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Este tópico dispõe de quatro subtópicos. O primeiro relata sobre o

relacionamento com o chefe; enquanto que o segundo o relacionamento com os colegas;

o terceiro o relacionamento com os apenados; e o quarto o relacionamento com os

demais envolvidos, tais como familiares e advogados.

4.3.1 Relacionamento com o chefe

Como o diretor da unidade é um agente penitenciário, isso facilita mais no

contato diário. Percebe-se que a relação entre eles no geral é boa. O Agente 12 (2016),

define sua relação com o chefe como: “boa, normal, pessoa boa, pouco tempo que ele tá

aqui, mas estamos se dando muito bem.” Alguns agentes penitenciários comentaram

que apesar de ele está há pouco tempo na unidade vem melhorando as condições físicas

na unidade, assim como também está conseguindo manter certa ordem em relação aos

presos. Além disso, vem com o apoio dos mesmos fazendo um bom trabalho na CPC.

Como pode ser visto nas falas a seguir: “com o diretor da unidade minha relação é boa,

é uma das melhores possíveis me dou bem e tal e ele sempre busca melhorar as

condições de trabalho dentro das limitações pra facilitar o trabalho do agente”

(AGENTE 05, 2016). Já outro agente penitenciário complementa que a relação com o

chefe é: “tranquila [...] de início, por também, ser um chefe novo em relação à unidade.

Nosso dialogo tem entendimento e até agora estou satisfeito ” (AGENTE 01, 2016)

Percebe-se que o que mais incomoda é à sua maneira de se expressar,

principalmente quando vai fazer alguma advertência; ele se expressa de uma forma um

tanto quanto autoritária e grosseira, de acordo com os agentes penitenciários. Mesmo

assim, os agentes penitenciários o respeitam, reconhecem o trabalho que ele vem

desenvolvendo dentro da cadeia.

Dessa forma, com base nas observações realizadas e nos discursos apresentados,

embora a relação entre eles seja amigável, os agentes penitenciários sentem a

necessidade de mais diálogo e de terem as suas opiniões ouvidas pelo chefe. Isso é

notório nas falas de alguns agentes: “Eu acho que como todo chefe a gente se diverge

em algumas opiniões, mas eu tenho uma boa aceitação com relação à hierarquia ”

(AGENTE 06, 2016). “Uma relação boa, uma relação do dia-a-dia, uma certa

divergência, cada um pensa de uma maneira, mas de forma geral uma boa relação ”

(AGENTE 13, 2016). “Minha relação com meu chefe é um pouco conturbada em

algumas situações em outras situações não, a gente se entende bem, mas tem algumas

que ele [...] a gente acaba batendo de frente com algumas ideias contraditórias ”

(AGENTE 08, 2016).

Em síntese, o relacionamento dos agentes penitenciário com o chefe (diretor) de

um modo geral, é bom, os agentes declararam que ele está sempre buscando o melhor

para o ambiente de trabalho. Mas em contrapartida também pode-se perceber que os

agentes sentem falta de um diálogo, de um pouco mais de flexibilidade e que algumas

vezes ocorrem divergências, mas que de um modo geral eles mantém um

relacionamento bom com o chefe.

4.3.2 Relacionamento com os colegas

A relação entre os agentes penitenciários é uma relação boa, de amizade, de

respeito e eles procuram sempre ter o companheirismo como fator principal para manter

uma boa harmonia no trabalho. Dos 17 agentes entrevistados 10 disseram ter uma

relação boa com seus colegas. Em suas palavras: “Uma relação muito boa, tenho

respeito por todos e sei que todos têm respeito por mim” (AGENTE 09, 2016). “Boa,

até hoje nunca tive nenhum atrito com colegas de trabalho não, já trabalhei em outras

unidades do Estado e sempre normal, sem atrito” (AGENTE 12, 2016).

Dois disseram que tem os colegas como uma família e um disse que tem até

alguns como amigos pessoais: “harmonia, respeito, amizade, irmandade certo?! E acima

de tudo uma família onde é um por todos e todos por um” (AGENTE 10, 2016).

“Graças a Deus eu vejo como uma grande família com todas as divergências que uma

família tem, mas graças a Deus somos unidos e sempre fazendo o melhor” (AGENTE

13, 2016).

Embora os agentes penitenciários tenham uma boa relação; e que exista amizade

e respeito entre eles, em conversas informais com a pesquisadora; observa-se que entre

os agentes penitenciários há algumas divergências; pois, sempre tem alguém que às

vezes não tem compromisso com o trabalho o que acaba afetando a equipe como um

todo. Sutilmente, isto pode ser constatado na fala do Agente 11 (2016):

Bom, minha relação com os colegas de trabalho é muito boa, tenho muita amizade aqui com os agentes, sou querido pelos agentes, assim todo serviço você não agrada a todos com certeza deve ter alguém que não goste de mim não sei por que, mas, só que me dou bem com a maioria noventa e nove por cento dos agentes.

Uma agente feminina relatou que tem uma boa relação com as agentes, mas que

com o os agentes têm algumas divergências:

Com alguns colegas de trabalho nós temos uma ótima convivência principalmente com relação ao feminino, eu sou agente feminina meu contato com as agentes femininas é muito bom é uma relação muito boa. Mas, com alguns agentes masculinos a gente tem algumas divergências (AGENTE 08, 2016).

Nesse contexto, percebe-se que entre os agentes penitenciários existe uma

relação de amizade, de companheirismo, embora possam vir a ter algum atrito devido a

divergências de opiniões dentro do contexto da rotina de trabalho. Ademais, eles se

consideram como uma familia onde todos podem contar uns com os outros.

4.3.3 Relacionamento com os apenados

A relação dos agentes com os apenados é uma relação profissional, resume-se a

que os agentes penitenciários assegurem os direitos dos presos e cumpram com seus

deveres. Eles mantem essa relação estritamente profissional para que possa se

estabelecer um respeito entre eles e a rotina seja tranquila. Dos 17 agentes entrevistados

11 disseram ter uma relação profissional, sem intimidades. As falas seguintes relatam

isto: “A minha relação com os apenados é uma relação profissional, eu exerço a minha

função e respeito eles como preso, mas também imponho a minha autoridade e exijo

respeito também como agente penitenciário” (AGENTE 09, 2016). “Uma relação

profissional, você fazer o seu trabalho, eles cumprirem a sua pena, é uma relação de

respeito, respeito mútuo” (AGENTE 13, 2016). “A relação com os presos, o contato

com eles é o mínimo possível, porque o preso sempre ver o agente penitenciário como

inimigo deles, então o contato fica limitado só aos direitos e deveres do interno”

(AGENTE 05, 2016). “Não tenho intimidade, disponho de respeito e realizo um

trabalho ético com dignidade” (AGENTE 16, 2016). “De respeito, cumprindo tudo

dentro da lei, dou respeito para ser respeitado ” (AGENTE 14, 2016).

Em concordância, cinco agentes penitenciários declararam ter uma relação de

respeito com os apenados. Na fala de dois deles:

De respeito, de saber que eles apenas são nossos custodiados e eu tenho uma relação de respeito porque entendo que eles já respondem na justiça e aqui no presidio eu os tratos como tem que ser tratado pelo nome principalmente não uso nunca pseudônimo de cada um, então eu tenho uma relação com eles de respeito (AGENTE 06, 2016).

E apenas um disse ser uma relação instável: A minha relação com os apenados é sempre instável, porque nós estamos aqui para manter a lei; certo?! E trabalhar dentro da legalidade com pessoas que não respeitaram as leis lá fora né?! Aqui às vezes eles querem bater de frente com as normas, mas como nós estamos do lado certo do lado legal nós temos que combater e às vezes temos atrito por conta disso, mas é normal do serviço, acontece (AGENTE 07, 2016).

Com base nas observações realizadas, a pesquisadora pôde perceber que os

agentes mantem uma relação profissional com os apenados, porém essa relação mais

fechada se dá mais com os presos que passam o dia na carceragem. No entanto, com

aqueles que exercem atividades dentro da cadeia existe certa proximidade e até um

diálogo com eles.

4.3.4 Relacionamento com os demais envolvidos, tais como familiares e advogados

A relação dos agentes com familiares e advogados é uma relação profissional,

eles os tratam com respeito e educação, atendendo cada uma dentro das possibilidades

que lhes são dadas. 10 dos 17 entrevistados disseram manter uma relação de respeito e

profissionalismo. Esta questão pode ser percebida nas falas de três agentes

penitenciários: “com respeito, educação, me tratem bem que eu tratarei eles também.

Com os advogados é normal, dentro das normas né?! Dentro dos limites também que a

gente possa ajudar” (AGENTE 03, 2016).“Procuro me relacionar da melhor forma, pois

a família não tem culpa dos erros deles e com o advogado respeito, pois cada

profissional faz o seu trabalho” (AGENTE 02, 2016). “Eu procuro atender os familiares,

advogados e quem vinher aqui na unidade com respeito e profissionalismo” (AGENTE

17, 2016).

Seis agentes penitenciários disseram ter uma relação boa. Tal como o Agente 01

(2016), que afirmou: “nunca tive problemas com familiares de apenados, até porque sou

uma pessoa que entendo a ignorância deles em relação ao sistema e as dificuldades

financeiras que a maioria tem; como também, a falta de cultura.” Por sua vez, o Agente

06 (2016) reforçou que:

Eu considero boa,porque a família não tem que pagar pelo um erro daquela pessoa está aqui do parente que está aqui, então eu busco tratar todo mundo bem assim como os advogados, porque cada um cumprindo a sua função, então eu tenho um bom relacionamento com as famílias.

Apenas um agente declarou ser uma relação complicada, em suas palavras:

É mais complicado um pouquinho, é [...] com relação aos familiares, pessoas que vem de fora, devido a vir de fora e não está acostumado com o cárcere e família é família sempre vai estar ao lado do ente, por isso a algumas divergências, mas no tocante geral é uma relação normal (AGENTE 13, 2016).

Com base nestas falas e na observação realizada pela pesquisadora, no geral a

relação dos agentes com familiares e advogados é satisfatória. Os agentes agem com

profissionalismo e educação. Eles procuram manter um contato imparcial, fazem apenas

o seu trabalho sem maiores intimidades. Embora, eles tenham essa relação boa, às vezes

há algum atrito com familiares devido esses familiares não entenderem que seus

parentes estão cumprindo uma pena e que existem algumas restrições e isso gera

conflito. Com os advogados há uma troca de respeito e educação, cada um faz o seu

trabalho e nesse contexto todos se dão bem.

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