4. VIOLÃO E ELETRÔNICA
4.2. Espaços e tecnologias para a produção do repertório
4.2.3. Softwares utilizados no repertório abordado
Como apontado, a partir da década de 1990 os home studios se tornam uma realidade mais viável. Além da maior acessibilidade à computadores pessoais, a popularização de softwares para a manipulação sonora permitiu certa independência das instituições de pesquisa e produção sonora. Neste contexto, Jordà (2011) alega que:
As a matter of fact, the inclusion of audio synthesis and processing capabilities into the aforementioned programming environments such as Pure Data, Max/MSP or SuperCollider since the late 1990s is undeniably the single most important occurrence in live computer music for the last two decades (Jordà,
2011, p. 95).
Autores como Rocha (2008), Yoder (2010) e Penha (2014) alegam que o
criação musical. Não obstante, de acordo com os autores supracitados, este é o
software mais utilizado por compositores na criação de música interativa.
De acordo com Rocha (2008), o software Max foi desenvolvido por Miller Puckette no IRCAM, no ano de 1987. O autor alega que este programa computacional foi utilizado pela primeira vez na obra Jupiter, para flauta e eletrônica em tempo real, escrita por Philippe Manoury em 1987. Segundo Yoder (2010), Puckette desenvolveu o Max com a intenção inicial de criar um controlador para o sintetizador 4X do IRCAM, permitindo a realização de síntese em tempo real e o uso do score following. Sobre o sintetizador 4X, Yoder (2010) alega que:
[…] was used to compose and perform the first generation of interactive compositions, including Pierre Boulez’s Repons (1981) for chamber ensemble, six soloists, and live electronics; Robert Rowe’s Hall of Mirrors for bass clarinet and the 4X real-time system; and Philippe Manoury’s Jupiter (1987) for flute and live electronics. This period also saw the development of score following programs, which provided new, flexible methods of coordination between the live performer and the computer (Yoder, 2010, p. 7).
Dentre o repertório para violão e eletrônica levantado durante a realização desta tese, a primeira obra associada ao software Max identificada é Music for Guitar
and Tape77 criada no IRCAM no ano de 1991 pelo compositor Cort Lippe. Como o
próprio título indica, esta obra foi concebida para difusão sonora em tempo diferido e o Max foi utilizado na criação do tape. De acordo com a nota de programa que comenta a obra, disponível no site oficial de Cort Lippe, o compositor explica que:
The tape part was created at IRCAM, Paris using the control program Max (developed by Miller Puckette, whose technical advice made this piece
possible) along with signal processing and control software written by the composer and Puckette for the 4X real-time digital signal processor (Lippe,
2017).
Rocha (2008) alega que o software Max continuou a ser desenvolvido durante a década de 1990 e, segundo Yoder (2010), no ano de 1997 foi disponibilizada uma nova versão do software, com um novo componente adicionado: o MSP (Max
Signal Processing). De acordo com Yoder (2010), essa nova versão permitiu a
realização de síntese e processamento digital em tempo real. Yoder (2010) acrescenta que:
Max/MSP has been continually adapted to subsequent computing platforms, and has been widely used due to the development of relatively inexpensive personal computers that can run complex audio operations at very high speeds. More recent developments include the integration of Jitter (graphics processing software) into Max/MSP, and Puckette’s creation of Pure Data (Pd), which is free, open-source software that is very similar to Max/MSP. With the increased portability of laptop computers, the possibilities for collaboration provided by the Internet, and further developments in interactive software, there has been a proliferation of interactive works in recent years by composers around the world
(Yoder, 2010, p. 7).
Autores como Pestova (2008), Rocha (2008) e Yoder (2010) enfatizam que o
Max/MSP é o software mais utilizado para a criação e realização de música
interativa. Neste sentido, Penha (2014) alega que:
A criação de ferramentas personalizadas pelos compositores foi, nos últimos anos, impulsionada por ferramentas de programação como, e.g., o Max, o Pure
Data, o SuperCollider e o Csound. Destas, o Max tornou-se particularmente importante, dada a sua ampla difusão e consequente inclusão nos currículos de vários cursos de composição de todo o mundo (Penha, 2014, p. 137).
Tal afirmação pode ser constatada no repertório abordado nesta tese, sendo que dentre as 46 obras identificadas que utilizam softwares para difusão sonora em tempo real, 36 são realizadas com Max/MSP.
Durante o desenvolvimento deste trabalho foi constatada a utilização de outros 6
softwares utilizados para a criação do repertório para violão e eletrônica: 1) Ableton Live; 2) EyesWeb; 3) Pro Tools; 4) Pure Data (Pd)78; 5) Reaper; e 6) SuperCollider (SC). Dentre este softwares, o Pure Data e o SuperCollider são
programas de código aberto, softwares livres (open source).
De acordo com Rocha (2008) o Pure Data foi desenvolvido também por Miller Puckette e possui várias similaridades com o Max. Bullock e Coccili (2005) defendem o uso de softwares open source devido ao fato deste tipo de sistema não colocar barreiras financeiras para a criação e para a performance do repertório criado. De acordo com estes autores:
The use of PD avoids adding software purchase to performance costs. PD runs on most modern platforms including MacOS, Linux, Unix and Windows. Even if the performing body had to purchase a new PC specifically for performing a work by Harvey, a feasible performance-ready system could be set up for under £400, whereas the license for Max/MSP alone costs $495(£260). An open source solution has therefore been chosen because it meets all of the requirements for modernising the technological elements, in the most cost effective manner (Bullock & Coccioli, 2005, p. 2).
Dentre o repertório levantado, a única obra que utiliza o software Pure Data é
Gest'Ação I, escrita no ano de 2015 pelo compositor brasileiro Jorge L. Santos.