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Soluções adotadas

No documento A geotecnia no planeamento urbano (páginas 32-37)

Capítulo I - Enquadramento

1.2 Exemplos de intervenções realizadas em Portugal

1.2.1 Nó da Malveira da A21

1.2.1.2 Soluções adotadas

Este projeto foi selecionado para ser aqui apresentado porque se trata de um caso que ainda não é corrente em Portugal. Trata-se de um caso piloto em que as soluções adotadas consistiram na combinação de técnicas tradicionais de engenharia geotécnica e de engenharia natural, conseguidas a partir de revestimento vegetal, para minimizar a erosão, quedas de rochas ou arrastamento de material fino.

Para a seleção da solução teve-se em consideração o relevo da zona do talude, a estrutura geológica do maciço, a variabilidade dos estratos e o estado hídrico dos materiais, os mecanismos de instabilização, o estado de degradação do talude e os condicionalismos da estrutura rodoviária.

A. Reconfiguração do talude

Atendendo às características das superfícies de rotura visíveis na crista do talude e face ao escorregamento, foi adotada a solução que consiste no reperfilamento geométrico do talude, considerando o desenvolvimento do ramo e a topografia existente, na qual o pano inferior do talude apresentava instabilidades de caráter superficial, bem como o facto de a intervenção estar no limite do terreno a ser expropriado. Optou-se apenas pelo reperfilamento do talude ao nível dos panos intermédio e superior e pela regularização do pano inferior do talude, dado que os panos superiores do talude apresentavam alturas e geometrias agressivas e não compatíveis com as características geomecânicas dos materiais existentes. A intervenção tinha como objetivo o melhoramento das condições de estabilidade global do talude, tendo-se reduzido a inclinação e suavizado a geometria dos panos através da criação de banquetas. Para tal recorreu-se a terraplenagens, conforme figura 2.

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Figura 2 - Perfil existente na secção de maior altura, a preto; e perfil do projeto a azul (Bifulco et al., 2016).

Foi prevista na parte superior do talude a execução de máscara drenante, com função de reforço, contenção e drenagem do talude, respetivamente nos 4º e 5ºpanos do talude. Estes elementos drenantes projetados são constituídos por material rochoso, de granulometria entre 100/500mm, o material é envolvido em geotêxtil com funções de separação e filtro.

B. Reformulação das obras de drenagem

b.1 - Descida do talude em degrau de gabiões, para o encaminhamento da água proveniente do areeiro. No início da descida foi definida a implementação de uma bacia de receção com o fundo constituído por colchão tipo reno e paredes de gabião com a função de recolher e encaminhar a água;

b.2 - Colocação de coletor para entrega dos caudais provenientes da descida do talude, através de uma boca em recipiente a realizar na zona da valeta da plataforma. Os caudais foram encaminhados para o novo coletor;

b.3 - Reforço, reformulação e compatibilização da drenagem existente com a nova geometria dos taludes, na qual se procedeu à demolição e substituição de valetas, caixas de ligação e valas executadas na crista do talude, com o objetivo de dissipar a energia.

C. Definição de obras de engenharia natural

As técnicas de engenharia natural definidas no projeto foram ajustadas à medida da nova configuração do talude e das obras de drenagem previstas.

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Figura 3 - Identificação do zonamento por tipo de intervenção de engenharia natural (Bifulco et al., 2016).

Na figura 3 está identificada a localização das diferentes técnicas instaladas no talude, cujo objetivo principal consiste na proteção do talude contra a erosão superficial, a estabilização e a consolidação das encostas, em que se respeitaram os diferentes ângulos de inclinação, a variabilidade e a heterogeneidade da litologia. Com a reconfiguração do perfil do talude seria necessário proteger os seus panos da erosão superficial, devida à precipitação. A solução adotada consistiu no revestimento vegetal composto por herbáceas.

“É de referir que as técnicas adotadas foram distintas em função das inclinações. Com declives inferiores a 25º, foi aplicada a técnica de sementeira com cobertura de palha solta associada com a plantação de arbustos. Nos panos de taludes com inclinações até 35º optou-se por hidrosoptou-sementeiras e optou-sementeiras com cobertura de esteira de palha. De igual modo, em panos com inclinações entre 35º e 45º aplicou-se a técnica da sementeira com cobertura de palha e a hidrossementeira sobre geogrelha tridimensional nas áreas onde ocorria transição entre arenitos e argilas. Para consolidar os taludes nos quais havia fluxos de água proveniente do areeiro adjacente e em áreas com declive inferior a 35º optou-se por construir degraus vivos em pedra e madeira. Nas áreas onde o declive era superior a 35º, foram colocados gabiões vivos, esta técnica consiste na inclusão de estacas de espécies lenhosas de pequeno porte na construção de gabiões, para que enraízem no tardoz, funcionando como ancoragens. A vegetação produzida pelas estacas tinha como objetivo conferir um efeito estético, no sentido de minimizar o impacto visual das estruturas.“

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De acordo com o projeto, as estacas estavam incluídas entre as pedras das estruturas dos gabiões, conforme o esquema da figura 4.

Figura 4 - Esquema da instalação de estacas nos gabiões vivos (Bifulco et al., 2016).

Nos taludes argilosos com inclinações de 45º, aplicou-se a técnica das faixas de vegetação, na qual foram utilizadas estacas e plantas de arbustos, como esquema da figura, colocados na posição sub-horizontal típica das técnicas de engenharia natural (EN), com o propósito de estabilizar a superfície do talude com os sistemas radiculares das plantas. Nas linhas de escorrência de água superficial com inclinação inferior a 25º, a técnica implementada consistiu em colchões vivos, com aplicação de estacas de espécies lenhosas, nas extremidades laterais dos colchões tipo reno, a montante da descida em degraus de gabiões, optou-se por colocar escovas vivas, de modo a orientar as águas de escorrência superficial, conforme figura 5.

Para impermeabilizar as banquetas, entre os panos de talude, foi definida uma nova técnica, designada banqueta viva “à Portuguesa”, estrutura composta por uma almofada de terra, com cobertura herbácea, sobreposta a uma geomembrana, modelada e fixada com o auxílio de uma geogrelha, figura 6. As espécies de plantas, estacas e sementes foram escolhidas com base em ensaios realizados pelo Centro de Ecologia Aplicada Baeta Neves (CEABN), sobre as espécies de flora de Portugal. Não foram escolhidas espécies arbóreas, devido ao seu porte, que ao longo do tempo e sob ação do vento, poderiam induzir alterações mecânicas no solo.

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Figura 5 - Esquema das secções tipo das faixas de vegetação, plantas arbustivas e instalação das estacas (Bifulco et al., 2016).

Figura 7 - Instalação da almofada de terra viva da banqueta viva "a Portuguesa"

(Bifulco et al., 2016).

Figura 8 - A instalação das tiras da geogrelha em cima da almofada de terra

viva (Bifulco et al., 2016).

Figura 6 – Disposição dos componentes da banqueta viva “Portuguesa” (Fonte: (Bifulco et al., 2016).

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No documento A geotecnia no planeamento urbano (páginas 32-37)