medidas compensatórias
3.3 Classificação dos subsídios
3.3.5 Quarta classificação: quanto ao tipo de estímulo adotado
3.3.5.4 Subsídio tributário e creditício relevantes
Para concluir este tópico, cabe ressaltar que o fato de um subsídio ser qualificado como específico é apenas um indicador inicial de que se submeterá às restrições impostas pela OMC e, se além de específico for identificado como tributário ou creditício, se submeterá, concomitantemente, às regras do ASMC e às regras internas de Direito Tributário ou Financeiro, constitucionais e infraconstitucionais.
Da mesma forma que na Constituição de 1988225, o pacote GATT/94 e o ASMC impõem ao Estado brasileiro “limitação ao poder de não tributar” que deverá ser exercido respeitando os princípios da ordem constitucional interna, bem como aqueles derivados dos acordos vigentes na OMC.
Como subespécies do gênero subsídio financeiro, os subsídios tributários e creditícios devem se enquadrar nos mesmos critérios de qualificação de um subsídio específico, já descritos, para serem designados como incompatíveis com as regras da OMC e, portanto, ilegais. O teste da especificidade assumirá papel relevante nessa qualificação.226
Entre os elementos de um subsídio específico está a ocorrência de “vantagem econômica”, que, principalmente no caso dos subsídios de natureza tributária, deverá ser vista com comedimento.
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Costuma-se dizer que a Constituição de 1988 impõe limites ao poder de tributar, o que de fato ocorre. Mas isto não impede que vejamos nas exigências principiológicas do sistema tributário nacional uma limitação ao poder de não tributar, quando, por exemplo, a Constituição exige a existência de lei complementar para que seja concedida remissão de tributos, ou lei específica para concessão de isenção. 226
“A tipologia do mecanismo tributário a ser utilizado pelo órgão governamental (isenção, remissão, crédito, etc.) será pouco relevante à configuração da especificidade do subsídio. O que deverá ser, invariavelmente, feito é submeter o ato normativo ou a prática governamental geradora do benefício, ao “teste de especificidade”. Uma vez não configurada a especificidade, subsídio tributário é legítimo e está apto a produzir efeitos sem a possibilidade de imposição de qualquer sanção por parte de outro Estado signatário da OMC.” (BLIACHERIENE, Ana Carla. Sistemas Gatt/OMC e Mercosul: implicações aduaneiras. In: TÔRRES, Heleno Taveira (coord.). Comércio internacional e tributação. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 308-327).
No ato da criação de um imposto há pessoas que estão fora de seu conseqüente normativo, um caso específico de não-incidência, o que não qualifica essa “vantagem econômica” auferida, pela não-incidência do tributo, como um subsídio relevante. Da mesma forma, restituições posteriores de tributos pagos indevidamente ou pagos em excesso também configuram “transferência de fundos” e “vantagem econômica”, mas jamais um subsídio específico, pois a causa da transferência financeira do Estado para o contribuinte é o pagamento indevido ou realizado em excesso.
Na tributação de empresas pelo regime de lucro real, estariam sob suspeita de especificidade algumas práticas, como: a) restrição do fato tributável com qualificação de custos para certas despesas de fomento econômico, diminuindo assim a base de cálculo do tributo; b) redução de alíquotas para certos setores ou para região específica; c) crédito de imposto e anistia, pois uma vez maculadas pelos critérios do teste da especificidade, já esboçados anteriormente, poderão ser rechaçadas.227
Mesmo que o subsídio tributário possa ser enquadrado na condição de subsídio relevante pelo teste da especificidade, há situações nas quais o ASMC, mais precisamente os anexos I e III e o artigo XVI do GATT/1994, traz exceções à qualificação de subsídio e de subsídio específico, que, embora já destacadas, são repetidas: a) quando se tratar de isenções, em favor dos produtos destinados à exportação, de impostos ou taxas habitualmente aplicados a produto similar, quando destinado ao consumo interno ou a devolução, ou ainda o abono de tais impostos ou taxas, quando esta não exceda o total do tributo devido; b) quando da instituição de tributos por parte da autoridade competente, que altere as alíquotas genericamente aplicáveis a todo e qualquer nível de governo, pois é ato de soberania tributária de cada Estado compatível com a disciplina de defesa comercial da OMC; c) quando destinados
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ao setor produtivo, como um todo, e que não limitem em lei (subsídio de jure) ou na prática (subsídio de facto) seu acesso a uma empresa, indústria, grupo de empresas ou indústrias ou a região específica228 do seu interior; d) quando concedidos para promover a adaptação de instalações produtivas em operação ao estabelecimento de novas exigências ambientais, impostas por lei ou regulamentos, que impliquem maiores obrigações ou carga financeira sobre as empresas.
A falta de prática e de aprofundamento no estudo dessas regras, além de uma leitura superficial e açodada das disposições do GATT/94 e do ASMC, faz com que alguns julgados da Justiça Federal229, inclusive do STJ, classifiquem o crédito prêmio de IPI230 como subsídio específico, o que de fato não é, pois se destina a todos os que preencham os critérios dispostos na norma de incidência tributária, sem que haja privilégio a empresa, indústria, grupos de empresa ou de indústrias, ou ainda região específica. Poder-se-á classificá-los como subsídios tributários, mas não como subsídios tributários específicos.
No que se refere aos subsídios creditícios, o ASMC também faz algumas ressalvas que os excluem da noção de subsídio específico: a) o aporte de capital em empresas privadas, desde que compatíveis com a prática de investimento habitual de investidores privados e b) o empréstimo governamental quando o montante a ser
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Quando beneficiar região desfavorecida específica, não serão considerados subsídios acionáveis aqueles concedidos por práticas não específicas, desde que a área geográfica seja contínua, claramente designada, com identidade econômico-administrativa definível. O desfavorecimento da região deverá ser verificado através de critérios legislativos imparciais e objetivos, apurados em um período de três anos, baseados em: renda per capita; renda familiar per capita; PIB per capita, igual ou inferior a 85% da média do território em causa ou taxa de desemprego, igual ou superior a 110% da taxa média do território em causa.
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Dentre outros: TRT - Quarta Região. Apelação em Mandado de Segurança – 87594. Processo: 200271070162257. RS - Segunda Turma. Data da decisão: 23/09/2003. Juiz Dirceu de Almeida Soares.
230 Para uma leitura mais aprofundada sobre a legalidade e vigências das normas instituidoras do Crédito
recebido pelo Estado seja equivalente ao que a empresa devedora pagaria, se o tomasse em empréstimo comercial feito no mercado.231