12. Zoneamento do PEMD
6.5 Sugestões para o PEMD
Os programas de certificação sustentável do turismo pesquisados prevêem o estrito controle dos impactos que o turismo pode causar aos ambientes, à economia e às comunidades, nos locais onde se desenvolvem as atividades, buscando a minimização destes impactos e a melhoria da qualidade de vida das populações. Assim, muitas ações preventivas e/ou corretivas previstas nos programas de certificação podem ser aplicadas ao Parque Estadual Morro do Diabo – PEMD na busca de sua Responsabilidade Turística.
Apesar dos programas apresentados e estudados serem todos de caráter voluntário, sugere-se que, no caso específico de Certificação do Turismo Responsável em Unidades de Conservação, ou seja, áreas criadas para a proteção ambiental, o processo torne-se obrigatório, visando garantir o cumprimento dos objetivos estabelecidos na criação da mesma, assim como incentivar a implementação, o desenvolvimento das diretrizes programáticas e do plano de manejo da área. As medidas e procedimentos consideradas mais importantes são apontadas a seguir:
♦ Políticas: ao ingressar em um programa de certificação turística, o órgão ou empresa assume a responsabilidade de reorganizar o seu planejamento em busca da possível sustentabilidade de seu produto. No caso específico do PEMD, as atividades turísticas responsáveis passariam a ser, juntamente com as pesquisas realizadas no Parque, uma poderosa ferramenta para minimizar os impactos causados que atualmente ocorrem tanto no seu interior quanto na área de entorno, assim como facilitar o acesso a financiamentos e investimentos previstos e possíveis nos Programas de Certificação. Pode-se considerar que o Parque já adota esta postura, já que o turismo é encarado pela administração e funcionários do mesmo como uma forma de usufruir, de forma responsável, das belezas e infra-estrutura existentes na área, permitindo, ainda, que a população e pesquisadores interajam de forma pró-ativa com a unidade.
♦ Conservação dos ecossistemas naturais: a certificação do turismo responsável propõe o uso racional dos recursos naturais para que a atividade turística, as comunidades e o próprio meio ambiente mantenham a sua atratividade, possibilitando, ainda, a geração de emprego e renda para a população, um dos grandes problemas que afligem a região do Pontal do Paranapanema. O envolvimento do pessoal do Parque, dos parceiros e da comunidade local contribui diretamente neste importante quesito. Por isso, o uso público, ou mais precisamente, o uso turístico da área é encarado por estes atores com extrema preocupação para não afetar negativamente o desenvolvimento do Parque.
♦ Diminuição do risco de introdução e dispersão de espécies exóticas: a originalidade é um dos pontos mais importante para o desenvolvimento do turismo responsável, especialmente quando este se dá em áreas naturais. Assim, o Programa de Certificação poderá contribuir com a conscientização efetiva tanto de turistas quanto das pessoas que trabalham direta ou indiretamente com o PEMD. No caso específico do Parque, a questão já abordada do envolvimento do pessoal é um dos principais fatores para a diminuição deste risco. Entretanto, um ponto que ameaça esta situação é a rodovia que corta o Parque, com uma extenção de 14 quilômetros, ficando exposta à ações de transeuntes por não possuir fiscalização permanente.
♦ Manejo integrado de resíduos: uma das maiores preocupações de um programa de certificação que busque a sustentabilidade é coletar, acondicionar e dar uma destinação correta aos resíduos, sejam eles líquidos ou sólidos. Quando se trata de uma unidade de conservação, os critérios devem ser ainda mais rígidos, pois o Parque é uma área de proteção ambiental e, por isso, deve adotar uma gestão rigorosa deste item, assegurando-se a qualidade ambiental e, conseqüentemente, das questões relacionadas à saúde das pessoas, da fauna e da flora que convivem no PEMD. O Parque já teve sérios problemas com este quesito, já que o serviço de coleta de lixo do Município não inclui a área do PEMD devido à sua distância do aglomerado urbano. O lixo era enterrado em uma área próxima à sede, oferecendo perigo à saúde pública e aos animais que transitavam pelo local. Felizmente a realidade hoje em dia é totalmente diferente. A solução encontrada é a separação da parte do lixo reciclável para ser doado a uma instituição do município. O restante é levado até o lixão da cidade.
♦ Capacitação de pessoal: um Programa de certificação prevê o incentivo à capacitação do pessoal não apenas para que atendam aos turistas de forma hospitaleira, mas também para promover a educação ambiental, o conhecimento de boas práticas, além de ações preventivas e corretivas referentes ao ambiente em que estão inseridos. O Parque, através do IF – Instituto Florestal, órgão do Governo do Estado de São Paulo, promove cursos de capacitação e qualificação de seus funcionários com uma regularidade considerada razoável. Considera-se viável, também, a promoção destes cursos de capacitação através das parcerias firmadas com diversas entidades do Estado, sejam elas públicas ou privadas.
♦ Compromisso do turista: o fluxo de turistas ao PEMD é bastante reduzido, facilitando a interação com os mesmos. Entretanto, caso viabilize-se o aumento deste fluxo, é necessário que as pessoas responsáveis pelo seu manejo estejam qualificadas para evitar a degradação do ambiente, orientando-os sobre os procedimentos a serem adotados durante a visita ao PEMD. A parte de uso público do Parque tem recebido uma atenção especial, visto que existe uma pré- disposição da administração para ampliar as atividades turísticas de baixo impacto, assim como o número de estagiários responsáveis por este importante setor do PEMD.
♦ Planejamento e monitoramento: ao aderir a um programa de certificação do turismo responsável, conseqüentemente adota-se um programa de gestão. Um dos itens previstos neste tipo de programa é o planejamento e monitoramento do empreendimento, seja ele público ou privado. Assim, mesmo que os programas normalmente não obriguem os empreendimentos a adotarem certos tipos de procedimentos ou ferramentas de gestão, considera-se que a simples ação voluntária de ingressar neste tipo de programa sugere que exista uma pré-disposição em atuar sob a ótica da responsabilidade sócio-cultural e ambiental. O Parque tem investido na qualificação e ampliação da mão de obra, além de procurar firmar e consolidar parcerias, o que tem contribuído na execução tanto do planejamento quanto no monitoramento da área.
♦ Tratamento justo e correto aos trabalhadores: o compromisso que um programa de certificação responsável firma com as pessoas que nele trabalham é indiscutível, pois a partir do momento que se cita a sustentabilidade, assume-se um compromisso com a sociedade e, principalmente, com as pessoas que trabalham para isso. Tratar as pessoas como iguais é um dos
fundamentos da sustentabilidade, já que é preciso que as pessoas se envolvam no seu trabalho, especialmente quando se trata de ambientes frágeis, como o PEMD. Como já foi abordado anteriormente, a questão do envolvimento e parceria entre a administração, funcionários e parceiros do Parque facilita, dentro das limitações, o relacionamento entre os atores envolvidos. Percebe-se uma harmonia e sintonia bastante elogiável no Parque.
♦ Controle de uso, abastecimento e armazenamento de insumos: o uso correto de produtos passa por várias etapas: adoção de uma política de compra de produtos locais; priorizar a compra de produtos que causem menos impacto ao meio ambiente e em quantidades controladas, passando por seu correto armazenamento, sua utilização dentro das normas e quantidades estabelecidas, até a sua destinação final. Deve-se dar especial atenção aos produtos infectantes e poluidores do meio ambiente, como por exemplo combustíveis, já que a área é de preservação e a contaminação do solo, do lençol freático e dos córregos e rios que passam na região podem causar sérias conseqüências à fauna e flora do PEMD, ameaçando este importante ecossistema do Pontal do Paranapanema. A limitação dos recursos financeiros do Parque inviabiliza uma série de investimentos necessários para a melhoria do mesmo. Um exemplo é o local de abastecimento e manutenção de máquinas e veículos, que necessita de um projeto que minimize os efeitos de derramamento de óleos e combustíveis. Além disso, a maioria destes veículos são antigos e até obsoletos, exigindo um processo de manutenção constante mas que as vezes é impossível devido a falta de peças de reposição.
♦ Segurança: levando-se em conta o pequeno orçamento do Parque, a falta de equipamentos e infra-estrutura operacional, o quesito segurança passa a ter grande relevância, principalmente quando existe um fluxo de pessoas dentro de uma área frágil, com animais selvagens, com uma pressão nas áreas de entorno e o perigo de incêndios, caça ilegal, etc. Deste modo, o aporte de investimentos e financiamentos, oriundos de um programa com credibilidade, pode desempenhar um papel fundamental para a melhoria da infra-estrutura do Parque, contribuindo assim para a manutenção de sua atratividade. A parceria e interação com diversos atores da sociedade local e da região também tem contribuído para a segurança da área, pois pode-se constatar uma relação de reciprocidade e cumplicidade entre as partes. A questão de valorização, por parte do PEMD, da comunidade local é um fator fundamental na criação deste vínculo.
♦ Relações comunitárias: um dos problemas que mais afetam as unidades de conservação. O convívio harmonioso com as populações que vivem nas áreas de entorno ao Parque é fundamental para conservar seus atributos naturais e suas especificidades sendo, portanto, primordial que exista um comprometimento entre os atores envolvidos com o PEMD. Programas de certificação que promovam a responsabilidade turística incentivarão a interação entre o Parque e as comunidades do entorno, principalmente através da participação destas pessoas no planejamento e gestão do programa. Este é o ponto considerado fundamental na diferenciação do Turismo Sustentável para o Turismo Responsável aqui proposto, pois a participação efetiva da comunidade em todas as etapas do desenvolvimento turístico da UC é que poderá viabilizar o desenvolvimento da mesma, harmonizando-se e sintonizando-se com o Parque. Felizmente, observa-se que existe um canal de comunicação e interação amplo entre o Parque Estadual Morro do Diabo, a comunidade e as diversas instituições públicas e privadas do Município. Os indicativos constatados nas visitas, no contato com grupos de visitantes ao Parque, assim como nas entrevistas com diversos membros da sociedade local reforçam esta tendência. O alto grau de envolvimento e interação entre estes atores e o Parque facilitam, e muito, o alcance de um dos objetivos propostos pelo Turismo Responsável, que é a melhoria efetiva da qualidade de vida da população local.