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DESENVOLVIMENTO DO E STADO DO P ARANÁ

5. P ROPOSTAS PARA O P ARANÁ

5.5. Substituição de combustível

Na ponta da demanda, recomendam-se políticas de incentivos à progressiva substituição dos combustíveis fósseis, tanto aqueles utilizados no transporte público urbano das grandes cidades do estado, quanto no transporte de cargas, incentivando a troca por biodiesel, etanol ou eletricidade, considerando que a energia consumida seria produzida no Paraná. Tais substituições poderão ocorrer por meio dos seguintes projetos. 5.5.1. Metrô na Região Metropolitana de Curitiba

Implantação e ampliação do sistema de trem metropolitano (metrô) na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), cuja demanda por energia elétrica poderia ser suprida por projetos de geração, a partir do tratamento do resíduo urbano da região, biomassa agroflorestal e PCHs. Para seu desenvolvimento, implantação e ampliação, sugere-se a criação de um consórcio formado por prefeituras da RMC, empresas privadas e investidores que, liderados pela empresa estatal de energia, teriam por função desenvolver e implantar projetos e articular o financiamento necessário para os investimentos. Recomenda-se que, ao término da implantação dos projetos, a empresa estatal de energia venda sua participação no metrô, mantendo apenas o controle das atividades que envolvem o suprimento e a geração de energia elétrica do projeto.

5.5.2. Ônibus para transporte urbano de massa

Substituição dos combustíveis utilizados no transporte público urbano para etanol, biodiesel e energia elétrica. Para tanto, será necessário promover estudos e pesquisas para desenvolver mecanismos técnicos, tributários, financeiros e tarifários que permitam viabilizar o custo da substituição. A análise deverá considerar os ganhos macroeconômicos por meio do incentivo à produção local das matérias-primas e dos biocombustíveis, bem como os ganhos em qualidade de vida nos centros urbanos do Paraná.

5.5.3. Estrada de ferro do Mercosul

Transformação do transporte ferroviário do Paraná, de diesel para biodiesel e / ou eletricidade, bem como o desenvolvimento de estudos para reforma e ampliação da malha ferroviária para transporte de carga em alta velocidade, interligando o Mercosul ao porto de Paranaguá, através de Foz do Iguaçu. O projeto seria desenvolvido por meio de parcerias, sob liderança da empresa estatal de energia, envolvendo a Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A. (Ferroeste), cooperativas de produtores rurais e demais iniciativas públicas e privadas interessadas no transporte de cargas.

5.6. Gás Natural

Para o desenvolvimento das fontes renováveis de energia, recomenda-se o estudo e implantação de projetos para produção de fertilizantes e de reserva de energia (backup), tendo como fonte o gás natural a ser suprido pelos projetos descritos a seguir:

5.6.1. Gás de xisto (SHALE GAS)

Desenvolvimento de estudos e pesquisas de viabilidade técnica e econômica para a exploração das reservas de gás de xisto localizadas no Paraná, tendo por ponto de partida os estudos publicados pelo Usdoe, em abril de 2011, demonstrado na Figura 9-1.

Figura 9-1: Reserva potencial de gás de xisto no Paraná

Fonte: Imagem composta pelo autor com base em Milani et al., 1998, Figura 1, p. 128; Mori et al., 2010, Figura 1 e Usdoe, 2011b, Figura IV-1, p. VI-1.

A intensa exploração nos EUA desse tipo de gás natural, classificado como não convencional e conhecido como shale gas, tem demonstrado que nos últimos anos as inovações técnicas tornaram economicamente viáveis certas reservas localizadas naquele país. Caso se confirme o mesmo no Paraná, será possível abastecer a maioria das cidades do interior do estado sem a necessidade de grandes gasodutos.

5.6.2. Reservas de gás natural (GN) do pré-sal

Localizada bem em frente à costa do Paraná, a uma distância de aproximadamente 400 km (ver Figura 9-2), as reservas do pré-sal oferecem excelentes oportunidades para o desenvolvimento do estado. Para tanto, recomendam-se estudos de viabilidade técnica e econômica para exploração da oferta de gás natural nos seguintes projetos.

Figura 9-2: Localização das reservas do pré-sal em relação ao Litoral do Paraná

Fonte: Petrobras, 2009. 5.6.3. Gasoduto do Mercosul

Propõem-se estudos para a construção de um gasoduto ligando Paranaguá a Assunção (Paraguai), passando por Curitiba, Ponta Grossa, Guarapuava, Cascavel e Foz do Iguaçu, destinado para o transporte do gás natural do pré-sal, com ramal ligando Guarapuava a Londrina e Maringá, no Norte do estado. Futuramente, outro ramal poderá fazer conexão com Uruguai e Chile através dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, conforme indicado na Figura 9-3.

Para tanto, será necessário definir e implantar políticas específicas voltadas para o desenvolvimento da demanda necessária para viabilizar o empreendimento. Será preciso fomentar a instalação ao longo do gasoduto de indústrias de beneficiamento do gás natural, como, por exemplo, unidades de geração térmica de energia elétrica, conversão para GN das unidades de secagem de grãos e aquecimento de granjas, fábricas de fertilizantes, substituição de combustíveis de máquinas e equipamentos urbanos e agrícolas, unidades petroquímicas e sistemas de captura e processamento de CO2 para estocagem geológica.

Para desenvolvimento do projeto, recomenda-se a criação de consórcios que, sob a liderança da empresa estatal de energia, envolveriam as demais empresas interessadas em implantar projetos de beneficiamento do gás e investidores nacionais e internacionais.

Figura 9-3: Traçado do gasoduto Pré-Sal-Assunção

Obs.: Trajeto de aproximadamente 1.350 km.

Fonte: imagem elaborada pelo autor utilizando mapa extraído de Google – Dados Cartográficos.

5.6.4. Geração térmica a partir do gás natural

Propõem-se estudos e desenvolvimento de projetos de geração de energia elétrica em plataformas marítimas a serem instaladas próximas aos campos de gás natural do pré-sal e do gás de xisto, com sistemas de captura do CO2 residual para estocagem geológica. Outra possibilidade seria a

instalação da unidade geradora no continente, na região de Paranaguá.

5.7. Arquitetura institucional dos projetos

Recomenda-se que os projetos sejam desenvolvidos com ampla participação de agentes públicos e privados, incentivando a formação de consórcios que envolvam empresas, cooperativas e associações de produtores paranaenses, brasileiros e estrangeiros, de forma que os empreendimentos fomentem a integração da produção local com os mercados nacional e internacional.

A organização dos empreendimentos poderá ser desenvolvida em duas grandes esferas: (1) as secretarias de estado teriam como função a articulação política e institucional demandada pelos projetos; (2) a empresa estatal de energia teria como funções realizar a estruturação empresarial e a execução dos empreendimentos. Pelo seu tamanho e estrutura interna, a empresa possui a tecnologia de gestão necessária para a articulação das parcerias especializadas nos diversos setores, bem como capacidade para o desenvolvimento da arquitetura financeira necessária.

A participação da empresa estatal poderá ser no sentido de promover os passos concretos de implantação dos empreendimentos, de agente catalisador e de organizador dos esforços. Concluída a implantação e garantida a continuidade dos empreendimentos, a empresa venderia sua participação nas atividades não aderentes ao setor energético, direcionando tais recursos para novas etapas ou novos projetos.

Para financiar os projetos será necessário articular a captação de fundos públicos e privados, nacionais e internacionais, necessitando, para tanto, a constituição de vários tipos de arranjos institucionais para enquadramento nos processos eletivos das diversas fontes, notadamente aquelas voltadas para o financiamento público de projetos que se enquadram na Política Nacional sobre Mudanças Climáticas, nos fundos setoriais, BNDES e recursos para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação.