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STAR SYSTEM: A IMAGEM FEMININA

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O modelo star system surgiu na década de 1920 nos Estados Unidos. Foi um movimento que sustentou e convencionou o modo de fazer cinema em Hollywood. O cinema baseado no star system deu sustentação para a construção da narrativa clássica cinematográfica, além de ter sido um dos responsáveis pela formação do imaginário social no ocidente.

O cinema norte-americano clássico serviu e serve como modelo para se fazer cinema em todo o mundo, sendo exemplo para ser seguido na sua produção e realização, mais também em sua forma de representação, ultrapassou suas fronteiras e povoou o imaginário ocidental (GUBERNIKOFF, 2009, p.68).

Para entender o cinema narrativo clássico, faz-se necessário compreender o específico cinematográfico, ou seja, a montagem, a iluminação, a composição de imagens, o enquadramento fotográfico, o movimento da câmera etc., ou seja, aquilo que se convencionou chamar de linguagem cinematográfica, que é a soma de todos esses elementos com a finalidade de construir significados para o filme.

38 A construção da imagem - cenário, figurino, maquiagem, etc - a composição da imagem na tela, o movimento dentro do quadro dos atores, gera significados relativos à especificidade do enredo. O enquadramento combinado com a movimentação da câmera pode induzir a uma dada significação dentro da narrativa. A decoupagem, ou seja, a divisão do filme em planos, cenas e sequências, conduz à criação de uma temporalidade e de uma especificidade àquela narrativa/trama. O trabalho da câmera em planos mais fechados leva a uma densidade psicológica do personagem, ressaltando detalhes da expressão e, principalmente, a montagem em continuidade, institucionalizada pelo cinema clássico (GUBERNIKOFF, 2009, p. 68).

A soma de todos esses elementos gera um significado para o filme. É a representação de um mundo que o cinema deseja alcançar e que nos meios teóricos do cinema é conhecido como a "impressão da realidade".

De acordo com Ismail Xavier, o discurso cinematográfico de Hollywood passa a contar com as seguintes características: A tentativa de reproduzir fielmente as aparências imediatas do mundo natural, montagem "invisível", com o objetivo de produzir a ilusão de realidade (LEITE, 2003, p. 37).

De acordo com Gubernikoff (2009), o objetivo principal é o de criar uma verossimilhança com a realidade, desse modo passando a ideia de um mundo real. A produção de significado no cinema se origina de uma pluralidade de discursos.

As primeiras estrelas de cinema, no início do século, eram extremamente jovens e, nesse sentido, Gubernikoff assevera que:

Juventude e beleza passaram a ser considerações essenciais no cinema e, consequentemente, a decência era rigidamente observada. A partir daí, começou a idealização dos encantos femininos, que normalmente giravam em torno de características como candura, vivacidade e educação primorosa (GUBERNIKOFF, 2016, p. 54).

Para fazer contraposição a essa mulher com característica quase virginal, até certo ponto indefesa e incapaz, surgem outros estereótipos, como o da mulher sedutora, perigosa e imoral, o perfil da mulher como megera, sendo a primeira com conotação positiva e a outra representa a rejeição e a antipatia.

39 figura dos atores, padrões de beleza e de comportamento. Berardo Bueno (2012) afirma que através das representações fílmicas se percebem arquétipos, que são conceitos que permanecem no inconsciente através da repetição, enquanto os estereótipos são conceitos pré-concebidos de padrões sociais na atualidade, funcionando de maneira limitada e generalizada, geralmente sobre um determinado grupo. No arquétipo, essa “construção psicológica varia de acordo com cada indivíduo, mas mantém um padrão original, um significado comum, pois está relacionada ao imaginário social ou inconsciente coletivo” (BERARDO BUENO, 2012, p. 24).

Dentro desse contexto, as estrelas têm suas imagens moldadas para se enquadrarem em padrões bem definidos. Assim:

o cinema clássico narrativo constrói suas personagens baseadas em rótulos e estereótipos, ou seja, características padronizadas esperadas para cada grupo social, masculinidade e feminilidade, características e padrões de comportamento para os mocinhos e bandidos (ALVES; COELHO, 2015, p.162).

Muitos desses rótulos e estereótipos os atores e atrizes já possuem, porém o cinema intensifica esses papéis de gênero. Como diz Judith Butler (2017), os papéis de gênero são socialmente definidos:

Atos, gestos e atuação, entendidos em termos gerais são performativos, no sentido de que a essência ou a identidade que por outro lado pretende expressar são fabricações manufaturadas e sustentadas por signos corpóreos e outros meios discursivos (BUTLER, 2017, p.235).

No caso do cinema, esses papéis são acentuados. Isto é, se as características de feminilidade e masculinidade são uma performance, no cinema esses estereótipos de feminilidade e masculinidade são intensificados. Esse padrão estabelecido pelo cinema norte-americano passa a ditar as referências de moda, de comportamento e de estilo de vida. O mais comum é que as mocinhas/boazinhas sejam sempre brancas, magras e heterossexuais; no caso dos heróis, são sempre corajosos e fortes. O cinema reproduz um modelo de feminino e masculino. O cinema hegemônico estigmatiza as pessoas.

40 público consumidor do cinema hegemônico está acostumada com os padrões de comportamentos esperados para os corpos masculinos e femininos” (ALVES; COELHO, 2015, p.162), os filmes são elaborados a partir de elementos culturais reconhecidos pela maioria da sociedade, e, dessa maneira, acabam selecionando e reforçando determinado tipo de construção social, que passa a ser reproduzido como verdade absoluta.

Portanto, o cinema norte-americano não só propagou uma forma de produção e distribuição de filmes, mas também de valores e ideologias enraizados socialmente.

O cinema está diretamente implicado à produção e reprodução de significados, de valores e ideologias, tanto na sociabilidade quanto na subjetividade, é melhor entendê-lo como uma prática significante, um trabalho de simbiose: um trabalho que produz efeitos de significação e de percepção, auto-imagem e posições subjetivas, para todos aqueles envolvidos, realizadores e espectadores, é, por tanto, um processo semiótico no qual o sujeito e continuamente engajado, representado e inscrito na ideologia" (LAURENTIS, 1978, p. 37).

Desde o início o cinema Hollywoodiano foi conivente com as ideologias patriarcais, reproduzindo e incentivando a representação da mulher submissa e frágil. É óbvio que existem filmes que fogem à regra.

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