TÓPICO 2 – DIREITO EMPRESARIAL
2.5 SOCIEDADES
2.5.6 Sociedade em comandita simples
Silva (2003, p. 219) qualifica a sociedade em comandita simples como
“aquela em que há sócios solidária e ilimitadamente responsáveis, ditos comanditados e sócios que são responsáveis apenas até o limite dos capitais que empregaram, que são os sócios comanditários”.
Neste tipo societário, os comanditários não poderão exercer a gerência.
Este tipo societário comporta as normas aplicadas à sociedade em nome coletivo.
Exemplo de Sociedade em Nome Coletivo: Silva, Araújo & Cia.
2.5.8 Sociedade em cooperativa 2.5.7 Sociedade limitada
Este tipo societário é formado por duas ou mais pessoas, que ao constituírem a sociedade empresária, delimitam a forma de responsabilidade subsidiária de seu patrimônio pessoal, pois limitam a responsabilidade da empresa.
Para Führer e Milaré (2004, p. 294):
Na sociedade limitada, cada cotista, ou sócio, entra com uma parcela do capital social, ficando responsável diretamente pela integralização da cota que subscreveu, e indiretamente ou subsidiariamente, pela integralização das cotas subscritas por todos os outros sócios.
A razão social da sociedade empresária deverá sempre ser seguida pela expressão “Limitada” ou “Ltda.”.
Exemplo de sociedade em nome coletivo: Nunes Comércio de Tecidos Ltda.
Os autores Pinho e Nascimento (2004, p. 328) definem as sociedades cooperativas como “sociedades de pessoas com forma jurídica própria, de natureza civil, sem finalidade lucrativa, não sujeitas à falência, organização para prestação de serviços ou exercício de outras atividades de interesse comum dos associados”.
A regulamentação do cooperativismo encontra-se fundamentado na Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971.
2.5.9 Sociedade anônima ou companhia
Nos dizeres de Silva (2003, p. 219), a sociedade anônima “É a sociedade na qual o capital é dividido em ações de igual valor nominal, representadas por títulos, sendo a responsabilidade de cada acionista limitada apenas ao capital subscrito”.
São características da sociedade anônima:
a) Composta por grandes empreendimentos.
b) Composta por no mínimo dois acionistas.
c) Influi na economia política.
d) Impessoalidade.
e) Divisão do capital em ações.
2.5.9 Sociedade anônima ou companhia
g) Pode ser de capital aberto ou fechado.
h) Pode ser de capital determinado ou autorizado.
i) Possuir a denominação S/A, Sociedade Anônima, Cia. ou Companhia.
j) Responsabilização dos acionistas limitada à integralização das ações subscritas.
As sociedades anônimas podem ser de capital:
a) Aberto – com ações negociadas na Bolsa de Valores.
b) Fechado – sem ações negociadas na Bolsa de Valores.
O capital social das sociedades anônimas é dividido em ações, que podem ser:
a) Ordinárias – que conferem direito de voto ao acionista nas assembleias gerais, para eleger ou destituir diretores e membros do Conselho Fiscal, e também decidir sobre os destinos da sociedade.
b) Preferenciais – não dão direito a voto, mas conferem ao acionista prioridade no recebimento da distribuição de dividendos ou no momento do reembolso do capital.
A sociedade anônima pode emitir títulos para a captação de recursos financeiros no mercado (empréstimo recebido dos captadores), os quais são denominados debêntures, e sofrem correção monetária e também participação nos lucros da sociedade e também um prêmio de reembolso.
Exemplo de sociedade anônima: Pirapora S/A.
Neste tópico, você aprendeu que:
SOCIEDADES SÃO ORGANIZAÇÕES COM FIM LUCRATIVO.
AS ASSOCIAÇÕES, AO CONTRÁRIO, NÃO VISAM AO LUCRO, DESTINANDO-SE APENAS A ATIVIDADES CULTURAIS, RELIGIOSAS
OU RECREATIVAS.
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Direito empresarial é o conjunto de normas jurídicas de direito privado que organizam as atividades das empresas e dos empresários, e também dos atos comerciais, ainda que estes não estejam diretamente relacionados às atividades das empresas.
• Empresa é o conjunto dos fatores de produção que, sob a direção de uma pessoa (empresário), são organizados em vista da produção de bens e serviços para o mercado.
• Empresário é o profissional exercente de atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
• Sociedades são organizações com fim lucrativo. As associações, ao contrário, não visam ao lucro, destinando-se apenas a atividades culturais, religiosas ou recreativas.
AUTOATIVIDADE
1 É correto afirmar que são sempre sociedades simples:
a) ( ) Cooperativas.
b) ( ) Sociedades anônimas.
c) ( ) Sociedades em comandita simples.
d) ( ) Sociedades limitadas.
2 Dos tipos societários a seguir, o que constitui uma sociedade não personificada é:
a) ( ) Sociedade simples.
b) ( ) Cooperativa.
c) ( ) Sociedade em conta de participação.
d) ( ) Sociedade limitada.
3 Com relação ao nome empresarial, assinale a opção correta:
a) ( ) O empresário individual opera sob denominação.
b) ( ) O nome empresarial não pode ser objeto de alienação.
c) ( ) As companhias podem adotar firma ou denominação social.
d) ( ) Em princípio, o nome empresarial, depois de ser registrado, goza de proteção em todo território nacional.
4 No Brasil, o estabelecimento empresarial regulado pelo Código Civil é tratado como:
a) ( ) Pessoa jurídica.
b) ( ) Patrimônio de afetação ou separado.
c) ( ) Sociedade não personificada.
d) ( ) Universalidade.
5 São princípios que norteiam a formação do nome empresarial na modalidade de razão social:
a) ( ) Novidade e veracidade.
b) ( ) Criatividade e novidade.
c) ( ) Razoabilidade e veracidade.
d) ( ) Discrição e reconhecimento.
TÓPICO 3
TÍTULOS DE CRÉDITO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Os títulos de crédito podem ser considerados como uma das maiores invenções da humanidade, pois representaram uma grande alavanca para o progresso.
Podemos qualificar a evolução da história econômica em três eras: a era da troca imediata, a era da moeda e a era do crédito.
Principalmente depois da Revolução Industrial, o crédito passou a ter uma relevante importância, visto que o crédito passou a ser importante para estimular a troca de bens atuais por outros bens no futuro.
Assim, a instituição de um documento que representasse uma exata quantia, e que esta pudesse ser aceita por todos, com a sua efetiva representação pecuniária, estabeleceu a obrigação de que o título de crédito seria cumprido pelo devedor e aceita pelo credor, neste momento surge o Título de Crédito.
2 TÍTULOS DE CRÉDITO – CONCEITO
Para conceituar o Título de Crédito, Campos (2005, p. 190) asseverou que este é “um documento escrito, assinado pelo devedor, contendo declaração de que cumprirá a obrigação nele contida, no tempo assinalado, em favor de outrem, denominado credor”.
Segundo Silva (2003, p. 232), “Título de crédito é o documento formal, com força executiva, representativo de dívida líquida e certa, de circulação desvinculada do negócio que o originou”.
O Código Civil Brasileiro, em seu art. 887: “Os Títulos de Crédito são os documentos que representam o compromisso de pagamento do débito contraído para com o credor”.
2.1 CARACTERÍSTICAS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
São características dos Títulos de Crédito:
a) Documentalidade – é um documento necessário para o exercício do direito que representa.
b) Força executiva – permite o acesso direto ao processo de execução.
c) Literalidade – vale o que está escrito no título de crédito.
d) Formalismo – é um documento formal, se faltar alguma palavra, não vale mais como um título de crédito.
e) Solidariedade – todos os coobrigados são responsáveis pelo débito contraído.
f) Autonomia – o título de crédito não se prende ao negócio que originou a sua emissão.
g) Independência – cada um dos coobrigados tem a sua responsabilidade individual e desvinculada sobre o título de crédito.
h) Abstração – é a sua desvinculação do negócio jurídico que o originou.
i) Circulação – o título de crédito pode (deve), ser negociado como forma de pagamento, e só assim, adquirirá as suas características.
2.2 TIPOS DE TÍTULOS DE CRÉDITO 2.2.1 Nota promissória
Nas palavras de Campos (2005, p. 198), a “Nota Promissória, não é uma ordem de pagamento, mas uma promessa feita por uma pessoa à outra, de pagar determinada importância em determinada data”.
A nota promissória é uma promessa de pagamento, emitida pelo próprio devedor, para pagar determinada importância em determinada data.
A nota promissória encontra-se regulada pelo Decreto nº 57.663, de 24 de janeiro de 1966.
Seus requisitos são:
a) Expressão nota promissória.
b) Promessa incondicional de pagar a quantia determinada na nota promissória.
c) Nome do credor da nota promissória.
d) Assinatura do emitente da nota promissória.
e) Data e local do saque da nota promissória.
f) Data e local do pagamento da nota promissória.
FIGURA 2 – MODELO DE NOTA PROMISSÓRIA
FONTE: O autor
2.2.2 Cheque
Para Campos (2005, p. 199) “O cheque é título de crédito que representa uma ordem de pagamento à vista e provisionada”.
No entendimento de Silva (2003, p. 238), o cheque é uma “Ordem de pagamento, à vista, sobre banco ou casa bancária, para pagar certa soma, nominalmente ou ao portador, por conta de fundos existentes e de propriedade de quem dá a ordem”.
O cheque encontra-se regulamentado através da Lei nº 7.357, de 2 de setembro de 1985.
Requisitos essenciais do cheque:
a) Denominação “CHEQUE” no título.
b) Ordem incondicional de pagar quantia determinada.
c) Identificação da instituição financeira sacada.
d) Local de pagamento.
e) Data de emissão; assinatura do sacador ou mandatário com poderes especiais, bem como sua identificação.
O prazo de apresentação (saque ou depósito) do cheque é de trinta dias para a mesma praça e de sessenta dias para praças diferentes.
O pós-datamento, (também conhecido como “pré-datamento”) da data de saque do cheque, desvirtua a sua essência, pois ele é uma ordem de pagamento à vista. A utilização deste instituto cria uma nova figura jurídica.
O cheque “pré-datado” passa a ser um “acordo de cavalheiros”, pois, como o cheque é uma ordem de pagamento à vista, não haveria nenhuma ilegalidade do credor promover o saque antes da data negociada entre as partes.
Porém, o descumprimento do pré-datamento do cheque, viola o princípio da boa-fé objetiva exigida nas relações contratuais.
Assim, para regular as relações jurídicas advindas do pagamento do cheque pré-datado antes da data acordada, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), através da Súmula de nº 370, determinou que o descumprimento deste “acordo”
estabelecido entre as partes caracteriza dano moral.
Súmula 370 do STJ. "Caracteriza dano moral a apresentação antecipada do cheque pré-datado".
FIGURA 3 – MODELO DE CHEQUE
FONTE: O autor
2.2.3 Duplicata
Nos dizeres de Campos (2005, p. 193), “As duplicatas são títulos de crédito de emissão nas vendas e compras de bens móveis ou mercadorias de natureza mercantil ou em decorrência de prestação de serviços, em ambos os casos, para pagamento a prazo”.
As duplicatas encontram a sua regulamentação através da Lei nº 5.474, de 18 de julho 1968.
São requisitos essenciais da duplicata:
a) Denominação duplicata.
b) Data da emissão e o número de ordem.
c) Número da fatura da qual foi extraída.
d) Data do vencimento ou declaração de ser à vista.
e) Nome e domicílio do vendedor e comprador.
f) Importância a pagar.
g) Local de pagamento.
h) Cláusula à ordem.
i) Declaração de sua exatidão e da obrigação de pagá-la a ser assinada pelo comprador (aceite).
FIGURA 4 – MODELO DE DUPLICATA
FONTE: O autor
2.2.4 Letra de câmbio
Nos dizeres de Pinho e Nascimento (2004, p. 328), “é a ordem de pagamento sacada pela pessoa que tenha provisão ou fundos disponíveis em poder de outra pessoa contra esta mesma pessoa e a favor de um terceiro”.
Na letra de câmbio encontramos os seguintes elementos:
a) Sacado – quem deve pagar o título.
b) Sacador – pessoa que emite o título.
c) Tomador – portador do título.
Para Campos (2005, p. 196) “As letras de câmbio são usadas, principalmente, no comércio exterior e no mercado de financiamento de bens a prazo em lojas de departamento ou concessionárias de veículos”.
FIGURA 5 – MODELO DE LETRA DE CÂMBIO
FONTE: O autor
2.3 TRANSMISSÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
Os títulos de crédito são transmitidos por termo de cessão, ou por endosso:
Quanto à sua transmissão os títulos de crédito podem ser:
a) Ao portador – não denominam o nome do beneficiário, são transferidos apenas com a simples entrega manual, se caracteriza com a posse do mesmo.
b) Nominativos – contêm o nome do proprietário, são transmitidos por termo de cessão, que deverão conter o nome do novo proprietário.
c) Nominativos endossáveis ou com cláusula à ordem – contêm a inscrição do nome do proprietário, mas podem ser transmitidos por simples endosso no verso ou no corpo do título.
A partir de 13 de abril de 1990 os títulos só podem ser nominativos, sendo vedada a emissão de títulos ao portador ou nominativos endossáveis (Lei n° 8.021, de 12 de abril de 1990).
UNI
2.3 TRANSMISSÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
2.3.1 Endosso
Para Führer e Milaré (2004, p. 307) o endosso é “uma forma de transmissão dos títulos de crédito”.
No mesmo sentido Silva (2003, p. 234), define que endosso é uma “forma de coobrigação e transferência dos títulos de crédito mediante assinatura dos sucessivos, podendo ser em preto quando declara o nome do beneficiado, e em branco quando não o faz”.
Tipos de endosso:
a) Em branco – o título de crédito contém apenas a assinatura do endossante, sem indicar o nome do beneficiário.
b) Em preto – além de conter a assinatura do endossante deve-se escrever o nome do beneficiário, denominado endossatário.
2.4 AVAL
No entendimento de Silva (2003, p. 234), aval é a “garantia de pagamento de um título de crédito dada ao emitente ou endossante, por terceiro normalmente estranho ao título, podendo ser em preto quando designa o nome do beneficiado e em branco quando não o faz”.
Para Pinho e Nascimento (2004, p. 334), o aval é “obrigação cambiária, pela qual o avalista assegura o pagamento da importância contida no título, no seu vencimento, solidariamente com os demais coobrigados”.
2.5 PROTESTO
Para Führer e Milaré (2004, p. 308), o “protesto é a apresentação pública do título ao devedor para aceite ou para pagamento”.
Com o protesto faz-se prova de que o devedor não cumpriu o pagamento do título de crédito.
O protesto deverá ser efetuado no primeiro dia útil subsequente ao vencimento do mesmo, perante um Cartório de Protesto de Títulos e Documentos.
O protesto encontra-se regulamentado na Lei nº 9.942, de 10 de setembro de 1997.
2.6 PRAZOS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
O prazo de prescrição (possibilidade de intentar Ação Executiva) dos títulos de crédito é a seguinte:
a) Duplicata – três anos após a data de seu vencimento.
b) Nota Promissória – três anos após a data de seu vencimento.
c) Letra de Câmbio – três anos após a data de seu vencimento.
d) Cheque – em seis meses após o prazo de apresentação (trinta dias quando pagável na mesma praça e de sessenta dias quando emitido numa praça para pagamento em outra).
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os títulos de crédito são os documentos que representam o compromisso de pagamento do débito contraído para com o credor.
• A nota promissória é uma promessa de pagamento, emitida pelo próprio devedor, para pagar determinada importância em determinada data.
• O cheque é uma ordem de pagamento, à vista, sobre banco ou casa bancária, para pagar certa soma, nominalmente ou ao portador, por conta de fundos existentes e de propriedade de quem dá a ordem.
• A duplicata é um título de crédito de emissão na compra e venda de bens móveis ou mercadorias de natureza mercantil ou em decorrência de prestação de serviços, em ambos os casos, para pagamento a prazo.
• A letra de câmbio é uma ordem de pagamento sacada pela pessoa que tenha provisão ou fundos disponíveis em poder de outra pessoa contra esta mesma pessoa e a favor de um terceiro.
• Endosso é uma forma de coobrigação e transferência dos títulos de crédito mediante assinatura dos sucessivos, podendo ser em preto quando declara o nome do beneficiado, e em branco quando não o faz.
• Aval é a obrigação cambiária, pela qual o avalista assegura o pagamento da importância contida no título, no seu vencimento, solidariamente com os demais coobrigados.
• O protesto do título de crédito é a apresentação pública do título ao devedor para aceite ou para pagamento.
1 Os títulos de crédito podem ser transmitidos (repassados à outra pessoa) através do emprego de qual instituto relacionado?
a) ( ) Aval.
b) ( ) Aceite.
c) ( ) Endosso.
d) ( ) Saque.
2 São títulos de crédito que contêm ordem de pagamento:
a) ( ) Letra de câmbio e duplicata.
b) ( ) Nota promissória e cheque.
c) ( ) Nota promissória e duplicata.
d) ( ) Cheque e duplicata.
3 A respeito do regime do cheque no Brasil, assinale a opção correta.
a) ( ) O cheque pré-datado encontra-se previsto expressamente na legislação brasileira.
b) ( ) O emitente deve ter fundos disponíveis em poder do sacado e estar autorizado a emitir cheque sobre eles, em virtude de contrato expresso ou tácito.
c) ( ) O banco sacado pode negar-se a pagar os valores descritos no cheque apresentado antes da data indicada.
d) ( ) O cheque, no Brasil, não é aceito como título de crédito.
4 Qual é o prazo prescricional para propor ação de execução de uma nota promissória?
a) ( ) Dois anos após a data de seu vencimento.
b) ( ) Três anos após a data de seu vencimento.
c) ( ) Três anos após a data de sua emissão.
d) ( ) Seis meses após o início do seu prazo de apresentação.
AUTOATIVIDADE
TÓPICO 4
DIREITO DO CONSUMIDOR
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
O direito do consumidor é um ramo do direito que se detém a regulamentar os conflitos advindos da relação de consumo e também para promover a defesa dos direitos dos consumidores.
Estes direitos são de interesse de proteção em diversos países com sociedades de consumo e sistemas legais funcionais.
A Constituição Federal do Brasil de 1988 previu a tutela à defesa dos direitos dos consumidores nos arts. 5º XXXII, art. 170 V e no ADCT art. 48.
Assim, conclui-se que a inspiração do Código de Defesa do Consumidor veio por determinação da Constituição Federal como uma espécie de complemento a ela, foi também incluído este direito no rol dos direitos e garantias fundamentais, mostrando a importância deste direito.
Desta forma, sob a determinação da Constituição Federal, em foi publicada a Lei n° 8.078, em 11 de setembro de 1990, com o intuito de proteger o consumidor.
Pode-se observar também que o Código de Defesa do Consumidor preserva a sua origem constitucional, possuindo normas que garantam a segurança de seu destinatário final – o Consumidor - e também de interesse social, permitindo que o Ministério Público atue como fiscal da lei, e, permitindo que o mesmo, também, possa ingressar com medidas de proteção dos consumidores.
O Código de Defesa do Consumidor foi criado para proteger o consumidor.
2 DIREITO DO CONSUMIDOR – CONCEITOS
Para Campos (2005, p. 159) o “Direito do consumidor é um conjunto de regras jurídicas que visa equilibrar as relações decorrentes do consumo de bens e serviços, preservando os interesses do consumidor”.
As relações de consumo são compostas pelo consumidor, o fornecedor tendo como o objeto a compra e venda de um produto ou serviço.
2.1 CONSUMIDOR
O Código de Defesa do Consumidor em seu art. 2º define o consumidor como: “Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final”.
Para Campos (2005, p. 159) o “Consumidor é o sujeito que adquire bens ou contrata a prestação de serviços como destinatário final”.
Consumidor compra para uso próprio, seja ela pessoa física ou jurídica. O produto adquirido não pode ser revendido.
2.2 FORNECEDOR
O conceito de fornecedor encontra-se insculpido no art. 3º do Código de Defesa do Consumidor:
Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
Conforme ensina Campos (2005, p. 159), o “Fornecedor é o que desenvolve atividades de produção, importação, exportação, distribuição, comercialização ou de produtos ou prestação de serviços”.
2.3 PRODUTO
O conceito de produto encontra-se formalizado no parágrafo 1º, do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor: “[...] § 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial”.
2.4 SERVIÇO
O conceito de serviço encontra-se vislumbrado no parágrafo 2º, do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor:
[...] § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.
3 DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR
O Código de Defesa do Consumidor define em seu art. 6º os Direitos Básicos do Consumidor:
Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações;
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem;
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços;
V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
IX - (Vetado);
X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.
Ainda no tocante às facilidades destinadas ao consumidor, observa-se no inciso VIII, do artigo supra, a inversão do ônus da prova. Neste caso, se tal benefício for concedido pelo juiz, é o fornecedor que terá de provar que as declarações do consumidor não são verdadeiras.
4 REPARAÇÃO DE DANOS
A responsabilidade civil do fornecedor, pelos danos oriundos dos produtos e serviços causados ao consumidor, é objetiva, resultando no dever de indenizar independente de prova da culpa pelo consumidor. Neste caso, o
A responsabilidade civil do fornecedor, pelos danos oriundos dos produtos e serviços causados ao consumidor, é objetiva, resultando no dever de indenizar independente de prova da culpa pelo consumidor. Neste caso, o