4. Análise e Discussão de Resultados
4.3. O Papel do CG, no Âmbito do Novo Modelo de Administração Escolar
4.3.2. Princípios, Processos e Desempenho da Governança
4.3.2.1. Stakeholders
A composição do CG conta com a participação de diversos grupos com interesses diferenciados na educação (stakeholders), sendo que estes são considerados, por diferentes motivos, parceiros essenciais ao nível do planeamento estratégico da escola. Por outro lado, são estes mesmos elementos que legitimam as ações da escola enquanto instituição e, ao mesmo tempo, têm uma influência direta ou indireta na sua gestão e nos seus resultados.
Existe a consciência de que não contar com as necessidades e perspetivas de alguns dos autores afetados por esse mesmo projeto, seria um fator de risco para a persecução do PEA e para uma tomada de decisão que se pretende democrática. Nesse sentido, sublinhe-se a preocupação sistemática de quem gere estes processos no sentido da maior inclusão e representatividade social possíveis.
4.3.2.1.1. Inclusão Social e Representatividade
Todos os entrevistados consideram fundamental e indispensável o seu grupo de interesse estar representado no CG. Sublinhe-se, no entanto, que estamos perante posições e interesses diferenciados.
A comunidade educativa interna, nomeadamente pessoal docente e não docente e os alunos, têm uma visão mais corporativa e institucional, olhando para a escola em si mesma.
Os representantes dos professores consideram que o conhecimento e a visão global que têm da escola e a visão específica no que a cada ciclo de ensino diz respeito, lhes permite dar um testemunho mais esclarecido e que constitui um contributo importante para a discussão e para a tomada de decisão.
Os representantes do pessoal não-docente têm uma perspetiva mais colaborativa no sentido de partilhar valores e alcançar metas que são comuns a toda a comunidade educativa.
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Os representantes dos alunos vêem na sua participação, por estar mais próxima do poder de decisão, uma forma de obter uma resposta mais eficaz às necessidades deste grupo de interesse.
Ao nível da comunidade educativa externa, os cooptados e representantes do município, demonstram uma visão mais estratégica e até política da escola. Por outro lado, os pais e encarregados de educação são os que se aproximam mais da visão institucional da escola que os conselheiros internos partilham, passando pela imposição de uma maior exigência aos professores no que concerne a questões de âmbito pedagógico e principalmente disciplinar. No anexo 614 temos oportunidade de aferir de forma mais detalhada quais as
posições dos atores sociais no âmbito da sua representação no CG.
No que toca ao nível de articulação entre representantes no CG e os respetivos representados, há ainda um longo caminho a percorrer. Só pontualmente são levadas questões ao CG resultantes de contatos entre ambos, principalmente entre quem representa os pais e os organismos cooptados e os respetivos representados15.
E2 aponta a falta de estruturas intermédias de representatividade para justificar este constrangimento, nomeadamente a não constituição, nos últimos anos, de associações de estudantes e a dificuldade de se constituírem associações de pais.
4.3.2.1.2. Equilíbrio e proporcionalidade
É consensual que tanto o número de representantes por grupo de interesse como o número de grupos de interesse presentes, conferem equilíbrio e proporcionalidade a este CG.
A preocupação de equilibrar as forças entre os que operam dentro e fora da escola tem sido também uma constante e uma prioridade.
Apesar da boa performance evidenciada no que toca à questão da proporcionalidade, são apontados alguns constrangimentos nesse âmbito. E7 dá como exemplo que o representante dos pais da pré-escolar representa no máximo um universo de cem alunos e que ele, sendo o único representante do ensino secundário, representa um universo de mais
14 Quadro 1: Inclusão Social e Representatividade
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de mil. Por outro lado, no CG, estão presentes dois representantes dos pais do segundo e terceiro ciclos, que representam um número de alunos muito menor que o do ensino secundário.
Por outro lado, é apontado um constrangimento ao nível de representatividade que se relaciona com o facto de se continuar a apostar na representação dos cooptados, pela importância da parceria em detrimento dos níveis de participação e presença nas reuniões do CG. A título exemplificativo, um entrevistado afirma que nestes anos todos, determinados representantes de organismos cooptados “devem ter vindo a duas reuniões” (E7).
4.3.2.1.3. Sinergias
Tendo em conta as perceções dos nossos entrevistados16, poder-se-ia talvez esperar
mais das interações e parcerias colaborativas dos membros do CG no que toca a produzir recursos e sinergias para o agrupamento, principalmente como resultado da ação dos representantes dos organismos que são exteriores à escola, mais concretamente os cooptados.
Apesar de algumas iniciativas pontuais, considera-se que poderia haver mais trabalho no âmbito da governança pública, no sentido das parcerias serem mais rentabilizadas. No sentido de justificar um eventual menor empenho do CG nesta matéria, é referido que o órgão de gestão tem tido demasiados problemas para resolver em temos de pensamento estratégico pelo que se tem relegado para segundo plano essas questões que “não são assim tão essenciais” (E8) para a vida da escola.
No entanto, não podemos deixar de sublinhar alguns dos recursos e das sinergias geradas, fruto das parcerias do CG. É o caso da oferta de materiais para a beneficiação de salas de aulas, a disponibilização de espaços físicos para eventos e a permuta de professores em ações de formação, com a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE), a colaboração de algumas entidades em ações de solidariedade social dinamizadas por setores específicos da escola (ex: projeto “Mãos Solidárias”), o apoio financeiro por parte do município na abertura de cursos profissionais (ex.: termalismo), assim como a disponibilização de transportes para visitas de estudo. São ainda destacados o protocolo com a Associação
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Empresarial de Cascais (AEC) que disponibiliza gratuitamente acompanhamento no âmbito da medicina do trabalho às funcionárias do refeitório da escola sede do agrupamento e a colaboração na colocação de alguns alunos dos cursos profissionais do agrupamento em estágios no âmbito da formação em contexto de trabalho (FCT).