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Sou capaz de apreciar um bom livro ou um programa de rádio ou de televisão:

HADS 1 Sinto-me tenso/a ou nervoso/a:

14. Sou capaz de apreciar um bom livro ou um programa de rádio ou de televisão:

 Muitas vezes  De vez em quando  Poucas vezes  Quase nunca

EDRE

INSTRUÇÕES: Por favor indique com que frequência as seguintes afirmações se aplicam a si colocando o número apropriado da escala abaixo indicada na linha anterior a cada item:

1---2---3---4---5 quase nunca algumas vezes metade das vezes a maioria das vezes quase sempre

(0-10%) (11-35%) (36-65%) (66-90%) (91-100%)

____ 1) Percebo com clareza os meus sentimentos. ____ 2) Presto atenção a como me sinto.

____ 3) Vivo as minhas emoções como avassaladoras e fora de controlo. ____ 4) Não tenho nenhuma ideia de como me sinto.

____ 5) Tenho dificuldade em atribuir um sentido aos meus sentimentos. ____ 6) Estou atento aos meus sentimentos.

____ 7) Sei exactamente como me estou a sentir. ____ 8) Interesso-me por aquilo que estou a sentir. ____ 9) Estou confuso sobre como me sinto.

____ 10) Quando estou chateado, apercebo-me das minhas emoções.

____ 11) Quando estou chateado, fico zangado comigo próprio por me sentir assim. ____ 12) Quando estou chateado, fico embaraçado por me sentir assim.

____ 13) Quando estou chateado, tenho dificuldade em realizar tarefas. ____ 14) Quando estou chateado, fico fora de controlo.

____ 15) Quando estou chateado, penso que me vou sentir assim por muito tempo. ____ 16) Quando estou chateado, penso que vou acabar por me sentir muito deprimido. ____ 17) Quando estou chateado, acredito que os meus sentimentos são válidos e importantes. ____ 18) Quando estou chateado, tenho dificuldade em concentrar-me noutras coisas.

____ 19) Quando estou chateado, sinto-me fora de controlo.

____ 20) Quando estou chateado, continuo a conseguir fazer as coisas

____ 21) Quando estou chateado, sinto-me envergonhado de mim próprio por me sentir assim. ____ 22) Quando estou chateado, sei que vou conseguir encontrar uma maneira de me sentir melhor. ____ 23) Quando estou chateado, sinto que sou fraco.

____24) Quando estou chateado, sinto que consigo manter o controlo dos meus comportamentos ____ 25) Quando estou chateado, sinto-me culpado por me sentir assim.

____ 26) Quando estou chateado, tenho dificuldades em concentrar-me.

____27) Quando estou chateado, tenho dificuldade em controlar os meus comportamentos. ____ 28) Quando estou chateado, acho que não há nada que eu possa fazer para me sentir melhor. ____ 29) Quando estou chateado, fico irritado comigo próprio por me sentir assim.

____ 30) Quando estou chateado, começo a sentir-me muito mal comigo próprio

____ 31) Quando estou chateado, acho que a única coisa que eu posso fazer é afundar-me nesse estado.

____ 32) Quando estou chateado, perco o controlo sobre os meus comportamentos. ____ 33) Quando estou chateado, tenho dificuldade em pensar noutra coisa qualquer.

____ 34) Quando estou chateado, dedico algum tempo para perceber o que realmente estou a sentir. ____ 35) Quando estou chateado, demoro muito tempo até me sentir melhor

____ 36) Quando estou chateado, as minhas emoções parecem avassaladoras.

D DDDI I

Por favor leia cada um dos seguintes itens com atenção. Indique o quanto concorda ou discorda com cada item, de acordo com a escala de classificação abaixo:

Discordo totalmente

Concordo totalmente

1 2 3 4 5

1. Quando estou chateado(a), confidencio com os meus amigos. 1 2 3 4 5

2. Prefiro não falar sobre os meus problemas. 1 2 3 4 5

3. Quando me acontece alguma coisa desagradável, costumo

procurar alguém com quem possa falar. 1 2 3 4 5

4. Normalmente não converso sobre coisas que me chateiam. 1 2 3 4 5 5. Quando me sinto deprimido(a) ou chateado(a), tendo a guardar

esses sentimentos para mim próprio(a). 1 2 3 4 5

6. Tento procurar alguém com quem falar sobre os meus

problemas. 1 2 3 4 5

7. Quando estou de mau humor, falo sobre isso com os meus

amigos. 1 2 3 4 5

8. Se tiver um dia mau, a última coisa que quero é falar sobre isso. 1 2 3 4 5 9. Quando tenho um problema, raramente procuro alguém com

quem falar. 1 2 3 4 5

10. Quando estou com stresse não falo com ninguém sobre isso. 1 2 3 4 5 11. Quando estou de mau humor, costumo procurar alguém com

quem possa falar. 1 2 3 4 5

12. Estou disposto(a) a contar aos outros os pensamentos que me

M MSSPPSSS S

Instruções: Estamos interessados em avaliar o que pensa em relação às afirmações seguintes. Leia cuidadosamente cada uma das afirmações. Utilizando a escala abaixo, indique como se sente acerca de cada uma delas assinalando o respectivo espaço com um X. Discorda completamente Discorda fortemente Discorda parcialmente Não tem opinião Concorda parcialmente Concorda fortemente Concorda completamente 1 2 3 4 5 6 7 1 2 3 4 5 6 7

1. Há uma pessoa especial que se encontra próximo quando necessito. 2. Há uma pessoa especial com quem posso partilhar as minhas alegrias e tristezas.

3. A minha família tenta ajudar-me verdadeiramente.

4. Tenho a ajuda emocional e o apoio que necessito da minha família. 5. Tenho uma pessoa que é verdadeiramente uma fonte de conforto para mim.

6. Os meus amigos realmente procuram ajudar-me.

7. Posso contar com os meus amigos quando algo corre mal. 8. Posso falar dos meus problemas com a minha família. 9. Tenho amigos com quem posso partilhar as minhas alegrias e tristezas.

10. Há uma pessoa especial na minha vida que se preocupa com os meus sentimentos.

11. A minha família está disponível para me ajudar a tomar decisões. 12. Posso falar dos meus problemas com os meus amigos.

I IDDPPT T

0 = Eu não experienciei esta mudança como resultado da minha doença

0 = Eu não experienciei esta mudança como resultado da minha doença

1 = Eu experienciei muito pouco esta mudança como resultado da minha doença 2 = Eu experienciei pouco esta mudança como resultado da minha doença

3 = Eu experienciei moderadamente esta mudança como resultado da minha doença 4 = Eu experienciei bastante esta mudança como resultado da minha doença

5 = Eu experienciei completamente esta mudança como resultado da minha doença

0 1 2 3 4 5

1. Mudei as minhas prioridades sobre o que é importante na vida. 2. Tenho uma apreciação maior pelo valor da minha própria vida. 3. Desenvolvi novos interesses.

4. Sinto que posso contar mais comigo própria.

5. Tenho uma melhor compreensão dos assuntos espirituais. 6. Tenho uma ideia mais clara de que posso contar com as pessoas em tempos de dificuldade.

7. Estabeleci um novo rumo para a minha vida. 8. Sinto-me mais próxima das outras pessoas.

9. Estou mais disponível para demonstrar as minhas emoções. 10. Sei que consigo lidar melhor com as dificuldades.

11. Consigo fazer coisas melhores com a minha vida. 12. Consigo aceitar o resultado das coisas de forma melhor. 13. Consigo apreciar melhor cada dia.

14. Existem outras oportunidades que não teriam existido antes. 15. Tenho mais compaixão para com os outros.

16. Dedico-me mais às minhas relações.

17. É mais provável que tente mudar coisas que precisam de mudança.

18. Tenho uma maior fé religiosa.

19. Descobri que sou mais forte do que pensava ser.

20. Aprendi bastante sobre como as pessoas são maravilhosas. 21. Aceito melhor necessitar dos outros.

Muito obrigada pela sua colaboração

De seguida, são apresentadas várias afirmações que refletem mudanças que poderão ter ocorrido na sua vida desde que tomou conhecimento da sua doença. Cada afirmação corresponde a uma possível mudança na sua vida. Para cada uma deverá assinalar, com uma cruz (X), a resposta que melhor traduz o grau em que experienciou essa mesma mudança, de acordo com a seguinte escala:

Anexo E: Pedidos de autorização para utilização das escalas De: Ana Rita Martins [[email protected]] Enviado: segunda-feira, 20 de Novembro de 2017 10:02 Para: [email protected]

Assunto: Pedido de autorização para utilização da HADS Bom dia Ex.mo Sr. Prof. Doutor José Pais-Ribeiro,

O meu nome é Ana Rita Martins, sou aluna do 5º ano do Mestrado Integrado em Psicologia Clínica no ISPA – Instituto Universitário e estou a desenvolver a Dissertação de Mestrado sobre o tema "A importância do acompanhamento em psicoterapia no ajustamento psicossocial da mulher com cancro da mama", sob a orientação da Prof Doutora Isabel Leal e co-orientação da Prof. Doutora Catarina Ramos. Neste sentido, venho por este meio solicitar a sua autorização para aplicar a versão portuguesa do Hospital Anxiety and Depression Scale a

mulheres com cancro da mama, uma vez que pretendo avaliar os níveis deansiedade e depressão e este é o instrumento que melhor se adequa ao

trabalho que pretendo desenvolver.

Gostaria, ainda, de solicitar o instrumento e o artigo de validação do mesmo.

Agradeço desde já a atenção e disponibilidade dispensadas. Com os meus melhores cumprimentos,

--

Ana Martins

De: José Luis Pais Ribeiro [[email protected]]

Enviado: Segunda-feira, 20 de novembro de 2017 15:08 Para: [email protected]

Assunto: RE: Pedido de autorização para utilização da HADS Cara colega

Não me oponho ao uso da versão da HADS que traduzimos e estudámos para uso com a população Portuguesa.

Cordialmente

José Luís Pais Ribeiro [email protected]

mobile phone: (351) 965045590

web page: http://sites.google.com/site/jpaisribeiro/ ORCID: http://orcid.org/0000-0003-2882-8056

ResearchGate-

https://www.researchgate.net/profile/Jose_Pais-Ribeiro/publications De: Ana Rita Martins [[email protected]]

Enviado: segunda-feira, 20 de Novembro de 2017 10:10 Para: [email protected]

Assunto: Pedido de autorização para utilização da MSPSS Bom dia Ex.mo Sr. Prof. Doutor Serafim Carvalho,

O meu nome é Ana Rita Martins, sou aluna do 5º ano do Mestrado Integrado em Psicologia Clínica no ISPA – Instituto Universitário e estou a desenvolver a Dissertação de Mestrado sobre o tema "A importância do acompanhamento em psicoterapia no ajustamento psicossocial da mulher com cancro da mama", sob a orientação da Prof Doutora Isabel Leal e co-orientação da Prof. Doutora Catarina Ramos. Neste sentido, venho por este meio solicitar a sua autorização para aplicar a versão portuguesa do Multidimensional Scale of Perceived Social Support a mulheres com cancro da mama, uma vez que pretendo avaliar o suporte social percebido e este é o instrumento que melhor se adequa ao trabalho que pretendo desenvolver.

Gostaria, ainda, de solicitar o instrumento e o artigo de validação do mesmo.

Agradeço desde já a atenção e disponibilidade dispensadas. Com os meus melhores cumprimentos,

--

Ana Martins

De: Serafim Carvalho [[email protected]] Enviado: Terça-feira, 21 de novembro de 2017 09:58 Para: [email protected]

Assunto: RE: Pedido de autorização para utilização da MSPSS Olá Ana Rita,

Cá está a escala anotada. O artigo está livre na Psychologica. Utilize à vontade.

Bom trabalho e cumprimentos Serafim Carvalho --

Psiquiatra - Hospital de Magalhães Lemos Doutorado em Psicologia (FPCEUC)

Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental (APTC) Terapeuta Sexual (SPSC)

Professor Auxiliar - Instituto Universitário de Ciências da Saúde

>> Investigador - CINEICC, Universidade de CoimbraMSPSS_Anotada_2015.pdf> De: Ana Rita Martins [[email protected]]

Para: [email protected]

Assunto: Pedido de autorização para utilização da EDRE Bom dia Ex.ma Sra. Prof. Doutora Joana Coutinho,

O meu nome é Ana Rita Martins, sou aluna do 5º ano do Mestrado Integrado em Psicologia Clínica no ISPA – Instituto Universitário e estou a desenvolver a Dissertação de Mestrado sobre o tema "A importância do acompanhamento em psicoterapia no ajustamento psicossocial da mulher com cancro da mama", sob a orientação da Prof Doutora Isabel Leal e co-orientação da Prof. Doutora Catarina Ramos. Neste sentido, venho por este meio solicitar a sua autorização para aplicar a versão portuguesa do Difficulties in Emotion Regulation Scale a mulheres com cancro da mama, uma vez que pretendo avaliar a regulação emocional e este é o instrumento que melhor se adequa ao trabalho que pretendo desenvolver.

Gostaria, ainda, de solicitar o instrumento e o artigo de validação do mesmo.

Agradeço desde já a atenção e disponibilidade dispensadas. Com os meus melhores cumprimentos,

--

Ana Martins

De: Joana Coutinho [[email protected]]

Enviado: Quarta-feira, 22 de novembro de 2017 09:53 Para: [email protected]

Assunto: RE: Pedido de autorização para utilização da EDRE Cara Ana Rita,

envio em anexo o pdf do questionário bem como o respectivo artigo de adaptação onde encontra a informação que necessita para a sua cotação. Pedia que mantivesse o uso do instrumento exclusivo ao seu estudo. Felicidades para o seu trabalho,

Joana Coutinho --

Joana Coutinho, Post-Doc Researcher

Neuropsychophysiology Lab, School of Psychology University of Minho

4710-057 Braga - Portugal

Tel: +351 253601398http://webs.psi.uminho.pt/LABSPSI/lnp/ http://webs.psi.uminho.pt/LABSPSI/lnp/

De: Ana Rita Martins

Para: [email protected]

Assunto: Pedido de autorização para utilização do IDPT Bom dia Ex.ma Sra. Prof. Doutora Sónia Silva,,

O meu nome é Ana Rita Martins, sou aluna do 5º ano do Mestrado Integrado em Psicologia Clínica no ISPA – Instituto Universitário e estou a desenvolver a Dissertação de Mestrado sobre o tema "A importância do acompanhamento em psicoterapia no ajustamento psicossocial da mulher com cancro da mama", sob a orientação da Prof Doutora Isabel Leal e co-orientação da Prof. Doutora Catarina Ramos. Neste sentido, venho por este meio solicitar a sua autorização para aplicar a versão portuguesa do Posttraumatic Growth Inventory a mulheres com cancro da mama, uma vez que pretendo avaliar o

crescimento pós-traumático e este é o instrumento que melhor se adequa ao trabalho que pretendo desenvolver.

>>Gostaria, ainda, de solicitar o instrumento e o artigo de validação do mesmo.

>>Agradeço desde já a atenção e disponibilidade dispensadas. >>Com os meus melhores cumprimentos,

--

Ana Martins

De: Sónia Silva [[email protected]]

Enviado: Quarta-feira, 22 de novembro de 2017 23:03 Para: [email protected]

Assunto: RE: Pedido de autorização para utilização do IDPT Cara Ana Rita Martins,

Começo por agradecer o seu contacto e felicitar pelo interesse nesta área e neste tema em particular.

Relativamente ao que me solicita através do seu e-mail, venho fazer o envio da versão do PTGI que temos utilizado com mulheres com cancro da mama, bem como o artigo que publicámos com a validação do instrumento nesta mesma população. Envio também a sintaxe em SPSS para a cotação do PTGI, de acordo com a estrutura factorial que encontrámos no nosso estudo de validação (chamo a atenção que é distinta da original, de Tedeschi & Calhoun, 1996).

Agradeço mais uma vez o seu contacto e faço votos de muito sucesso para o trabalho que se propõe realizar e que me parece de elevado interesse.

Disponibilizando-me para apoiar em algum aspeto em que possa ser útil, deixo os meus melhores cumprimentos,

Responsável pelas Unidades de Psico-Oncologia e de Voluntariado Liga Portuguesa Contra o Cancro - Núcleo Regional do Centro R.Dr.António José de Almeida, nº 329 – 2º Sl56

3000-045 Coimbra – Portugal [email protected]

[telf.]: 239 487 490 – [fax]: 239 484 882 www.ligacontracancro.pt

[f] facebook.com/ligacontracancro

Colaboradora na Linha de Investigação Relações, Desenvolvimento & Saúde Instituto de Psicologia Cognitiva (IPCDVS)

Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação Universidade de Coimbra Rua do Colégio Novo, Apartado 6153

3001-802 COIMBRA

@] [email protected] [http://www.fpce.uc.pt/saude/cm

Anexo F: Revisão da Literatura

Ansiedade e Depressão

Ansiedade

A ansiedade geralmente caracteriza-se por uma grande variedade de sintomas somáticos como: tremores, hipotonia muscular, hiperventilação, sudorese, palpitações – e sintomas cognitivos como: apreensão, inquietação, distratibilidade, perda de concentração e insónias (Almeida, 2015). No que respeita ao cancro, a ansiedade pode provocar o medo da dor bem como a possibilidade de distúrbios de sono (Fatiregun et al., 2016).

Apesar da ansiedade ser uma das perturbações psicológicas mais estudada, ainda não é completamente consensual. Deste modo, de acordo com Coimbra de Matos (2002), existem vários modelos teóricos que procuram explicar a origem da ansiedade. Para a Psicanálise, quando uma pulsão inaceitável tenta emergir no consciente, o ego desenvolve determinados mecanismos de defesa no sentido de anular a tensão. Numa perspetiva mais existencialista, a ansiedade resulta do conhecimento da finitude da vida, sendo que, dependendo da forma como o indivíduo aborda este conhecimento pode ou não levar a ansiedade destrutiva. No modelo comportamental, a ansiedade é uma resposta inata e incondicional, do organismo a estímulos adversos, podendo ser associada a estímulos neutros através do condicionamento (Coimbra de Matos 2002).

No contexto da doença oncológica, as perturbações de ansiedade podem ocorrer em todos os estadios da doença (Fatiregun et al., 2016). Na vivência do processo de ajustamento ao cancro que envolve grande incerteza em relação ao futuro, possível interrupção de projetos de vida e diversas implicações quotidianas adversas, a ansiedade caracteríza-se como uma resposta temporária normal e esperada perante estas situações de tensão, podendo ser considerada um estímulo necessário à adaptação e no enfrentar de situações inesperadas (Almeida, 2015). Estes receios que podem provocar a ansiedade podem também estar relacionados com o medo da recidiva bem como com o receio das consequências dos tratamentos no retorno a vida quotidiana (Fatiregun et al., 2016). Assim, uma ansiedade moderada e situacional geralmente vai diminuindo à medida que as pacientes se ajustam ao processo oncológico.

Embora a ansiedade se constitua como um fator recorrente na adaptação normal ao cancro da mama, pode tornar-se uma perturbação psicológica quando as reações emocionais são excessivas, intensas ou prolongadas no tempo (Fatiregun et al., 2016).

É de extrema relevância detetar as perturbações de ansiedade e aumentar o seu acompanhamento através da prestação de serviços psicossociais de apoio após o diagnóstico de cancro. Este acompanhamento terapêutico deve promover o envolvimento ativo dos familiares durante o tratamento no sentido de aumentar o ajustamento psicológico à doença (Fatiregun et al., 2016; Venâncio, 2004).

Depressão

De acordo com Coimbra de Matos (2001), na síndrome depressiva existem três sintomas básicos: a tristeza, a inibição (psicomotora e de pensamentos) e a angústia. A tristeza é o sintoma inicial e é tida como reação à perda. A inibição é o sintoma central e representa a desistência e a dificuldade em criar coisas novas. E a angústia é o sinal de desesperança numa vida que se perdeu e não se poderá reconquistar (Coimbra de Matos, 2001).

De forma geral, a depressão caracteriza-se por: diminuição do tónus psicológico (abatimento corporal e psicológico), sentimentos de diminuição do valor pessoal (baixa autoestima, vergonha, culpa, inferioridade, incapacidade), dificuldades em mobilizar a atenção/concentração, dificuldades de memória e pensamento, falta de apetite, insónias, anedonia, apatia, irritabilidade fácil, diminuição/perda da iniciativa, hipocinésia ou hipoatividade, fadiga, mímicas verbais e gestuais escassas e inexpressivas, voz baixa e monocórdica e ideação suicida (Coimbra de Matos, 2001).

Neste seguimento, a depressão é o efeito colateral psicológico mais frequentemente descrito durante o tratamento do cancro da mama, podendo atingir mais de um terço das pacientes, e está relacionada com o aumento da dor e dos efeitos colaterais do tratamento (Badger, Braden & Mishel, 2001). Deste modo, a depressão constitui um quadro psicológico intenso, podendo manifestar-se de diferentes formas, nomeadamente no que respeita a pacientes em adaptação ao cancro, uma vez que se trata de um processo bastante doloroso em que as mulheres enfrentam quotidianamente numerosos sintomas físicos e psicológicos adversos. Assim, temáticas de incerteza, perda de controlo e maior dependência são frequentes e afetam a maioria dos doentes oncológicos. Muitas pacientes temem o sofrimento futuro, a possibilidade de uma morte dolorosa, bem como a perda de relações e funções quotidianas. Embora os sentimentos

de tristeza, angústia e ansiedade se desenvolvam na maioria das pacientes, costumam desaparecer gradualmente no curso da doença, quando se sentem apoiadas pela família, amigos e médicos que ofereçam informações adequadas ao doente sobre o curso do tratamento (Venâncio 2004).

No que se refere aos fatores que podem estar na origem da depressão, salienta-se o modelo desenvolvido por Brown e Harris, referente à causalidade psicossocial da depressão, em que o baixo suporte social é apontado como um dos fatores de risco que pode aumentar os níveis de depressão (Patten, 1991). Nesta sequência, também no modelo de negociação da depressão de Hagen, o autor defende que a depressão é em si mesma uma forma de ajustamento, em que o indivíduo utiliza o pedido de ajuda como a solicitação de suporte social, no sentido de facilitar a sua adaptação a nova realidade (Carvalho et al., 2011).

De acordo com Beacham e colaboradores (2005), é fundamental detetar e tratar perturbações como a depressão em mulheres com cancro da mama, sendo que o peso de uma doença como o cancro é bastante intenso podendo conduzir a sentimentos de isolamento e desespero no caso de não terem suporte social ou apoio terapêutico. Estes autores indicam ainda que os terapeutas devem tentar envolver os parceiros e familiares neste processo para que a mulher sinta maior apoio, sendo também de grande importância o terapeuta manter contacto direto com os profissionais da equipa de tratamento no sentido de facilitar a comunicação e a compreensão das dificuldades específicas das pacientes (Beacham et al., 2005).

Regulação Emocional

Inicialmente a regulação emocional era estudada na área do desenvolvimento, no entanto, atualmente o seu estudo tem-se estendido a investigação em psicopatologia e psicoterapia (Coutinho et al., 2010).

Segundo o modelo de Gross (1998) para caracterizar o processo de regulação das emoções devem fazer-se três distinções: a regulação emocional referente à regulação de algo como pensamentos ou comportamentos ou ao processo de regulação das próprias emoções; a forma como os indivíduos influenciam as suas próprias emoções ou a forma como influenciam as emoções dos outros e a regulação como processo consciente ou

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