Guião de Entrevista
ENTREVISTA 2 Srª A, cuidadora familiar da D R.B.
Enfª - Tal como tínhamos falado no primeiro dia que nos conhecemos, seria importante ter o
seu testemunho acerca do projeto de prevenção da desnutrição das pessoas idosas acompanhadas no domicílio. Gostaria de lhe fazer umas perguntas acerca do mesmo, se permitir, respondendo ou não sempre que quiser?!
Sra A- Claro que sim, Srª Enfermeira, com muito gosto. Pode começar.
Enfª – Muito bem, então começamos com a primeira pergunta: que informação lhe foi dada
sobre os cuidados com a alimentação entérica?
Sra A - Quando a minha mãe deixou de poder engolir, derivado da doença de Alzheimer, a
enfermeira explicou-me que teríamos de por uma sonda para alimentar a minha mãe e isso chama-se alimentação entérica. Falou-me para fazer a comida toda passada, tudo muito ralinho fazendo o melhor possível para conseguir dar através da sonda. Que confirmasse sempre a temperatura dos alimentos, mas isso eu já fazia. Para ver sempre, antes de dar, com a seringa vazia se tinha algum resíduo no estomago, para ver se fez bem a digestão. Sentá-la o possível para dar a comida e depois ficar assim um bocado. E com os medicamentos que devia esmaga-los e dar com um bocadinho de água. Mas eu sentia que tinha sempre aquela falta de poder mastigar, porque a minha mãe sempre gostou de comer, então chegava-lhe à boca algumas frutas, por exemplo os figos na altura deles, que ela
gostava tanto!
Enfª -Teve a oportunidade de experimentar com a enfermeira, de treinar a técnica antes?
Sra A - Sim ela fez a explicação de tudo, depois fez a apresentação de como fazer e eu
treinei a seguir; peguei na seringa para experimentar, para eu própria sentir, tem que se fazer alguma força!
Enfª - Que informação foi mais importante, que teve mais significado para si?
Sra A - Tem a ver com o cuidado para a sonda não entupir, e para não se deslocar ou tirar.
Numa altura eu sentei-a (à mãe) no cadeirão para mudar a cama e o resultado foi a sonda se ter deslocado, ficou só um bocadinho de sonda lá dentro e não conseguia dar-lhe comida. Entrei em stress, a minha preocupação foi tão grande! Mas liguei para o serviço logo de manha e vieram logo. Não conseguiram introduzir uma nova e teve que ir para o hospital. Mas no hospital também não conseguiram e diziam que ela conseguia engolir normalmente, e eu sabia que não! Mas a médica marcou para ir a uma consulta para marcarem a Peg. Quando cheguei a casa liguei logo outra vez para o serviço e veio cá a Enf S. que conseguiu colocar a sonda muio bem e eu fiquei descansada. Durou até lhe colocarem a Peg.
Enfª- Agora com a Peg está mais descansada!?
Srªa A - Sim, sim, mas tenho todos os cuidados para não sair na mesma, e se isso
acontecer tenho a indicação para ir logo para as urgências. Também tenho muitos cuidados com a pele à volta do tubinho, lavar muito bem com água depois da comida, pelo menos uma seringa de 100ml e ver antes de dar se fez bem a digestão. Quando vim do hospital deram-me muitos papeis, mas se não fossem as Sra Enfermeiras, aquilo para mim era chines. As enfermeiras fizeram um esquema das refeições apartir de toda a informação que vinha lá da nutricionista mas com as coisas que a minha mãe mais gostava de comer, o que me ajudou muito e me fez sentir melhor. Também me deram um panfleto com os cuidados que até tenho colado no frigorífico com o outro esquema. Dá-me jeito de vez em quando olhar para lá.
Enfª- Sabe quais os sinais e sintomas que a sua mãe pode apresentar caso não esteja a
fazer esse plano alimentar adequado?
Sra A - A minha mãe gostava muito de olhar para as mãos, e de ver os aneis, mas agora
estão muito largos, porque ela perdeu peso há uns anos. Mas com a sonda e agora com a Peg vejo que ela está cheiinha de cara e rosadinha.
Enfª - .Sabe a quem recorrer se precisar?
Sra A – Claro, sei que posso recorrer sempre à minha equipa de cuidados continuados
integrados, que tenho ali numa fotografia. É só pegar no telefone. Há sempre um apoio para além do hospital, aqui na nossa casa! É uma das coisas melhores que existe, porque eu quero que a minha mãe aqui continue comigo, e que esteja o melhor possível.
Enfª - Bem, pergunta chave: qual é a sua opinião sobre este projecto cujo objectivo é
prevenir a desnutrição das pessoas idosas com AE no domicílio?
Sra A- Acho que é um projecto que tem muita utilidade e que deve continuar. Foi muito
importante este acompanhamento, deu-me um apoio muito grande. Qualquer coisa que tenho dúvidas ligo para elas.
Enfª - Sente que consegue dar continuidade àquilo que seria a vontade de sua mãe?
Sra A - Sim, sinto que faço como ela gostarIa e que ela se sente bem e eu também fico
bem. A mim dão-me muita força para continuar. Por exemplo, quando fui lá ao serviço para uma sessão para os cuidadores eu vi outras situações, conheci outras pessoas que tinham tantas dificuldades para fazer as comidas e ajudou a troca de ideias, um a dizer como fazia, o outro a dizer que fazia outras coisas. Eu disse como fazia e isso ajudou-os. Também me ajudou a mim, por exemplo para poder dar pão nas refeições, cozinho muitas vezes pão e dou-lhe ao pequeno almoço no leite e ela gosta muito. Ou então quando tem prisão de ventre dou-lhe água quente antes das refeições, mas tenho cuidados com a temperatura da água e do resto, porque sei que ela não sente. Vejo que a minha mãe está confortável. Só tenho a dizer bem de todas na equipa.
Enfª – Muito bem, dou por finalizada esta entrevista, e quero agradecer-lhe muito o seu
contributo.
Sra A – De nada Sra Enf, eu agradeço por tudo que vocês fazem pela minha mãe e por
ANÁLISE DAS ENTREVISTAS
QUADRO DA ANÁLISE DAS ENTREVISTAS