Equação 47 Cálculo da declividade Desmet & Govers
3. METODOLOGIA
3.4 Solos
A Bacia de Guaporé localiza-se em parte na Serra Gaúcha, com altitudes que variam de 206 m a mais de 832 m de altitude, situando-se entre o Planalto e a Depressão Central, formado por rochas ígneas de efusão, originárias do fim do período triássico ou jurássico. É região do basalto, que assenta sobre o arenito e, sob esse, o granito. Parte da Bacia Guaporé está localizada em regiões de Vales, onde predomina pequenas e médias propriedades. A bacia em estudo é composta por cinco tipos de solos conforme classificação da EMBRAPA (2006).
A – Chernossolo - Com uma área de 502,8 Km2 localizado na parte sul da bacia encontra-se em uma região com relevos mais escarpos, solos pouco avançado, originários de rochas ricas em cálcio e magnésio e minerais esmectíticos, alta atividade da argila e eventual acumulação de carbonato de cálcio, promovendo reação aproximadamente neutra ou moderadamente ácida a fortemente alcalinos, com enriquecimento em matéria orgânica.
São classificados pela presença de horizonte diagnóstico superficial A chernozêmico de alta saturação por bases, teores elevados de carbono orgânico e de carbonato de cálcio acima de um horizonte B textural, ou com caráter argilúvico e argila de atividade alta, segundo critérios definidos pelo SiBCS (EMBRAPA, 2006).
O desenvolvimento destes solos depende de condições que favoreçam a formação e a persistência de um horizonte superficial rico em matéria orgânica e com alto conteúdo de cálcio e magnésio, e de argilominerais de estrutura 2:1, especialmente do grupo das esmectitas.
Estes solos apresentam alto potencial agrícola devido às características químicas: alta fertilidade natural (eutróficos) associada principalmente aos altos teores de cálcio, de magnésio e de matéria orgânica, baixa a mediana acidez e alta capacidade de troca de cátions relacionada à sua mineralogia.
Com relação às características físicas, variam de solos pouco profundos a profundos, podendo apresentar suscetibilidade aos processos erosivos pela presença de horizonte subsuperficial B textural ou de horizonte com caráter argilúvico (gradiente textural).
Os solos de texturas mais leves ou os mais argilosos, mas de boa estrutura e sem alto gradiente textural, são normalmente mais porosos, apresentando boa permeabilidade, sendo menos suscetíveis à erosão (EMBRAPA, 2006).
B - Latossolo - Com uma área de 497,30 Km2, fica localizado na região central mais plana, com grandes áreas cultivadas, os solos são de alta fertilidade natural e boas características físicas, utilizado para lavouras mecanizadas devido à topografia e características físicas adequadas, são constituídos predominantemente por material mineral, apresentando horizonte B latossólico imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte A, dentro de 200 cm da superfície do solo ou dentro de 300 cm, se o horizonte A apresentar mais que 150cm de espessura.
As argilas são predominantemente do tipo caulinita, cujas partículas são revestidas por óxidos de ferro, responsáveis pelas típicas cores avermelhadas. A transição entre horizontes é gradual ou difusa e quase sempre a única diferença a notar no perfil é um escurecimento do horizonte A, ocasionado pelo acúmulo de húmus advindo de uma intensa decomposição de restos vegetais. A textura ou granulometria é também uniforme, uma vez ser destituído do horizonte B. Neste horizonte, a estrutura é composta de agregados com formato arredondado e de tamanhos muito pequenos (0,5 a 3,0 mm), os quais são numerosos e acomodados de modo a deixarem uma grande quantidade de macroporos entre eles, o que proporciona uma alta permeabilidade à água, mesmo com elevados teores de argila.
São solos em geral profundos, velhos, bem drenados, baixo teor de silte, baixo teor de materiais facilmente intemperáveis, homogêneo, estrutura granular, sempre ácidos, nunca hidromórficos. Podem ser eutróficos (saturação por bases maior que 50%) ou distróficos (saturação por bases inferior a 50%); São solos minerais, não-hidromórficos, profundos (normalmente superiores a 2 m), horizonte B muito espesso (> 50 cm) com sequência de horizontes A, B e C pouco diferenciados; as cores variam de vermelhas muito escuras a amareladas, geralmente escuras no A, vivas no B e mais claras no C. A sílica (SiO2) e as bases trocáveis (em particular Ca, Mg e K) são removidas do sistema, levando ao
enriquecimento com óxidos de ferro e de alumínio que são agentes agregantes, dando à massa do solo aspecto maciço poroso; apresentam estrutura granular muito pequena; são macios quando secos e altamente friáveis quando úmidos.
Apresentam teor de silte inferior a 20% e argila variando entre 15% e 80%. São solos com alta permeabilidade à água, podendo ser trabalhados em grande amplitude de umidade. Os latossolos são muito intemperizados, com pequena reserva de nutrientes para as plantas, representados normalmente por sua baixa a média capacidade de troca de cátions. Um fator limitante é a baixa fertilidade desses solos. Contudo, com aplicações adequadas de corretivos e fertilizantes, aliadas à época propícia de plantio de cultivares adaptadas, obtêm-se boas produções. (SiBCS, 2009).
C – Argissolo - Com uma área de 278,7 Km2, localizado na parte sudoeste, composta por áreas planas e encostas de média declividade, terreno suavemente ondulado, solos mais profundos apresentam uma coloração avermelhada, variando a mais brunada.
Apresentam horizonte de acumulação de argila, B textural (Bt), com cores vermelho- amareladas devido à presença da mistura dos óxidos de ferro hematita e goethita, elevada acidez na maior parte do perfil, o que se deve aos altos teores de Al3+ trocável (≥ 4 cmolc/kg) e baixa saturação de base (< 50%).
Em áreas mais úmidas, variando de bem a mal drenado em função do relevo, bem estruturados e bem drenados; com sequência de horizontes A, Bt; A, BA, Bt; A, E, Bt etc.
Há predominância do horizonte superficial A do tipo moderado e proeminente, apresentam principalmente a textura média/argilosa, podendo apresentar em menor frequência a textura média/média e média/muito argilosa, têm uma sequência de horizontes A-Bt-C, apresenta horizontes A e B bem distintos em relação a textura, apresentam uma baixa ctc gerando pouca capacidade de retenção de nutrientes para cultura.
Apresentam-se em relevo suavemente ondulado, com declividade inferior a 10%, ocorrem próximos as nascentes, até parte inferior das coxilhas, baixa a muito baixa fertilidade natural, com reação fortemente ácida e argilas de atividade baixa, podem apresentar o caráter eutrófico ou distrófico, porém, raramente com alta saturação por alumínio, indicando baixa a média fertilidade natural, textura franco argilosa no horizonte A e muito argilosa no B (> 60% argila), tem baixa permeabilidade e descontinuidade na infiltração de água na zona de transição do horizonte A para o B.
D – Neossolo - Ocupando uma área de 179,6 Km2 na bacia, localizado na região Sudeste, área íngremes com presença de matas de galeria umbrófila mista, solos pouco evoluídos constituídos por material mineral, ou por material orgânico com menos de 20cm de
espessura, apresentando perfis com uma sequência de horizontes A-Cr-R ou A-A/Cr-R, onde a rocha situa-se em profundidade maior do que 0,5 m da superfície apresentam uma alta pedregosidade, onde a retirada destas permite uso mais intensivo com culturas anuais, possibilitando práticas agrícolas mecanizadas, porém devido a sua profundidade limitada retém pouca água armazenada, não apresentando qualquer tipo de horizonte B diagnóstico. São solos pouco profundos (< 1,0 m) a profundos (<1,5 m).
Os teores de argila apresentaram valor médio de 20%, tanto no horizonte A como no C, estes valores teores baixos, associados às declividades acentuadas em algumas partes da bacia Guaporé conferem aos solos maior suscetibilidade à erosão.
A CTC pH7 é relativamente alta, aparentemente, os valores mais altos ocorrem nos perfis derivados de rochas básicas, como o basalto, enquanto as rochas ácidas e arenitos apresentam os valores mais inferiores. Os teores de Alumínio podem variar de 1,1 a de 4 cmolc kg-1, este ultimo valor configurando toxides.
E - Luvissolo - Com uma área de 561,7 Km2 na parte norte, áreas de plantio relativamente planas, constituídos por material mineral, são solos minerais não hidromórficos definidos pelo SiBCS (EMBRAPA, 2006) pela presença de horizonte subsuperficial diagnóstico textural (Bt) imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte A, exceto A chernozêmico, ou sob horizonte E, argila de atividade alta e saturação por bases alta, variam de bem a imperfeitamente drenados, pouco profundos 60 a 120cm, apresenta diferenciação entre os horizontes A e Bt, devido ao contraste de textura, cor e/ou estrutura entre eles, possuem mudança textural abrupta, moderadamente ácidos a ligeiramente alcalinos, com teores de alumínio extraível baixos ou nulos e presença, em quantidade variável mas expressiva, de argilominerais do tipo 2:1 indicando atividade alta da argila.
Podem ou não apresentar pedregosidade na parte superficial e/ou caráter solódico ou sódico, na parte subsuperficial, normalmente associados às áreas de relevos movimentados (ondulados a forte ondulados).
A alta saturação por bases implica em alta fertilidade natural (eutróficos), conferindo potencial para o uso agrícola. Com relação às características físicas, apresentam normalmente boa permeabilidade. Nos relevos mais declivosos, os de menor profundidade apresentam limitações para o uso agrícolas relacionadas à restrição a mecanização e suscetibilidade aos processos erosivos.