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Primeiro Capítulo – De Timely a Marvel: uma trajetória além dos nomes

X- Men 1963 Stan Lee / Jack Kirby

Problemas de brigas em família

Grupo de quatro pessoas que reúnem arquétipos dos quadrinhos em uma única história: cientista; mocinha;

adolescente e cômico.

Hulk 1962 Stan Lee / Jack Kirby

Dupla personalidade / Perseguição pelo

exército

O personagem-título é uma criatura não humana, fora dos padrões conhecidos de super-

heróis. Homem-

Aranha

(Spider- man)

1962 Stan Lee / Steve Ditko

Azarado / Enfrenta problemas financeiros

Personagem principal é um adolescente com as narrativas

desenvolvidas dentro do ambiente da juventude dos

EUA.

Thor 1962

Stan Lee / Larry Lieber / Jack

Kirby

Alter Ego com

problemas na perna (Coxo)

O ambiente mágico do personagem frequentemente combatia elementos ligados à

tecnologia. Homem-

Formiga

(Antman)

1962

Stan Lee / Larry Lieber / Jack

Kirby

Personagem ligado ao fascínio pela

ciência

Estreou com o conto do cientista que encolheu, como várias histórias de fantasia da

época que apresentava temáticas semelhantes. Homem de

Ferro (Iron

Man)

1963

Stan Lee / Larry Lieber / Don Heck Enfrenta problemas cardíacos Temáticas em torno do complexo industrial-militar estadunidense. Doutor Estranho (Doctor Strange)

1963 Stan Lee / Steve Ditko

Ligação com o ocultismo

Sua origem mística e alguns dos coadjuvantes são vinculados à cultura oriental.

X-Men 1963 Stan Lee / Jack Kirby

Narrativas pautadas na discriminação

Algumas habilidades aliadas às deformidades nos corpos

dos personagens. Demolidor

(Daredevil) 1964

Stan Lee / Bill Everett

O personagem é cego

Personagem que usa dupla função de justiça como

advogado e vigilante mascarado.

Tabela 01 – Os personagens da Marvel criados entre 1961 e 1964

Como a maior parte dos artistas da Marvel foram criados em Nova York, e a sede da empresa era localizada nessa cidade, foi natural que ambientassem as narrativas num local que lhes fosse familiar. Desse modo, muitos dos super-heróis da Marvel são inseridos na

cidade e são identificados como nova-iorquinos. Os quadrinistas da Marvel chegavam ao ponto de associar alguns de seus personagens com bairros específicos da cidade.

Embora o nome Marvel já estivesse consolidado desde que retomou as atenções para o mercado de super-heróis, foi apenas em maio de 1963 que a empresa finalmente oficializou uma nova marca e começou a se chamar Marvel Comics. Para fortalecê-la, a editora também introduziu uma caixa com o nome Marvel Comics Group no canto esquerdo superior em todas as capas das revistas Marvel (Figura 05). Em outro esforço de solidificar a marca, as narrativas dos personagens da editora passaram ser chamadas de Universo Marvel (Marvel

Universe), ou seja, as histórias de todos os personagens estariam interligadas entre si, num

mesmo mundo narrativo.

As informações do desempenho da Marvel Comics começaram a chegar ao público em geral. Jornais como Chicago Daily News e The New York Herald Tribune publicaram matérias sobre os recursos da empresa. Stan Lee foi entrevistado por personalidades como Tom Dunn e Mike Wallace46 e o National Observer da Dow Jones & Company informou que a Marvel estava vendendo 33 milhões de revistinhas em um ano. 47 Algumas celebridades, como o diretor de cinema Federico Fellini e o cantor Peter Asher da dupla popular Peter and Gordon, diziam serem fãs da Marvel. Em 1967, o jornal Stars and Stripes, veículo de informação para os militares dos EUA fez uma reportagem especial sobre a Marvel.

Assim, tentando estender os negócios da editora, a Marvel começou a licenciar seus personagens em produtos como bonecos de plástico, passatempos, chapéus, fantasias de

Halloween, cartões comerciais e jogos de tabuleiro, entre outros. E ainda transpôs suas

criações para outras mídias, como a televisão.

1.4 – Consolidação de um trabalho: A Segunda Era Marvel

O ano de 1968 marcou o início da chamada "Segunda Era da Marvel Comics" esse período se iniciou com a ampliação no número de títulos publicados. Desse modo, as revistas com mais de uma história por edição foram desmembradas e duas novas revistas com diversos personagens tendo seus próprios títulos (Tabelas 02 e 03).

Ao final da década de 1960, a Marvel passou por mudanças significativas em seu funcionamento como empresa. A principal veio quando o acordo de distribuição da

46 Conhecidos âncoras de televisão nos Estados Unidos. Wallace inclusive ficou famoso por apresentar o programa 60 minutes, no qual entrevistou entre outros, John Kennedy, Richard Nixon, Ronald Reagan, Ayatollah Khomeini, e Vladimir Putin.

companhia com a Independent News finalmente expirou e Martin Goodman assinou com a

Curtis Circulation, que não limitaria o número de títulos. Com conseguinte, a Marvel agora

poderia publicar todos os títulos na quantidade que quisesse. Desse modo, a editora se movimentou em novas direções.

Título antigo Novo título com numeração contínua

Novo título com numeração nova

Tales of Suspense

(Desde 1959) Captain America #100 Iron Man #01 Tales to Astonish

(Desde 1959) The Incredible Hulk #102 The Sub-Mariner #01 Strange Tales

(Desde 1951) Dr. Strange #169 Nick Fury, Agent of Shield #01 Tabela 02 – As mudanças de títulos Marvel

Novos Títulos

Marvel Super Heroes Silver Surfer Captain Marvel Tabela 03 – Os novos títulos Marvel que foram lançados

Tentando tirar as sobras do que restava da editora, Goodman desativou a Merry

Marvel Marching Society e vendeu a licença de mercadorias Marvel por dez mil dólares a um

empresário de mala direta da Califórnia chamado Don Wallace. Wallace batizou sua empresa de Marvelmania e, embora comprasse anúncios no verso dos gibis, sua operação era independente da editora. A Marvelmania foi responsável pelo lançamento de uma linha de pôsteres, bótons, adesivos, material de escritório e portfólios artísticos. A maioria dessas imagens foi desenhada por Jack Kirby. Mais tarde, isto se estenderia em espuma para banho,

kits de colorização por números, fantasias de Halloween, walkie-talkies, calendários, balões

de festa e buzinas de bicicleta.48

Outra medida tomada envolvia também a rival DC Comics: em 1969, as duas editoras acordaram subir o preço das revistas. Desde o surgimento dos comic books em 1934, o valor de cada revista custava 10 cents de dólar e esse valor assim permaneceu até 1962, quando

48 HOWE, Sean, Op. Cit., p.128.

passou para 12 cents. Por meio do acordo informal entre Marvel e DC, ao final da década de 1960, o custo de cada revista foi a 15 cents.

Em novembro de 1971, um acerto informal pedia que as séries expandissem de 36 para 52 páginas, contudo, com o alto valor de 25 cents por exemplar. Passado um mês, Goodman imediatamente voltou a menos páginas por 20 cents e ofereceu aos donos das bancas uma margem maior de lucro, garantindo à Marvel mais espaço na banca. A DC tentou fazer alarde com seu preço mais alto e revistas mais grossas, mas não foi bem sucedida; quando enfim decidiu voltar aos 20 cents, já era tarde. Pela primeira vez, a Marvel Comics passou a ser a editora de quadrinhos número um no mundo.49 E o valor das revistas da Marvel só seria reajustado novamente em maio de 1974 (Ver anexo II sobre o preço das revistas).

Em 1970, Stan Lee havia recebido autorização de Martin Goodman para publicar uma revista chamada Savage Tales, que não teria supervisão do Comics Code. A estrela da capa era Conan, o Bárbaro, personagem dos pulps de Robert E. Howard do qual a Marvel comprara a licença a US$ 2 mil por edição, mas cujo gibi mensal não permitia nudez, nem decapitações. Com temas e desenhos mais adultos e publicada em formato magazine (formato maior que os quadrinhos tradicionais) e em preto e branco para não se submeter às regras do Código, a revista de Conan foi escrita por Roy Thomas e na maioria das edições trazia os desenhos de John Buscema ou Alfredo Alcala. Ela se tornou um dos maiores sucessos da editora.

Além do lançamento de Conan, outros dois fatos marcaram esse período. O primeiro dele foi a saída de Jack Kirby em 1970, motivada por desavença nos direitos sobre os personagens. A saída de Kirby da editora em direção à rival DC Comics assinalou o fim do período mais criativo da história da Marvel.

O segundo fato foi Stan Lee ter parado de escrever num título regular em 1972. A partir desse momento, o principal nome de criação da Marvel passaria a escrever narrativas apenas ocasionalmente. Lee abria espaço para uma nova geração de artistas que mantiveram a editora como líder de vendas no mercado de quadrinhos.

Além disso, a mudança de foco em narrativas como conotações mais realistas foi um dos fatores que marcaram esse período da Marvel, na chamada Era do Real. Em 1973, por exemplo, a namorada do alter ego do Homem-Aranha à época, Gwen Stacy morreu pelas mãos do maior inimigo do herói, o Duende Verde (Green Goblin), tendo quebrado o pescoço após uma queda da Ponte George Washington em Nova York.

A partir da concepção do Homem-Aranha em 1962, o personagem conviveu com tragédias desde sua gênese. A começar com o assassinato de seu tio Ben que o motivou a se

tornar um combatente do crime, passando por personagens menores como Bennett Brant e Frederick Foswell até culminar na morte do pai de Gwen, o Capitão George Stacy.

A morte da namorada do herói chocou os leitores que protestaram com cartas em desagravo pela decisão dos roteiristas. Contudo, isto serviu para corroborar uma aproximação dos leitores com a realidade mostrando que a morte é algo inevitável e que tragédias podem abater qualquer um. Desse modo, ao longo da década de 1970, as narrativas da Marvel foram marcadas por tragédias, com os personagens enfrentando a morte de entes queridos, principalmente das namoradas dos heróis. 50

Em meados da década de 1970, as revistas da Marvel estavam com circulação em queda similar a de todas as outras editoras. A Marvel mantinha sua posição de número um por meio de uma guerra de desgaste, expandindo sua linha de títulos incessantemente. Apesar das vendas baixas, ganhava mais espaço na banca e tentava vencer a DC no volume. Stan Lee projetou o retorno das revistas em preto e branco que tinha em mente desde que Goodman cancelara Savage Tales.

Como as alterações ocorridas no Código de Ética dos Quadrinhos haviam liberado vampiros e lobisomens, começaram a sair das rotativas títulos como Dracula Lives, Monsters

Unleashed, Tales of the Zombie e Vampire Tales, cada uma com 76 páginas de conteúdo.51

Além desses títulos de terror, a editora seguiu filões ao longo da década de 1970, tentando sincronizar com as tendências que faziam sucesso naquela época seja nos filmes do cinema ou nas séries de TV. Nesse sentido, a Marvel tentou diversificar com a atualização do Código Comics alcançando sucesso moderado a forte com títulos temáticos de artes marciais (Shang-Chi: Master of Kung Fu, Iron Fist), espada e feitiçaria (Conan the Barbarian, Red

Sonja), sátira (Howard the Duck) e ficção científica (adaptações dos filmes 2001: Uma Odisseia no espaço, Star Trek, e uma série de longa duração de Star Wars, e uma produção

original chamada Killraven).

Em outra frente, Stan Lee, que tinha desistido de escrever as histórias do Homem- Aranha nas revistas mensais, não desistiu completamente do personagem. Em janeiro de 1977, o aracnídeo estreou sua tira de quadrinhos nos jornais americanos escrita por Lee e desenhada por John Romita Sr. The Amazing Spider-Man se tornou uma tira de quadrinhos de

50 Para corroborar com essa ideia, podemos destacar alguns exemplos de mortes de personagens femininas ligadas aos heróis: Janice Cord (namorada de Tony Stark/Homem de Ferro); Dorma (noiva de Namor, o Príncipe Submarino); Jarella (namorada do Hulk); Sharon Carter (namorada de Steve Rogers/Capitão América). Todas elas morreram de forma brutal.

aventura de sucesso, e isso permitiu que a Marvel lançasse outras tiras de quadrinhos, tais como: The Incredible Hulk, Conan The Barbarian e Howard The Duck.

A década marcou transformações nos rumos da Marvel, sobretudo no que diz respeito à mudança na chefia da editora. Stan Lee atuou como redator-chefe da Marvel desde 1941, sucedendo Joe Simon até 1972, quando se tornou editor da empresa. Roy Thomas então se tornou o novo redator-chefe até se demitir em 1974 para editar apenas os quadrinhos que ele mesmo escrevesse. Uma rápida sucessão de novos redatores-chefes se seguiu, incluindo Len Wein, Marv Wolfman, Gerry Conway e Archie Goodwin.

Finalmente, o editor-assistente Jim Shooter, que escrevia quadrinhos profissionalmente desde os quatorze anos, foi promovido a redator-chefe em 1978. Shooter preparou a editora para encarar a nova década que se aproximava quando a empresa estava produzindo entre 31 a 35 títulos por mês, incluindo revistas voltadas para leitores mais velhos.

1.5 - A diversificação de público

Em 1980, a Marvel estava em constante movimento. O principal canal da empresa para vender seus quadrinhos eram quiosques localizados em pequenas lojas. Vendendo para lojas de quadrinhos desde 1976, a empresa decidiu fazer uma grande aposta: lançou a primeira edição de um novo título mensal exclusivamente através de lojas de quadrinhos52. A aposta deu certo e a revista Dazzler nº01 vendeu 428 mil cópias53, dando o impulso necessário para as vendas em lojas especializadas.

Na questão editorial, coordenar a continuidade cada vez mais complexa entre os títulos também estava virando um fardo. Uma das marcas do Universo Marvel era ser uma narrativa grande e unificada, onde tudo que acontecia num título teria impacto potencial em todos os outros. Isso era gerenciável quando Stan Lee supervisionava pessoalmente oito revistas por mês, mas “quase impossível quando um quadro de roteiristas emotivos, nos seus vinte e poucos anos, queriam deixar a imaginação vagar – ou quando a contabilidade pedia expansão da franquia.” 54

52 O mercado direto é a distribuição dominante e rede de varejo de livros em quadrinhos americanos. Trata-se de um distribuidor dominante e a maioria dos quadrinhos de lojas especializadas, bem como outros varejistas de livros em quadrinhos e mercadorias relacionadas. O nome já não é uma descrição totalmente exata do modelo pelo qual ela opera, mas deriva de sua implementação original: os varejistas contornando distribuidores existentes para fazer compras "diretas" de editoras. A característica definidora do mercado direto não é retornabilidade: ao contrário de livraria e banca de jornal de distribuição, a distribuição para o mercado direto proíbe distribuidores e varejistas de retornar as suas mercadorias não vendidas para as restituições.

53 SAUNDERS, Catherine. SCOTT, Heather, MARCH, Julia & DOUGAL, Alastair. Op. cit., p.150. 54 HOWE, Sean. Op. Cit., p.156.

Unindo a questão editorial com as formas de comercialização do material, os editores da Marvel procuraram alcançar um novo público consumidor de suas histórias, mais maduro e com maior poder aquisitivo. Assim, em 1982 a editora lançou a Epic, uma revista formato

magazine, de ficção científica, nos moldes da famosa publicação francesa chamada “Métal

Hurlant”. Ela daria sequência à tendência da impressão colorida de alta qualidade e os autores ganhariam royalties, ou seja, o principal diferencial do magazine era que os autores retinham os direitos de suas histórias, o que atraiu muitos nomes de peso entre eles, Wendy Pini, Leo Duradona, Dave Sim e Carl Potts que vislumbravam o sucesso com revistas de nível superior, com faixa de lucro maior, destinadas a leitores com renda extra e pretensões de sofisticação.

A ideia de produzir uma linha de produtos de maior qualidade para o mercado de fãs já tinha sido abordada anteriormente. O editor Archie Goodwin afirmara que “com uma nova abordagem da distribuição poderia se pensar em termos de novos formatos para os quadrinhos e começar a adequá-los a públicos bem particulares, em vez de produzir para a venda em massa. Seria possível até fazer quadrinhos com perfil de livraria”. 55 Mesmo que as vendas de novos quadrinhos no geral estivessem em queda, o mercado de fãs e colecionadores havia crescido – as vendas sem devolução da Marvel haviam crescido vinte vezes em apenas cincos anos – e outros haviam descoberto formas de se beneficiar.56

Lançado pelo editor-chefe Jim Shooter como um spin-off 57 da revista de sucesso Epic

Illustrated, o cunho épico permitiu a seus criadores manter o controle e a posse de suas

propriedades. Coeditado por Al Milgrom e Archie Goodwin, a marca também permitiu a

Marvel publicar conteúdo mais objetivo sem a necessidade de cumprir o rigoroso Comics Code Authorithy. Os títulos foram impressos em papel de qualidade superior a dos quadrinhos

típicos da Marvel e estavam disponíveis apenas por meio do mercado direto.

O primeiro projeto foi Dreadstar, uma história passada no espaço sideral e elaborada pelo escritor-artista Jim Starlin, publicado em novembro de 1982. Dreadstar tinha aparecido pela primeira vez na revista Epic Illustrated na edição nº3. Títulos subsequentes incluíram

Coyote por Steve Englehart; Alien Legion (uma série de guerra ambientada no espaço, criado

por Carl Potts, mas escrito por outros); Starstruck, uma trama satírica sobre lutadores da liberdade do sexo feminino por Elaine Lee e Michael Kaluta; Sisterhood of Steel, uma saga de elite composta por mulheres guerreiras escrita por Christy Marx e Mike Vosburg; e Indigo, um título controverso escrito por Steve Gerber.

55 GOODWIN, Archie citado por HOWE, Sean. Op. Cit., p. 216.

56Essa “adultização” dos quadrinhos da Marvel e a comercialização das chamadas Graphic Novels, serão debatidas no capítulo 03 desse trabalho.

Contudo, o elevado preço de capa e o excesso de fantasia impediram uma maior popularidade de Epic, que foi cancelada pouco mais de 30 números depois, em fevereiro de 1986. Mas, o título gerou o selo Epic Comics dedicado a quadrinhos alternativos, como Groo de Sérgio Aragonés e a própria série Dreadstar, de Jim Starlin. 58

Embora a Epic Comics fosse para ser uma linha de propriedade do criador, as vendas iniciais baixas fizeram com que o selo passasse a publicar edições especiais de personagens da linha normal da Marvel produzidas por alguns de seus mais renomados artistas. Assim sendo, foi lançada Elektra: Assassin, protagonizada pela ninja assassina das narrativas do Demolidor; Fusão (Meltdown), uma minissérie protagonizada pelos heróis Destrutor (Havok) e Wolverine dos X-Men; Homem de Ferro: Crash e a minissérie Surfista Prateado:

Parábola, lidando com temas messiânicos, escrita por Stan Lee e com a arte pelo francês Jean

Giraud, mais conhecido como Moebius. 59

O selo Epic Comics ainda licenciou uma variedade de material literário, os quais os mais conhecidos eram os romances e contos de Clive Barker, incluindo Hellraiser,

Nightbreed e Weaveworld. Outras obras adaptadas incluem de Tekworld, de William Shatner,

as antologias Wild Cards e Neuromancer de William Gibson. Além disso, trouxe a linha orientada para a ação de artistas famosos da Marvel com o material de Peter David (Sachs e

Violens), Howard Chaykin (Midnight Men), Gerard Jones (The Trouble with Girls), Joe

Kubert (Abraham Stone), Ron Lim (Dragon Lines) e Steve Purcell (Sam & Max).

A linha da Epic Comics foi encerrada no início de 1996, quando completou a reimpressão do mangá Akira. Em 2003, a marca foi trazida de volta, com dois objetivos: observar novos projetos de propriedade do criador e oferecer a novos talentos a oportunidade de trabalhar em propriedades da Marvel menos conhecidas.

A nova Epic Comics recebeu considerável atenção com “Trouble”, uma minissérie de Mark Millar, que supostamente seria uma Retcon60 do mito do Homem-Aranha, revelando detalhes da adolescência de sua tia May Parker. Mas apesar de todos os personagens principais ostentarem nomes conhecidos dos fãs do Homem-Aranha, não houve nenhuma revelação explícita que poderia afetar a narrativa natural do Universo Marvel. Como não atingiu o sucesso esperado, a linha foi cancelada definitivamente.

58

GUEDES, Roberto. Op. Cit., p. 141.

59 A Epic Comics também foi notável como uma das primeiras editoras de quadrinhos americanos a liberar o material originalmente produzido em outros países, como as graphic novels de Moebius, Airtight Garage, The

Incal e Blueberry, publicado em traduções para o inglês por Jean-Marc Lofficier & Randy Lofficier. A Epic

também publicou mangá clássico de Katsuhiro Otomo Akira, com traduções por Mary Jo Duffy. 60 A discussão em torno das chamadas retcons será debatido no capítulo 04 desse trabalho.

Mesmo buscando um público mais adulto, a Marvel continuou voltada para o mercado infantil. Nesse sentido, em 1982, a Marvel começou um relacionamento que continuou até a década de 1990 com a Hasbro Industries, uma empresa de brinquedos bem conhecida pela comercialização dos bonecos Mr. Potato Head e G.I. Joe.61 esse último era uma linha de

bonecos militares que foram bastante populares entre 1964 a 1978.

Nesse mesmo ano do acordo, a Hasbro relançou a linha de bonecos G.I. Joe. Nessa época havia uma série de restrições de como brinquedos relacionados à guerra poderiam ser

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