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6. Aplicação e Resultados do Método COP para a Avaliação da Vulnerabilidade Intrínseca

6.2. Fator “O” – Camadas Sobrepostas

6.2.1. Solos (Os)

O subfator “Os” corresponde à camada biologicamente mais ativa do solo, que ocorre nas camadas mais superficiais, onde a probabilidade de contato e interação entre contaminantes e micro- organismos é maior. É determinado pelo cruzamento de informações advindas da classificação textural e da espessura do solo (Tabela 32 e Tabela 33).

Tabela 32: Classificação textural do solo segundo método COP. Classificação Textural do Solo

Argiloso > 30% de argila

Siltoso > 70% de silte

Arenoso > 70% de areia, e, ≤ 15%

de argila

Argilo-Arenoso Outros Valores

Fonte: Vías et al. (2002).

Tabela 33: Valores atribuídos a combinação da espessura e textura do solo. Classificação Textural

Argiloso Siltoso Argilo-arenoso Arenoso

Espessura

> 1,0m 5 4 3 2

0,5 – 1m 4 3 2 1

< 0,5m 3 2 1 0*

*: também onde há ausência de solo. Fonte: Vías et al. (2002).

Quanto mais espessa a camada de solo, maior a probabilidade de atenuação física e química de contaminantes que ocorre quando a água percola através do solo. Os valores de pontuação do subfator “Os”, ou grau de proteção proporcionado pelo solo, portanto, tendem a aumentar com o aumento da espessura do solo. De forma análoga, a pontuação também cresce à medida que a textura tende a grãos mais finos, pois granulometrias mais finas geralmente apresentam baixa condutividade hidráulica e, portanto, aumentam o tempo de trânsito da água através do solo, além de conterem mais

argila, o que aumenta a capacidade de absorção de contaminantes iônicos, reduzindo a vulnerabilidade do aquífero (Leyland, 2008).

Os dados utilizados para a classificação dessas propriedades do solo foram retirados das fichas de descrição de perfis e tradagens do projeto APA Carste de Lagoa Santa (IBAMA, 1998), encontrados nos anexos do Volume 1 (meio físico) na caracterização pedológica.

No projeto citado, foram descritos 26 perfis de solo, sendo 15 com coleta completa para análise físico química, e em complementação, foram descritas 49 tradagens que, segundo IBAMA (1998), auxiliaram substancialmente não só na classificação destes solos como na melhor definição das unidades de mapeamento. O mapa com a localização os perfis e tradagens é apresentado na Figura 47.

Figura 47: Pontos de amostragem de solos.

A estimativa de espessura média dos solos foi avaliada através das descrições dos perfis de solos, tradagens, afloramentos rochosos e áreas de mineração retiradas das amostras de campo analisadas por IBAMA (1998) e do banco de dados do projeto VIDA (CPRM, 2003). Os afloramentos rochosos bem como as áreas de mineração foram considerados no mapa final da profundidade de solos como áreas sem a presença de regolito. É importante salientar que, nesse tipo de amostragem, nem todos os perfis e tradagens chegaram ao saprolito, ou seja, a espessura considerada pode representar apenas a espessura mínima. O Gráfico 5 e a Tabela 34 relacionam a profundidade final dos perfis e tradagens analisados.

Tabela 34: Profundidade final dos perfis e tradagens analisados por CPRM, 1998.

Descrição Nº de dados válidos Profundidade Final (cm)

Média Mínima Máxima

Perfis de solo 25 283,08 82 500

Tradagens 37 136,62 30 150

Fonte: Modificado de IBAMA (1998).

Gráfico 5: Histograma de frequências da espessura das amostras de solo.

Os pontos amostrados foram refinados pelo interpolador IDW (Inverse Distance Weight) ou “inverso das distâncias” (Figura 48), que se mostrou mais adequado às condições reais da área em comparação com outros métodos como a Krigagem Ordinária e o Natural Neighbor. O modelo IDW baseia se na dependência espacial, isto é, supõe que quanto mais próximo estiver um ponto do outro, maior deverá ser a correlação entre seus valores (Varella et al. 2008).

Os dados relativos à classe textural do solo foram extraídos das análises granulométricas de IBAMA (1998), que foram tratados no trabalho citado, segundo a metodologia descrita no Manual de Métodos de Análises de Solos (EMBRAPA, 1979). As amostras avaliadas nessa etapa apontaram

uma alta proporção de argila em todos os perfis considerados, sendo que todos ultrapassaram o limite granulométrico indicado no método COP para o enquadramento de solos como argilosos (>30% de argila), como mostra a Tabela 35, Gráfico 6 e Figura 48.

Tabela 35: Média textural dos horizontes de cada perfil em %.

Perfil Areia Total Silte Argila Total

1 9.2 3.8 87 100 4 16.25 20.5 63.25 100 5 13.75 12.25 74 100 6 13.5 2.75 83.75 100 9 9.75 17 72.5 99.25 10 11.8 20.6 67.6 100 12 9 10.4 80.6 100 13 6 24 70 100 14 4 12 84 100 18 9.8 16.6 73.6 100 23 7.33 17.33 75.33 100 24 8 15.2 76.4 99.6 25 11 24.25 64.75 100 26 6.5 22.5 71 100 27 5.25 11.25 83.5 100

Fonte: Editado de IBAMA (1998).

Gráfico 6: Relação textural das amostras de solo.

Fonte: Editado de IBAMA (1998). 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Pro p o rção Te xt u ra l d as Am o stra s (% ) Número do Perfil

Relação Textural das Amostras de Solo

Silte Areia Total Argila

Figura 48: Mapa de profundidades do solo (esq.), e de textura do solos (dir.).

Porém, os valores atribuídos às classes texturais de solos por Vías et al. (2002) refletem as condições das regiões mediterrâneas de Sierra de Líbar e Torremolinos, situadas no sudeste da Espanha. Tais localidades apresentam solos rasos e pouco estruturados onde a argila se comporta naturalmente como uma camada selante. Segundo Vías et al. (2006), os solos são ausentes em grande parte de Sierra de Líbar, e, na região de Torremolinos, os solos são desde ausentes até 70 cm de profundidade.

Assim, visando uma representação mais aproximada do comportamento da infiltração na área de estudo, e consequente nível de proteção associado, os solos da área estudada foram classificados como argilo-siltosos apesar de seu enquadramento pelo método como argilosos. Justifica-se essa mudança pelos menores valores de proteção atribuídos a textura argilo-siltosa devido à maior probabilidade de infiltração de água em relação a solos argilosos. Apesar do elevado teor de argila na composição textural dos solos encontrados na APA Carste de Lagoa Santa (IBAMA, 1998), esses se apresentam bem estruturados, bem drenados, geralmente profundos, muito porosos e permeáveis. Logo, a interpretação da argila como uma camada totalmente selante seria pouco representativa nesse contexto.

Os valores de proteção atribuídos às variáveis conjuntas de textura e profundidade são representados no mapa final do subfator “Os” (Figura 49).