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PARTE I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO

CAPÍTULO 3 ENQUADRAMENTO E CARATERIZAÇÃO DOS MUNICÍPIOS

3.6. Caraterização física dos municípios de Lousada e Fafe

3.6.2. O solo, a geologia, a litologia e o relevo

Nas áreas mais aplanadas, sobretudo as das margens dos rios Vizela, Ferro, Bugio, Sousa, Mezio e Porto e nas áreas pouco declivosas dos principais ribeiros ou das ribeiras que confluem e drenam para estes rios, os solos apresentam uma grande potencialidade agrícola devido a serem formados por aluviões e por depósitos antigos areno-argilososde fundo do vale, do Holocénico, cuja predominância são os solos com horizonte B câmbrico, permeáveis e aráveis e apresentando uma textura areno-humífera de espessura coberta (CCUSP, 1983, citado por Nunes et al., (2008).

Constata-se alguma predominância, no que à classificação dos solos diz respeito, dos solos sem aptidão agrícola do tipo F no município de Fafe nas áreas com maior altitude. A partir da meia encosta, abaixo dos 300 mtros, a cobertura já é feita por solos mais profundos e bem constituídos e com uma acentuada capacidade de retenção de água sendo estes os mais indicados para a exploração agrícola e classsificados como solos do tipo A (Costa, 2010).

Os dois municípios apresentam modelos territoriais urbano-dispersos e são caraterizados pela predominância de padrões de urbanização e industrialização difusos e onde prevalece a agricultura familiar e de subsistência e a indústria, e que dão lugar a um modelo difuso que inclui a habitação, a exploração agrícola, a indústria o comércio e os serviços (Gonçalves et al., 2011).

Quanto aos usos do solo identificados nos PMOT, no município de Lousada temos as seguintes áreas: urbano - 2 971,2 ha; equipamentos e parques urbanos – 72 ha; industrial - 229,8 ha; turismo - 9,8 ha (INE, 2011, p. 40).

Por sua vez no município de Fafe temos as seguintes áreas: urbano - 2 363 ha; equipamentos e parques urbanos - 46,9 ha; industrial – 196,1 ha. (INE, 2011, p. 40).

O Anuário Estatístico da Região Norte do INE (2012) não apresenta qualquer área destinada ao turismo no município de Fafe. Porém ela existe no município como é o caso da Barragem e parque de Campismo de Queimadela, as praias fluviais, os parques aquáticos e os parques urbanos.

Pelos seus diversos aspetos, a geologia constitui a base principal para compreendermos qualquer território devido ao que ele pode apresentar como o que tem mais permanente, determinando outros atributos relacionados com o relevo e o próprio solo (Cruz, sd).

As caraterísticas geológicas dos municípios de Lousada e de Fafe são muito semelhantes (Figura 18) devido a ambos os municípios se localizarem no Maciço Antigo, sendo estes constituídos, fundamentalmente, por rochas eruptivas e metassedimentares (SNIRP, 2014). A presente área de estudo encontra-se inserida no

Maciço Antigo ou Maciço Hespérico, o que constitui a mais vasta unidade morfoestrutaural da Península Ibérica e que está associada ao desenvolvimento da orogenia hercínica (Soares, 1992, p. 166).

No entanto, no caso de Lousada, essas caraterísticas distinguem-se dentro dos limites de duas áreas: a primeira corresponde à área Noroeste e é constituída por xistos e metagrauvaques do Silúrico inferior, e a segunda, situada a Sudeste da primeira,

corresponde aos Montes de Barrosas e à Serra dos Campelos (Mendes-Pinto, 1995, citado por Lemos et al., 2007, p. 13).

Figura 18 – Extrato da Carta Geológica de Portugal – Escala 1:500 000

Fonte: Elaboração própria com base na Carta Geológica, Serviços Geológicos de Portugal (1992).

A serra dos Campelos está situada numa orla de metamorfismo de contacto, com

corneanas e metassedimentos recristalizados, confrontando a Sul com uma mancha de rochas tardi-tectónicas formada por monzogranitos biotíticos, porfiróides, de grão grosseiro, e apresentando uma pequena bolsa sintectónica de granito de grão médio com duas micas, conhecido por granito de Lousada (Mendes-Pinto, 1995, citado por

Lemos et al., 2007, p. 13).

Relativamente à parte mais a Sul do município, o solo é constituído por aluviões,

pelas rochas plutónicas, granitos hercínicos tardi a pós-tectónicos e tardi-tectónicos. Nas Orlas de metamorfismo tem algumas corneanas (Serviços Geológicos de Portugal,

1992).

O município de Fafe localiza-se na área do PBH do rio Ave e é constituído pelas formações geológicas correspondentes aos afloramentos graníticos das montanhas do

Noroeste de Portugal que abrangem praticamente toda a extensão desta bacia hidrográfica (PBH do Rio Ave, 2000), podendo encontrar-se aluviões do Holocénico e

terraços fluviais do Prio-Plistocénico (Costa, 2010, p. 11). Corresponde essencialmente

a rochas granitóides hercínicas tardi a pós-tectónica, sendo que os granitos de Arões

são monzogranitos biotíticos, porfiróides, de grão médio e os de Fafe são monzogranitos de grão fino de duas micas, essencialmente biotíticos (γ3dII) (PROT-N,

2009. p. 40).

O relevo é um fator essencial para a definição de unidades territoriais e de políticas orientadas ao ordenamento em que o contributo das suas caraterísticas poderá determinar as principais aptidões, uso e outras utilizações ou funções do solo. Esta região apresenta-se com uma topografia bastante irregular, sendo recortada por uma densa rede de vales associada à extensa rede fluvial, aspeto que se acentua do litoral para o interior e a metade Norte do território apresenta altitudes médias próximas dos

700 metros com predomínio das montanhas desde o noroeste até ao centro e dos planaltos a leste sendo muito estreita a área das planícies litorais (Lema e Rebelo,

1996, p. 117).

As caraterísticas do relevo no município de Fafe residem na fisionomia dos seus vales principais que são (...) sensivelmente paralelos, de direção NE-SW e ENE-WSW,

são vales muito largos a jusante, com fundo plano e vertentes abruptas, caraterísticas que se vão atenuando para Leste, mas que só desaparecem no sopé ocidental das mais altas montanhas do interior, onde os rios correm apertados em vertentes muito profundas (Ferreira, 2003, citado por Costa, 2010, p. 11).

Da análise geomorfológica realizada pelo PBH do rio Ave, podemos verificar que o município de Fafe não dispõe de serras com elevada altitude enquanto que cerca de 66% da área do plano da bacia apresenta declives inferiores a 10% e apenas cerca de 16% da área das cabeceiras da bacia tem um declive superior a 15% (PBH do rio Ave, 2000).