6 ANÁLISE DE RESULTADOS DA PESQUISA
6.2 Categoria Desafios
6.2.3 Subcategoria Poder Público
G2: Segundo pleito que nos trazem é referente a procedimentos do próprio órgão ambiental fiscalizador que precisam ser revistos. Eles estão sendo revistos.
G2: Estamos colocando este custo para a indústria de nosso estado e os outros estados que têm indústria que vende aqui não querem arcar com este preço. É injusto. Prejuízo competitivo para quem está se esforçando para cumprir a lei. Não é uma forma correta de se fazer política pública. Por isso o ano que vem a principal meta é começar a criar restrições e exigências e penalidades para quem não cumpre a lei.
A dificuldade de se cumprir a legislação é apontada, mas os agentes observam que não há compreensão por parte do Estado nesse sentido, portanto, o rigor legal não diminuiu perante as empresas. Por outro lado, os agentes pedem ao mesmo Estado que fiscalize melhor, pois somente assim haverá mais justiça concorrencial. Contudo, percebe-se que o Estado não consegue elaborar melhores políticas públicas para poder atender esse tipo de reivindicação e, muitas vezes, não por problema de vontade, mas pela falta de capacitação técnica de seu pessoal.
O1: É complicado, porque posso dizer a você que estes (órgãos públicos) apenas cobram e pouco fiscalizam.
S1: Para multar o Estado é rápido. Para auxiliar o empresário ele não é. Não é que ele não quer ajudar. Ele não sabe o que fazer. Quando você vai até o Estado e diz ‘aqui é assim’. Só que quando você chega nele, ele já multou você.
G2: Estamos colocando este custo para a indústria de nosso estado e os outros estados que têm indústria que vende aqui não querem arcar com esse preço. É injusto. Prejuízo competitivo para quem está se esforçando para cumprir a lei. Não é uma forma correta de se fazer política pública. Por isso o ano que vem a principal meta é começar a criar restrições e exigências e penalidades para quem não cumpre a lei.
S1: Só que o município não foi aparelhado como deveria e o pessoal não tem a capacitação. Só porque você faz engenharia química ou industrial você tem capacidade técnica para avaliar uma empresa ou empreendimento que mexe com óleo lubrificante, embalagem ou reciclagem?
Ainda neste quesito surgiu um ponto importante: se o excesso de órgãos e leis pode ocasionar conflito entre poderes. Um dos agentes afirmou positivamente, citando ser ocorrência entre município e estado. Já outro agente não entende dessa forma, mas vê uma interdependência entre as leis.
S1: Pior. Existe conflito. Porque tem coisa que você precisa se enquadrar e não consegue se enquadrar. Por quê? Porque o que você está fazendo o município pede uma coisa e o estado outra
O1: Discutível. Mas aparentemente não, pois cada uma regulamenta uma coisa. Eu pelo menos nunca peguei uma sobreposição... As leis dependem uma da outra. Sem licença do Ibama não se pode operar. Uma interliga a outra.
No entanto, se os agentes observam o despreparo do Estado e, talvez, conflito entre poderes, há elementos que limitam o seu papel prejudicando sua atuação na LR e, importante salientar, são de difícil controle. Os entrevistados colocam estas limitações: a necessidade de que o incremento da coleta seja acompanhado pelo incremento de consumo e de infraestrutura das rerrefinadoras; questões culturais que impossibilitam tecnologias relativamente simples de coleta, como também de cobranças de taxas de devolução; por último, falta de infraestrutura para absorver a coleta de resíduos em caso de campanhas oficiais nesse sentido.
S1:...você não pode só aumentar a coleta e o rerrefino se não incrementar a parte de consumo. E também não implementar uma infraestrutura nas rerrefinadoras para que consigam receber de maneira apropriada este óleo e dar ao OLUC um processamento físico-químico apropriado.
G2: Na Alemanha tem umas máquinas que pegam os refrigerantes, depois devolvem o casco, devolve uma moeda... uma máquina desta aqui em via pública os caras vão explodir com dinamite para pegar as moedas, entendeu? Assim, tem que ser adequada a nossa cultura e nosso modo de pensar. No Japão tem uma taxa que quando você leva eletroeletrônico para devolver você paga uma taxa. Aqui... imagina se ele tiver que pagar?
G2: Se eu puser só nos trens da CPTM um cartazinho falando para entregar pilhas, no dia seguinte encherei vários contêineres de pilha. Se eu não tiver um sistema rápido para receber este volume, vai colapsar, vai gerar um problema para quem recebe e vai ficar tudo acumulado e a população vai desacreditar na própria ideia.
Além do papel pouco eficiente do Estado como fiscalizador, de sua falta de agilidade e de suas limitações, outra questão importante levantada foram os incentivos fiscais, pois podem ser ferramentas importantes no auxílio de superação dos desafios apresentados. No entanto, os agentes apontam a ausência destes, o que gera discrepâncias como, por exemplo, o fato de que o material reciclado seja mais caro que o virgem, cuja consequência primeira é o desinteresse ambiental. O que se infere nesse caso é que a recusa de ajustes é produto do temor de perda de receita por parte do órgão público arrecadador.
G2: O primeiro é uma revisão da política tributária-fiscal do produto reciclado. O que é bastante justo e a gente tem insistido com a secretaria da fazenda, pois são eles que devem fazer isso. É um pedido justo e tem muitos casos onde existe até um incentivo
negativo, ou seja, o material reciclado sai mais caro que o virgem. Esse é problema grave que deve ser corrigido.
O1: Nenhum. Nem para as empresas de coleta. Talvez por isto que elas cobrem a coleta. Quem quiser sobreviver deve andar com as próprias pernas.
R1: Para se ter uma ideia há gente vindo de Recife. O pessoal está fazendo a coleta lá e mandando o material moído e lavado para São Paulo... Antes era jogado no meio ambiente. Mas não tem incentivo.
Por último, o Estado é visto como pouco eficiente em gerir recursos, pois práticas em outros países preveem que no preço final dos produtos seja cobrada uma taxa ambiental para financiar o processo de LR, contudo, um agente, que é do próprio governo, não percebe esta ferramenta como ideal.
G2: Na Europa, principalmente, estes sistemas funcionam com gerenciadoras unificadas que bancadas pelos fabricantes geralmente, via preço fazem todo processo... O que eu acho é que as condições brasileiras são muito diferentes das condições europeias. Não dá para simplesmente adotar as coisas aqui. Haja vista, por exemplo, o que aconteceu com a CPMF. A CPMF era uma taxa sob transações financeiras para gerar caixa para a saúde.