2.4. OS GRANDES DEBATES
2.4.3. SOCIAL VERSUS ESPACIAL
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“O capitalismo descobriu-se a si próprio capaz de atenuar – se não resolver – as suas contradições internas por um século e consequentemente, nos cem anos depois da escrita do Capital, ele teve sucesso na procura do crescimento. Não podemos calcular a que preço, mas devemos conhecer os meios: “ocupando espaço, produzindo espaço”.
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A tese de que a sobrevivência do capitalismo depende fundamentalmente da produção (predominantemente urbano) de espaço é um dos mais fortes sigtnificados de espacialidade alguma vez leaborado por um poeminente académico.” TDP
à produção do espaço, especificamente, mas não só, o espaço urbanizado, para a sobrevivência do capitalismo.
Lefebvre torna-se, por isso, particularmente importante quando queremos, no tempo presente, desenhar políticas públicas que promovam a equidade e o respeito pelos direitos urbanos dos cidadãos. Políticas que tenham um efeito transformador da sociedade, em que os cidadãos sejam actores das transformações e não apenas e só tristes consumidores.
2.3.4. A CONCEPÇÃO DE IRIS MARION YOUNG
Young (1990) começou por criticar os limites de um conceito universal de justiça espacial. Isso correspondeu a ignorar o individualismo rawlsiano que tinha nesse individualismo uma forte base para a construção da sua teoria universal da justiça. Young afirmou, pelo contrário, não poderem os indivíduos ser considerados isoladamente na sociedade, porque se integram em grupos sociais nos quais é possível encontrar afinidades, determinantes do seu agrupamento, pese embora possam ser classificados como dinâmicos e heterogéneos.
Da mesma forma que recusa a posição de Rawls ela critica a concepção distributiva da justiça característica dos marxistas. Como se poderão distribuir segundo critérios qualitativos bens como a liberdade de expressão, interroga-se Young (Lehman- Frisch, 2009).
Na sua proposta é evidente a existência de uma clara consciência das limitações associadas a uma abordagem apenas socioeconómica da justiça, e à defesa de uma política justa capaz de abolir, por si só, a opressão sob todas as formas. A sua proposta baseia-se numa concepção da justiça capaz de reconhecer a alteridade e de propor uma política territorial atenta aos direitos dos grupos organizados pelas suas afinidades e não tanto por opções de base comunitária. Nesta perspectiva, uma mesma pessoa pode pertencer a diferentes grupos de acordo com as suas afinidades. As diferenças que fundamentam a identidade dos grupos não é fechada/hermética, ela resulta das interacções sociais e por isso é dinâmica. Desta forma dentro de grupos sociais podemos encontrar diferenças e mesmo conflitos potenciais (Gervais-Lambony, 2009).
Young distingue duas famílias de injustiças espaciais: a dominação que impede certos grupos sociais de fazerem escolhas e a opressão que impede certos grupos sociais de adquirir os meios de fazer essas escolhas. Na concepção da autora toda a opressão implica uma dominação embora a inversa não seja verdadeira. A opressão manifesta-se sob cinco formas que podem ou não combinar-se:
- A exploração. Corresponde à opressão das classes sociais desfavorecidas. Não apenas as classes que não beneficiam de um adequado rendimento pelo seu trabalho, mas também aquelas excluídas dos processos de tomada de decisão, impedidas de fazer escolhas sobre o seu modo de vida:
―The central insight expressed in the concept of exploitation, then, is that this oppression occurs through a steady process of the transfer of the results of the labor of one social group to benefit another. The injustice of class division does not consist only in the distributive fact that some people have great wealth while most people have little. Exploitation enacts a structural relation between social groups. Social rules about what works is, who does what for whom, how work is compensated, and the social process by which the results of work are appropriated operate to enact relations of power and inequality. These relations are produced and reproduced through a systematic process in which the energies of the have-not are continuously expended to maintain and augment the power, status, and wealth of the haves.‖(Young, 1990, p.49)47
- A marginalização. Inclui todos os que por estarem fora do mundo do trabalho são excluídos do funcionamento da sociedade. Inclui os desempregados, os velhos, os sem-abrigo, aqueles que perderam mesmo a auto-estima apesar de poderem beneficiar de uma forma de remuneração que lhes permita sobreviver.
- A ausência de Poder. Inclui todos os que estão excluídos de qualquer tomada de decisão. Excluídos por razões espaciais, pelo seu local de trabalho ou pelo seu local de residência.
- O Imperialismo cultural. É o processo pelo qual um determinado grupo é tornado invisível.
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“ A ideia central contida no conceito de exploração, é a de que essa opressão concretiza-se através de um processo efectivo de transferência dos resultados do trabalho de um grupo social em benefício de outro. A injustiça da divisão de classes não consiste apenas na questão distributiva de algumas pessoas terem uma enorme riqueza enquanto a maioria são pobres. A exploração representa uma relação estrutural entre grupos sociais. As regras sociais acerca do que é o trabalho, quem faz o quê para quem, como é compensado o trabalho, e sobre o processo social pelo qual os resultados do trabalho são apropriados operam para determinar as relações de poder e desigualdade. Essas relações são produzidas e reproduzidas através de um processo sistemático no qual as energias dos que nada têm são continuamente dispendidas para manter e aumentar o poder, estatuto, e riqueza dos que têm tudo.” Tradução do próprio.
―Cultural imperialism involves the universalization of a dominant group´s experience and culture, and its establishment as the norm. Some groups have exclusive or primary access to (…) the means of interpretation and communication in a society. As a consequence, the dominant cultural products of the society, that is, those most widely disseminated, express the experience, values, goals, and the achievements of these groups.‖(Young, 1990, p.59)48
- A Violência. Trata-se da violência exercida sobre um grupo. A violência como práctica social, eventualmente considerada como aceitável, por exemplo, quando incide sobre as minorias étnicas.
A partir desta reflexão de Young uma situação social poderá ser considerada injusta quando um grupo de cidadãos é vitima de pelo menos uma destas formas de opressão.
Harvey reflectiu sobre as propostas de Young tendo considerado que elas possibilitam-nos actuar quando confrontados com uma situação concreta. No entanto, recusa a ideia da não universalidade já que, no seu modelo, busca-se uma nova ordem global que substituirá a actual ordem global capitalista. Harvey acrescenta às cinco formas de opressão propostas por Young uma nova forma de opressão que é a opressão ambiental. Segundo o autor essa opressão exerce-se, sobretudo, sobre as gerações futuras e resulta da degradação, para ele irreversível, do ambiente.
2.3.5. A CONCEPÇÃO LIBERTARISTA DE ROBERT NOZICK
Como atrás referimos não concordamos com a omissão da corrente libertarista quando se trata de discutir as questões da justiça, ainda que a discussão incida sobre a justiça espacial. Existindo um consenso acerca das consequências que a adopção de uma perspectiva política muito marcada por esta concepção filosófica provocaram na sociedade contemporânea, de que emerge a extrema agudização da desigualdade, não faz a nosso ver, sentido ignorar Nozick e os seus seguidores. O seu libertarismo fundamental, por oposição ao libertarismo instrumental de Hayek e Friedman, assenta numa concepção moral da pessoa humana nos termos de uma concepção de autopropriedade que se inspira nas ideias de Locke.
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“O imperialismo cultural envolve a universalização da experiência e da cultura de um grupo dominante, e o seu estabelecimento como a norma. Alguns grupos têm acesso exclusivo ou prioritário (…) aos meios de interpretação e de comunicação na sociedade. Em consequência, os produtos culturais dominantes da sociedade, isto é, aqueles mais amplamente disseminados. Expressam a experiência, valores, interesses, e as conquistas desses grupos.” Tradução do próprio.
Como refere Thomas Nagel, no prefácio ao livro de Nozick, o filósofo americano recusa existir alguma razão moral que nos obrigue a mitigar a desigualdade económica e social. Dessa forma a acção do Estado, ou de qualquer instituição política, no sentido de impor regras que colidam com os direitos naturais dos indivíduos são claramente negados. Nozick defende um estado mínimo por oposição quer à ausência do Estado, e ao consequente anarquismo, ou por oposição ao Estado social, com funções redistributivas, à maneira de Rawls.
A sua obra de referência – Anarchy, State, and Utopia - tem no título a identificação desta estrutura. Anarquia, que corresponde à primeira parte da sua reflexão e à defesa do Estado mínimo. Estado, que corresponde à parte dedicada a fazer uma critica impiedosa do Estado Social e das teorias distributivas de Rawls. Por fim Utopia permite ao autor apresentar o seu estado mínimo como um enquadramento para a utopia. Na primeira parte do livro Nozick descreve a estrutura de um estado mínimo e justifica a sua necessidade, por comparação com o estado da natureza de Locke. Trata-se, de acordo com a leitura de João Rosas(2009), de evoluir do estado da natureza defendido por Locke, com os seus problemas de insegurança, para um estado mínimo que permita minimizar esses problemas e defender melhor a autopropriedade individual.
Locke, cuja teoria da natureza, é anterior à existência do Estado Civil, propunha a celebração de um contrato social que permitia a legitimação do estado civil. Nozick defende uma solução diferente: admite que os cidadãos se possam livremente associar em associações protectoras que garantam a sua segurança. Estabelece depois a evolução dessas associações protectoras para uma associação protectora dominante num determinado território. Questiona-se depois se essa associação protectora será, ou não, um Estado.
―There are at least two ways in which the scheme of private protective associations might be thought to differ from a minimal state, might fail to satisfy a minimal conception of a state: (1) it appears to allow some people to enforce their own rights, and (2) it appears not to protect all individuals within its domain. Writers in the tradition of Max Weber treat having a monopoly on the use of force in a geographical area, a monopoly incompatible with private enforcement of rights, as crucial to the existence of a state. (Nozick, 1974.p.22-23)49
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“ Há pelo menos duas maneiras em que se pode pensar que o esquema das associações de protecção difere de um estado mínimo, que pode ser incapaz de satisfazer uma concepção mínima do estado: (1) parece possibilitar a algumas pessoas para fazerem valer os seus próprios direitos, e (2) parece não proteger todos os indivíduos no
Como conclui João Rosas, a agência protectora dominante
―Pode garantir satisfatoriamente os direitos individuais ao proteger todos os indivíduos contra o uso indevido da força, o roubo, a fraude e o incumprimento dos contratos. A instabilidade inicial do estado de natureza está resolvida, com vantagem para a segurança dos direitos dos indivíduos.‖ (Rosas, 2009.p.xI)
Estando claro que no centro da filosofia do filósofo americano está a defesa da propriedade privada, e do direito a usufruir, sem restrições, dessa propriedade, percebe-se que no centro da sua teoria da justiça esteja a teoria da titularidade dos haveres. Na segunda parte do seu livro além de criticar o Estado social proposto por Rawls, defende o seu estado mínimo, apresentando essa teoria da titularidade.
―The subject of justice in holdings consists of three major topics. The first is the original acquisition of holdings, the appropriation of unheld things. (…)The second topic concerns the transfer of holdings from one person to another. (…) the third major topic under justice in holdings: the rectification of injustice in holdings.‖(Nozick, 1974.p.150-152)50
Esta teoria da titularidade, segundo Rosas, assenta numa reinterpretação da restrição lockiana que obrigava alguém que adquiria um bem, que antes não pertencia a ninguém, a deixá-lo suficientemente bom para que os outros o pudessem utilizar no futuro.
―No pensamento nozickiano, a restrição lockiana passa a significar que qualquer aquisição é moralmente permissível desde que não prejudique ninguém. Esta interpretação da restrição é extremamente plástica e permite justificar, por exemplo, a aquisição de recursos naturais até agora inexplorados, ou para dar outro exemplo particularmente significativo, a apropriação de patentes médicas por tempo indefinido (para além daquilo que permite o próprio Direito Internacional). Com efeito quem acede a novo recurso a que ninguém conseguia antes aceder, ou cria uma patente que ninguém antes tinha criado, não está a prejudicar ninguém, não está a deixar ninguém pior, e por isso tem o direito pleno ao seu haver.‖ (Rosas, 2009.p.xIII)
Como reacção a este aspecto da teoria da titularidade surgiram filósofos51 que são considerados como ―libertaristas de esquerda‖, passe a contradição nos termos, que recusam poder a defesa da autopropriedade legitimar a posse dos recursos naturais. interior do seu domínio. Autores na tradição de Max Weber consideram crucial para a existência de um estado ter o monopólio do uso da força numa área geográfica, monopólio incompatível com a aplicação privada dos direitos.” TdP.
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A questão da justiça nos haveres consiste em três tópicos principais. O primeiro é a aquisição original de haveres, a apropriação de coisas que não são posse de alguém. (…) O segundo refere-se à transferência de haveres entre uma pessoa e outra (…) o terceiro tópico principal da injustiça nos haveres: a rectificação da injustiça nos haveres.” TdP
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Relativamente ao confronto entre Nozick e Rawls, e às suas criticas aos ideais marxistas, iremos abordá-lo no âmbito dos grandes debates que nos propomos analisar de seguida.
2.4. OS GRANDES DEBATES
O debate sobre a justiça espacial veio permitir questionar um conjunto de abordagens do problema da justiça. Até à introdução do conceito no debate académico a discussão estava organizada em torno do conceito de justiça social.
2.4.1. A QUESTÃO UNIVERSAL: INDIVIDUALISTAS VERSUS MARXISTAS
Quer os individualistas quer os marxistas estão comprometidos com uma visão universalista da justiça. A grande clivagem entre eles é a que separa os que aspiram a uma justiça social de base igualitária e aqueles que lutam por uma maior equidade, sem aspirar a um igualitarismo que, aliás, consideram inalcançável. Refira-se a este propósito a polémica entre Rawls (1969) e Harvey (1973) despoletada pelo primeiro, quando publicou um trabalho em que reflectia de forma crítica sobre a justiça distributiva:
―The basic structure of the social system affects the life prospects of typical individuals according to their initial places in society… The fundamental problem of distributive justice concerns the differences in life-prospects which come about in this way. We … hold that these differences are just if and only if the greater expectations of the more advantaged, when playing a part in the working of the social system, improve the expectations of the least advantaged. The basic structure is just throughout when the advantage of the more fortunate promoted the well-being of the least fortunate. (…) If law and government act effectively to keep markets competitive, resources fully employed, property and wealth widely distributed over time, and to maintain the appropriate social minimum, then if there is equality of opportunities underwritten by education for all, the resulting distribution will be just.‖(Rawls, 1969, citado em Harvey (1973, p.109)52
Esta teorização levou Harvey (1973) a ironizar afirmando poderem os marxistas defender, como única esperança para aplicar as teorias de Rawls, um tipo de
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A estrutura básica do sistema social afecta as perspectivas de vida dos cidadãos comuns de acordo com o seu lugar inicial na sociedade…o problema fundamental da justiça distributiva relaciona-se com as diferenças nas perspectiva de vida que são determinadas por essa via. Nós… pensamos que essas diferenças são justas se, e apenas se, as grandes expectativas dos mais afortunados, quando desempenham um papel no funcionamento do sistema social, melhoram as expectativas dos menos afortunados. (…) Se a lei e o governo agem de forma efectiva para manter os mercados competitivos, os recursos completamente utilizados, a propriedade e a riqueza amplamente distribuídos ao longo do tempo, e mantêm o adequado minimum social, então, se existir equidade de oportunidades suportadas pela educação para todos, os resultados distributivos serão justos.”TdP.
sociedade em que os mais desfavorecidos tivessem a última palavra, o que só seria possível recorrendo à ditadura do proletariado.
―(…) the problem then, is to find a social, economic and political organization in which this condition is attained and maintained. Marxists would claim, with considerable justification, that the only hope for achieving Rawl´s objective would be to ensure the least fortunate always has the final say. From Rawls´s initial position it is not difficult by a fairly simple logical argument to arrive at a ―dictatorship of the proletariat‖ type of solution (…)‖ (Harvey, 1973, p.109)53
Este debate prolongou-se ao longo das décadas seguintes muitas vezes por interpostos protagonistas.
2.4.2. A CRITICA LIBERTARISTA AO ESTADO SOCIAL
O libertarianismo de Nozick foi construído como uma resposta filosófica à teoria da justiça de Rawls e à sua defesa do Estado Social com funções distributivas. Nada chocava mais Nozick do que essa função distributiva que colidia frontalmente com a sua teoria da titularidade. Distribuir é um conceito incompreensível para quem nega a existência de qualquer razão moral para agir no sentido de mitigar a desigualdade económica e social. No inicio do capítulo do seu livro dedicado à Justiça Distributiva, Nozick (1974) começa por reflectir sobre o conceito de distribuição. Diz ele que:
―The term ―distributive justice‖ is not a neutral one. Hearing the term distribution most people presume that something or mechanism uses some principle or criterion to give up a supply of things. (…) There is no central distribution, no person or group entitled to control all the resources, jointly deciding how they are to be doled out. What each person gets, he gets from others who give him in exchange for something, or as a gift. In a free society, diverse persons control different resources, and new holdings arise out of the voluntary exchanges and actions of persons.‖ (p.151)54
Quase de seguida o autor recorda estar a falar dos haveres das pessoas e de um princípio de justiça nos haveres. Nesse sentido entende que qualquer defensor da teoria da titularidade consideraria aceitável uma distribuição que fosse resultado de uma troca voluntária entre as partes. A existência de um estado com a competência
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“O problema é, então, encontrar uma organização social, económica e política na qual esta condição seja alcançada e mantida. Os marxistas poderiam reclamar, com uma considerável justificação, que a única esperança para alcançarem os objectivos de Rawls seria assegurar que os menos afortunados teriam sempre a última palavra. A partir da posição inicial de Rawls não é difícil através de um argumentação simples e justa chegar a uma solução do tipo da “ditadura do proletariado”.” TdP
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“ O termo “justiça distributiva” não é neutro. Ao ouvir o termo distribuição muitas pessoas presumem que alguma coisa ou mecanismo recorre a certos princípios ou critérios para distribuir um acréscimo de bens (…) Não há distribuição central, nenhuma pessoa ou grupo com poder para controlar todos os recursos, decidindo conjuntamente como se deve reparti-los. O que cada pessoa obtém, ela recebe-o de outros que lho dão em troca de qualquer coisa, ou como um presente. Numa sociedade livre, pessoas diferentes controlam diferentes recursos, e novas titularidades resultam das trocas voluntárias e das acções das pessoas.” TdP.
de efectuar essa distribuição, mesmo que não desejada pelos titulares dos haveres, suscita o seu desacordo e uma critica à posição de Rawls:
―(…) Indeed, Rawls‘ position on inequalities requires that separate contributions to joint products be isolable, to some extent at least. For Rawls goes out of his way to argue that inequalities are justified if they serve to raise the position of the worst-off group in the society, if without the inequalities the worst-off group would be even more worse off. These serviceable inequalities stem, at least in part, from the necessity to provide incentives to certain people to perform various activities or fill various roles that not everyone can do equally well. (…) But to whom are the incentives