C ARTOGRAFANDO TRAJETÓRIAS
5) Mapear de que forma minha experiência de professora de geografia (do EF II) e, agora, formadora de professores pedagogos, apresenta-se a mim mesma e às
1.3 Sujeitos, espaços e contextos Os sujeitos
Os sujeitos se dividem em dois grupos: Eu-investigadora e as professoras, que tinham como universo comum a mesma unidade escolar. Apesar da sugestão do curso ter sido apenas para professores que atuavam nos anos iniciais, também esteve presente em alguns encontros uma professora dos anos finais. Da escola, foram sete professoras e um professor:
⦁ 1 professor e 1 professora que lecionam no EF I nos eixos português, matemática e ciência, todos com formação em pedagogia;
⦁ 4 professoras que lecionam no EF I nos eixos geografia e história, todas com formação em pedagogia;
⦁ 1 professora que leciona no EF II na disciplina de história, com formação em licenciatura de história;
⦁ 1 professora adjunta32
que leciona na E I e EF I
Durante a formação, algumas professoras faltaram aos encontros, alterando o número de produção das atividades, ou dos questionários respondidos, além de uma desistência durante o curso de formação.
Os cenários
Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Zeferino Vaz – CAIC (Centro de Atenção Integral à Criança)
A escola, carinhosamente apelidada de CAIC, está localizada na zona urbana de Campinas, no Parque Residencial Vila União, e pertencente ao NAED33 Sudoeste, atendendo ao Ensino Fundamental e à Educação de Jovens e Adultos (EJA). A escola conta com 21 salas de aulas, sala de diretoria, sala de professores, 2 laboratórios de informática, sala de recursos multifuncionais para atendimento educacional especializado, cozinha, biblioteca, banheiros, sala de secretaria, refeitório e almoxarifado.
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Professor que atua no reforço dos alunos com defasagem de aprendizagem, e em sala de aula na ausência do professor titular.
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A SME atua de modo descentralizado por meio de cinco Núcleos de Ação Educativa Descentralizadas (NAEDs), divididos conforme as regiões geograficamente definidas pela política de descentralização da Prefeitura Municipal de Campinas (Norte, Sul, Leste, Sudoeste e Noroeste). Os NAED compreendem as EMEI, EF, EJA, além das escolas particulares e instituições, situadas em suas áreas de abrangência. As equipes educativas destes núcleos são supervisoras educacionais e coordenadores pedagógicos que atuam de forma participativa, acompanhando, assessorando e assegurando o cumprimento das ações cotidianas das unidades Educacionais do Sistema Municipal de Ensino.
Figura 2: Mapa de localização da EMEF Professor Zeferino Vaz – Campinas/SP/Brasil. Fonte: Acervo pessoal – Elaborado pelas professoras participantes da segunda formação e editado.
A partir do ano de 2014, o CAIC, juntamente com a EMEF Padre Francisco Silva, foram as primeiras escolas municipais de Campinas a oferecerem educação em tempo integral. Este projeto foi criado a partir do Decreto nº 18.242 de 24 de janeiro de 2014, que
Dispõe sobre a Criação do Projeto Piloto de Escolas de Educação Integral (EEI) da Rede Pública Municipal de Ensino de Campinas e dá Outras Providências.
O documento prevê como basilar a extensão do tempo e espaço de aprendizagem e socialização do conhecimento, da cultura e da arte. Esses alunos passam a ter no mínimo sete horas de permanência diária na escola, podendo totalizar no máximo quarenta e cinco horas-aula semanais entre os componentes curriculares da Base Nacional Comum e das Atividades Complementares.
O artigo 4º descreve a organização dos componentes curriculares, dos tempos e espaços pedagógicos da EEI para os alunos dos primeiros aos nonos anos, fundamentando-se na Base Nacional Comum e nas atividades complementares que deverão ser organizadas por eixos de trabalho.
Com essas características, o CAIC passa a ter um diferencial dentre as outras escolas do município: os anos iniciais são divididos em eixos de trabalhos:
i) Geografia e História (GH)
ii) Português, Matemática e Ciências (PMC)
O professor ou a professora responsável pelo eixo GH, organizado dessa forma, não leciona diretamente os conteúdos do outro eixo, podendo ser responsável por mais de uma turma (em anos diferentes) neste mesmo eixo. Pode, por exemplo, lecionar no primeiro e segundo ano do EF I no eixo GH, diferentemente do habitual, que seria um professor para determinado ano ser responsável por todos os conteúdos de geografia, história, português, matemática e ciências.
Essa característica da dinâmica escolar é fundamental para entender o interesse das professoras, das coordenadoras pedagógicas (CPs) da escola e da equipe de formação do CEFORTEPE para a reaplicação do curso especificamente às professoras dos anos iniciais. Tais indícios estão muito presentes nas falas das professoras durante o curso.
CEFORTEPE
A Secretaria Municipal de Educação de Campinas, ciente da necessidade da criação de momentos específicos e qualificados entre os professores das mesmas etapas de ensino, facilita a criação de estruturas colaborativas dentro da escola permitindo a participação dos professores em cursos de formação oferecidos através de parcerias com Universidades, e outros órgãos privados ou públicos.
Por meio do CEFORTEPE e da Coordenadoria Setorial de Formação (CSF), foi possível o desenvolvimento dos cursos gratuitos às professoras da rede municipal, na modalidade “Formação Continuada – Cursos”. O CEFORTEPE é um equipamento público destinado à formação dos profissionais da educação, vinculado à CSF, e possui três frentes de trabalho definidas na Resolução SME n° 4/2014:
⦁ Formação Continuada – Cursos
⦁ Formação Continuada – Programas e Projetos ⦁ Núcleo de Memória e Pesquisa em Educação
Sendo assim, a proposta desta pesquisa-formação se encaixava em Formação Continuada – Cursos, que tem como principais atribuições: receber e analisar propostas de cursos (curta, média e longa duração); planejar, implementar e acompanhar as respectivas atividades, emitindo relatórios de avaliação de cada uma delas, bem como encaminhamentos para certificação; supervisionar e acompanhar a realização de palestras e oficinas, fóruns e encontros, congressos e seminários.
A SME considera que a formação continuada, a construção e aprimoramento de uma prática educativa, possam contribuir para o pleno desenvolvimento dos educandos. Para concretizar os cursos de formação oferecidos por intermédio da CSF da Rede Municipal de Educação de Campinas, a Resolução SME nº 4/2014, publicada no Diário Oficial de 06/02/2014, dispõe sobre as Normas da Formação Continuada em Serviço oferecida Pela
Coordenadoria Setorial de Formação da Rede Municipal de Educação de Campinas. A
resolução define as normas para inscrição e participação na formação continuada dos professores em serviço. No documento também são previstos parcerias e convênios com outros órgãos públicos.
Art. 10 – Os professores da SME e da FUMEC que frequentarem os Cursos ou Grupos (de Formação Curricular, de Estudo e de Trabalho) poderão: I – utilizar, preferencialmente, Hora Projeto (HP) ou Carga Horária Pedagógica (CHP), respeitando-se: a) o limite máximo de até 04 (quatro) horas/aula semanais, para os que atuam na SME;
§ 2º A utilização das horas relativas à Carga Horária Pedagógica (CHP) e à Formação de Monitores Infanto Juvenis e Agentes e de Educação Infantil dependerá da autorização da chefia imediata e aprovação do Conselho de Escola.
§ 3º A utilização da Hora Projeto (HP) dependerá de autorização da chefia imediata e da Equipe Educativa do NAED, respeitados os propósitos do Projeto Pedagógico da Unidade Educacional e as Diretrizes Curriculares da SME (CAMPINAS, Lei Nº 12.987).
Os professores são convidados a participar dos cursos oferecidos (não sendo obrigatória a participação) e recebem uma remuneração por hora cursada, sendo considerada como Hora Projeto (HP) ou Carga Horária Pedagógica (CHP), que já está incluída na jornada de trabalho. Além da remuneração, o certificado de participação contribui na avaliação de desempenho (quando a carga do curso for superior a 20 horas), e consequentemente na evolução funcional na carreira.
A evolução funcional na carreira é definida na Lei Municipal nº 12.987 de 28/06/2007, que dispõe sobre o Plano de Cargos e Carreiras do Magistério Público
Municipal de Campinas, podendo ocorrer de duas formas: progressão vertical (passagem de
certificados vinculados à área de atuação ou de conhecimento relacionado ao cargo) e progressão horizontal (passagem de um grau para outro imediatamente superior, dentro do mesmo nível, mediante classificação no processo de avaliação de desempenho).
Art. 40 – A Avaliação Periódica de Desempenho é um processo anual e sistemático de aferição do desempenho do servidor, e será utilizada para fins de programação de ações de capacitação e qualificação e como critério para a Evolução Funcional, compreendendo:
I – Evolução da Qualificação; II – Avaliação Funcional; e III – Assiduidade.
§1º A Evolução da Qualificação é mensurada por cursos de complementação, atualização ou aperfeiçoamento profissional na área de atuação do servidor, indicado pela Secretaria, ou identificados nos processos de Avaliação Funcional e será pontuada conforme tabela constante do Anexo V. (CAMPINAS, Lei Nº 12.987)
A certificação do participante exige a frequência mínima de 75% do total de horas da formação tanto dos encontros presenciais como os não presenciais. Para as horas não presenciais é exigida a apresentação de trabalhos e/ou atividades que deverão constar no relatório final do formador.
CURSOS DE QUALIFICAÇÃO PONTUAÇÃO
Cursos de 64 horas a 72 horas 40 Cursos de 56 horas a 63 horas 35 Curso de 48 horas a 55 horas 30 Cursos de 40 horas a 47 horas 25 Cursos de 32 horas a 39 horas 20 Cursos de 20 horas a 31 horas 25 Cursos de Informática básica 5 Cursos de Informática avançados 10
Congresso Internacional 5
Congresso nacional 3
Quadro 1: Avaliação de desempenho para Evolução Funcional na carreira. Fonte: Campinas, Lei Nº 12.987, Anexo V – Magistério: Tabela de Pontuação de cursos.
1.4 Construção, sistematização e análise de dados: atividades, questionários e narrativas