3. ANÁLISE DOS DADOS INICIAIS DA REVISÃO SISTEMÁTICA E
3.1. O SUBDOMÍNIO CIENTÍFICO DE ESTUDOS SOBRE
INSTITUCIONALIZAÇÃO
Antes de entrar nos dados extraídos dos textos elegidos, o processo como um todo da revisão sistemática nos permite tirar algumas conclusões sobre o comportamento desse subdomínio científico. É preciso recordar que a busca mecânica por artigos indexados na base Scopus,com os termos “institucionalização” e “partidos”, rendeu um total de 496 documentos, sendo somados a estes inclusão manual de 10 textos. O total de exclusão se refere tanto aos 448 textos excluídos na etapa da triagem, quanto aos 11 excluídos na etapa de extração (conforme pode ser visto no fluxograma, na p.40), totalizando em 459 textos rejeitados. A partir das definições estipuladas para elegibilidade dos estudos, podemos apresentar os dados por categoria de estudos rejeitados, conforme Tabela 1.
27 Disponibilizamos o empacotamento dos dados obtidos na pesquisa pelo link:
https://figshare.com/projects/O_CONCEITO_DE_INSTITUCIONALIZA_O_PARTID_RIA_AN_LISE_
SISTEM_TICA_DA_LITERATURA/67571. Os bancos de dados utilizados na dissertação estão disponibilizados na íntegra, bem como roteiro com explicações.
Tabela 1: Frequência de textos por critérios de exclusão
Frequência % % válido
Estudos sobre institucionalização de outros
processos/instituições políticas 176 34,8 38,3 Estudo de outro objeto no qual o conceito de
institucionalização partidária (ou de sistema partidário) é apontado como variável independente ou resultado
95 18,8 20,7
Estudos de outras áreas 81 16,0 17,6
Estudo sobre institucionalização de sistema(s)
partidário(s) 71 14,0 15,5
Estudos partidários em geral (que não tratam sobre
institucionalização partidária) 36 7,1 7,8
Total 459 90,7 100,0
Não categorizados (ausentes) 47 9,3
TOTAL 506 100,0
Fonte: o autor, 2019. Dados da revisão sistemática, rodados no SPSS
A maior proporção de documentos rejeitados, quase 40%, deu-se na categoria de estudos sobre institucionalização de outros processos ou outras instituições. Incluem-se aqui, para citar alguns exemplos, estudos sobre institucionalização de processos políticos no âmbito das Nações Unidas28, institucionalização da Câmara dos Deputados no Brasil29, e instituições desse gênero, além de muitos estudos sobre a política chinesa e Partido Comunista da China, que apresentam análises da institucionalização da transição ou sucessão de lideranças30, locais ou regionais31, ou sobre implementação de políticas específicas, como política anticorrupção32, dentre outros assuntos específicos.
Como segundo maior grupo, estão os textos categorizados como estudos de outros objetos, que tendem a ser explicados a partir de uma possível institucionalização política,
28Oksamytna, K. (2018). Policy Entrepreneurship by International Bureaucracies: The Evolution of Public Information in UN Peacekeeping. International Peacekeeping, vol. 25, Issue 1, p. 79-104
29Braga, R.J; Sathler, A.R.; Miranda, R.C.R. (2016). The institutionalisation of the Brazilian Chamber of Deputies. Journal of Legislative Studies, vol. 22, Issue 4, pp. 460-483.
30Wang, Z. (2006). Hu Jintao's power consolidation: Groups, institutions, and power balance in China's elite politics. Issues and Studies, 42(4), pp. 97-136.
31Bo, Z. (2005). Political succession and elite politics in twenty-first century China: Toward a perspective of "power balancing". Issues and Studies, 41(1), pp. 162-189.
32Cho, Y.N. (2001) Implementation of Anticorruption Policies in Reform-Era China: The Case of the 1993-97 "Anticorruption Struggle". Issues and Studies, 37(1), pp. 49-72.
ou que, uma vez presentes, colaborariam (ou dificultariam) o processo de institucionalização dos partidos. Para citar exemplos, os outros objetos desses estudos são: disciplina partidária33, inclusão de cota de gênero34, fenômenos que podem ser encontrados em partidos mais institucionalizados, ou também violência35, migração partidária36 e fusões partidárias37, que atrapalham a institucionalização política e partidária dos países analisados.
Há também os estudos de outras áreas, e somente depois encontramos, dentre as categorias de exclusão, as pesquisas que se dedicam a institucionalização de sistemas partidários38, que desde a introdução apontamos como um grupo que deve ser separado dos estudos de institucionalização dos partidos tomados individualmente, apesar das afinidades teóricas. Essa classificação foi feita a partir da leitura dos resumos, títulos e palavras-chave, durante a etapa de triagem. Os textos não categorizados indicados na Tabela 1 são referentes aos 45 textos elegidos e dois duplicados (conforme fluxograma, p. 41), que não são categorizados em critérios de exclusão.
Os estudos rejeitados desta revisão indicam outros subcampos que podem se aproximar dos estudos sobre institucionalização partidária. Dependendo do desenho de pesquisa, outros pesquisadores que se debruçam sobre o conceito aqui estudado podem ter o interesse em averiguar pontos-chave em relação a essas proximidades teóricas.
Porém, isso extrapola o proposto nesta dissertação e a partir daqui, discorremos somente sobre os estudos elegidos (os bancos podem ser conferidos na íntegra, ver nota 26, p. 46).
Da mesma maneira, é possível apresentar os números relativos aos critérios de inclusão definidos. Cabe ressaltar que estes critérios não foram desenhados para serem excludentes entre si. Assim, um texto elegível poder ser categorizado como atendendo a mais de um critério. Conforme indicado no protocolo, os textos seriam elegíveis caso fossem: a) estudos teóricos sobre institucionalização partidária; b) estudos empíricos sobre institucionalização partidária; e c) estudos sobre partidos com ênfase em dimensões
33Fernández-Albertos, J.; Lapuente, V. (2011). Doomed to disagree? party-voter discipline and policy gridlock under divided government. Party Politics, vol. 17, n.6, pp. 801-822.
34Tan, N. (2016). Gender reforms, electoral quotas, and women’s political representation in Taiwan, South Korea, and Singapore. Pacific Affairs, 89(2), pp. 309-323.
35Wanyama, F.O.; Elklit, J. (2018). Electoral violence during party primaries in Kenya. Democratization, vol. 25, n. 6, pp. 1016-1032.
36 Jiménez Badillo, M. (2018). Legislative party switching between government and opposition in Guatemala. America Latina Hoy, vol. 79, pp. 153-187.
37Bolleyer, N.; Ibenskas, R.; Keith, D. (2016). The survival and termination of party mergers in Europe.
European Journal of Political Research, vol. 55, n. 3, pp. 642-659.
38 MAINWARING, 1998; KUENZI e LAMBRIGHT, 2001; MAINWARING e TORCAL, 2005;
DALTON e WELDON, 2007; LUNA, 2014; são alguns exemplos.
do conceito de institucionalização. A frequência de cada critério pode ser conferida graficamente, conforme Figura 5.
Figura 5: Textos de acordo com os critérios de inclusão (diagrama de Venn)
Fonte: O autor (2019), com base na revisão sistemática.
Nota-se que não há predominância de nenhuma das categorias, se tomadas individualmente. Porém em conjunto, constata-se que grande parte dos textos revisados são estudos sobre partidos, e que nesse contexto se utilizam do arcabouço teórico do conceito de institucionalização (N=14). A diferenciação da categoria de estudos partidários com os estudos empíricos se dá da seguinte maneira: os primeiros são sobre um ou mais partidos, neste caso geralmente um conjunto nacional (somando-se inclusive análises de sistemas partidários), mas no qual o objetivo do texto não chega a ser necessariamente apontar o nível de institucionalização, e sim buscar conclusões sobre o(s) partido(s) em si mesmo(s). Os estudos que são categorizados como teóricos e empíricos, apresentam uma estrutura na qual dedicam com muita ênfase, em grande parte do texto (às vezes mais da metade), apenas para discutir o conceito, ou as dimensões do conceito, problematização, características, para então, noutra parte, apresentar dados empíricos coletados (ou secundários) e concluir a análise conforme proposta . No entanto, nem todos os textos empíricos se detêm na teoria, partindo direto para o caso estudado e apresentando a conceituação da institucionalização em questão de dois ou três parágrafos.
Os textos estritamente teóricos trazem argumentos sobre como é possível medir a
institucionalização partidária, além de apresentar modelos analíticos, propostas de ferramentas de mensuração, balanço teórico aprofundado e novas categorias.
3.2 ANÁLISES BIBLIOMÉTRICAS DE ACOPLAMENTO BIBLIOGRÁFICO E