5.2 Panoramas contextuais Grupo A
5.2.1 Socioespacial
a) Nascidas no interior do Rio Grande do Sul: as cinco entrevistadas que nasceram em cidades do interior - Caçapava do Sul, Cachoeira do Sul e Alegrete - viveram ou estavam nas proximidades de chácaras e fazendas, em contato com a terra e com animais. Na Figura 2, podemos observar as localizações das cidades, no estado do Rio Grande do Sul.
Figura 2 - Cidades natal das entrevistadas
Fonte: Google Maps
Em regiões como Alegrete e Caçapava do Sul, onde nasceram e cresceram, as entrevistadas mencionaram os Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), como uma referência cultural. Destaca-se, aqui, dois CTGs Negros, em Alegrete, CTG Lanceiros de Canabarro, e em Caçapava do Sul, o Clareira da Mata26 (que encontra-se na Figura 3). Além disso, participavam dos tradicionais desfiles da Semana Farroupilha e do Dia da Independência do Brasil.
26 Centro de Tradições Gaúchas Clareira da Mata, de Caçapava do Sul, fundado por negros que não podiam
Figura 3 - CTG Clareira da Mata
Fonte: Google Imagens
b) Moradoras da Periferia de Porto Alegre: um dos locais onde moram algumas das entrevistadas é o bairro Rubem Berta27, no Conjunto Residencial Fernando Ferrari, que fica na zona norte de Porto Alegre. O histórico dessa região está ligado a questão da luta por moradia, pois desde os anos 1960, o bairro expandiu-se através da construção de diversos conjuntos habitacionais que sofriam intervenções do poder público, da iniciativa privada, ou ainda de ocupações irregulares. Conforme Severo,
Quanto às atuações dos agentes particulares, podem ser vistas através da implantação de dois conjuntos residenciais destinados na sua concepção para uma classe média baixa que busca, através da moradia na periferia, um preço menor para aquisição da casa própria, sendo eles: o Conjunto Residencial Fernando Ferrari (1987), construído pela Habitasul e o Conjunto Residencial Parque dos Maias (1987), construído pela Construtora Guerino, que foi a principal empresa particular a atuar no bairro na implantação de diversos loteamentos, hoje representada pela Construtora Ediba S.A.(SEVERO, 2006, p. 161).
Duas das colaboradoras que residem neste local, participam do Clube de Mães do Conjunto residencial Fernando Ferrari. O clube foi criado em 2009, e desde então, é um espaço onde as moradoras do condomínio reúnem-se para fazer artesanatos (bolsas, descanso de pratos, tapetes, enfeites para a casa). Também promovem eventos culturais e palestras para todo o condomínio. O local onde elas se reúnem fica em uma sala separada no condomínio, em um prédio destinado para eventos. Na sala há diversos materiais para a confecção dos artesanatos
27 O bairro Rubem Berta apresenta uma população de 78.624 habitantes, delimitadas por uma área de
aproximadamente 8,7 Km². Através dos números publicados no Censo Demográfico 2000, é considerado o bairro mais populoso do Rio Grande do Sul (SEVERO, 2006, p. 147)
e também há uma pequena cozinha montada no mesmo cômodo. Atualmente, a página do clube, no Facebook, que foi criada em setembro de 2019, conta com 106 seguidores. Como podemos observar, na imagem abaixo (Figura 4), as participantes criaram uma montagem com tesouras, linhas e suas próprias mão para ilustrar seu trabalho na foto de capa de perfil. Além disso, o perfil colabora com a divulgação avisos de boas práticas no condomínio, como percebemos na última postagem realizada no perfil.
Figura 4 - Primeira Página do perfil do Clube de Mães
Fonte: Facebook printscreen criado em janeiro de 2020
Outra região da zona norte, onde vive uma das entrevistadas, é a ocupação Montepio. Nesse local, há uma construção abandonada de um hospital, onde as casas, feitas de madeira, alvenaria ou lonas, ficam entre as vigas da estrutura inacabada. A zona norte também é um dos polos de concentração carnavalescos de Porto Alegre, o que também é uma referência cultural para as entrevistadas, que participam do desfile das escolas de samba da cidade. Na Figura abaixo, podemos perceber como o local onde residem, são próximos a cidades da região metropolitana de Porto Alegre, como Alvorada de Viamão. São três, as moradoras dessa região,
porém aparecem apenas dois pontos marcados no mapa, pois duas delas residem na mesma área.
Figura 5 - Localização das moradoras da periferia de Porto Alegre
Fonte: Google Maps
c) Moradoras da Região Metropolitana de Porto Alegre. Seis das 11 colaboradoras do Grupo A residem na região metropolitana da capital28, especialmente aquelas que vieram do interior do estado, sendo que duas delas moram em apartamentos financiados. Todas moram no máximo há 20 minutos, a pé, das estações de trem (no caso das que moram em Esteio e Sapucaia), nenhuma delas reside em regiões periféricas da cidade, todas perto do centro.
Para mostrar onde as entrevistadas do Grupo A residem, atualmente, trouxemos um mapa parcial de Porto Alegre e região metropolitana (Figura 6). O número de pontos marcados no mapa não corresponde ao número de entrevistadas, pois mais de uma entrevistada mora no mesmo condomínio ou rua.
28 Porém apenas 3 delas não quiseram ser entrevistadas em suas casas, incluindo Cíntia que é de Alvorada, que
preferiu ser entrevistada em seu trabalho, que fica em Porto Alegre, durante o intervalo. Cíntia, Mônica, Nicole e Vitória residem em casas, e Vanessa e Viviane, em condomínio (condomínio Esteio Novo).
Figura 6 - Localização das moradoras da região metropolitana de Porto Alegre
Fonte: Google Maps
Pötte e Miron (2012) reportam que nos últimos anos ocorreu uma forte expansão de empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida nas áreas verdes da região metropolitana de Porto Alegre. Conforme as autoras essa é uma região em expansão, que está em processo acelerado de urbanização (PÖTTE; MIRON, 2018). E é esse cenário, no qual essas entrevistadas encontram-se.