2. O desenho parques infantis
2.2. Normas para parques infantis
2.2.4. Superfícies amortecedoras de impacto
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preparação simples, de nivelação da superfície. São superfícies com uma manutenção mínima, em virtude de serem parte integrante do meio natural em questão, no entanto esta superfície condiciona imenso um projeto. A norma EN-1176-1 orienta que neste material só podem ser instalados equipamentos lúdicos com uma altura de queda livre inferior a 1 metro, o que de imediato estará a condicionar toda a dinâmica do parque em função do pavimento, a nível de questões de corredores de circulação também não será a melhor escolha.
• Relva
A relva é um material natural, que poderá ser usada como superfície amortecedora de impacto de quedas até 1 metro, excetuando no Reino Unido onde a sua legislação permite o seu uso para alturas de queda até 1,5 metros na condição que exista 15 cm de solo superficial imediatamente abaixo da mesma.
A relva oferece inúmeras vantagens, podemos considerar que é de fácil acesso, dificilmente sofrerá danos de vandalismo, ou caso aconteça, facilmente se corrigem, é um material que tem um valor lúdico enorme. Qualquer espaço de jogo e recreio que disponha de um belo relvado será um espaço inclusivo, e agradável esteticamente, é um material que se adapta vem aos meses de maior calor quando bem tratada, e nos meses de maior chuva irá oferecer uma boa capacidade de drenagem, a sua fácil reposição será uma enorme vantagem em futuras inspeções, no que toca a verificar as fundações dos mais diversos equipamentos. É um material que ajudará na dinâmica do espaço, nos seus corredores de circulação e mobilidade, quando bem aplicado, poderá limitar o acesso a equipamentos de rodas como bicicletas e skates fornecendo uma maior segurança a utilizadores mais sensíveis e de menor idade, no entanto facilmente torna possível o acesso a cadeiras de rodas ou carrinhos de bebés, neste aspeto será uma escolha interessante.
A sua aplicação deve ser bem planeada, a relva como superfície amortecedora de impacto também oferece desvantagens que poderão ser prejudiciais para o espaço.
Um espaço de jogo e recreio que seja um bom caso prático, da aplicação da relva como superfície capaz de amortecer impactos, não deve só por isso, ser replicado, é necessário entender que a relva natural não atinge o seu potencial máximo em todas as regiões, fatores como o clima e qualidade dos solos afetam a sua qualidade, daí não
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ser possível afirmar que um bom espaço de jogo e recreio com esta superfície na Dinamarca, sendo projetado exatamente igual na Itália por exemplo, terá a mesma resposta. Esta variação de clima a nível de regiões europeias, originou uma necessidade de diretrizes a nível nacional, sendo impossível uma orientação a nível europeu, seria aceitável para alguns países, mas em muito outros não faria sentido.
Sendo assim, a relva natural, é uma superfície que requer um cuidado permanente, o que em inúmeras vezes, é esse critério que afasta a escolha da mesma para muitos espaços. A sua manutenção tem de ser diária, para não perder as suas propriedades como superfície capaz de amortecer impactos, será essa manutenção regular que irá manter o propósito da sua colocação, será a superfície de um espaço na maioria das vezes de utilização constante e é o seu cuidado que irá garantir que nas zonas de maior desgaste como entradas e saídas de equipamentos, ao redor dos carrosséis, e nas terminações dos escorregas a mesma mantenha uma qualidade razoável, caso contrário a superfície irá tornar-se numa espécie de substrato natural, com bordas duras e buracos onde poderão acontecer tropeções capazes de originar acidentes .
• Areia e areão
A areia e o areão são dos poucos materiais que poderão ser usados para amortecer quedas até ao limite máximo permitido de queda livre dos equipamentos.
A EN-1176-1, estipula que a areia poderá ser um bom material com capacidade de amortecer quedas até 3 metros de altura, no entanto existem algumas condições para se verificar o seu sucesso nesse objetivo. A areia deve ser composta por granulados de 0,2mm a 2mm, respeitando uma camada mínima de espessura, no caso de 200mm poderá ser capaz de amortecer quedas até 2 metros, com uma camada mínima de espessura de 300mm este valor sobre para os 3 metros. No caso do areão os granulados devem apresentar um tamanho entre os 2mm e os 8mm, existindo também uma camada mínima de espessura que determinará a altura da queda, camadas de 200mm absorverá até 2 metros, enquanto camadas de 300mm absorverá quedas até 3 metros.
O tamanho dos granulados, devem ser medidos através da realização de um teste de peneira, cumprindo com as orientações da EN-993-1 (Methods of test for dense shaped refractory products Determination of bulk density, apparent porosity and true porosity).
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O custo destes materiais é uma vantagem, podem ser considerados materiais de baixo custo, com um stock quase imediato e ilimitado. Ao contrário da relva que necessita de uma constante manutenção, neste caso, a manutenção será menos pontual, na relva nas zonas de maior utilização poderá ser necessário repor o material, no caso da areia e areão um nivelamento será suficiente, em virtude de ser um material que não se desgasta, o que acontece é uma movimentação nas zonas de maior fluxo e de quedas, mas facilmente corrigido com um nivelamento do material.
Esta fácil movimentação da areia e do areão, será benéfico no caso anterior, no entanto requer um cuidado relativamente às fundações dos equipamentos, para inspeções futuras é excelente a sua flexibilidade, facilita a verificação do estado funcional das mesmas, não sendo necessário danificar o material devido à sua volubilidade. É importante que as fundações se encontrem pelo menos a 400mm abaixo da superfície, para evitar que as mesmas se tornem perigosas, capazes de provocar tropeções e impactos, a sua exposição à superfície também poderá acelerar o processo de corrosão ou apodrecimento.
A areia e o areão são materiais com um elevado valor lúdico, potencializam a interação entre as crianças, e só por si como material, pode ser usado para brincar, usando pás, brinquedos, baldes, etc.
São uma excelente estratégica no que toca a delimitar zonas, em virtude de os adultos em norma não gostarem muito desta superfície, originando nas crianças uma maior autonomia na brincadeira, também serão uma ótima escolha se o objetivo for reduzir a velocidade dentro do espaço, em virtude de ser uma superfície menos propicia a equipamentos de rodas, bicicletas, skates, patins, garantindo assim espaços de queda livres deste tipo de obstáculos.
No entanto se o objetivo for a inclusão, no que toca a crianças com necessidades motoras, o acesso a cadeiras de rodas, não será facilitado sobre esta superfície.
São materiais que normalmente os animais gostam de frequentar, o que origina por vezes, uma possibilidade de se encontrar excrementos na superfície, isto também pode ser reduzido, com uma manutenção adequada, e uma recolha regular desses excrementos aliada a uma desinfeção periódica da superfície.
• Cascas de árvores ou aparas de madeira
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As cascas de árvores e as aparas de madeira são materiais naturais que podem ser usados como superfície amortecedora de impacto, capazes de amortecer quedas até ao limite máximo permitido de queda livre dos equipamentos.
Estes materiais em virtude de serem naturais e de estarem facilmente disponíveis, tem de obedecer a regras especificas para serem usados em espaços de jogo e recreio, a EN-1176-1, estipula que as cascas de árvores e as aparas de madeira, poderão ser matérias capazes de amortecer quedas até 3 metros, no entanto, para que isso aconteça, devem ser cumpridos alguns requisitos.
A casca de árvore deve apresentar partículas com um tamanho entre os 20mm e os 80mm, respeitando uma camada mínima de espessura, no caso de 200mm poderá ser capaz de amortecer quedas até 2 metros, com uma camada mínima de 300mm o valor sobe para os 3 metros.
No caso das aparas de madeira deve apresentar partículas trituradas mecanicamente com partículas entre os 5mm e os 30mm, respeitando uma camada mínima de espessura, no caso 200 mm poderá ser capaz de amortecer quedas até 2 metros, com uma camada mínima de 300mm o valor sobe para os 3 metros.
Este material tem muitas semelhanças com a areia e o areão, podemos considerar um material de baixo-médio custo, onde existe um stock de reposição se necessário quase imediato e ilimitado. Relativamente à areia, será um melhor material no que toca a textura, e estimulação sensorial, oferece uma sensação agradável ao ser pisada, é mais suave e disponibiliza um cheiro a madeira que torna os espaços mais naturais.
Comparado com a areia e o areão , estes materiais permitem com maior facilidade a movimentação de equipamentos de rodas, como carrinhos de bebés ou acesso a pessoas com mobilidade reduzida, no entanto não são materiais que irão permitir muita velocidade dento do espaço de jogo e recreio, o que evitará impactos entre os utilizadores e obstáculos móveis, e em relação à possibilidade de excrementos na superfície, não será tão propicio a isso, em virtude de não serem materiais tão atrativos para os animais.
São materiais que facilitam inspeções futuras visto tratar-se de materiais soltos, no entanto requerem um cuidado no que toca às fundações dos equipamentos, que facilmente poderão surgir às superfícies em virtude de falta de reposição ou deslocamento do material, e consequentemente originar pontos de tropeções e quedas,
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a exposição à superfície também poderá acelerar o processo de corrosão ou apodrecimento.
Para impedir estas situações a EN-1176-1, recomenda que no caso de superfícies de material solto, as fundações devem estar pelo menos 400mm abaixo da superfície, o que deve ser aplicado no caso da utilização das cascas de árvores e aparas de madeira como superfície amortecedoras de impacto.
• Materiais sintéticos
As superfícies amortecedoras de impacto podem ser naturais, como os casos anteriormente descritos, mas também podem ser sintéticas, caso das placas de borracha ou pavimentos in situ.
Em comparação com os materiais naturais, podemos considerar que a nível estético os sintéticos tem uma enorme vantagem, permitem uma combinação de cores, formas, padrões e uma modelação do terreno muito mais criativa e imediata, porém tem um custo por m2 muito superior aos materiais naturais.
Os materiais sintéticos permitem adaptar-se a todas as zonas do espaço de jogo e recreio, podem ser usados nos espaços de queda, nas zonas de acesso aos equipamentos, nos corredores de circulação, no geral conseguem responder a todos as necessidades das diferentes áreas. Facilmente através da variação de cores, delimitámos áreas e definimos corredores de circulação, tem uma vantagem de ser uma superfície que permite um uso misto de atividades, bicicletas, skates, basketball. É uma superfície excelente a nível de acessibilidade para carrinhos de bebé e mobilidade reduzida, no entanto esta velocidade e facilidade de movimento, será benéfica se for isso o pretendido, no entanto poderá causar dinâmicas imprevisíveis que poderão originar colisões entre os utilizadores, não será a melhor superfície para proteger os utilizadores mais vulneráveis, porque facilmente espaços de queda poderão ser usados como percurso de bicicleta, este acesso nivelado e poderá criar uma ilusão de segurança e com isso originar algumas atitudes que poderão criar perigo .
Esta superfície devida à sua solidez e uniformidade, proporciona estabilidade de movimento. Ao contrário das superfícies compostas de materiais soltos, tem uma enorme desvantagem, a inspeção e futura manutenção, esta superfície quando necessita de inspeção, torna-se um bocado complexo e em determinadas vezes obriga a danificar o pavimento para conseguir aceder às fundações, o que torna o processo
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muito mais dispendioso, e a nível de reposição ou correção de algumas áreas o stock não é tão imediato e acessível.
Ao contrário das outras superfícies que após diversos estudos, definem uma altura máxima de queda quando cumpridas determinadas características, nestes casos não existe altura máxima de queda, porque cada material requer um teste HIC de acordo com a norma EN 1777, que determinará a altura máxima de queda que será capaz de amortecer o impacto, este processo irá tornar o processo mais demorado e caro.
É uma superfície que poderá ser usada num projeto padrão, se o objetivo for aplicá-lo em várias regiões, porque não está dependente dos equipamentos presentes no espaço, do clima, da intensidade de utilização entre outros fatores, é a superfície capaz de cumprir a sua função inicial durante maior hiato temporal, sem que haja intervenção humana, o que poderá ser benéfico, no entanto deve ser sempre medido o risco-benefício da sua utilização.