3 CONHECENDO OS DESAFIOS E OPORTUNIDADES DA GESTÃO DE
4.1 SUGESTÕES PARA O MACROSSISTEMA UNIVERSIDADE
Conforme fora abordado neste estudo, um dos elementos indispensáveis para compor um modelo de gestão de resíduos é o reconhecimento e a articulação dos atores envolvidos, o que exige uma atenção especial da gestão universitária e um esforço sistêmico e integrado de toda a comunidade acadêmica de forma a produzir um ambiente sustentável (BRASIL, 2009; MESQUITA JÚNIOR 2007, 2001; DE CONTO, 2010). Dessa forma, entende-se que a discussão dos resíduos não pode estar restrita a uma única Unidade Acadêmica, devendo ser ampliada para toda a comunidade universitária. Assim, programas governamentais como a A3P se tornam importantes ferramentas para a consolidação de ações dentro das Universidades por oferecem aos interessados orientações para o planejamento e gestão sustentáveis nas organizações.
4.1.1 Adesão da UFJF à A3P e a participação dos servidores
A A3P desponta-se por ser um programa interessante de ser adotado em uma instituição que ainda não possui ações consolidadas. Trata-se de uma alternativa de fácil entendimento que apresenta um passo-a-passo para sua implementação por meio de iniciativas de adoção de novos hábitos de produção e consumo sustentáveis. Dessa forma, a adesão a esse programa se torna promissora para incrementar a sustentabilidade institucional, contemplando a gestão adequada de seus resíduos. Esse programa vem sendo adotado por diversas universidades que passam a fazer parte de uma rede que possibilita a troca de experiências e o acesso a diversas publicações com essas experiências (BRASIL, 2019).
Como ação inicial para impulsionar esse processo, sugere-se que a UFJF participe da Rede A3P, canal de comunicação permanente que visa difundir os temas da Agenda, já que o cadastro é possível mesmo que a instituição não tenha o termo de adesão. A participação da UFJF é relevante para que adquira e troque experiências e informações com outros órgãos da administração pública de forma a facilitar sua adesão à A3P. Assim, a UFJF passaria a divulgar essa iniciativa e trabalhar com a comunidade os temas da agenda, já que a mesma utiliza a metodologia participativa.
Um dos passos preconizados pelo MMA quanto à implementação das ações da A3P nas instituições, é o envolvimento e a sensibilização do maior número de servidores e áreas de trabalho (BRASIL, 2009). Assim, os servidores são entendidos como principais agentes de mudança institucional e sua participação fator condicionante para o êxito e a efetivação dessa proposta (BRASIL, 2009, BARATA et al, 2007).
Jacobi (2005) aponta que mudanças de atitude “que favorecem o desenvolvimento de uma consciência ambiental coletiva”, se relacionam com a melhoria do acesso à informação e com a participação social (JACOBI, 2005, p. 46). Segundo Siqueira (2008), a ampliação de espaços de diálogo entre os atores envolvidos nas questões ambientais favorece o comprometimento e o envolvimento das pessoas, como também a administração mais sustentável dos recursos. O incentivo ao protagonismo e à reflexão crítica dos servidores a respeito de questões socioambientais é uma das estratégias de sensibilização recomendadas pela A3P para a promoção de mudanças de atitudes e hábitos de consumo da Instituição.
Em consonância com essas proposições e considerando os depoimentos dos entrevistados desse estudo, há necessidade de superar as barreiras de informação, comunicação e ampliar a participação da comunidade acadêmica. Dessa forma, sugere-se como estratégia inicial para a mobilização dos servidores da UFJF a criação de uma Comissão de Apoio à Coordenação de Sustentabilidade. A sugestão almeja fortalecer, multiplicar e divulgar ações desenvolvidas pela Coordenação de Sustentabilidade e pelas unidades acadêmicas da UFJF.
A criação desse espaço de diálogo e de ação buscaria reunir diferentes vozes e realidades, representativas de cada unidade acadêmica da UFJF, de forma a iniciar um trabalho de educação ambiental e formar uma rede de servidores em torno dos eixos temáticos propostos pela A3P. “A participação como eixo norteador das práticas sociais de educação ambiental coloca como necessidade a articulação de saberes e fazeres para responder às complexas questões socioambientais” (JACOBI; TRISTÃO; FRANCO, 2009). Assim, a criação dessa Comissão visaria:
Proporcionar um espaço de diálogo entre a Coordenação de Sustentabilidade (CS) e as unidades acadêmicas (UA), possibilitando a troca de informações, saberes e o compartilhamento de experiências entre as unidades e dessas com a CS, bem como proporcionar um espaço de formação continuada para seus integrantes;
Criar uma rede de relação, comunicação e colaboração entre os servidores de forma a fortalecer, multiplicar e articular as ações desenvolvidas pela Coordenação de Sustentabilidade e pelas unidades acadêmicas;
Fomentar a educação ambiental por meio da sensibilização e conscientização dos servidores em relação às questões socioambientais advindas das práticas laborativas;
Sensibilizar os participantes quanto à adoção e internalização do conceito dos 5 R’s;
Capacitação dos servidores participantes que passarão a ser multiplicadores de conhecimento em seus setores de trabalho.
A existência desse dispositivo de participação e comunicação permanente evitaria a fragmentação de esforços, o isolamento de iniciativas e retrabalhos e viria a favorecer o diagnóstico participativo da caracterização do cenário atual da instituição por meio da identificação de práticas e indicadores de sustentabilidade já existentes, etapa necessária para a implantação da A3P. A médio prazo, contribuiria também com o desenvolvimento do conhecimento organizacional a respeito da gestão de resíduos na UFJF as peculiaridades das UA, os desafios e as oportunidades, os projetos e ações desenvolvidas nos diferentes setores da UFJF, levando à busca conjunta de soluções e a implementação da gestão de resíduos.
A Comisssão teria como composição inicial representantes das UA da UFJF e da CS. Os representantes das UA seriam designados pela direção da Unidade e se responsabilizariam por retornar as discussões realizadas pela Comissão de apoio para dentro das Unidades de forma a multiplicar a discussão realizada dentro da Comissão. O Quadro 5, resume a sugestão de criação dessa Comissão.
Quadro 5 – Sugestão de criação da Comissão de Apoio à Coordenação de Sustentabilidade Criação da Comissão de Apoio à Coordenação de Sustentabilidade
O quê? Comissão de Apoio à Coordenação de Sustentabilidade, constituída por representantes das UA da UFJF e representantes da Coordenação de Sustentabilidade, tendo como seu presidente a figura do Coordenador de Sustentabilidade.
Por quê? -Necessidade de se ampliar a discussão sobre os resíduos na UFJF;
-Atacar os seguintes dificultadores encontrados neste estudo: desarticulação e falta de interlocução entre os setores e atores envolvidos; falta de fluxo de informações; falta de capacitação e baixa participação dos servidores;
-Oportunizar o engajamento dos servidores em iniciativas sustentáveis, condição necessária para a implementação da A3P na Instituição.
-Contribuir para a Implementação da A3P na UFJF. Onde? UFJF.
Quando? Início de 2021.
Quem? O processo deverá ser uma iniciativa da CS, embora sua concretização se dê a partir da participação dos servidores das UA.
Como? - Envio de convites aos gestores das Unidades Acadêmicas, apresentando as intenções e propostas desse espaço e solicitação de indicação de um representante e seu suplente, o que deve ser discutido no Conselho de Unidade. O representante escolhido será o responsável por fazer a interlocução de sua Unidade com a CS e com as outras Unidades e, dessa forma, deverá levar a discussão das temáticas trabalhadas nos encontros da Comissão para os espaços que representa.
- Apresentação pela CS da proposta da A3P e dos eixos temáticos e apresentação pelos representantes das Unidades Acadêmicas de dados das iniciativas relacionadas aos eixos temáticos da A3P como ponto de partida para as discussões.
- A Comissão se reunirá uma vez por mês e criará sua agenda de reuniões com os temas a serem abordados.
- Capacitação inicial dos servidores nas temáticas da A3P.
- Posterior construção coletiva de planos de ação por eixo temático da A3P.
Quanto? Necessidade de destinação de recursos financeiros e humanos para a capacitação inicial e continuada dos seus componentes. O custo vai depender da opção a ser adotada, o que deverá ser discutido entre os membros da comissão e dependerá das possíveis redes de contatos a serem ativadas e mobilizadas. Dedicação de duas horas de trabalho mensais dos servidores participantes da comissão.
Assim, parte-se para as sugestões relacionadas ao ICB, mantendo como estratégia central a participação das pessoas.