7. ALCANCE DA EFETIVAÇÃO DAS POLÍTICAS LINGUÍSTICAS
7.1 The Status of the Language of learning and teaching (LOLT) in South Africa
Assim como foi necessário mapear as políticas voltadas para educação, também foi necessário a pesquisa de documentos que verificassem o alcance da efetividade da LiEP que, por sua vez, como já mencionado, é uma política que obriga que a língua de instrução das escolas públicas seja uma língua oficial. Em primeiro, será mostrado dados do The Status of the Language of learning and teaching (LOLT) in South Africa public schools: A quantitative overview, um documento-relatório de caráter quantitativo publicado pelo DBE em 2010.
Percebe-se que a LiEP relata que a partir do grau 3 as escolas devem oferecer uma língua de instrução (LOLT) para seus alunos. O relatório, The Status of LOLT, expõe, portanto, que questões em torno do uso da LOLT nas escolas públicas se tornou importante não apenas porque a África do Sul é um país multilíngue mas
30 Subject to national norms and standards as determined by the Minister of Education, the level of achievement required for promotion shall be determined by the provincial education departments.
também porque se trata de um assunto especial para parentes, educadores e planejadores de políticas sul-africanos.
O relatório diz que a política linguística para as escolas é pautada a partir das disposições, como já vimos, da Constituição e do SASA; assim como o fato de que o DBE adotou a LiEP em 1997:
A política linguística para escolas é regido pelos princípios provenientes da Constituição da República da África do Sul (RSA, 1996) e o South African Schools Act (SASA).
O antigo Departamento de Educação adotou o Languge in Education Policy (LiEP) em 1997, e além disso definiu-a no Revised National Curriculum Statement (NCS)31 de 2002 (THE STATUS OF LOLT, 2010, p. 5, tradução nossa). 32
O objetivo fundamental do The Status of LOLT é providenciar uma análise de dados da língua no ensino entre o período de 1997 a 2007. O relatório revela padrões e mudanças no status da língua nas escolas durante o tempo e dá uma base para acessar a efetivação da implementação da política (DBE, 2010). É pertinente ressaltar que a última publicação deste relatório foi de fato em 2010.
O relatório informa que crianças bilíngues tiveram performances melhores quando a escola ensinou a eles a sua língua materna e quando apropriado, desenvolveu alfabetização naquela língua (CUMMINS, 2001). Em contraste, quando as crianças foram de certa forma incentivadas a rejeitar a língua materna, o desenvolvimento dessa língua se estagnou e seu conceito de aprendizado assim
31 O National Curriculum Statement (NCS) prioriza a importância do multilinguismo aditivo e promove a necessidade do ensino de línguas africanas nas escolas.
32 The language policy for schools is guided by principles derived from the Constitution of the Republic of South Africa (RSA, 1996a) and the South African Schools Act (SASA) (RSA, 1996b). The former Department of Education adopted the Language in Education Policy (LiEP) in 1997, and further clarified this policy in the Revised National Curriculum Statement (NCS)32 of 2002
como sua formação pessoal foram enfraquecidos (DBE, 2010). Portanto, se torna importante que a LOLT seja a língua materna dos alunos, principalmente nos primeiros anos escolares (DBE, 2010).
Figura 5 — Porcentagem de estudantes por LOLT em 2007
Fonte: Annual School Survey (2007)
Como visto, a figura 5 mostra a porcentagem de alunos por língua de instrução.
Percebe-se que o inglês como língua de instrução possui a maior porcentagem:
65.3%. O africâner fica em segundo lugar, com 11.9%. Visto que LOLT, como já estabelecido, é a língua de instrução de alunos, ou seja, a língua em que eles vão aprender todas as matérias da escola, o inglês possuía uma grande influência no ano de 2007; percebe-se, também, que qualquer uma das línguas oficiais pode ser usada para este propósito, inclusive a língua de sinais (como o SASA já determinou). Abaixo, na figura 6, é visto que apesar do ensino como um todo ser dominado pelo inglês e africâner, a LOLT predominante no grau 1 é o Zulu e em segundo lugar, o inglês.
Figura 6 — Porcentagem de estudantes do grau 1 pela língua de instrução
Fonte: 1998 to 2007 Annual School Survey, DoE (2010)
Na figura 6, está evidenciado que línguas como ndebele e venda possuem poucos estudantes como escolha de LOLT. Visto que o The Status of LOLT considerou os anos de 1998 a 2007, é oportuno, relatar aqui também a língua materna dos sul africanos durante tais anos. A figura 7 mostra que em 2001, o inglês tinha a porcentagem de 8,2%. Ou seja, apenas 8,2% da população tinha Inglês como língua materna. Neste caso não é apropriado comparar estes dados com os da figura 6, pois o segundo olha alunos de um grau específico. Contudo, é visível, que a população como um todo, ainda sim, em 2001, não possuía o Inglês como língua materna.
Figura 7 — Porcentagem de falantes por língua materna, 1996, 2001 e 2011
Fonte: SA Languages (2012)
Em síntese, a figura 8 evidencia a porcentagem de alunos por língua de instrução e grau em 2007, ou seja, o status das línguas oficiais como LOLT. De acordo com essa figura, em 2007, 65% dos estudantes nas escolas tiveram o inglês como LOLT enquanto 12% possuíam o africâner e 7% o Zulu. O relatório relata que 80%
dos estudantes aprenderam a LOLT através do inglês e africâner em 2007 (THE STATUS OF LOLT, 2010).
Figura 8 — Porcentagem de estudantes por LOLT e grau: 2007
Fonte: DoE 2007 Annual School Survey (2010)
A figura 9 mostra que em 2007 mais de 80% dos alunos tinham a língua de instrução como a língua materna na educação infantil. Evidencia, da mesma forma, um crescimento relativo referente ao ensino desde 1998 que aumentou ao decorrer dos anos.
Figura 9 — Porcentagem de estudantes aprendendo em sua língua materna na Educação Básica:
1988 a 2007
Fonte: DoE: 1998 to 2007 Annual Survey (2010)
O The Status of LOLT (2010) indica, que, apesar dessa mudança e progresso desde 1998, pouco mais de 25% de sul-africanos aprenderam na escola uma língua
de instrução que não era a língua que eles utilizavam em casa, ou seja, a língua materna.
Na figura 10, a Non-LOLT se refere ao número de estudantes que não tiveram a língua de instrução (LOLT) coincidente com a língua materna. A figura indica o número de estudantes na educação infantil de acordo com sua língua materna assim como a “não-LOLT”. A figura 10 aponta que em 2007 enquanto existiam 307.511 estudantes na educação infantil em que a língua materna era africâner, mais desse número, 316.316 estavam tendo o africâner como a LOLT. O que significa que perto de 9.000 estudantes nessa fase estavam tendo africâner como língua de instrução, mesmo que não fosse a língua utilizada por eles em casa, assim como 800 000 estudantes que estavam tendo inglês como língua de instrução, enquanto apenas 187.384 estudantes tinham inglês como língua materna. O que significa que mais de 20% de alunos não estudaram a língua materna nas escolas nessa fase (DBE, 2010).
Figura 10 — Número de estudantes por língua materna, língua de instrução e não língua na educação infantil em 2007
Fonte: DoE: 2007 Annual School Survey (2010)
Esta circunstância desconversa com a disposição da Constituição que discorre sobre o direito do aluno obter educação na língua desejada. Como já foi visto, caso o aluno seja de menor, a decisão sobre a língua que o mesmo receberá sua educação,
irá depender de seus pais. Contudo, caso menos de 35 alunos desejarem uma determinada língua oficial como língua de instrução em um distrito que não possua uma escola com essa língua, o pedido do aluno ou alunos em questão ficará arquivado pela escola e departamento, até que este número de alunos aumente. É considerado, também, que caso a escola não ofereça a língua oficial de instrução desejada pelo aluno (quando requisitada), é responsabilidade da escola dar assistência a estes alunos. Mais de 600.000 alunos apenas no ano de 2007 tiveram línguas de instrução que não eram suas línguas maternas na educação infantil. Esse fato não só divaga do direito de receber educação na língua materna como se relaciona com o poder do órgão do governo responsável pela escolha da política educacional e linguística.
Já na fase intermediária do ensino, a figura 11 mostra que em 2007, 27% dos alunos estavam tendo a LOLT como sua língua materna.
Figura 11 — Porcentagem de alunos na fase intermediária aprendendo em sua língua materna:
1998 a 2007
Fonte: DoE: 2007 Annual School Survey (2010)
O The Status of The Language of learning and teaching (LOLT) mostra que apesar da língua materna da maioria do país na época ser Zulu (25%), seguido por Xhosa (20%), africâner (10%) e inglês (7%), a maioria dos alunos têm inglês e africâner nas escolas como a língua de instrução (LOLT), sendo essa a porcentagem de 65% e 12%, respectivamente (DBE, 2010).
A figura 12 mostra a quantidade de falantes por língua oficial na África do Sul em 1980, 1991, 1996, 1998, 2001 e 2011. A figura mostra que em 2011 o Zulu era a língua mais falada pelos habitantes, assim como nos anos anteriores e como previsto pelo relatório. E como explicitado, também, o inglês ficou em todos os anos em 4º lugar.
Figura 12 — Número de falantes por língua na África do Sul (1990, 1991, 1996, 1998, 2001 e 2011)
Fonte: SA Languages (2012)
The Status of LOLT afirma que Inglês como LOLT é utilizado nas escolas por ser considerado a língua da globalização, como língua no ambiente de trabalho, língua de crescimento econômico e língua para futuros estudos, já que Universidades tendem a possuir o ensino em Inglês (DBE, 2010). Percebe-se, da mesma forma, que os elementos históricos também influenciaram esse comportamento do inglês no país.
O sistema colonial reprimiu o povo e culturas sul-africanas e fez com que o inglês fosse visto como uma língua crucial para a comunicação, ou como aponta Alexander (2003), inglês como passaporte ao avanço social e econômico, como muitos pensavam no início de século XX.
Dentre algumas das conclusões explicitadas pelo The Status of LOLT , algumas delas são:
A língua materna da maioria da população é Zulu e Xhosa.
A maioria dos estudantes não estudaram a língua materna do grau 4 em diante.
Inglês e Africâner foram dominantes como LOLT após o grau 3.
Entre 1998 e 2007 houve um aumento significante na porcentagem de estudantes na educação infantil que estudaram sua língua materna.
E por último, o relatório indica que há uma inconsistência na LiEP quando se diz respeito ao grau no qual uma língua como matéria deve ser introduzida como uma língua adicional. 33