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5. CONTEXTUALIZANDO BULLYING E CYBERBULLYING

5.3. SOFTWARES SOCIAIS E OS MECANISMOS DE DENÚNCIAS E

Analisando a política dos principais Softwares Sociais que abrigam redes sociais virtuais, nota-se que é praticamente unânime a presença de objetivos que tendem a aproximar pessoas de contextos, cidades, culturas, estilos de vida, experiências comuns ou diferenciadas, evidenciando a liberdade de troca de informações e a comunicação livre entre os usuários. Há também a presença de regras de uso que contam com boas práticas de relacionamento e alertam contra práticas proibidas, assim como instruem na maneira de como proceder contra conteúdos considerados fora das normas, investir contra um membro que efetua ameaças ou perseguições, ou ainda contra um grupo específico, no caso dos discursos de ódio e compartilhamento de material incitando a violência.

Nos princípios do Facebook (2017b), descreve que a missão da plataforma é “criar um mundo mais aberto e transparente”. Dessa maneira, o Facebook apresenta boas práticas de utilização e instruções de uso promovendo avaliações constantes para abraçar a diversidade de suas redes. Assume o compromisso de capacitar os próprios usuários para que saibam o que acessar, o que e como denunciar, alertando para os riscos de proximidade com desconhecidos, fazendo dos próprios usuários uma ferramenta de controle do Software Social. Dentre os Padrões da Comunidade do Facebook (2017d), manter o ambiente seguro a fim de promover uma “uma política de tolerância zero para qualquer comportamento que coloque pessoas em perigo, seja organizando ou apoiando a violência no mundo real ou praticando bullying contra alguém” é compromisso do Software Social. Nessa ideia ainda, como já dito na história do Facebook, uma de suas políticas de uso está em “exigir que as pessoas usem suas verdadeiras identidades no Facebook” (FACEBOOK, 2017b).

Sobre as atividades criminosas promovidas nos perfis do Facebook, a norma padrão da comunidade define a proibição de perfis ou páginas que efetuem ou incentivem crimes contra pessoas físicas ou organizações (FACEBOOK, 2017c). Nesses casos, o Facebook dispõe de uma equipe disponível para apurar e analisar as denúncias realizadas e tomar as atitudes cabíveis dentro das regras da plataforma. Sendo assim, o Facebook (2017e) deixa clara essas diretrizes de bom uso, proteção aos usuários e repúdio aos conteúdos considerados impróprios, violentos e criminosos, respondendo a solicitações judiciais, podendo “acessar, reter e compartilhar suas informações em resposta a uma solicitação judicial (como um mandado de busca, ordem judicial ou intimação) ”. A figura 15, logo a seguir, demonstra a

Central de Suporte do Facebook, onde se localiza as respostas de denúncias realizadas pelo usuário:

Fonte: Autoria Própria (2017).

Além das ferramentas de denúncias de conteúdo e perfis e remoção de postagens fora das regras da rede social virtual, o Facebook conta com um módulo especial de Segurança. Essa central apresenta as políticas de uso, assim como ferramentas de controle do próprio usuário, tanto para permanecer seguro evitando contato com desconhecidos quanto para proteção de informações pessoais. Essa central também conta com um módulo especial de aconselhamento de Prevenção do Bullying nas redes sociais, que atua em parceria com os pais, adolescentes e educadores. Essa ferramenta oferece “planos detalhados, inclusive orientações sobre como iniciar algumas conversas importantes para pessoas que sofrem bullying” (FACEBOOK, 2017e). Apresenta também informações importantes de como detectar e denunciar os casos de violência na Internet. Também oferece orientação “para pais que tiveram algum filho que sofreu ou que tenha sido acusado de praticar bullying e para educadores que tiveram alunos envolvidos com a prática de bullying”.

Nessa perspectiva, o aplicativo Instagram (2017b) deixa claro em seus termos de uso que não é aceito o ato de “publicar fotos ou outros tipos de conteúdo por meio do Serviço que sugiram violência, nudez, nudez parcial, discriminação, atos ilegais, transgressões, ódio, pornografia ou sexo”. Assim como não é tolerável o comportamento de “difamar, perseguir,

praticar bullying, praticar abuso, assediar, ameaçar, intimidar ou fingir ser pessoas ou entidades” com o intuito de denigrir alguém ou propagar um perfil. Já as Diretrizes da Comunidade (2017c) descrevem que “o Instagram não aceita o apoio ou a exaltação de terrorismo, crime organizado ou grupos de ódio”, evidenciando a “tolerância zero no que diz respeito a compartilhar conteúdo sexual envolvendo menores de idade ou ameaçar a publicação de imagens íntimas de outras pessoas”. Essas publicações são removidas caso incluam “conteúdos que contenham ameaças reais ou discurso de ódio, informações pessoais com o intuito de chantagear ou assediar alguém” (Instagram, 2017c).

Dentre os pontos importantes a se falar sobre o Instagram está na presença de políticas punitivas aos perfis cujo seja constatado a presença de materiais que incentivem a automutilação e práticas para promoção de distúrbios alimentares, assim como alertar para casos de depressão e suicídio. Interessante salientar ainda que as diretrizes do Instagram alertam que, embora haja a exclusão de conteúdos já citados acima, a política de uso incentiva a circulação de publicações que contenham discussões informativas sobre os temas. A rede pretende promover o diálogo e o debate entre os membros, enriquecendo a tomada de consciência sobre os danos que a violência verbal e os discursos de intolerância causam na vida dos usuários. A figura 16 abaixo demonstra os tópicos de ajuda do Instagram para denúncias:

Fonte: Autoria Própria (2017). Figura 16 - Central de Ajuda do Instagram

Nessa perspectiva, o Youtube, em tom despojado, descreve nas Diretrizes da Comunidade de maneira divertida, salientando que “não pedimos o tipo de respeito reservado a freiras, idosos e neurocirurgiões. Basta se comportar educadamente no site” (YOUTUBE, 2017c). A plataforma expõe claramente suas regras para a boa utilização, mesmo explicitando que suas ferramentas de disponibilização e compartilhamento de vídeos “são plataformas para a liberdade de expressão”. As regras das Diretrizes da Comunidade informam que a Nudez ou Conteúdo sexual assim como material contendo Discursos de Ódio e Promoção de grupos e perfis violentos, mesmo os vídeos caseiros produzidos por usuários comuns, são repudiados sendo removidos assim que reportados e denunciados direto para as autoridades legais parceiras. Esses vídeos encaminhados são aqueles que abordam conteúdos de intolerância ou incitação a ela, ameaças físicas e/ou sexuais, conteúdo de pedofilia, assim como os vídeos promovendo violência explícita e conteúdos homofóbicos, xenofóbicos, preconceituosos. Sendo assim, as regras do Youtube deixam claras a sua política de combate aos discursos de ódio:

Não permitimos conteúdo que promova ou concorde com violência contra indivíduos ou grupos com base em raça ou origem étnica, religião, deficiência, sexo, idade, nacionalidade, status de veterano ou orientação sexual/identidade de gênero ou cuja finalidade principal seja incitar o ódio com base nessas características. (YOUTUBE, 2017c).

Segundo a sessão de ajuda do Youtube, o membro que constatar violação dos termos como descritos acima, deve sinalizar e denunciar o vídeo ou o comentário acessando a ferramenta disposta na própria página. Dessa maneira, o Youtube permite denúncias tanto para vídeos, quanto para comentários, assim como proporciona queixas diretas contra um usuário que esteja perturbando e infringindo as regras de convivência. Outra função importante da central de denúncias do Youtube está na possibilidade de informar violações de privacidade e o usuário pode solicitar a remoção de conteúdo em vídeo caso se reconheça e não aprove o uso de sua imagem ou imagem de sua marca comercial por terceiros. A Figura 17, que se segue, apresenta duas telas de ferramentas de denúncias do Youtube: a primeira representa a tela de segurança e denúncias de abusos cometidos contra usuários por meio de vídeos e comentários inadequados. A segunda tela apresenta a ferramenta de pedido de remoção de conteúdo que contenha, além da violência contra pessoas, violação de marca comercial, direitos autorais, assim como fraudes e outros tipos de problemas.

Figura 17 - Segurança e Denúncias de Abuso / Remoção de Conteúdo

Fonte: Autoria Própria (2017).

Como fora visto, conclui-se que cada Software Social tem suas próprias regras, questões de privacidade, controle de práticas, ferramentas de denúncias e remoção de conteúdo ilegal. Todavia, essas práticas não garantem que as redes sociais virtuais sejam territórios completamente limpos de irregularidades. Isso acontece, pois, as plataformas sociais não são criadoras de conteúdo e não se responsabilizam por ele, apenas disponibilizam uma ferramenta onde os responsáveis pelas postagens são os próprios usuários. Interessante salientar também que embora haja milhares de pesquisas quantitativas públicas que comprovam a adesão de usuários aos Softwares Sociais, não há uma estatística aberta que determine a quantidade de denúncias realizadas e apuradas nessas plataformas. Ao entrar em contato com o Suporte do Facebook buscando esses dados de denúncias, não foram obtidas respostas que quantifiquem essas ações. Essa omissão deixou claro que, embora haja a ferramenta de denúncia, não se pode determinar com clareza sua eficácia, já que não há dados públicos para tal análise.

Sendo assim, no ponto de vista dos usuários, os dados evidenciados nas pesquisas mostradas nos tópicos de violência e intolerância demonstram que apesar dos Softwares Sociais apresentarem mecanismos de denúncias e apuração de casos de violência virtual, essas redes sociais não estão totalmente livres de usuários tóxicos. Além disso, ainda há outra barreira a ser enfrentada nesse contexto: muitos usuários das redes sociais virtuais não dispõem ainda do costume de reportar casos de intolerância ou sentem dificuldades de denunciar casos de violência que presenciam. Esse comportamento pode ser explicado pelo medo de se tornarem novas vítimas da violência virtual.