmo inviabiliza qualquer processo artesanal de criação artística, é uma outra lógica de produção em relação à literatura de proposta. Aparentemente, Nora Roberts é muito mais uma grife do que uma autora, quando se pensa numa figura que trabalha com tensões estéticas. Pode-se supor, o que não seria surpreendente, que ela conte com uma equipe de redatores trabalhando sob sua supervisão, a exemplo do que é feito atualmente nas novelas de televisão brasileiras, em que os núcleos narrativos são abertamente divididos entre diversos autores, devidamente citados, mas apenas um assina a trama. A idéia de grife é também reforçada pela existência, no site da autora, de um link para a “Nora Store”, um site em que estão à venda não apenas livros, mas objetos como sacolas, garrafas de água e camisetas com o nome da autora, todos com a possibilidade de serem (supostamente) autografados por ela.

Assim, o bom autor das séries sentimentais não é necessariamente o bom autor da literatura de proposta. Lembrando mais uma vez Raymond Chandler e

Dashiell Hammet, que tendem a ser assimilados como autores de uma escrita que traz a configuração do herói com um texto mais problematizado, com mais contradições e discrepâncias em relação ao gosto médio para os padrões do romance policial, na literatura sentimental o que vale é a capacidade de produzir mais do mesmo, em grande quantidade e com narrativas que pareçam apresentar conflitos e enredos mais interessantes, mas que não fujam dos paradigmas desse estilo literário.