Em vista do exposto até a presente analiso, a respeito da atividade empresaria. Cabe trazer à pesquisa a experiência havida nos Estados Unidos da América.
O Presidente Ronald Reagan, então Presidente dos Estados Unidos da América, em razão da visão utilitarista, mercenarista e lucrativa dos grandes atores empresarias de sua época implementou ampla regulação estatal, para que fosse repelida de forma eficaz a análise de custo benefício (ACB) na atividade empresarial.
Nesse passo, segundo Eduardo Carlos Bianca Bittar e Fabiana de Menezes Soares25
(2004):
Foi após o seu renascimento nas décadas de 1980 e 90 que a ACB tornou-se um dos instrumentos mais importantes para formulação e implementação de regulamentos no sistema norte-americano. O governo Reagan exigiu que as agências regulatórias demonstrassem, em suas principais regulações, que os benefícios gerados excediam os custos.O governo Clinton deu continuidade à política, apesar de reconhecer que nem todos os benefícios eram quantificáveis em termos monetários." Portanto, hoje o sistema jurídico norte- americano exige que grande parte das propostas regulatórias sejam submetidas a ACB e sua aprovação apenas ocorre se seus benefícios superarem seus custos. (BITTAR e SOARES, p. 35).
25 BITTAR, Eduardo Carlos Bianca; SOARES, Fabiana de Menezes. Temas de filosofia do direito: novos
cenários, velhas questões. São Paulo: Manole, 2004, p. 35.
Porém, cabe consignar que dentro do mesmo cenário do Governo Reagan, houveram sucessivas desregulamentações em diversos setores da economia americana de forma paulatina, a saber, nos setores financeiro, tecnologia, telecomunicações e transportes aéreos. Dentre outros segmentos.
Robert B. Reich26 retrata este painel econômico conflitante (2008):
O impulso da desregulamentação da economia, imagem invertida do avanço para a regulamentação que ocorrera nas últimas duas grandes guerras, impulsionado por Herbert Croly e pelos progressistas da época, não raro é atribuído à empolgação de Ronald Reagan pelo livre mercado. [...]. (REICH, 2008, p. 65).
Dentro do escopo da desregulamentação, retrata Reich que o efeito foi contrário. Pois, para controlar a desregulamentação, normas foram criadas para delimitar alguns termos técnicos empregados pelos setores. (REICH, 2008, p. 158).
Nesse sentido, cabe salientar que a perda do paradigma regulatório nos Estados Unidos da América é tão relevante que, diante dos debates em relação aos cigarros eletrônicos, a FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora americana, teve de intervir, diante da comprovação técnica dos malefícios causados pelo cigarro eletrônico, criando ostensiva propaganda a respeito do produto.
Isso porque, quanto ao cigarro tradicional, várias empresas americanas foram condenadas à pagarem indenizações às vítimas ou familiares das vítimas por meio de decisões judiciais que reconhecem que o simples fato das pessoas estarem viciadas no hábito de fumar, isto já caracteriza o fato gerador para a indenização, ao fumante ou à família do fumante (nos casos de falecimento).
No Brasil não foi firmado entendimento jurisprudencial no sentido de indenizar ao fumante ou à família do fumante.
26 REICH, Robert B. Como o capitalismo tem transformado os negócios, a democracia e o cotidiano. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2008, p. 65 e 158.
No entanto, o Brasil saiu na frente de outros países, dentre eles, os Estados Unidos da América, ao regulamentar a proibição do uso do cigarro eletrônico, nos termos da Resolução de Diretoria Colegiada da Anvisa, RDC 46, de 28 de agosto de 2009.
Por outro lado, a regulamentação do setor de industrialização e comercialização de produtos fumígeros no Brasil não é respeitada.
Nesse sentido, adverte a Aliança Contra o Tabagismo27 em sua página na internet que:
Como todo produto que faz mal à saúde – não só do consumidor, mas do fumante passivo e aos cofres públicos – o cigarro deve ser fortemente regulamentado. Como produto de consumo, as disposições do Código de Defesa do Consumidor aplicam-se ao cigarro no que diz respeito à publicidade, direito à informação, responsabilidade civil etc. Os malefícios dos produtos fumígenos para a saúde pública e seus reflexos na sociedade brasileira fazem com que a própria Constituição Federal, em seu art. 220, §4º, determine a restrição à sua publicidade e a advertência sobre seus malefícios. O Brasil é signatário da Convenção Quadro para o Controle do Tabagismo – CQCT, primeiro tratado internacional de saúde pública, que, uma vez ratificado pelo Congresso Nacional, foi incorporado ao ordenamento jurídico nacional por meio do Decreto 5.658/2006. As disposições da CQCT devem se tornar políticas públicas nacionais. Para isso, o governo criou a Comissão Nacional para
a Implementação da Convenção Quadro – CONICQ (Decreto de 1º de
agosto de 2003), constituída por vários ministérios. Infelizmente, a CONICQ ainda está fechada à participação regular da sociedade civil, muito embora a CQCT tenha como um dos princípios norteadores (artigo 4º, item 7), a participação da sociedade civil como algo essencial para que sejam atingidos os objetivos do tratado. A ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária é o órgão responsável por registrar os produtos derivados do tabaco. Através de normas internas, em geral resoluções, a ANVISA regulamenta, controla e fiscaliza a produção,
27 Aliança de Controle do Tabagismo. Legislação. Disponível em: <
http://www.actbr.org.br/tabagismo/legislacao290 >. Acesso em: 12/01/2014.
comercialização e publicidade de produtos derivados do tabaco – Lei 9.782, de 26 de janeiro de 1999, artigo 8º, inciso X. O tabaco também é regulamentado pela lei 9.294/96, que dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígeros, e sobre as advertências nas embalagens destes produtos, alterada pela Medida Provisória 2.190/2001, e pelas leis 10.167/2000 e 12.546/2011, esta última em vigor a partir de 15 de dezembro de 2011.
Contata-se, claramente, neste caso, a omissão do Estado ao não fiscalizar e coibir a industrialização e comercialização de produtos fumígeros. Descumprindo, desta forma, a legislação brasileira e o tratado internacional Convenção Quadro para o Controle do Tabagismo
– CQCT (Organização Mundial da Saúde), internalizado por meio do Decreto 5.658/2006.
Eros Roberto Grau28 contextualiza a definição do princípio da ordem econômica na defesa do meio ambiente:
Princípio da ordem econômica constitui também a defesa do meio ambiente (art. 170, VI). Trata-se de princípio constitucional impositivo
(Canotilho), que cumpre dupla função, qual os anteriormente referidos. Assume também, assim, a feição de diretriz (Dworkin) —
norma-objetivo — dotada de caráter constitucional conformador,
justificando a reivindicação pela realização de políticas públicas. Também a esse princípio a Constituição desde logo, especialmente em seu art. 225 e parágrafos — mas também nos seus arts. 52, LXXIII; 23,
VI e VII; 24, VI e VIII; 129, III; 174, § 3a; 200, VIII e 216, V — confere concreção. A Constituição, destarte, dá vigorosa resposta às correntes que propõem a exploração predatória dos recursos naturais, abroqueladas sobre o argumento, obscurantista, segundo o qual as preocupações com a defesa do meio ambiente envolvem proposta de "retorno à barbárie". O Capítulo VI do seu Título VIII,
embora integrado por um só artigo e seus parágrafos — justamente
o art. 225 — é bastante avançado. Ainda que isso não chegue a ser
28 ROBERTO GRAU, Eros, A Ordem Econômica e Financeira de 1988. 6 ed. São Paulo, Malheiros, 2001, p.
275 e 276.
surpreendente, é notável o fato de ter a sociedade brasileira logrado a obtenção das conquistas sociais — que de conquistas sociais
verdadeiramente se trata — ao menos no nível formal, da
Constituição, consagrados. Explico-me: embora a crítica da utilização do fator trabalho no processo econômico capitalista seja centenária, ainda não foi desenvolvida, no campo teórico, de modo completo, a crítica da utilização, naquele processo, do fator recursos naturais. Daí porque a efetividade, ainda que formal, dessas conquistas é proporcionalmente maior do que aquelas que se poderia resumir na afirmação da "valorização do trabalho humano". [...]. (GRAU, 2001, p. 275 e 276).
Pode-se afirmar de acordo com o entendimento acima exposto que a não defesa do meio ambiente é patente retrocesso aos direitos fundamentais em razão da exploração degradante do meio ambiente e desrespeito aos direitos humanos e fundamentais.
Ingo Wolfgang Sarlet e Tiago Fensterseifer (2014), ponderam a respeito dos princípios da defesa do meio ambiente, vinculando-os à teoria do Capitalismo Social ou do Estado Socioambiental:
Os princípios que regem o desenvolvimento ambiental e socialmente sustentável devem pautar e vincular as condutas públicas e privadas no seu trânsito pela órbita econômica. Na linha defendida por Derani, consideradas as prescrições constitucionais operantes no que diz com a ordem econômica, em razão da vinculação da garantia da propriedade privada ao desempenho de uma função social (arts. 5°, XXIII, e 170, III), estaríamos diante de uma espécie de capitalismo social64 (ou
socioambiental, de maneira afinada com a concepção de Estado ora advogada) ao passo que o desenvolvimento econômico encontra limites no interesse coletivo, devendo servir apenas como meio (e não um fim em si mesmo) de realização dos valores fundamentais do Estado de Direito e da comunidade político-estatal. É com razão, portanto - e a lição se revela perfeitamente compatível com o nosso próprio modelo -, que Perez Luno aponta para a opção constitucional espanhola de tutela
ambiental, objetivando um modelo de desenvolvimento econômico e humano de resgate do "ser" (qualitativo) em detrimento de um modelo predatório do "ter" (quantitativo), não sendo à toa que a garantia de uma existência digna foi erigida à condição de objetivo maior da ordem
econômica na CF/1988.65
Observa-se, mais uma vez, o receio do retrocesso dos direitos humanos e fundamentais os quais devem ser considerados no âmbito da defesa do meio ambiente e direitos de solidariedade por permitirem conexão de direitos entre gerações, as quais deverão, em conjunto com o Estado, proverem a preservação ecológica.
A respeito do Estado socioambiental, Pureza29 citado por Ingo Wolfgang Sarlet e Tiago
Fensterseifer (2014), o constrói a partir da Revolução Francesa:
A edificação do Estado Socioambiental de Direito, é importante consignar, não representa uma espécie de "marco zero" na construção da comunidade político-jurídica estatal, mas apenas mais um passo de uma caminhada contínua, embora marcada por profundas tensões, conflitos, avanços e retrocessos, iniciada sob a égide do Estado Liberal, muito embora suas origens sejam, em grande parte, mais remotas. O novo modelo de Estado de Direito objetiva uma salvaguarda cada vez maior da dignidade humana e de todos os direitos fundamentais (de todas as dimensões), em vista de uma (re)construção histórica permanente dos seus conteúdos normativos, já que, como refere Hãberle30, ao destacar a importância histórica da Revolução Francesa, em 1789, existe uma eterna peregrinação, constituída de inúmeras etapas, em direção ao Estado Constitucional31. Nessa mesma linha, Pureza refere que o modelo de Estado de Direito Ambiental revela a incorporação de uma nova dimensão para completar o elenco dos objetivos fundamentais do Estado de Direito contemporâneo, qual seja, a proteção do ambiente, que
29 PUREZA, Tribunais natureza e sociedade, p. 27. In:SARLET, Ingo Wolfgang; FENSTERSEIFER, Tiago.
Direito Constitucional Ambiental: Constituição, Direitos Fundamentais e Proteção do Ambiente. 4 ed. São
Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014, p. 122.
30 HÃBERLE, Peter, A dignidade humana como fundamento, p. 102. In: SARLET, Ingo Wolfgang;
FENSTERSEIFER, Tiago. Direito Constitucional Ambiental: Constituição, Direitos Fundamentais e
Proteção do Ambiente. 4 ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014, p. 122.
31 Ibid.
se articula dialeticamente com as outras dimensões já plenamente consagradas ao longo do percurso histórico do Estado de Direito, designadamente a proteção dos direitos fundamentais, a realização de uma democracia política participativa, a disciplina e regulação da atividade econômica pelo poder político democrático e a realização de objetivos de justiça social. (SARLET e FENSTERSEIFER, 2014, p. 122).
Ingo Wolfgang Sarlet e Tiago Fensterseifer32 (2014) conceituam o Estado Socioambiental de Direito nos seguintes parâmetros:
Assim, o Estado Socioambiental de Direito, longe de ser um Estado
“Mínimo” e permissivo com o livre jogo dos atores econômicos, deve ser
um Estado regulador da atividade econômica, capaz de dirigi-la e ajustá- la aos valores e princípios constitucionais, objetivando o desenvolvimento humano e social de forma ambientalmente sustentável. (SARLET e FENSTERSEIFER, 2014, p. 127).
Conforme analisado, a regulação estatal é a mola mestra do Estado Socioambiental de Direito no Brasil, em razão da ampla garantia constitucional aos direitos humanos e fundamentais às presentes e futuras gerações.
A mudança de paradigma dos atores econômicos deverá ocorrer de forma rápida, sob pena da impossibilidade de ordenação e recuperação dos recursos naturais. Seja por meio de políticas públicas de regulação ou por intermédio de punições proporcionais aos efetivos danos causados ao meio ambiente.
Os critérios ensejadores dessa mudança de paradigma serão delineados por uma atuação estatal mais ativa e comprometida com o destino do meio ambiente para a presente e futuras gerações, bem como, da participação ativa da sociedade nos processos decisórios em matéria ambiental.
CONCLUSÃO
32 SARLET, Ingo Wolfgang; FENSTERSEIFER, Tiago. Direito Constitucional Ambiental: Constituição,
Direitos Fundamentais e Proteção do Ambiente. 4 ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014, p.127.
In: FREITAS, Juarez. Sustentabilidade: direito ao futuro. 2 ed. Belo Horizonte: Fórum, 2011, p. 229-280.
A presente pesquisa procurou apontar a atividade empresarial e os seus limites impostos pelo Estado Socioambiental de Direito, o qual procura conter por meio da regulação estatal eventual atividade que possa ou que efetivamente degrade o meio ambiente e causem risco à sociedade.
A Constituição Federal de 1988, conforme demonstrado, estabeleceu valiosos instrumentos para a proteção do meio ambiente às presentes e futuras gerações.
Porém, o poder público, a livre iniciativa e a sociedade, necessitam convergirem no sentido de defenderem o meio ambiente e proporcionar a todos uma melhor qualidade de vida.
A atividade empresária sustentável deve ser desenvolvida com base no princípio da sustentabilidade e demais princípios constitucionais citados neste trabalho, de proteção ao meio ambiente às presentes e futuras gerações.
A autorregulação propiciaria aos atores empresariais prevenirem grandes impactos ambientais, possibilitando o desenvolvimento sustentável.
Isto poderia ser realizado por meio do incentivo Estatal e do setor privado, para a realização de pesquisas e investimento tecnológico com escopo no crescimento econômico ordenado, vinculando-o, ao princípio do desenvolvimento sustentável.
Constata-se que a atividade empresária que depende de forma direta com o meio ambiente, mesmo antes da implementação e da discussão em face da proteção do meio ambiente, raramente se autorregula. Isso porque, contam com o domínio econômico, o mercenarismo estatal e ausência de punição do poder público. Incluindo-se o Poder Judiciário. O Estado estabeleceu a regulação econômica visando a ordenação da atividade empresarial pautado no princípio da sustentabilidade.
Na concepção do Estado Socioambiental de Direito, além da ordenação da atividade econômica e financeira é inserido o princípio do desenvolvimento sustentável.
Nesse passo, patente é a orientação imposta pelo Estado, para a racionalização da produção ou circulação de mercadoria e prestação de serviços, o qual visa evitar a escassez abrupta de recursos ambientais.
Deste modo, o impacto da atividade empresarial no meio ambiente diante do crescimento econômico é a mola mestra do Estado Socioambiental de Direito.
A imposição da regulação do mercado sob o enfoque do desenvolvimento sustentável é estabelecida na Constituição Federal de 1988, a qual reconhece os direitos humanos e fundamentais ambientais.
Nesse âmbito Joaquim José Gomes Canotilho33 leciona:
A força normativa da Constituição ambiental dependerá da concretização do programa jurídico-constitucional, pois qualquer Constituição do ambiente só poderá lograr força normativa se os vários agentes – públicos e privados – que actuem sobre o ambiente o colocarem como fim e medida das suas decisões34. Neste sentido, é legítimo falar de ecologização da ordem jurídica portuguesa sob vários pontos de vista. Em primeiro lugar, o direito do ambiente, além do seu conteúdo e força própria como direito constitucional fundamental, ergue-se a bem constitucional devendo os vários decisores (legislador, tribunais, administração) tomar em conta na solução de conflitos constitucionais esta reserva constitucional do bem ambiente. Em segundo lugar, a liberdade de conformação política do legislador no âmbito das políticas ambientais tem menos folga no que respeita à reversibilidade político- jurídica da protecção ambiental, sendo-lhe vedado adoptar novas políticas que se traduzam em retrocesso retroactivo de posições jurídico- ambientais fortemente enraizadas na cultura dos povos e na consciência jurídica geral. Em terceiro lugar, o sucessivo e reiterado incumprimento dos preceitos da Constituição do ambiente (nos vários níveis: nacional, europeu e internacional) poderá gerar situações de omissão constitucional conducentes à responsabilidade ecológica e ambiental do Estado. Em quarto lugar, o Estado (e demais operadores públicos e
33 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. O Princípio da sustentabilidade como Princípio estruturante do Direito
Constitucional. Tékhne [online]. 2010, n.13 [citado 2015-01-15], pp. 07-18 . Disponível em: <http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-
99112010000100002&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1645-9911.
34 Ch. Caliess, Rechtsstaat und Umwelstaat, Tübingen, 2001, p. 74 e segs. Alexandra Aragão, “Direito Constitucional do Ambiente e a União Europeia”, in J.J. Gomes Canotilho/J. Rubens Morato Leite (org.), Direito Constitucional Ambiental Luso-Brasileiro, cit., p. 36 e segs. In: CANOTILHO, José Joaquim Gomes. O Princípio da sustentabilidade como Princípio estruturante do Direito Constitucional. Tékhne [online]. 2010, n.13
[citado 2015-01-15], pp. 07-18 . Disponível em:
<http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645- 99112010000100002&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1645-9911.
privados) é obrigado a um agir activo e positivo na protecção do ambiente, qualquer que seja a forma jurídica dessa actuação (normativa, planeadora, executiva, judicial). Esta protecção, como se verá adiante, vai muito para além da defesa contra simples perigos, antes exige um particular dever de cuidado perante os riscos típicos da sociedade de risco.
Isto foi estabelecido para que haja efetivação da proteção dos direitos humanos e fundamentais para às presentes e futuras gerações.
Nesse passo, o papel do Estado Socioambiental, visa proteger o ser humano e o meio ambiente, tornando-se um Estado regulador da atividade econômica, com vistas a evitar riscos à sociedade.
Este Estado funda-se no convívio social e econômico com vistas ao desenvolvimento sustentável de forma segura e efetiva.
Nesse âmbito, os atores empresariais no exercício da atividade empresária, deverão primar pelas melhores técnicas de uso, reuso e manejo ambiental e, além disso, primar pela saúde do ser humano, da fauna e da flora em sua plenitude.
Pode-se constatar no presente trabalho que o crescimento econômico deve estar balizado no desenvolvimento sustentável, sob pena dos atores nacionais e internacionais violarem os direitos humanos e fundamentais ambientais, conforme casos citados na presente pesquisa.
O crescimento econômico poderá, se necessário, ser mitigado pelo Estado Socioambiental de Direito, por meio de uma regulação efetiva, atuante e destemida que vise o desenvolvimento sustentável.
A violação aos tratados internacionais, Constituição Federal e ampla legislação é um fato recorrente no Brasil, conforme apontado.
Somente com o controle regulatório efetivo, educação ambiental e a punição proporcional ao dano causado é que o Brasil cumprirá os corolários do Estado Socioambiental de Direito para que as presentes e futuras gerações possam gozar de um meio ambiente saudável e sem riscos.
No âmbito do status atual do Estado Sociambiental Brasileiro urge a necessidade do Estado de não se omitir diante de eventual abuso do direito da livre iniciativa, perpetrado por atores empresariais inescrupulosos. Além disso, o Estado deverá se for o caso, suspender ou encerrar as atividades de atores econômicos reconhecidamente violadores dos direitos humanos e ambientais.
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